quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Para pensar um pouco mais...

As canções, sermões e outros documentos que nos foram deixados pelos cristãos de séculos anteriores atestam uma compreensão mais profunda, e uma maior capacidade de expressão dos ensinamentos bíblicos em relação a nós.
Eu não creio que sua capacidade intelectual era maior do que a nossa. Creio que somos dotados de potencial semelhante, e, como temos acesso mais fácil à informação, talvez o jogo ainda esteja em nosso favor. Mas então o que justificaria a superioridade de sua expressão doutrinária e prática? – Creio que o exercício da meditação responde bem tal questionamento, embora este não seja o único fator.
Era prática comum de cristãos de alguns séculos anteriores a meditação. Ouvimos falar, por exemplo, das cavalgadas de Jonathan Edwards – o modo que ele tinha de ‘fugir’ para refletir sobre as verdades bíblicas. Sabemos sobre o impacto de tais meditações na vida de George Whitefield, transformando-o em um dos maiores pregadores do seu tempo, e seguramente, de todos os séculos.
Na contramão, o cristianismo que vivemos hoje envolve pouco de nossas mentes. Estamos acostumados a um modelo que exclui de nossa vivência como cristãos o exercício regular da mente e razão. Contentamo-nos com respostas prontas e uma compreensão superficial de algumas doutrinas; abandonamos as discussões profundas pensando ser ‘pouco espirituais’ e caminhamos felizes, pensando que estamos agradando a Deus, enquanto minamos as bases de nossa própria fé.
Não paramos para meditar sobre a Palavra de Deus. Nossa leitura relâmpago não deixa espaço para uma reflexão profunda a respeito das implicações do que lemos para nossas vidas, ou para a compreensão do trecho lido no contexto geral das Escrituras. Não buscamos entender as doutrinas dentro de nossas leituras diárias e justificamos falando que “doutrinas criam divisões entre igrejas”.
Crianças cujos intelectos não são estimulados normalmente se tornam ‘patetas’ quando crescem. Assim acontece com cristãos que não exercitam suas mentes diante do Senhor. Suas vidas cristãs serão por demais frágeis. Diante de problemas, entrarão em terríveis conflitos porque não conhecem suficientemente o caráter de Deus, bem como Seus atributos de soberania e amor. Diante de momentos alegres eles se esquecerão que tudo vem do Senhor, e serão pessoas orgulhosas, acreditando que por seus méritos conseguiram excelentes vitórias. Diante da ‘normalidade’ do dia-a-dia permanecerão indiferentes à realidade que os envolve, esquecendo-se que só vivem pela graça do Senhor, e de que vivem para a glória de Deus.
Mais ainda, com suas mentes atrofiadas, entregar-se-ão a todos os tipos de novidades possíveis na esfera do cristianismo. Seus cultos serão ‘inovadores’, no sentido de acrescentarem tantas coisas a ponto de nem lembrar que um dia a Bíblia Sagrada era o que regulava o culto ao Senhor. Suas músicas parecerão jingles comerciais, vazios de conteúdo e extremamente repetitivos. Suas pregações não mais agüentarão a solidez da mensagem escriturística, e abordarão temas populares, como a auto-ajuda e a prosperidade financeira.
Com tudo isto, serão derrubados todos os princípios da Reforma Protestante e da Palavra de Deus. A Bíblia deixará de ser sua regra de fé e prática (com tantas inovações), a graça de Deus será esquecida (pra que graça se eles nem se lembrarão do pecado?), a fé perderá o seu sentido bíblico (o que valerá será a fé da auto-ajuda, apenas o pensamento positivo), Cristo não mais será o centro (o homem tomará o seu lugar), e a glória de Deus será a última coisa buscada por tais pessoas.
Alguma semelhança? Já temos visto igrejas alcançarem alguns destes estágios. Este quadro é por demais negro e triste, mas certamente é para onde caminhamos se não nos arrependermos de nossa conduta irracional diante de Deus. Que o Senhor nos conceda graça para utilizarmos nossas mentes para a glória dEle.

3 comentários:

Giuliano disse...

Felizmente a Graça está presente em nossa era. Isto permite com que possamos enxergar estas coisas que aqui foram muito bem explanadas.
Vejo que o amor do Pai tem ficado à margem do nosso cotidiano na igreja.
Sabes que enfrentei período de trevas e isto por agir (ou melhor: tentar!) longe do Pai.
Hoje, agora mesmo, estou vivendo o que seria o renascimento e minha alma está novamente envolvida com as coisas do Pai.
Seria estranho não tocar nestes assuntos, mas realmente estamos longe da contemplação.
Não me contento com o estilo de adoração de nossos dias, ainda prefiro o chorar e contemplar o Pai em momentos de oração e quebrantamento, muitos deles em locais afastados, nas vigílias da noite e não em 'shows' dos líderes ungidos do louvor.
Precisamos nos encontrar mais vezes com o Pai. A boa notícia é que isto pode acontecer todos os dias!
Espero que nosso estilo de vida seja abençoado e agraciado pelo Espírito e que outras pessoas venham a acordar deste 'sono espiritual'.
Vivamos o amor do Pai e experimentemos a Sua intimidade, transmitindo amor às pessoas e dessa forma venhamos a viver um pouco (pelo menos!) do que muitos viveram no passado.
Um abração, meu irmão e obrigado pelas suas orações.

Allen Porto disse...

Giu,

obrigado pelos sábios comentários.

Sabe que eu tenho medo de ser mal interpretado?

Talvez alguns pensem que eu defendo um tipo de cristianismo meramente acadêmico e frio, puramente intelectual...

Quando conhecemos os puritanos podemos visualizar melhor a união entre reflexão e piedade (que, por sinal, era o lema do seminário teológico no qual eu me formei...)

Deus nos abnçoe, dando a sobriedade intelectual e as lágrimas necessárias para nosso crescimento.

Conte sempre com minhas orações.

abraço
:) SDG

O PENSADOR disse...

Valeu Allen, pela Excelente reflexão...
Não creio, grande amigo, que este cristianismo o qual você defenda seja frio... de maneira nenhuma. Acredito sim, que este seja o verdadeiro cristianismo.
Reflexivo, pensativo, questionador, audacioso, contundente, espiritual sem deixar de ser racional, e racional sem deixar de ser espiritual...

Afinal de contas, se todos nós "meditássemos" mais(buscássemos um lugar apropriado para ficar a sós com Deus). Não precisaria haver pessoas como Jeremias, Isaías, Daniel, para alertar o povo de como se desviam facilmente da palavra de Deus...

Se o povo entendesse que a volta de Cristo é iminente, talvez não precisássemos (aqui refíro-me a pequena parcela da sociedade cristã que encontra-se acordada, da qual você faz parte, caríssimo amigo) pregar tanto a respeito.

A respeito do seu prognóstico final , no texto, rs, muito se assemelha ao meu também. E por uma questão de mera coincidência assemelha-se ao que a Bíblia afirma como "previsão para o futuro".

Mas como fazer um povo que não lê , compreender? Como fazer a geração da mídia, voltar a Caneta, ao Jornal e a Bíblia?

Um abraço... e fica com Deus...
A propósito, como foi a missão no interior?