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segunda-feira, 23 de maio de 2011

Um Ano de ministério pastoral ordenado: memórias

Há um ano eu era ordenado na Igreja Batista Renascença – um momento chave em uma caminhada de dúvidas e certezas.

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Apresentado, por meus pais,
na Igreja Batista Getsêmani
Nasci em um lar cristão, filho de pastor batista de linha conservadora. Quando criança, ousei afirmar que desejava ser pastor – mais pelo desejo de imitar o meu pai do que qualquer outra coisa. Lá pelos seis anos de idade creio ter sido salvo por Jesus. Eu, que ouvia o meu pai fazer “o apelo” todo domingo (lembrem-se: era uma típica igreja batista tradicional: a Igreja Batista Getsêmani – em São Luís), acabei por crer em Jesus no terraço de minha casa. Obviamente a coisa não é tão pontual quanto parece, mas uso aquela noite em que chamei minha mãe para orar comigo como um marco de conversão. Creio que tive minha primeira visão da vida do pastor na velha casa 66, da Rua 17, do Cohatrac IV. Eu não tinha discernimento para muita coisa, mas ver o meu pai pregando aos domingos deve ter produzido algum impacto, ainda que eu não o saiba identificar claramente.

Desenvolvendo o ministério de pregação
- Buriti de Inácia Vaz (MA)
A adolescência chegou, e então eu abandonei a idéia do ministério pastoral. Permaneci ativo e comprometido com a igreja – e naquele período comecei algum tipo de ministério virtual, usando os serviços de hospedagem gratuitos, estudando html e criando uma página na internet para escrever alguns pensamentos –, mas daí a ter envolvimento mais profundo com a vida de um pastor havia longa distância. Lembro de ser tomado pelo senso de que o ministério pastoral era grande demais para mim.

Aproximando-me dos 17 anos de idade, descobri as doutrinas da graça. Essa foi uma espécie de “segunda conversão” - uma transformação radical no modo de compreender as coisas de Deus. A minha visão de igreja nunca mais foi a mesma. E com tal descoberta, o interesse por teologia veio com toda a força. Lembro-me de, enquanto os amigos de escola anunciavam o que cursariam na universidade (medicina, direito, …), eu abria um sorriso e apresentava a minha escolha: teologia! Estudei comunicação (sem concluir), e obtive graduação em direito, mas o centro de minha reflexão em todo esse período foi a formação teológica.

Acampamento de Jovens da
Segunda Igreja Batista em Teresina
Mesmo no seminário, ainda resistia à idéia de ser pastor. Fui questionado várias vezes sobre o motivo de estar ali, e a resposta era sempre a mesma: “não pretendo ser pastor, mas sei que desejo servir em alguma coisa na igreja”.

A essa altura, eu já estava sendo treinado na Igreja Batista Monte Carmelo (eu já não estava mais na igreja onde nasci). Aprendi que eu deveria desenvolver outras potencialidades além da área musical:  ali comecei a dirigir cultos e a pregar. Sou eternamente ao Pr. Cleomárcio Lima por isso.

Por questões familiares – e por acreditar ser um movimento sábio e útil –, tornei-me membro da Igreja Batista Renascença, onde permaneci por aproximadamente seis anos. Ali tive a experiência de um ministério colegiado. Comecei a servir auxiliando a equipe pastoral, em um tipo de ministério pastoral não ordenado, porém não clandestino. Enquanto realizava as atividades de coordenação de ensino, liderança de Pequenos Grupos, pregação, etc, ainda lutava com a idéia de me tornar “oficialmente” pastor.

 A Convenção Batista Maranhense
me examinou teologicamente


Mas tive um vislumbre da graça de Deus e percebi que estava olhando para o lugar errado. Eu media o ministério pastoral a partir de minha estatura “espiritual, intelectual, emocional, ...”. Obviamente eu nunca estaria pronto para aquilo! Até que entendi: a medida não era “Allen Porto”, mas Deus, Sua graça, e Seu chamado. Avaliando os requisitos básicos (escriturísticos) do caráter do líder, rendi-me à vocação do Senhor, e topei o desafio.

Enquanto estava na IBR eu fui mentoreado por pessoas inesquecíveis em minha caminhada. As conversas com os Prs. Alzugaray Pinheiro, Vanduides Cristovam, Mike Nichols, Carlos Henrique e Nonato do Monte contribuíram em muito para o esclarecimento de questões, bem como para a compreensão da vida de um pastor.

Imposição de mãos do presbitério
(na Igreja Batista Renascença)
Foi assim que, há um ano, a igreja (que já me chamava de pastor) pediu minha ordenação. Passei pelo tradicional rito do exame teológico, tendo sido aprovado, e, no dia seguinte, o culto ao Senhor contou com um momento de imposição de mãos do presbitério, e com ele minha devida confirmação no ministério pastoral.

Tendo vivido por 25 anos na Igreja Batista, passei a considerar as transformações em minha teologia, e fui me alinhando com uma visão da aliança, do culto, e de outras áreas, nos moldes de irmãos próximos, da Igreja Presbiteriana do Brasil. A essa altura, já havia passado pelo que chamo de minha “terceira conversão” - a descoberta de Francis Schaeffer, Abraham Kuyper, Herman Dooyeweerd, etc.: uma forma diferente de enxergar a realidade integralmente. (Em outra ocasião falo sobre as minhas “três” conversões).

Ministro da IPB
Recebi o convite da IPB e o aceitei. Assim, em dezembro de 2010 passei por outro exame teológico – agora presidido por pastores presbiterianos – e, aprovado novamente, fui recebido no Presbitério Leste do Maranhão, e designado para a Igreja Presbiteriana do Renascença.

Desde então, tenho servido a Deus e aos meus irmãos daquela igreja, bem como trabalhado na plantação da Igreja Presbiteriana do Araçagy – um projeto de igreja reformada, educativa, missional, contemporânea e pressuposicional. (Também em outra ocasião explico isso). Estou ao lado de grandes amigos e companheiros de ministério, como o Rev. Ilmar Almeida, o Rev. Cleomárcio Lima (o mesmo da IB Monte Carmelo), o Rev. Adenauer Lima, o Rev. Emilio Azevedo, e o Rev. Diogo Inawashiro. Não apenas tenho amigos de ministério, mas uma companheira e auxiliadora, dada por Deus para a vida de pastor. O ministério começa em casa.

É cedo demais para fazer qualquer avaliação mais profunda. Já tenho algumas histórias para contar – boas e ruins – da atuação como pastor, mas este é só o começo.

Um dia eu precisei aprender que o ministério se sustenta apenas quando eu não estou no centro. Peço a Deus que conserve em mim esta visão até o fim.

Soli Deo Gloria.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Uma visita ao L'Abri Brasil

publicado originalmente no 5Calvinistas
Placa na entrada
Desde que comecei a ler as obras de Francis Schaeffer e conheci um pouco mais de sua história, passei a sonhar com o seu centro de estudos, evangelização, devoção e relacionamentos: o L'Abri.

Pela providência divina, quando estava mergulhando na leitura do autor, outras pessoas estavam em viagem para os L'Abris europeus (mais especificamente da Inglaterra e Holanda), a fim de se qualificarem para abrir um branch no Brasil.

Mesmo de longe, acompanhei o blog do Guilherme de Carvalho e seus relatórios do ano que passou na Europa. Acompanhei as iniciativas de apoio e arrecadação, com o blog pró-L'Abri Brasil, e, finalmente, a aprovação pelo board internacional e os trabalhos iniciais da unidade, situada em Belo Horizonte.

À medida em que caminhava nas leituras schaefferianas, seguia sonhando com o dia em que conheceria o ambiente e as pessoas envolvidas com o trabalho. Lembro-me bem de visitar periodicamente o blog, observando os cursos, congressos, retiros de fins de semana, e termos de inverno e verão. Por mais de uma vez tentei me inscrever no congresso anual - em uma delas até efetuei o pagamento da inscrição - mas o preço das passagens sempre foi um empecilho, entre outras dificuldades.

Nesse intervalo, conheci a mulher que hoje compartilha a vida comigo. Ela me ouvia falar apaixonadamente das obras e idéias do tal "autor americano que fez um belo trabalho na Suíça, envolvendo filosofia, arte e o evangelho". Ela vislumbrou a perspectiva de cima: começou com leituras e pesquisa em Herman Dooyeweerd, que, através de Hans Rookmaaker, teve profundo impacto sobre o pensamento e a prática de Schaeffer. Conheceu as obra deste último e as leu posteriormente, mas também passou a gostar de seu pensamento e da proposta do L'Abri.

Quis a Providência que apenas depois de casados, pudéssemos conhecer o local. As coisas foram encaminhadas pelo Senhor de tal modo, que mais de um propósito foi realizado: além de conhecer as pessoas e o ambiente, também fomos com o objetivo de participar do I Seminário de Neocalvinismo da AKET (associação Kuyper para estudos transdisciplinares). Desta forma, aprofundaríamos as pesquisas em Kuyper, Dooyeweerd e Rookmaaker, e veríamos os desdobramentos disso em Schaeffer e no L'Abri.

Sob a direção do Altíssimo, conseguimos nos inscrever, comprar as passagens com preço promocional, e ainda perceber o encorajamento e apoio de nossa igreja. Como  é bom reconhecer que as coisas são providenciadas pelo Senhor no seu devido tempo!
Em cada quarto, um herói

Aliás, a história das passagens é digna de relato. Ainda em Fevereiro começamos a sonhar com o seminário. Mas dependíamos de preços razoáveis quanto ao transporte. O tempo passou, e em Abril consideramos novamente a possibilidade de ir, pois uma promoção de passagens estava em voga. Por alguma razão, não conseguimos comprar os bilhetes na ocasião, e quase demos por certa a nossa ausência no evento. Mas o Senhor direcionou as coisas, de modo que alimentamos o desejo de estar lá mais uma vez, e, em nova pesquisa por bilhetes aéreos, nova promoção foi lançada: finalmente iríamos!

É nesse contexto que nos organizamos para a viagem. A dificuldade de morar em um extremo do Brasil é que para visitar qualquer canto se passeia pelo país inteiro. Para chegar em Belo Horizonte fizemos o trajeto São Luís – Fortaleza – Brasília – Belo Horizonte. A volta foi um pouco menor, sem passar por Fortaleza. Ao  todo, fizemos 6.928 km. Para se ter uma idéia, do Rio de Janeiro à Cidade do Cabo, na África do Sul, são 6.036 Km. Mas eu fujo do assunto. Voltemos.

Chegamos a Belo Horizonte, e fomos muito bem recebidos pelo Igor Miguel, blogueiro do “Pensar”. Até então, só havia troca de e-mails, comentários no blog e tweets, mas o contato pessoal revelou uma pessoa bastante receptiva e vibrante. Acho que o pessoal em torno do L'Abri recebe uns treinos em “hospitalidade” - todos são bons na coisa. Uma rápida volta pela UFMG, e logo estávamos na casa do L'Abri, conhecendo Vanessa Belmonte, Guilherme de Carvalho e sua esposa Alessandra, e outro visitante: o paraense Jackson Salustiano.
Um corredor recheado de beleza

Apresentados à equipe e à casa, as impressões foram se disseminando. O ambiente é marcado pela combinação entre simplicidade e beleza. Os quartos, sem pompa, trazem lustres e luminárias confeccionados manualmente pela Alessandra (não sei se com a ajuda de alguém). O corredor também é decorado com quadros confeccionados à mão. Cada quarto traz uma placa sobre a porta, identificando-o com um referencial do pensamento de L'Abri. Encontramos: Wilberforce, Rembrandt, Kuyper e Schaeffer. Ficamos no quarto Rembrandt, com estrutura para casal.
A biblioteca: suficiente

A biblioteca não é das maiores. Uma rápida olhada na biblioteca pessoal do Guilherme de Carvalho me deu a impressão de que ele possui mais livros do que o L'Abri. Mas isso não deve enganar: os livros ali presentes são cuidadosamente selecionados, de modo que nenhum cumpre o papel de apenas “preencher espaço na estante”. Se, por um lado, a descrevi como “não tão grande” (leve-se em conta que, de algum modo, tenho o refencial da biblioteca do Andrew Jumper, que ocupa dois andares de um prédio – porém, com objetivo diferente do L'Abri), nem por isso pretendo dizer pouco abrangente. Os livros estão organizados em áreas distintas do pensamento – biografias, Kuyper e Dooyeweerd, Schaeffer, educação, psicologia, filosofia, autores de L'Abri, cultura e fé cristã, política, história da filosofia, arte, igreja emergente, economia, teologia reformada, entre outras categorias. Passei um tempinho considerável “namorando” algumas obras, e anotando nomes. Saí de lá com uma lista de 56 obras que pretendo adquirir aos poucos.
Os quadros estão em toda parte

Conhecemos a sala de estudos – um quarto com a coleção de Philosophia Reformata (periódico editado por Herman Dooyeweerd), uma mesa, uma luminária, uma cadeira, uma poltrona, o catálogo de palestras do L'Abri e quadros na parede. Os quadros estão por toda a parte. Já mencionei os confeccionados manualmente, mas há também pinturas clássicas. Reconheci o “noite estrelada”, de Van Gogh na sala principal da casa, e muito da pintura holandesa.

Almoçamos com o pessoal, ao som de um agradável jazz. Música permeia o ambiente de L'Abri, e isso me lembrou passagens dos registros de Edith sobre o gosto musical de Francis Schaeffer – especialmente os trechos no fim da vida dele, ouvindo Haendel enquanto o câncer (ou Deus) o levava aos poucos.

 O Seminário começou à noite, e pudemos conhecer mais pessoas, como Rodolfo Amorim, o casal Tijs e Kelly Van den Brink, e a Joyce, outra worker. Ouvimos palestras sobre o pensamento neocalvinista, ministradas por Rodolfo e Guilherme. Foi tarde, noite, e o primeiro dia.
Interações das palestras

O segundo dia foi corrido. Todo imerso no seminário. Pela manhã, e entrando na tarde, ouvimos comunicações orais, envolvendo o pensamento neocalvinista com as mais diversas áreas do conhecimento, como Teoria do Estado, Relações Internacionais, Pedagogia e Artes.

Cada comunicação era recheada de interações não apenas com autores respeitáveis, mas entre o próprio pessoal do L'Abri. Foi impactante perceber o quão intelectualmente rigorosos são aqueles irmãos, ao mesmo tempo em que, profundamente humilhante e estimulante. Humilhante no sentido de demonstrar o quanto ainda há para ser lido e conhecido por mim. Estimulante pelas exatas mesmas razões!

Neste segundo dia conheci mais irmãos, como o André Tavares, o Fred – um dos pastores da Caverna de Adulão – e suas respectivas esposas. Fiquei bastante feliz na troca de idéias com o Fred, por perceber sua compreensão teológica e o direcionamento da Caverna em bases calvinistas.
alimento físico e estético

Ainda ouvimos palestras sobre o narcisismo da cultura contemporânea, e críticas à perspectiva da cosmovisão cristã, bem como respostas a tais objeções. De fato, foi inovador perceber a ênfase ali dada à noção de que cosmovisão não é tudo. É preciso ir além, e forjar uma experiência cristã da realidade.

Novo jantar, e mais uma vez a combinação de alimento físico com sensorial. O L'Abri busca uma experiência integral, então uma simples refeição pode promover estimulação física – pela comida –, intelectual – pelas conversas –, e estética (luz de velas, flores sobre a mesa, jazz ao fundo...). Após as refeições sempre há trabalho voluntário. Lavamos a louça, arrumamos a sala, e servimos conforme a necessidade.

Ao fim do dia, tivemos agradável conversa com Guilherme e Alessandra, conhecendo mais de sua história e do L'Abri. Foi a ocasião para gravarmos uma breve entrevista, postada em seis partes no BJC.
Quando a gente volta?

Logo cedo no dia seguinte voltamos para São Luís. O curto período de tempo não restringiu a alimentação de nosso espírito. As marcas de irmãos em Cristo, comprometidos com uma experiência integral diante de Deus, e em levar todas as áreas da vida submetidas ao senhorio de Cristo, deixaram impressões tão fortes em nosso coração, que os posts, vídeos e relatos serão ainda descrições limitadas. Louvado seja Deus pela AKET, pelo L'Abri, e pelas pessoas que Ele vocacionou nesse país para tal obra.


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A dobradinha "Ca-Ca": o calvinismo e o casamento

Senhores,

A contagem regressiva para o meu casório já começou. Faltam exatamente 9 dias. Por isso estou pensando, lendo, e escrevendo sobre o assunto.

Publiquei no EuCaso.com e no 5Calvinistas o artigo "Como o calvinismo pode salvar seu casamento", e convido vocês a pensarem junto comigo sobre o assunto. Dêem uma lida no material, e façam suas críticas.


Clique aqui para ler o artigo no EuCaso.com.


Clique aqui para o artigo no 5Calvinistas.blogspot.com.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Um 2011... diferente

 Há igrejas e pessoas que não vivem sem uma frase de efeito. "Esse é o ano de poder", "é o ano da promessa",  "é o ano do jubileu", e por aí vai. Se eu estivesse entre tais fileiras, diria que 2011 é "o ano das mudanças". Na verdade todo o processo das mudanças que ora tomam forma foi semeado antes, talvez com mais tempo até do que eu consiga definir. Mas em vez de ficar enrolando, vou falar sobre diferenças que encaro em 2011.

Normalmente não gosto de posts tão pessoais. Embora num blog o espaço seja para apresentar uma visão pessoal da realidade (pautada na tradição do cristianismo clássico - no caso do BJC), penso que torná-lo um diário é o caminho da irrelevância. De qualquer modo, outros fazem melhor do que eu - e não pretensão de imitá-los. Creio que muitos desconhecem algumas das mudanças pelas quais tenho passado, e alguns não compreendem decisões que tomei, por isso achei de bom proveito este post. Às mudanças:

1. A mudança eclesiástica
Comecei 2010 como auxiliar ministerial (tendo me tornado pastor ainda no primeiro semestre) da Igreja Batista. Começo 2011 como pastor presbiteriano. A mudança eclesiástica se deu, basicamente, pela afinidade nas convicções teológicas, e pelas oportunidades de um ministério abertamente reformado.
Convidado pela Igreja Presbiteriana do Renascença, topei o desafio de ali servir e plantar uma igreja em São Luís. Passei pelo processo de exame no Presbitério Leste do Maranhão, e, aprovado, fui recebido como pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil.
Como vivi toda a minha vida na batista (um quarto de século), estou no período de adaptação em uma nova igreja. Encarar tal mudança é sentir o friozinho na barriga de quem lida com realidades ainda não tão familiares, que trazem um senso de curiosidade e satisfação a cada nova descoberta.
Não apenas mudei de igreja local, mas de denominação, e isso implica adaptações ainda maiores no que diz respeito à forma de governo, por exemplo. O batismo infantil já não era problema para mim há algum tempo.
A idéia de plantar uma igreja também é bastante desafiadora, mas num bom sentido.

2. A mudança de estado civil
Comecei 2010 como solteiro. Começo 2011 a caminho do altar - ainda em Janeiro celebrarei o matrimônio com a blogueira do IvoneTirinhas, do lado de quem edito o EuCaso.com.
Obtendo habilitação para casar
Mudar de estado civil - de solteiro para casado - é entrar em um novo universo, cujas formas apenas foram vislumbradas de longe, no namoro e noivado. Creio, evidentemente, que a semente do casamento está no namoro, de modo que aquele é a elevação deste à última potência. Mas ainda assim, e considerando um relacionamento vivido a aproximadamente 2028 Km de distância, a realidade do casamento e da convivência revela aspectos até então inexplorados - sejam ruins, ou bons.
Finalmente estaremos na mesma cidade. Mais do que isso: finalmente estaremos na mesma casa (apartamento, para ser mais exato).
Se você deseja entender um pouco da minha sensação enquanto penso sobre tal mudança, basta pensar que será também desafiador conviver tão de perto - e para sempre - com alguém, mas finalmente poderei ver o rosto por trás das entonações de voz, as lágrimas escondidas sob o som do choro, o sorriso que o insensível(!) celular me esconde, e o perfume que a distância faz questão de dissipar.


3. Outras
Para não ser tão detalhista sobre minha vida, creio que uma terceira categoria pode abranger as várias outras mudanças que decorrerão das duas primeiras. Uma nova forma de me relacionar com meus pais e irmã será estabelecida, por exemplo. Embora eu já esteja morando sozinho há um tempo, ainda resta o clima de almoço diário na casa dos pais, e fins de semana dormindo por lá. Novas formas de lidar com as pessoas que Deus predestinou para formarem o meu caráter e me darem as primeiras noções de relacionamento serão agora exploradas. Sempre em honra e amor.
Haverá mudanças financeiras, decorrentes da vida em casal. A organização das finanças passa a ter o foco na família que estou formando, e não mais em mim exclusivamente. Isto vai exigir alguns cortes, e o estabelecimento de novas prioridades.
Mudanças intelectuais e espirituais seguirão, à medida que prossigo o estudo das Escrituras e da teologia filosófica no mestrado.
Mas, fundamentalmente, quase que como um laço que envolve todo o pacote, encaro as mudanças que decorrem de tudo o que foi mencionado, sobre a minha personalidade - forjando o meu caráter, desenvolvendo maior senso de responsabilidade, indicando as minhas fraquezas, e produzindo ótimas oportunidades de Deus me tratar. Ele é bom nisso.

*   *   *

Tenha você também um ótimo 2011. Que as mudanças ocorridas ao longo do ano sirvam para fazê-l@ crescer, e amar mais ao Senhor.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

6 meses de ministério pastoral

Há 6 meses uma cerimônia tornava oficial minha ordenação ao ministério pastoral. Pela imposição de mãos do presbitério, tornei-me pastor.

Já mencionei anteriormente as lutas que travei com a idéia de ser um ministro ordenado. Eu preferia o ministério "leigo" - ajudar pessoas sem a alcunha ou o "pr." junto ao meu nome; exercer um ministério mais light, sem muita cobrança. Não que eu evitasse o compromisso, mas considerava a tarefa pesada demais para mim.

Pela graça de Deus, fui convencido de que Deus chama e usa rábulas como eu, e - principalmente - compreendi que a obra é do Senhor, e não minha.

Em minhas reflexões - e um dia pretendo desenvolver isto por aqui de modo mais completo - tenho sonhado e desenvolvido uma filosofia de ministério pautada em 5 pilares. Desejo e trabalho por um ministério Reformado, Contemporâneo, Missional, Educativo e Pressuposicional. Orem por isso.
Deus tem me permitido atuar em algumas áreas, que podem fazer parte desse relato.

O ministério da pregação tem sido um grande alvo. Embora eu não seja o preaching pastor, ou o pastor titular de minha igreja (Igreja Batista Renascença), Deus tem me dado a oportunidade de pregar ali e em outros lugares. É uma tarefa dolorosa e desafiadora, mas ao mesmo tempo, profundamente gratificante. Deus tem me permitido ver algumas mensagens suscitarem conversas interessantes, e a percepção de pontos até então não percebidos na Escritura. Este é um dos aspectos que mais valorizo. Minha preferência é a de sermões expositivos, que caminhem ao longo do texto bíblico. A questão da periodicidade pode atrapalhar, mas mesmo em sermões avulsos tento trabalhar com seções completas do pensamento de um autor bíblico. E apontar para Jesus, sempre.

O ministério do aconselhamento também tem sido desenvolvido. Ele ainda não é desenvolvido tanto no formato tradicional - de pessoas no gabinete pastoral, sendo formalmente aconselhadas - mas talvez seja melhor assim. Os aconselhamentos realizados têm sido feitos no desenvolvimento de amizades, ou em conversas no dia-a-dia, troca de e-mails, questões enviadas pelo twitter, diálogos do facebook, ligações realizadas, entre tantos outros meios. Embora muitas vezes o meio exija uma rapidez que atrapalha, a conversa é continuada, e o acompanhamento se dá, seja mais de perto, seja a distância. Às vezes tenho visto o bom resultado desta área, mas em outras vezes, nem tanto. São os "sucessos" e "fracassos" do ministério. Estou aprendendo a lidar com isso.


Em âmbito formal, o ministério do ensino também é alvo de meu investimento. Como pastor, também tenho supervisionado e lecionado em classes e cursos promovidos por minha igreja. Aqui, novamente, tenho a dor e o prazer de experimentar terríveis e ótimas aulas. Deus tem sido gracioso comigo, e me dado bons alunos, embora sempre se perceba uns mais engajados do que outros. Cada um tem o seu ritmo.


Informalmente, desenvolvo o ministério do discipulado. Principalmente através da amizade, o Senhor tem me dado graça para investir e trabalhar na vida de pessoas, contribuindo para o seu crescimento na comprensão das Escrituras, na vida com Jesus, e no desenvolvimento de uma mentalidade cristã. Como é prazeroso perceber as evidências de transformação e crescimento na vida de meus companheiros de jornada!

Obviamente nem tudo são flores. Acredito que seis meses não é tempo suficiente para ter uma descrição ampla do ministério. Já experimentei algumas lutas - ovelhas em rebeldia, a necessidade da disciplina eclesiástica, a importância da confrontação, o preconceito por minha idade, etc. Mas sei que o tempo ainda é pouco para os desafios que virão. Só não quero dar a idéia de que foi tudo um mar de rosas - houve falhas e problemas em cada um dos itens mencionados acima, questões com as quais preciso lidar e aprender a contornar.

Outro ponto que merece ser destacado, é a realidade de que o ministério pastoral também é via de mão dupla: enquanto prego, aconselho, ensino e discipulo, estes mesmos itens estão sendo operados em mim. E isto me faz perceber que, mais que um sacerdote e mediador entre os homens e Deus, eu sou apenas mais um vocacionado para servir aos meus irmãos, lado a lado com eles, contemplando nas Escrituras a glória do Pai, a vergonha da cruz, e a beleza de uma vida com o Deus Trino.

Soli Deo Gloria.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Mais de 200 seguidores

Senhores, passamos de 200 seguidores deste blog, sem mencionar os que assinam o feed, acompanham pelo twitter, recebem a newsletter ou apenas visitam o blog esporadicamente.

Obrigado por acompanharem o blog da sua forma.

Deus seja louvado pelos números (ainda tímidos) do BJC.

Um abraço

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A carteirada pastoral

Uma coisa ruim de ser pastor é que você pode estar no auge do seu ministério, mas ainda tem que lavar a louça.

O pastor tem uma série de privilégios – pelo menos em alguns cantos. Ministro visitante em uma igreja, por exemplo, nunca faz trabalho pesado (além de pregar). Pelo contrário, se você tiver um alto nível de reconhecimento popular, vai ser recebido pela igreja que o convidou para pregar, e, nos intervalos, fazer passeios, jantar na casa de irmãos da igreja ou em restaurantes da cidade.
Obviamente eu não estou nesse nível. Mas é possível desfrutar de algumas benesses em proporções menores.

Uma vez fui preletor em um acampamento no qual o povo não me deixou pegar fila para as refeições de jeito nenhum. Eu até tentei ficar em uma, mas lá estava um “vigia dos bons modos”, que deu a carteirada nos irmãos por mim. “Pastor não pega fila”, e “esse pessoal precisa aprender a respeitar a autoridade pastoral”, dizia. Não creio que estar em um lugar à frente na fila para o almoço seja evidência de insubmissão, mas respeitei o desejo de me tratar bem, revelado pelo rapaz.

Há casos em que você nem mesmo espera uma refeição, nem pensa em ir para a fila, ou algo semelhante – como aqueles lanches vendidos na “cantina” da igreja após o culto – e o lanche simplesmente aparece. Uma irmãzinha piedosa veio demonstrar carinho servindo-o surpreendentemente.

Para quem já estruturou bem uma igreja, há o privilégio do pastor evitar maiores trabalhos braçais – não por ser frouxo ou algo do tipo –, mas pelo reconhecimento de que não é bom que ele deixe a oração e a Palavra para se dedicar a outras coisas. Refiro-me a isso como um privilégio, sabendo da dificuldade que é se dedicar à oração pelos irmãos, e à preparação de um bom sermão.

O meu ponto é que ser pastor produz uma série de coisas boas. As ruins existem, certamente, e podem ocupar muitos outros posts, mas quero enfatizar os privilégios mencionados acima. Normalmente nem é você que precisa dar a “carteirada pastoral”, muitos fazem isso no seu lugar.

Contudo – e sempre há um “contudo -, quando você chega em casa os privilégios cessam. Especialmente se você é pastor, ainda não é casado, e mora sozinho, há o demônio da louça suja a ser exorcizado.

Você pode gritar o quanto quiser que é pastor. Pode citar Atos 6 nas mais variadas versões, inclusive no original [grego], aplicando ao contexto: “não é bom que deixemos a oração e a Palavra para lavar a louça”, mas nada acontecerá. Nadinha mesmo.

A louça é uma ovelha rebelde e obstinada. Ela não se importa com o número de anos que você passou no seminário, ou com as visitações e estudos que você ainda precisa fazer. Ela está lá, inerte, sorrindo faceiramente do seu incômodo ao encontrá-la. E se você demorar mais que o normal para encará-la, ela joga na sua cara que você está cometendo o pecado da procrastinação.

Nenhuma carteirada funciona com a louça. Todo pastor precisa colocar a mão na massa para a conversão de um prato sujo em um limpo. E assim ela – a louça – nos ensina que, melhor que ficar reclamando, é usar o tempo diante da pia para as orações.

Alguém aí se habilita a criar o ministério “diante da pia”?

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O caminho da ordenação


O dia amanheceu nublado e chuvoso - típico de uma tragédia anunciada nos filmes. Ainda bem que era alarme falso.
Encontrei-me com o examinador da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil - Seção Maranhão, e fui questionado sobre várias áreas da Teologia: bibliologia, Teontologia, Cristologia, Pneumatologia, Soteriologia e Escatologia, pra citar algumas.
Graças a Deus o encontro foi tranquilo, o examinador não era um terrorista - embora tenha deixado claro que no concílio a coisa será bem pior - e eu acredito ter respondido com fidelidade à Escritura (o mais importante).
Saí de lá com o parecer assinado, "atestando" estar preparado para o concílio.
Está marcado para o próximo mês. Que Deus me ajude.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Não me venha só com coisas boas de 2009

Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco (1Ts.5.18)

Um dos sinais mais interessantes de maturidade é a capacidade de encarar os eventos ruins como negativos, e ainda assim ter a certeza de que estavam nos decretos de Deus.

Os imaturos trabalham de duas maneiras: (1) ou vêem apenas o ponto negativo e a ele dão todo o espaço, vivendo em lamúrias e murmurações, queixas incessantes que ninguém aguenta mais ouvir; ou (2) tentam sublimar o ponto negativo, deixando de falar nele e ressaltando apenas as outras coisas boas, para ver se pelo silêncio o mal some.

Os momentos de transição de ano são ótimos para percebermos este fenômeno. Há quem viva a se queixar de 2009 - destacando tudo o que houve de ruim, e falando apenas das lutas, como quem não tem sonhos, esperança, ou alegria.

O outro extremo, contudo, parece ser mais visível neste período: muitos são os que ignoram as lutas e dificuldades de 2009, falando apenas do que foi bom e suave. Os sorrisos plásticos são montados na última quinzena de dezembro, e os buracos na máscara de felicidade são tapados com a hipocrisia recebida de presente no natal.

Contra essas duas abordagens imaturas, pretendo louvar a Deus pelo que houve de ruim em 2009. Foi um ano de lutas, certamente.

Logo em Fevereiro precisei lidar com um esgotamento físico e ministerial que, de alguma maneira, influenciou o resto do ano. Foi um ano para encarar o desânimo, ser decepcionado e decepcionar, viver lutas emocionais, lidar com a minha impaciência e mediocridade, abrir mão de aspectos nos quais me percebi fracassado, tentar encorajar e inspirar pessoas com a nítida percepção de que o esforço não surtiu efeito, pra citar algumas dificuldades.

Percebo tudo isso como coisas ruins e difíceis do período que agora termina. E ainda assim estou aprendendo a lidar com elas. Quero considerar os pontos difíceis de 2009, e não ignorá-los. Não quero ser hipócrita e dizer que algo mal foi bom (embora em algum aspecto possa ter sido), mas sei que posso e devo ser agradecido por ele.

Quero ser lúcido o suficiente para dizer "Deus, está sendo, ou foi difícil", mas ao mesmo tempo reconhecer: "obrigado porque todas as coisas cooperam para o bem daqueles que Te amam (Rm.8.28)".

E, no fim das contas, vamos encontrar esse dilema da vida cristã frequentemente: encarar o mal, sem perder a esperança.

Que 2010 traga as suas alegrias e tristezas, para a glória de Deus.
Soli Deo Gloria.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Loucura

às vezes não sei se estou tendo pensamentos profundos, ou se estou apenas entediado...

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

4 anos de BJC - soprem as velinhas!


Eu sou lerdo, não nego. Todo Dezembro vem a lembrança de que o blog faz aniversário, mas só escrevo atrasado. Não tem problema, o importante é lembrar.

No dia 21 deste mês, o BJC completou 4 aninhos de vida! Não pensei que fosse chegar a tanto - na verdade eu não pensei em nada (nenhum planejamento) quando fiz o blog. A intenção era apenas de escrever desabafos, reflexões e provocações, bem como demonstrar alguma noção do que é viver a partir de uma cosmovisão cristã.

O interessante é que eu nem sabia direito o que era a "cosmovisão cristã" e suas implicações. Sabia que a Escritura e o jornal do dia precisavam ter uma relação, mas não compreendia o que estava envolvido aí (nem acho que eu domine a coisa hoje).

Mas com o passar do tempo as idéias foram tomando forma, e eu fui ensinado por homens como Francis Schaeffer - provavelmente o nome que você mais leu neste blog.

Dos 10 ou 15 leitores que me acompanhavam no primeiro ano, não sei quantos restaram. Não acho que o BJC seja um "top blog" na rede virtual de computadores, mas o número de visitantes triplicou ou quadruplicou, sem mencionar as (número de hoje) 95 pessoas que seguem o blog pelo google friend connect, e mais outras tantas que assinam o feed ou recebem as atualizações por e-mail.

Agora, com 4 anos, acho até que posso me dar ao luxo de criar uma seção de textos antigos, a serem republicados ocasionalmente - pretendo fazer isso com um sobre a encarnação.

Muito obrigado por você fazer parte desses 4 anos!

Ore pelo BJC, e contribua de qualquer maneira para melhorarmos o blog: opine, pergunte, elogie, discorde, indique, debata, etc.

grande abraço.
SDG

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Enfim, bacharel

Sou uma figura machadiana e não nego. Machado de Assis ilustrou perfeitamente o Brás Cubas formado em Direito sem muita compreensão do assunto, bem como outras personagens no mesmo sentido.

De qualquer modo, finalmente concluí a etapa da graduação e participei de minha colação de grau na noite de ontem.

Eu devia estar graduado há 6 meses, mas alguns entraves no caminho só me permitiram receber o canudo agora. Tudo bem: minha paciência foi testada, bem como minha perseverança e humildade.

Agora é só alegria: diploma na mão, e... continuar estudando, porque o que eu desejo torna necessário pelo menos um mestrado na área.

Continuem orando por mim. Desenvolver o Direito a partir de uma perspectiva cristã (bem como o sonho de uma filosofia jurídica reformacional) é um desafio interessante.

Concurso? Não, obrigado.

* * *

Preciso, ainda, agradecer aos meus pais, cuja contribuição em todos os sentidos foi condição sine qua non (porque os operadores do Direito adoram latim...) para minha formação. Honra a quem merece ser honrado!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Fui promovido

Estou eu no escritório, quando o telefone toca:

-Alô? (às vezes eu atendo perguntando...)
-Allen?
-Oi.
-Aqui é _____. Estamos escrevendo uma matéria para o jornal, e gostaríamos de saber o que os evangélicos pensam sobre o dia de finados.

Conversamos por alguns minutos. O suficiente para noções gerais a respeito de textos como Hb.9.28 e a perspectiva de que podemos respeitar a agenda cultural e relembrar os finados, sem fazer preces a eles ou por eles. Sobrou um tempinho ainda para questionamentos teológicos mais aprofundados, como a questão a respeito do estado intermediário (em português simples: como e onde a alma fica entre a morte e a vinda de Jesus).

Mas lá estamos nós conversando e ela solta a pergunta indiscreta:

-Você é pastor, né?
-Não, não. Trabalho com os pastores de minha igreja, mas eu mesmo ainda não sou oficialmente considerado um.
-Hum... então vou colocar aqui "Teólogo".
-Por que não coloca simplesmente "cristão"?
-Que tal "estudioso da teologia"?
-Tá, acho que esse rola.

Mais ou menos assim. Nosso bate-papo não teve exatamente essas palavras, mas esse teor.

Descubro, hoje, que a reportagem foi publicada no Domingo. Para a minha surpresa, descobri que fui promovido: Se a ordem dos pastores batistas do Brasil (OPBB) ainda não reconheceu minha ordenação, a jornalista praticou a sua imposição de mãos e me consagrou ao ministério.

Ganhei, com o upgrade, uma citação direta que eu simplesmente não lembro ter pronunciado. De qualquer maneira, a jornalista preservou a idéia do diálogo, e assim fica tudo bem.

Será que na nossa próxima conversa eu viro "bispo"?

__
À jornalista: obrigado por preservar o conteúdo geral do bate-papo.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

FITREF: Faculdade Internacional de Teologia Reformada


Um diploma ou certificado não quer dizer necessariamente muita coisa, mas às vezes ele tem um peso incrível - principalmente quando é de uma boa instituição.

Por isso decidi escrever aqui sobre o assunto. Recebi ontem o meu certificado da Especialização em História da Igreja, cursada na Faculdade Internacional de Teologia Reformada (FITRef), ou International Reformed Theological College (IRTF). Aliás, meus certificados, considerando que eles enviam dois, um em inglês e outro em português.

A FITRef existe para abençoar e instruir servos de fala portuguesa. Seus professores são de várias partes do mundo, mas com um coração que fala o idioma luso-brasileiro.

Por uns dois anos* eu tive aulas - através da Internet - com professores na Holanda (o Rev. Francisco Leonardo), nos EUA (o Rev. Ralph Boersema), e no Brasil (os Revs. Paulo Anglada, Sebastião Guimarães , Leandro Lima e Franklin Ferreira). Cada disciplina oferecida com dedicação e excelência, mesmo sem a presença física.

Embora o curso tivesse terminado, a chegada do diploma parece estabelecer o marco de encerramento deste ciclo.

Louvo a Deus pelas lições da FITRef, e pela vida dos homens que se entregam pela formação de pessoas habilitadas para a Igreja.

Se você tem interesse em educação teológica à distância, recomendo que considere a FITRef.

Clique aqui para conhecer mais.

*O aluno pode levar mais ou menos tempo conforme os recursos e o tempo para fazer as disciplinas. O modo como eu escolhi fazer levou esse tempo.

domingo, 18 de outubro de 2009

Novas








Caros,

As últimas semanas têm sido corridas.

Grande parte delas foi vivida em aulas, o que justificou uma semana apenas de "comerciais" - divulgação de eventos interessantes pelo Brasil.

Assim que retornei à ilha do amor, tenho tentado colocar em ordem a "bagunça", e corrido para preparar os materiais das tarefas que surgem.

Consegui escrever algumas notas rápidas sobre o dia das crianças e o dos professores, mas os outros dias ficaram "de lado", não?

Orem por estes dias. A jornada tem sido interessante. Ontem meditei em Cl.3.16,17 com a minha igreja. Pretendo em breve postar algo sobre isso aqui - nem que sejam apenas os slides preparados.

Hoje ministrei um curso rápido sobre adoração.

Amanhã ministrarei uma classe sobre o batismo na perspectiva batista.

Preciso de graça para tudo isso, e assim conto com suas orações.

abraço
SDG

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Vivendo a leitura


Nada mais real do que a imaginação. Especialmente quando ela salta das páginas de um livro. No universo paralelo das letras e construções virtuais/imaginárias acontecem eventos de uma naturalidade absurda.

Vejam vocês: enquanto eu lia "a tragédia da Guanabara", era tomado por admiração, surpresa, e compaixão dos calvinistas missionários que vieram à nossa pátria. Mas logo a figura de Villegaignon ficou cada vez mais abjeta, e despertou em mim um processo de rejeição e ódio poucas vezes percebido.

Eu fiquei com raiva daquele personagem que se foi pelo menos alguns séculos antes de eu nascer. Tomaria aquele patife virtual em meus braços e o faria sofrer por sua traição e perseguição aos ministros.

Claro que isso não é a melhor coisa de se sentir, nem a se escrever por aqui. Defendo o amor ao próximo, o perdão, etc, etc. Apenas afirmo que vivi tudo isso enquanto lia tais páginas.

Esta madrugada a cena foi semelhante: Lia a sofrida história de uma garotinha maltratada, e logo me vi ranzinza e mal-humorado pelo que fizeram a ela. Consigo me ver deitado com a cara feia, resmungando algumas coisas enquanto o sono me tomava aos poucos.

Entrei em um estado de espírito/humor característico de um animal selvagem. Mas a beleza da coisa é que eu estava só - apenas eu, o livro, e o meu universo imaginário.

O que eu queria dizer é que as leituras têm esse poder de despertar e alterar minha percepção das coisas, levando-me a viajar nas suas histórias e a participar de suas tramas como mais uma das personagens do texto.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

O terrorista

Já falei em algum lugar que o calvinista é um ser folclórico. É o currupira eclesiástico, o unicórnio da fé. Citei estórias de pessoas preocupadas porque os calvinistas estavam ensinando “premonição” na igreja, e não duvido que alguém esteja investigando seriamente atentados terroristas causados por estes fanáticos da predestinação.

Mas não era isso o que eu queria dizer. Lembrei-me de um episódio que merece ser relatado. Estava eu passeando no pátio de uma escola quando encontro o Júnior. Ele é um típico estudante colegial, com a ingenuidade daqueles que acreditam em todos. Eu pensei em associar o fato de ser estudante colegial com a ingenuidade, mas logo percebi que isso não existe. O importante é que o Júnior era assim.

Abriu um sorriso de longe para mim, mas logo percebeu o que estava fazendo e fechou a expressão. Chegou bem perto e falou em tom sigiloso: “Ei Allen, é verdade que você está acreditando nesse negócio de calvinismo”?

Era isso. Alguém espalhou a notícia de que eu estava crendo nas perigosas doutrinas da Graça, e o Júnior, coitado, logo se preocupou comigo. Falou em tom confidente, meio preocupado com a minha postura, meio vigilante para não ser ouvido ao falar sobre o assunto.

A predestinação é tabu maior que sexo em algumas igrejas. Esta lá a irmãzinha psicóloga ou sexóloga a rasgar o verbo em suas elucubrações sobre a prática sexual e a sua importância no contexto do casamento, bem como sobre a validade da educação sexual nas escolas, e o debate sobre “detalhes picantes” entre adolescentes da igreja. Mas falar de predestinação já é demais.

Voltei os olhos para o garoto. Aquela pergunta era muito emblemática. Ele nem falou “acredita”, usou a expressão “está acreditando”. Então respondi em alto e bom som: “Mas é claro que eu creio nisso, cara!”. Ele murchou com uma flor de copo d'água. Saiu cabisbaixo. Eu me tornara um terrorista.