quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Todos merecem direitos iguais?


...não me é lícito fazer o que quiser do que é meu? (ACF)

Mt.20.15

É chique, bonito, e soa bem “teológico” dizer por aí que Deus é justo. Legal, né? Você mesmo já deve ter dito isto, talvez quando algum inimigo seu se deu mal – essas são horas em que muitas pessoas gostam de falar: “Deus é justo!”. De qualquer forma, uma aceitação geral de justiça e soberania é comum entre os cristãos.

O problema começa por aí mesmo. O comum é uma aceitação geral, como descrito acima. Quando esta justiça começa a ser especificada e aplicada, as pessoas logo fazem bicos, mudam a fisionomia, e tentam contestar estas noções “fechadas” e “rígidas” do caráter de Deus. Para ser direto: não há problemas em aceitar que Deus é justo e soberano, desde que esses sejam termos indefinidos em nosso vocabulário. Isto não soa muito bíblico, não é mesmo?

O trecho das Escrituras acima transcrito é bem adequado para o assunto que estamos tratando. Quando as pessoas ouvem o Senhor dizer que faz o que quer com aquilo que é dEle, ficam chocadas. Este não parece um Deus justo. Os homens querem um deus, mas não querem que seja Deus. Se Ele assume a postura de Senhor soberano, estes “servos” se levantam contra Ele, acusando-O de injusto e arbitrário.

Uma das dificuldades neste assunto parte dos falsos pressupostos de nossa estupidez humana. Por trás desta raiva está a concepção de que a justiça significa dar direitos iguais a todos. Mas será que esta noção é realmente válida? Vejamos: No Antigo Testamento Deus escolheu apenas um homem para ser o pai de uma grande nação (Gn.17) e não deu aos demais a mesma possibilidade. Apenas um dos dois filhos de Abraão teve o direito de continuar a linhagem da promessa (Gn.21.12). O Senhor escolheu apenas um povo para ser o celeiro das Suas bênçãos (Dt.7.7-11), e ainda afirmou claramente diante de Moisés que teria misericórdia de quem Ele quisesse ter misericórdia (Ex.33.19). Nada de direitos iguais.

Mas isto é coisa do tempo da lei”- diria algum “espertinho”, embora não haja nenhum sentido em se dizer isto, visto que a escolha de Abraão aconteceu antes do estabelecimento da Lei. Para derrubar tal pensamento, o Novo Testamento apresenta a mesma verdade com maior força. Ali está registrado que Jesus viria para salvar o Seu povo (Mt.1.21), que Deus ocultou as verdades do Evangelho a uns e revelou a outros (Mt.11.25,26), que Cristo revela o Pai a quem Ele quiser (Mt.11.27), que o Messias escondeu o significado de Suas palavras para ensinar apenas alguns (Lc.8.10), que os filhos de Deus nasceram da vontade do Pai (Jo.1.12), que o Senhor abre o coração de alguns para crerem no Evangelho (At.16.14), que o Altíssimo tem o direito de fazer [e faz] pessoas para receber ira e outras para receber misericórdia (Rm.9.21-23), que Deus escolheu as coisas pequenas e fracas (1Co.1.26-29) e que o povo de Javé foi escolhido antes da fundação do mundo (Ef.1.4; 2Ts.2.13), para citar algumas referências.

Os exemplos são muito fortes, e qualquer resistência está mais baseada em orgulho e teimosia do que no uso correto das faculdades mentais. Segue-se, do que foi observado, que a idéia de direitos iguais para todos não é bíblica e não pode ser aplicada a Deus. Deus continua sendo justo mesmo sem oferecer direitos iguais, visto que é Ele quem define a justiça, e não o homem.

Considerando que este é o ensino das Escrituras, qualquer doutrina contrária a isto não pode ser correta nem sábia, mas fruto da ignorância humana que se levanta contra o conhecimento de Deus (2Co.10.4-7).

A pergunta que acompanha estas breves e diretas linhas é: como você vai reagir a isto? Vai continuar afirmando a justiça de Deus, mas lutando contra ela, ou vai se render diante de um Senhor justo, que faz o que quer com o que é dEle?

Do Senhor é a terra, e a sua plenitude...” (1Co.10.26)

...aquEle que faz todas as coisas segundo o conselho da Sua vontade...” (Ef.1.11)

Soli Deo Gloria.

Um comentário:

PPRamada disse...

Allen,

você escreveu bem sobre o que acredita, porém... Não, a gente discuti pessoalmente.

Sabes que eu sou polêmico, rsrs.

Abraços.