terça-feira, 18 de novembro de 2008

O crescimento forçado

No tempo das chamadas “bombas” (esteróides) e hormônios de crescimento, existem outras formas de se forjar crescimento. Explico: não quero apresentar nenhuma proposta nova ou técnica para “esticar” o corpo (a minha estatura seria uma terrível contra-propaganda), mas uma possibilidade de crescimento intelectual e espiritual (as duas coisas andam juntas – posso trabalhar isso em outro post).


O insight veio quando eu lia o prólogo do livro História da Filosofia (Julián Marías, Martins Fontes, 589 p.). O autor descreve a sua história nos seguintes termos:


Um grupo de moças estudantes, de dezoito a vinte anos, colegas minhas, amigas muito próximas, me pediram que as ajudasse a se preparar para aquele exame [um exame de história da filosofia mencionado no parágrafo anterior]. Era outubro de 1933; tinha eu dezenove anos e estava no terceiro ano de meus estudos universitários – era o que se chama nos Estados Unidos um “junior” -; mas freqüentara os cursos de meus professores e lera vorazmente não poucos livros de filosofia. Organizou-se um curso privadíssimo, numa das salas de aula da residência de Senhoritas, dirigida por María de Maeztu.

(...)

Aqueles cursos de filosofia eram únicos em muitos sentidos, mas sobretudo em um: meus alunos eram meus colegas de Universidade, minhas amigas, moças da minha idade, o que significa que não tinham nenhum respeito por mim. Essa experiência do que poderíamos chamar de “docência irrespeitosa” foi inestimável para mim. Aquelas garotas não aceitavam nada in verba magistri; o argumento de autoridade não existia para elas. (Marías, pp.XXXI, XXXII)[grifado por mim]


Não sou um “Julián Marías” em nenhum sentido. No entanto, partilhei um pouco desta experiência. Trabalhando com jovens da minha idade, e pessoas mais velhas (não entendam isso pejorativamente, pelo amor de Deus – a palavra “VELHO” não é ruim!), fui e sou forçado a desenvolver senso da realidade, coerência e clareza na apresentação de idéias e força na argumentação a fim de que determinado ponto seja estabelecido.


Ninguém aceita o que falo porque sou eu quem está falando. Não perdoam e disparam perguntas e contra-argumentos violentamente. Batem enquanto podem neste pobre coitado, até que ele consiga apresentar evidências ou argumentos consistentes para fundamentar o que afirma. E, no fim das contas, estão certos em fazer isso.


A proposta é simples: converse com aquelas pessoas que contestarão as suas idéias, ou que, pelo menos, não as aceitarão a priori. Assim você será treinado para ouvir objeções (e ofensas algumas vezes – exercício de paciência...), para ensinar com clareza, e para argumentar com consistência. Tudo isto fortalecerá as suas convicções (e pode – deve – destruir as concepções erradas que você não conseguir sustentar), e dará a você uma compreensão cada vez mais clara dos pontos que defende, especialmente aqueles da sua fé. Em conseqüência disto, com as convicções de fé cada vez mais firmes e claras, você verá o horizonte bíblico-teológico se abrindo, e poderá amar a Deus com toda a sua mente.


Uma observação: é possível que você esteja certo em determinado ponto, mas por não ter fundamentos suficientes para defender o que crê, perca o debate. Não abandone as suas convicções tão facilmente. Estude o assunto, e depois tire as conclusões.

Um comentário:

O PENSADOR disse...

Santa argumentação, ..., rs, muito bom Allen, ..., inclusive é um legado que o próprio Paulo e Apolo deixam transparecer ao falarem aos judeus, provando por provas inquestionáveis e irrefutáveis que Jesus era o Cristo...