quarta-feira, 30 de setembro de 2009

greve e redenção

O Maranhão entrou em um estranho processo de paralisia nas últimas semanas. Um tsunami de greves invadiu o estado e provocou muito incômodo.

Os correios pararam, os médicos decidiram lutar contra os planos de saúde, os bancários ainda pedem reajuste de salário, alguns policiais decidiram "guardar as armas", e outros professores articulam sua pausa.

Como a sociedade civil deve encarar tal fenômeno? Como a igreja - composta de pessoas comuns - tem pensado e analisado estes movimentos no cenário maranhense? Como tais problemas podem ser solucionados? Quais são as questões reais a serem tratadas?

Talvez a igreja institucional não tenha o poder de mediar tais situações. Digo talvez, porque em alguns casos ela pode se envolver mais diretamente. Ainda assim, a igreja difusa (por seus membros) pode - e deve - envolver-se em tais problemas, e contribuir para a sua solução a partir de uma visão cristã de mundo.

Nesse "balaio de gatos", trabalhadores cristãos poderiam pensar os interesses de sua "categoria" (luto muito pra usar expressões que me lembrem os barbudos esquerdistas) e negociar com empregadores com amor e desejo de cumprir a sua vocação diante de Deus. Os patrões, por outro lado, poderiam exercer o mesmo amor, não colocando o lucro acima das pessoas, e compreendendo que, mesmo para uma boa produção, é importante ter funcionários satisfeitos.

Na esfera do serviço público, administradores cristãos poderiam pensar a gestão com a sabedoria bíblica - sem jeitinhos ou falcatruas. Operadores do Direito - advogados, defensores, procuradores, promotores e juízes - poderiam atuar em sua respectiva esfera com a visão da justiça imutável que brota da Escritura. Os advogados não buscariam simplesmente o interesse de seus clientes, mas o fariam com integridade, os promotores lutariam pelo interesse público e os juízes julgariam com discernimento.

Como nós tempos participado desse debate, e contribuído para o nosso contexto?
Quão marcados estão os nossos joelhos por orarmos pelos nossos próximos?

Alguns dirão que esta visão é utópica demais. Desafio a estes tantos, e aos demais, que participem do debate, e provem o seu ponto.

6 comentários:

lucyffaraujo disse...

Devido a isso e a diversos fatores que eu pretendo - com a bênção de Deus- ser Procuradora do Trabalho ( e quem sabe Desembargadora de algum TRT) para fazer a diferença nesse meio.
A nossa carreira é belíssima para quem de fato é usado por Deus.

Heber disse...

PARTE I
Nao sei se posso contribuir de alguma forma porque tenho mais perguntas do que respostas...

Primeiro, há alguma polissemia na maxima "dai a Cesar o que é de Cesar, dai a Deus o que é de Deus"?

Sem qualquer pretensao de esgotamento de sentido, penso que existem pelo menos duas possiveis interpretacoes... a primeira da coexistencia e a segunda da distinção entre concepções de mundo politico e de Reino de Deus!

Sinceramente (o espaço nao permite muita coisa) penso que nao existe Reino (ainda que Divino) dissociado de uma concepção politica (lato sensu).

A discussao se amplia a partir da noção de Justiça tambem presente no asserto-base desta exposicao.

Dai decorre uma outra questao impeticavel... A Greve é Justa?
cOntinua

Heber disse...

PARTE II

Para alem das discussoes sobre o "lugar social da fala", que no minimo bipolirizaria o debate entre "patraos" e "empregados"(pelo menos, na minha nebulosa visao, nao ajudaria muito) é preciso lembrar que seja ela qual for SEMPRE PREJUDICA quem nao tem nada a ver com a "coisa toda".
Nao gosto muito deste estilo de racionio (por similitude), mas creio que ilustra bastante o que tenho a dizer:

Os Médicos protestam contra o "irrisório" valor pago em contraprestacao de seu servico pelo vulgo Plano de Saude!
Cidadao-comum: PAGA o plano e NAO PODE usufruir... conclui-se porque!

PERGUNTO: O Cidadao que PAGA o beneficio (ainda que privado) NAO TEM DIREITO DE USAR O SERVICO? Ele é responsavel pela politica, digamos assim, "salarial" dos planos?
continua....

Heber disse...

PARTE III

Outros tantos exemplos ilustrariam o que penso sobre a questao da GREVE (talvez em algum outro momento isso possa ser discutido), mas volto a afirmar que ela sempre prejudica quem nao tem RELACAO DIRETA com a causa do problema que a gera.

e COMO entra o CRISTAO nesta história toda?
continua...

Heber disse...

PARTE IV

Isso ta parecendo tudo menos um comentario... (risos) prossigamos...

É neste ponto que concordo plenamente com este cérebro pensante que nos provoca com este tema.
A questao do amor (ja foi discutido pelo Allen) corrobora ou ate mesmo esteja contido no escopo deste pensamento, mas penso que a noção do "SER SAL" e "SER LUZ" encaixa-se perfeitamente neste momento,qualquer que seja o pólo conflitante em que o cristao esteja inserido.
Como patrao, a nocao de JUSTICA é intrinseca a do AMOR;
Como empregado, a consciencia de LUTA pelo conquista dos direitos sociais (aqui se amplia em uma nocao etica de cidadania).

Nao devemos esquecer que uma greve se esvai de toda LEGITIMIDADE quando vitima aqueles que estao insentos da CULPA de politicas salariais avilantes ou da exploracao capitalista da mao-de-obra assalariada... é a mais-valia! é a reificacao da primicia da criacao!

Espero que nao tenha viajado demais...
um abracao meu Irmao que Deus abencoe sempre esta mente brilhante!SDG.

Heber disse...

ops... desculpa os erros d concordancia e ortografia... herrar é umano (risos) e a pressa inimiga da perfeição.. uahsuahs