segunda-feira, 30 de agosto de 2010

É possível afirmar que um seguidor do catolicismo pode ser salvo?

Veja o que o catolicismo ensina, em um dos documentos do Concílio de Trento (1545-1643):

819. Cân. 9. Se alguém disser que o ímpio é justificado somente pela fé, entendendo que nada mais se exige como cooperação para conseguir a graça da justificação, e que não é necessário por parte alguma que ele se prepare e disponha pela ação da sua vontade — seja excomungado [cfr. n° 798. 801, 804]. (disponível em: http://www.montfort.org.br/index.php?secao=documentos&subsecao=concilios&artigo=trento&lang=bra#sessao4)

Agora responda-me você: alguém que crê que a justificação não é somente pela fé pode ser salvo? [Ef.2.8-10]

abraço, e obrigado pela pergunta

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4 comentários:

David Portela disse...

A resposta apenas aponta para a necessidade de definição do que significa ser um "seguidor do catolicismo". Duvido muito que a grande maioria dos "católicos" do nosso país tenham sequer ouvido falar do Concílio de Trento. Duvido também que eles tenham alguma noção da natureza intermediativa (intermediatória?) do papel do padre, dentro da doutrina da ICAR. No entanto, a grande maioria tem a Bíblia na mão (apesar do acréscimo dos livros apócrifos), tendo assim acesso ao evangelho. Então, na minha opinião (que eu acho estar certa, senão não teria essa opinião!), não só é possível como provável que muitos daqueles que estão dentro da ICAR estarão juntos conosco na nova terra.

Isto não significa que devamos arredar o pé quanto às relações eclesiásticas com a ICAR, ou ficarmos quietos quando eles propõem heresias em nome de toda a Cristandade, agindo como se fossem porta-vozes de todos os cristãos. Mas no fim das contas, não importa aonde estejam, se o Espírito Santo tocar o coração de alguém, ele/ela será salvo/a.

Uma outra pergunta relacionada a esta seria "É possível afirmar que um salvo possa seguir ao catolicismo?" É bem provável que após a sua salvação, a pessoa comece a identificar erros de doutrina e busque outras praias para o seu culto a Deus. Mas não é impossível que escolha ficar lá por outras razões (família, amigos, tradição, ou simples imaturidade na fé).

Pare ser bem franco, já conheci alguns católicos que demonstravam mais frutos do Espírito e da salvação real nas suas vidas, do que algumas pessoas que conheço na minha própria denominação. No fim das contas, a nossa prática deve ser a pregação do Evangelho através das nossas palavras e das nossas ações. Creio que se estivermos nos preocupando com isso, passaremos muito menos tempo tentando decidir se alguém é ou não salvo, o que afinal é uma pergunta que só Deus pode (e só Deus deve) responder.

Perdão pela invasão no seu blog, Allen!

Allen Porto disse...

Davidzão, não peça perdão!
Na verdade eu agradeço pela participação aqui!

Você tocou em uma questão importante. Quando sentei pra responder essa pergunta, pensei em partir de uma distinção entre "catolicismo consistente" - o que segue conscientemente pontos como o do Concílio de Trento -, e "catolicismo inconsistente" - o que apenas permanece na igreja católica sem considerar a maioria dos aspectos doutrinários de lá.

Depois preferi tratar apenas do consistente, e por isso retornei a pergunta a partir dos cânones de Trento.

Em linhas gerais, concordo com você quanto aos inconsistentes. Se eles permanecem na ICAR por outras razões que não uma sólida convicção nas doutrinas católicas, e se percebemos neles a crença e vida a partir dos SOLAS (Scriptura, Fide, Gratia, Christus, Deo Gloria), não teria problema em crer que são salvos.

Obrigado pelas ponderações.

Abraço

David Portela disse...

Vc disse "se percebemos neles a crença e vida a partir dos SOLAS (Scriptura, Fide, Gratia, Christus, Deo Gloria), não teria problema em crer que são salvos."

Cara, aí eu já tenho um probleminha. Eu creio nestas doutrinas também! Mas creio que alguém pode ser salvo sem ter consciência dessa lista de crenças. Quando Paulo diz "Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e a tua casa," (Atos 16:31) não acho que nem o carcereiro nem a sua família teriam tempo ou maturidade para entender todos os "solas". Mesmo assim, logo após a sua conversão foram batizados, então é óbvio que Paulo os considerou salvos.

Posso estar errado nisso, mas creio que essas "listas" de doutrinas que fazemos são fruto do problema que citei no outro comentário, de nos preocuparmos demais em definir quem está dentro e quem está fora do Reino, ao invés de nos concentrarmos na pregação do evangelho que não depende da salvação da pessoa e é eficaz tanto para efeitos justificadores quanto para crescimento em santificação.

Abraços, pode contar comigo para contrariar e polemizar. :-)

Allen Porto disse...

Huahua, tá certo.

Então deixe-me tornar mais claro o que quis dizer.

Não me refiro a ter um alto nível de articulação teológica. O carcereiro certamente não teve isso.

Mas ao crer em Jesus, ele recebeu a mensagem a Escritura (SolaScrip), creu em Jesus (SolaFid) e Sua suficiência (SolusChrist), reconheceu que era pecador e que era salvo pela obra de Jesus (SolaGrat), e entendeu que teria uma transformação de vida - sintetizada na salvação (SoliDeoGlo).

Assim, creio que, embora os novos convertidos possam não conhecer os nomes e as listas de doutrinas, crêem tacitamente nesses fundamentos, considerando a autoridade da Palavra de Deus, recebendo a salvação pela Fé somente em Jesus, reconhecendo seu pecado e a graça divina, e desejando viver para Deus.

Obviamente isso tudo pode ser refinado depois - a autoridade da Escritura se transformando em exclusividade, por exemplo, e uma melhor compreensão da doutrina da justificação. Mas a semente está lá desde o início.

Abraço =)