sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Nosso Lar sem Jesus - editorial para o informativo da Igreja Batista Renascença

Fui à sala do cinema pra assistir à produção nacional do momento: o filme “Nosso Lar”. De orientação espírita, o filme é baseado na obra do espírito André Luiz, psicografada pelo famoso “Chico” Xavier.

O filme é um tipo de “autobiografia espiritual”. O autor fala de sua jornada, sobre como viveu uma vida relativamente medíocre – dando lugar a sentimentos negativos, como orgulho e amargura –, morreu em uma sala de cirurgia e acordou em um lugar estranho e tenebroso: um tipo de purgatório dos espíritas (chamado umbral).

Sofrendo as torturas deste lugar, ele finalmente faz um clamor, e é atendido por seres diferentes, vestidos de branco, e com uma maca para levá-lo dali. Ele chega a “Nosso Lar”, uma das cidades espirituais, que fica no cume de uma montanha espiritual, situada ao redor do Planeta Terra.

Em “Nosso Lar” ele é ensinado sobre a mediocridade da vida que levou, e aprende a se tornar uma pessoa melhor – quebrando preconceitos, o orgulho, aprendendo a paciência, o perdão e a caridade. No desenrolar da história conhece outros espíritos, passeia pela cidade – saindo do ministério da regeneração, visitando o ministério da comunicação, o ministério do auxílio e a governadoria. Enquanto passeia, conhece pessoas e ministros.

Indicando o ápice de sua elevação espiritual, ele se torna um “espírito livre” e consegue visitar a sua família (mulher e filhos que deixou quando morreu). Ele os encontra, e pode demonstrar amor, embora não seja percebido, senão pela servente da casa – alguém com o estereótipo de quem segue as “religiões afro”.

O filme encerra com as declarações de que André Luiz continua em “Nosso Lar” - ao longo do filme outras pessoas escolheram “reencarnar”, mas ele não - e se tornou um escritor, enviando, por meio de pessoas que psicografam, tais quais Chico Xavier, seus textos, que já somam pelo menos 16 livros em português, tratando da vida após a morte.

Algo estranho aí? Talvez, se você já conhece algo do filme, tenha estranhado o fato de ele ser dirigido por Wagner de Assis – o mesmo roteirista de “Xuxa requebra” (1999). Além disso, pode ter sentido na propaganda “global” o toque desta rede de televisão, da qual vários atores são reconhecidos na obra – como Werner Schünemann (Emmanuel – ministro de comunicação), Ana Rosa (Laura, uma senhora que reencarna), Othon Bastos (Anacleto, o governador da cidade), Paulo Goulart (Genésio – ministro do auxílio) e Lu Grimaldi (Veneranda – ministra).

O mais estranho, porém, é que o filme demonstra a evolução de um espírito, sem a obra de Jesus. Ele é até mencionado, mas de passagem, e sem grande espaço. Os termos podem até parecer semelhantes em algum aspecto: “regeneração”, “união divina”, “auxílio”, mas o significado é completamente diferente entre o ensino do filme e o ensino da Escritura.

A regeneração da obra não é operada pelo Espírito Santo – este nem aparece. Um filme sobre espíritos em transformação que não demonstra a ação da terceira Pessoa da Trindade é, no mínimo, incompleto. Deus, o Pai, também não tem lugar na obra – Ele não mora na cidade, continua distante dos espíritos iluminados.

A cidade em si não é tão transformadora. Ali ainda há frustração, sofrimento, raiva, angústia, ira, entre outros elementos pecaminosos – demonstrados tanto por André Luiz, quanto por Eloisa.

Algumas declarações possuem aparência de beleza, como na fala de Clarêncio: “O bom da vida é sempre recomeçar”, ou na de Veneranda: “o bem que fazemos é o nosso advogado pela eternidade”, mas ambas fogem da realidade bíblica de que há apenas uma morte, e depois disso o juízo (Hb.9.28), e que o nosso advogado não são nossas obras, mas o Senhor Jesus (1Jo.2).

Assim, o filme advoga sermos salvos por nossas obras e nossos méritos – como bem o declara o ministro Genésio – em uma absoluta contradição do ensino bíblico da justificação pela fé (Ef.2.8; Rm.5).

O “Nosso Lar” está tão cheio de boas obras e méritos, que não há lugar para Jesus ali. Somos convidados a anunciar a salvação somente pela graça, por meio da fé, a uma cultura que cada vez mais se apega às suas obras. Somos convidados a anunciar a verdadeira cidade celestial.

Sola Gratia. Sola Fide. Solus Christus.

2 comentários:

Matheus Soares disse...

Muito bom o comentário sobre o filme meu amigo.

Estou publicando no meu blog com as devidas referências, ok?

http://entendes.blogspot.com

Abraço!

Matheus Soares

Allen Porto disse...

Olá Matheus, obrigado pelas palavras.

Fique à vontade para publicar.

Abraço