sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Lamento

Que os teu lábios
confessem a verdade
e o teu coração,
Jeremias lamentando a destruição de Jerusalém, Rembrandt

sem fazer alarde,

Esconda do amor a falta,
e da humildade ausência,
Eu sinto.

Pois quando a ira assalta
tua consciência,
e o orgulho mata
toda a inocência,

Os sinais da piedade vão
Aos poucos se esvaindo,
E eu sinto.

Que não haja voz
a promover descanso
ao coração atroz
em oposição ao manso

E o espírito cresça
rumo à divisão,
Eu sinto.

O alcance de tal obstinação
será medido em dores
a afligir a canção
que entoam os sofredores

Pois todos perdem,
Todos morrem,
E eu sinto.

Um comentário:

Ivonete Silva disse...

Que lindo, meu poeta.