sexta-feira, 17 de junho de 2011

Eu não aceito os seus termos!

O site do UOL está cobrindo os preparativos para a 15ª parada do "orgulho" gay. Você sabe a razão das aspas. Nas Escrituras o homossexualismo é pecado. Sendo assim, não há do que se orgulhar em sua prática. Mas voltemos.

Em sua cobertura, o UOL lançou enquete relacionada ao PLC 122/06. A pergunta vai assim:

O que você acha da criminalização da homofobia?

E as opções são:

 • Sou a favor, afinal, ninguém tem direito de discriminar o outro pela orientação sexual
 • Sou contra, pois fere a liberdade de pensamento
 • Estou em dúvida ou não sei
Existe uma agenda sendo cumprida
Dada a situação presente, a minha primeira recomendação é que você vá lá e vote na opção "sou contra", e depois volte aqui para pensarmos um pouco sobre essa enquete. Recomendo isso porque as questões precisam ser pensadas dentro de suas dimensões concretas de apresentação.

A maldição entre os liberais clássicos está no fato de que tendem a pensar abstratamente, esquecendo-se das condições históricas que determinam a aplicabilidade de seus princípios. Um exemplo: os liberais tendem a ser favoráreis à liberação das drogas - afinal de contas, o Estado não deve intervir na vida dos indivíduos. Pois bem, o pensamento é bonito. Mas na realidade concreta do Brasil, como nos mostra o professor Olavo de Carvalho, liberar as drogas é entregar o controle do Brasil a quem já domina o mercado - os narcoguerrilheiros das FARC, por exemplo. Assim, seria uma tragédia estratégica liberar as drogas em nome do "Estado mínimo", para promover um crescimento ainda maior do socialismo real e das forças que desejam implantá-lo violentamente.

Outra tragédia se deu ainda essa semana com o  STF. Pensando apenas abstratamente, os doutos ministros se esqueceram de avaliar a manifestação concreta do que estavam tratando ao pensar sobre a "marcha da maconha". Resultado: permitiram as passeatas em favor da liberação da droga. A distinção abstrata entre liberdade de expressão e apologia do crime é dissolvida nos casos concretos das marchas, que partem do pressuposto de que a maconha é boa e deveria ser usada por quem deseja - isso em si já é uma apologia do crime.

Descrita a tragédia do pensamento brasileiro nesses itens, há a enquete do UOL. Precisamos fazer várias críticas abstratas ao que ali está disposto, mas concretamente, precisamos votar na opção "sou contra", para demarcar uma posição pública que rejeita a agenda dos ativistas homossexuais. Então, peço novamente, vá lá e vote.

Já votou? Então prossigamos:

A enquete do UOL é uma grande pegadinha, que tenta passar sutilmente alguns pressupostos "por baixo dos panos". Mesmo quem vota na segunda opção - a que recomendei - pode ser enganado pelos termos da discussão.

Que termos são problemáticos ali?

Primeiramente existe a pressuposição de uma "homofobia" existente. Já critiquei e passarei a minha vida criticando este termo, carregado de ideologia e sem aptidão para descrever a realidade. Em vários sentidos o termo é impreciso, a começar pela etimologia (não se trata de fobia ou medo de iguais). Mais do que isso, admitir a expressão "homofobia" é receber toda a carga ideológica que vem no pacote. É aderir subliminarmente à agenda e às definições dos ativistas LGBTT. É considerar a sua descrição da realidade como verdadeira, e tentar refutá-la na base deles.

Discordo absolutamente da descrição proposta pelos ativistas homossexuais. A sua apologética gira em torno dos dados oferecidos pelo grupo gay da Bahia, que contabilizou algo em torno de 250 mortes de homossexuais em 2010. Número grande? Se observarmos o contexto geral, não.

1 Comparado com os 50.000 homicídios realizados no Brasil, é impossível falar dos homossexuais como um grupo perseguido. Se a categoria for essa, os heterossexuais são muito mais perseguidos, pois o número de suas mortes é incomparavelmente maior.

2 O número é jogado indiscriminadamente. Deve-se retirar desse número os homossexuais que mataram outros homossexuais (seriam homossexuais homofóbicos?), e os homicídios que foram realizados em razão de outros fatores que não do homossexualismo (roubo, balas perdidas, acidentes, etc.).

Pensando assim, percebemos que o termo "homofobia" vem carregado de uma interpretação falseada da realidade. Não nego que exista preconceito e maus tratos a homossexuais, e como cristão, rejeito e considero pecaminosa qualquer conduta que não considere a imagem e semelhança de Deus no homem, bem como o seu valor intrínseco daí decorrente. Mas do respeito bíblico pelo ser humano a compartilhar a visão proposta pelos ativistas gays existe uma grande distância. Rejeito, portanto, o termo mais básico da enquete do UOL.

Após isso, a primeira resposta vem cheia de pressupostos invasivos, que pretendem ser empurrados goela abaixo do leitor. As categorias utilizadas ali são "direitos", "discriminação", e "orientação sexual".

A mordaça intelectual vem antes
A utilização dos termos "direito"e "discriminação" em conjunto enganam o leitor desatento. Elas interpretam qualquer ação contrária à agenda homossexual como "discriminatória" em um sentido perverso. Ao que eu digo: não! Nem toda ação contrária ao homossexualismo é maldosa, e muitas delas são denúncias e confrontações baseadas no amor cristão - apontam para o pecado em busca de arrependimento e transformação de vida. Utilizar a categoria dos direitos nesse ponto é cair na bobagem brasileira de querer uma lei para cada coisa, sem perceber que cada direito promove uma obrigação. Não precisamos pensar em termos de "é meu direito fazer isso ou aquilo", mas apelar a categorias mais básicas de bom senso. Obviamente, só existe bom senso (categoria ética) a partir da única metafísica possível, a existência de Deus, e da única epistemologia possível, a Sua revelação na Bíblia. Mas, se se quer utilizar tal categoria, eu digo: sim, eu tenho o direito de me opor  à uma agenda que se opõe ao Deus eterno. Sim, eu tenho (não apenas) o direito (,mas a obrigação) de considerar o pecado como pecado, e o pecador como pecador (alguém que está praticando um erro contra Deus). Deste modo, em um sentido existe direito e discriminação, mas em outro esses termos são apenas estratégias para rotular desonestamente qualquer prática contrária ao projeto gay. Rejeito esses termos da enquete do UOL.

A expressão "orientação sexual" também empurra falsos pressupostos sobre nós. O Pr. Albert Mohler já denunciou a estratégia, e Lívia Pinheiro confessa no site oficial do PLC 122: "Falamos de orientação, e não de opção, porque não é algo que possamos mudar de acordo com nosso desejo". Eis que aparece a armadilha: ao aceitar o termo "orientação sexual", você passa a pensar o homossexualismo como os ativistas o apresentam - algo que não pode ser mudado pelo homem.

Por um lado, nenhum pecado pode ser abandonado exclusivamente com base no esforço humano. É a graça de Deus que transforma o pecador. Mas isso não significa que o homem não se dedique e discipline ao abandono do erro.

"Orientação sexual" é um engodo, uma estratégia para que, quanto mais pensarmos o homossexualismo em termos de uma condição irreversível, mais nos acomodemos com a sua realidade e concedamos espaço para que tal prática não seja apenas reconhecida, mas finalmente exaltada.

Se você é cristão, parte de seu papel na sociedade é denunciar os pecados, apresentar Jesus e o evangelho, e reivindicar que os pecadores creiam em Cristo e abandonem os seus erros. Por isso, é fundamental que a categoria "orientação sexual" seja expurgada do nosso linguajar e da nossa forma de pensar. Falamos, de fato, em opção, em comportamento, em escolha - ato da vontade pecaminosa do homem. É na brecha da "orientação sexual" que se tenta (e tentará ainda mais) empurrar algum tipo de determinação biológica para a conduta homossexual. A Bíblia apresenta tal prática como pecado e ato da vontade humana, portanto a trataremos desta maneira. Rejeito mais este termo da enquete do UOL.

Na resposta seguinte - a que eu recomendei acima - a questão central não passa nem perto de ser mencionada. O apelo exclusivo ali está para a "liberdade de pensamento", o que pode ser interessante em alguma medida (por isso pedi que votassem nela, já que é a única opção contra o PLC 122), mas perde força por apelar para a autonomia humana. Explico:

O fundamento de nossa rejeição ao PLC 122/06, em última análise, não é o direito à liberdade de expressão ou pensamento. Este direito é importante, certamente, mas há algo mais básico na equação. Não reivindicamos apenas a liberdade para pensar e manifestar a nossa opinião, mas reivindicamos o senhorio de Jesus sobre todas as esferas da vida, determinando inclusive a nossa conduta, pensamento, e fala.

O resultado final desta agenda será
proibir o anúncio das verdades bíblicas
Eu rejeito o PLC 122 não apenas por ele tentar calar a minha boca, mas por perceber que ele tenta calar a minha boca enquanto servo de Jesus. Como eu não sou o ponto de referência final da realidade, posso até permitir que minha boca seja calada em algumas ocasiões, mas jamais poderei me acomodar diante de qualquer um que desejar investir contra Deus e Sua Palavra.

Eu espero estar sendo claro aqui: obedecer a Deus e falar aquilo que Ele ordena é uma causa muito maior e mais importante do que ter a liberdade de expressão, porque esta última afeta apenas a mim, enquanto a primeira está relacionada ao Senhor de toda a Terra. Desta forma, mesmo na resposta negativa, eu rejeito os termos da enquete do UOL, por ser incompleta, e não trabalhar com o fundamento mais importante da minha inconformidade com o PLC 122.

Quanto à última resposta - "estou em dúvida ou não sei" -, bom... não tenho nada a rejeitar. =)

O meu ponto é: mesmo nas enquetes "ingênuas" que buscam averiguar a postura do brasileiro diante destas questões, existem pressupostos sendo empurrados sobre o povo, que pouco a pouco transformarão a mentalidade comum até chegar ao nível de acomodação, e valorização do homossexualismo.

Não sou "homofóbico", "direitos" e "discriminação" não estão na jogada, não se trata de "orientação sexual" e não defendo apenas minha "liberdade de pensamento". Eu rejeito os termos dessa discussão.

•   •   •

Atualizado, após ser informado que a ordem das opções varia de acordo com o número de votos. Obrigado, Maya Felix!

6 comentários:

Leandro Teixeira disse...

Oi Allen!
Parabéns pela postagem. Gostei muito da forma como você interagiu com o texto (da enquete). Lembrou-me bastante a abordagem que o Vincent Cheung ensina no seu livro 'Apologética na Conversação'. Já leu?

Me tornei seu seguidor!
Graça e paz,

Leandro Teixeira.

Maya Felix disse...

Atenção, não é a "opção número 2", porque a opção que trm mais votos aparece em primeiro lugar. Acabei de votar, e a resposta "não" à "criminalização da homofobia" estava ganhando, com 53%, e aparecendo como "opção número 1".

Allen Porto disse...

Obrigado, Leandro,

Li este material do Cheung, mas eu pego beem mais leve que ele =)

Abraço


Obrigado, Maya, já atualizei o post.
Abraço

Milton Jr. disse...

Allen,
Excelente meu caro. Deus te abençoe e continue concedendo essa perspicácia.

Allen Porto disse...

Amém, Rev. Milton!

Obrigado. Abraço

Marcelo Batista Dias disse...

Olá Allen.
Seu blog está no meu "favoritos" ha algum tempo.
Suas postagens são muito pertinentes.
Essa é uma delas.
Não apenas pertinentes, mas ricas de conteudo biblico genuinamente abordado, além de uma excelente cosmovisão cristã.
Não faço demagogia.
Os elogios são para a Glória de Deus e vc tb busca isso.
Além de tudo somos "quase" companheiros de obra. Estou licenciado e aguardo minha ordenação ao ministério no Presbiterio Leste Vale do Aço em Ipatinga, Minas Gerais.
Um forte abraço e q Deus continue lhe abençoando muito.

Marcelo.