quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

O reencontro

“Agora, não se aflijam nem se recriminem por terem me vendido para cá, pois foi para salvar vidas que Deus me enviou adiante de vocês. (...) Deus me enviou à frente de vocês para lhes preservar um remanescente nesta terra e para salvar-lhes a vida com grande livramento. Assim, não foram vocês que me mandaram para cá, mas sim o próprio Deus (...)” Gn.45.5,7,8 (NVI)

“Vós bem intentastes o mal contra mim; porém Deus o intentou para bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar muita gente com vida” Gn. 50.20 (ACF)

O momento é dramático. José e os seus irmãos estão face a face, reconhecendo-se depois de muitos anos. O governador do Egito adiou um pouco este reconhecimento fazendo certo joguinho com os seus irmãos, mas agora era a hora de se revelar. Havia chegado o momento de caírem as máscaras e serem reveladas as personagens desta incrível trama.
A perplexidade toma conta dos irmãos de José. Eles não conseguiam sequer responder a José (45.3). Não deve ser difícil entender isto. Eles haviam cometido terrível atrocidade contra seu irmão, e provavelmente pensavam que ele já estava morto (44.20). Contudo, subitamente se percebem diante do Governador do Egito – o seu irmão. Sim, aquele garotinho por eles maltratado não somente estava vivo, como era o homem mais poderoso do Egito após o Faraó. Que notícia bombástica!
Pausa para se recompor. [Se isto acontecesse por aqui talvez eles tivessem tomado água com açúcar para que os ânimos fossem acalmados]. Então José começou a explanar-lhes o que aconteceu. O que segue é uma das mais belas defesas da soberania de Deus. As palavras de José, transcritas acima, trazem preciosas lições para nós.
Em primeiro lugar, é-nos ensinado que Deus possui um propósito mesmo em nossas dificuldades. Basta observarmos que José destacou a finalidade de sua história sofrida – “foi para salvar vidas que Deus me enviou adiante de vocês” – para termos os olhos ofuscados com esta brilhante verdade. Isto significa dizer que aquelas lágrimas por situações ainda não compreendidas de terrível sofrimento estão acontecendo por um propósito específico determinado pelo Pai. Nenhuma destas lágrimas será em vão. Deus cumprirá os Seus planos perfeitamente.
Em segundo lugar, percebemos que Deus cumpre os Seus decretos por meio de nossas ações e decisões. “Não foram vocês que me mandaram para cá, mas sim o próprio Deus”, disse José. Eu espero que seja óbvio para todos nós que José não está negando o fato de os seus irmãos o terem vendido, e assim o enviado para lá (por via das dúvidas, leiam os versos quantas vezes for preciso para entender isto). O que José está afirmando é que, embora os seus irmãos o tivessem enviado para lá, era Deus quem estava operando todas estas situações. Isto pode trazer alguns problemas para aqueles que desejam afirmar o livre-arbítrio humano, mas penso que mesmo estes não negariam que Deus age por meio de nós. Deus cumpre os Seus propósitos eternos por meio de nossas decisões diárias, consideremos tais coisas relevantes ou não.
Este último ponto, mal interpretado, poderia causar um erro cometido por muitos. Algumas pessoas aceitariam sem problemas a idéia de que Deus cumpre os Seus planos por meio de nossas decisões. Contudo, conforme o seu pensamento, Deus precisa estar “rearranjando” as coisas constantemente para que tudo acabe como Ele queria. Nesta perspectiva, Deus se assemelha a um jogador de xadrez, que tem de fazer uma nova jogada para ganhar cada vez que o seu oponente joga. Para tais pessoas, cada vez que tomamos uma decisão ou fazemos algo, é necessário que Deus esteja “mexendo as peças” para que isto se encaixe no plano dEle. Um Deus assim teria sérios problemas para se manter, pois Ele não é sábio nem soberano o suficiente para ter o domínio das situações. Tal pensamento nega a onisciência e onipotência de Deus, bem como Sua sabedoria e soberania.
Uma interpretação errada das Escrituras pode ainda dar vazão a esta idéia. Para ser sincero, algumas traduções não ajudam neste ponto. A Nova Versão Internacional (NVI) e a Almeida Revista e Atualizada (ARA), por exemplo, traduzem o verso 20 do capítulo 50 como se os irmãos de José tivessem planejado o mal contra ele, mas Deus o tornou em bem. Neste verso a versão Almeida Corrigida Fiel (ACF) traduz de modo incomparavelmente melhor, como está transcrito acima. Deus não apenas transformou o mal em bem, como o nosso jogador de xadrez remanejando as peças, mas Ele desde o princípio planejou o bem.
Que aplicações temos destas lições?
Que tal repensarmos todas as nossas lutas, buscando analisá-las por uma nova perspectiva? É lógico que nem tudo dos propósitos de Deus será revelado a nós, mas penso que o exercício de nossa fé poderá deixar claros alguns pontos que Deus está operando por meio de nossas dificuldades. Além disto, que tal tentar descansar na confiança de que Deus está agindo mesmo nas horas mais angustiantes?
Que tal pedirmos sabedoria do alto, e buscarmos sabedoria por meio do estudo sério das Escrituras, para que nossas decisões diárias honrem ao Senhor? Que tal analisarmos como nossas decisões têm influenciado a totalidade de nossas vidas? Que tal nos colocarmos à disposição de Deus, em santidade, para que Ele nos use para a Sua glória?
Caso não tenha ficado claro desde o princípio, toda esta breve reflexão teve por pressupostos pelo menos dois pontos. O primeiro é que Deus é absolutamente soberano sobre todas as coisas. Sem isto, Ele nem pode ser chamado de Deus. O segundo é que nós passamos por dificuldades. Talvez nossas lutas não sejam iguais às de José (graças a Deus!), mas possuímos as batalhas que ora nos desanimam e abalam, mas que são extremamente úteis para o nosso crescimento, e estão perfeitamente encaixadas nos planos do Altíssimo.
Deus cumpriu os Seus propósitos e guardou o povo de Israel. O que restou das lágrimas de José foi a certeza de que Deus estava com ele em cada momento. Após isto, seguiram-se a felicidade do reencontro com a família, e os sorrisos do homem provado e aprovado por Deus.

4 comentários:

O PENSADOR disse...

Allen, Pq vocÊ não põe, de novo o título como imagem...
"Tava maneiro"

Allen Porto disse...

O título do blog?
Eu até tentei, mas fiquei confuso com essa mudança do blogger e ainda n sei fazer essas alterações...

O PENSADOR disse...

Segue a cavalaria em socorro... rs

Abra a página no código HTML e edite o texto abaixo...

Tudo o que estiver ENTRE DIv id='header-wrapper' E /DIV DEVE SER APAGADO (OS DOIS SÃO ENTRE '<' E '>')
cOLOQUE NO LUGAR A LINHA CONTENDO O ENDEREÇO DA IMAGEM A QUAL USARÁ COMO CABEÇALHO... NÃO TEM ERRO...

Allen Porto disse...

Muito obrigado pela força!
Já tá alterado!
abraço
:) SDG