terça-feira, 30 de janeiro de 2007

O príncipe e os mendigos

O site da wikipedia [1] em inglês refere-se a Charles Spurgeon (1834 – 1892) como alguém de grande influência entre os cristãos reformados ou de diferentes denominaçções, dentre as quais ele ainda é conhecido como “O príncipe dos pregadores”. Lendo alguns dos seus sermões, torna-se difícil discordar disto. A influência de Spurgeon sobre os reformados é enorme, e a forma como Deus o usou em cada mensagem pregada, especialmente em um contexto de muita pompa e pouca unção, faz dele um príncipe entre os pregadores.
Eram três da manhã e minha dificuldade em dormir me deixava um tanto desconfortável. Eu havia acabado de ler um excelente livro [2] e, meio que tomado pelo tédio após alguns minutos sem fazer nada, olhei para a escrivaninha do outro lado do quarto, talvez em busca de algo interessante. Meus olhos foram atraídos por aquele livro branco que estava sob outros quatro ou cinco livros – estava na hora de lê-lo.
A capa branca trazia em letras grandes o título do livro: “O Spurgeon que foi esquecido”. Com a leitura de poucas páginas percebi que nesta semana (31 de janeiro) completam-se 115 anos da morte deste grande pregador.
Ao ler algumas páginas e pensar sobre o conteúdo do livro, lembrei-me de meu primeiro contato com Spurgeon. Eu tinha 16 anos de idade e havia decidido investir em leitura. Logo no primeiro mês [3] de minha decisão neste sentido li um sermão dele publicado, cujo título era Eleição [4] . Confesso não ter dado muita atenção. Hoje penso que eu não entendi o que eu li, afinal de contas. Apenas dois meses depois eu reli o mesmo material, e quanta diferença pude sentir! Desta vez eu entendi cada palavra da mensagem, e como fui confortado diante das verdades ali proclamadas.
Desde então foram lidos alguns livros [5] , como “Sermões sobre salvação”, “Sermões do ano de avivamento”, “A figueira murcha”, “Conselhos para os obreiros”, “Pescadores de crianças”, e, minha última aquisição, “Verdades chamadas calvinistas – uma defesa”.
O título do livro que estou lendo - o da capa branca - revela uma triste verdade. Como atesta Iain Murray, algumas pessoas lembram de Spurgeon. Para falar a verdade, ele ainda é bastante respeitado diante de muitas igrejas cristãs. Contudo, o Spurgeon lembrado e respeitado é aquele modificado para se acomodar aos nossos padrões atuais. Não queremos lembrar do príncipe dos pregadores como ele de fato foi. Não queremos lembrar do seu calvinismo, sua teologia foi esquecida por nós. Não queremos lembrar de sua autenticidade, estamos muito preocupados em agradar. Não queremos lembrar de suas polêmicas e controvérsias nas quais se envolveu, porque não estamos tão solidamente firmados em nossas doutrinas (se é que as conhecemos).
Spurgeon foi esquecido, e com ele foram esquecidos grandes pontos da fé cristã. O príncipe e seus princípios foram deixados de lado e, em decorrência disto, restaram apenas mendigos espirituais, que ainda não descobriram as riquezas da Graça e da Palavra de Deus.
Que neste aniversário de sua morte possamos compreender o verdadeiro Spurgeon. Sejam estes dias em que ele seja lembrado, para o nosso crescimento, e para a glória de Deus.

[1] http://en.wikipedia.org/wiki/Charles_Spurgeon
[2] CRESPIN, Jean. A tragédia da Guanabara: a história dos primeiros mártires do Cristianismo no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. – Excelente mesmo! Recomendo a todos.
[3] Janeiro de 2002.
[4] Eu havia decidido estudar um pouco sobre eleição e predestinação.
[5]
Muito material de Spurgeon pode ser encontrado no site http://www.monergismo.com. Basta colocar o seu nome na busca por autor, que muitos sermões serão encontrados.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Para pensar um pouco mais...

As canções, sermões e outros documentos que nos foram deixados pelos cristãos de séculos anteriores atestam uma compreensão mais profunda, e uma maior capacidade de expressão dos ensinamentos bíblicos em relação a nós.
Eu não creio que sua capacidade intelectual era maior do que a nossa. Creio que somos dotados de potencial semelhante, e, como temos acesso mais fácil à informação, talvez o jogo ainda esteja em nosso favor. Mas então o que justificaria a superioridade de sua expressão doutrinária e prática? – Creio que o exercício da meditação responde bem tal questionamento, embora este não seja o único fator.
Era prática comum de cristãos de alguns séculos anteriores a meditação. Ouvimos falar, por exemplo, das cavalgadas de Jonathan Edwards – o modo que ele tinha de ‘fugir’ para refletir sobre as verdades bíblicas. Sabemos sobre o impacto de tais meditações na vida de George Whitefield, transformando-o em um dos maiores pregadores do seu tempo, e seguramente, de todos os séculos.
Na contramão, o cristianismo que vivemos hoje envolve pouco de nossas mentes. Estamos acostumados a um modelo que exclui de nossa vivência como cristãos o exercício regular da mente e razão. Contentamo-nos com respostas prontas e uma compreensão superficial de algumas doutrinas; abandonamos as discussões profundas pensando ser ‘pouco espirituais’ e caminhamos felizes, pensando que estamos agradando a Deus, enquanto minamos as bases de nossa própria fé.
Não paramos para meditar sobre a Palavra de Deus. Nossa leitura relâmpago não deixa espaço para uma reflexão profunda a respeito das implicações do que lemos para nossas vidas, ou para a compreensão do trecho lido no contexto geral das Escrituras. Não buscamos entender as doutrinas dentro de nossas leituras diárias e justificamos falando que “doutrinas criam divisões entre igrejas”.
Crianças cujos intelectos não são estimulados normalmente se tornam ‘patetas’ quando crescem. Assim acontece com cristãos que não exercitam suas mentes diante do Senhor. Suas vidas cristãs serão por demais frágeis. Diante de problemas, entrarão em terríveis conflitos porque não conhecem suficientemente o caráter de Deus, bem como Seus atributos de soberania e amor. Diante de momentos alegres eles se esquecerão que tudo vem do Senhor, e serão pessoas orgulhosas, acreditando que por seus méritos conseguiram excelentes vitórias. Diante da ‘normalidade’ do dia-a-dia permanecerão indiferentes à realidade que os envolve, esquecendo-se que só vivem pela graça do Senhor, e de que vivem para a glória de Deus.
Mais ainda, com suas mentes atrofiadas, entregar-se-ão a todos os tipos de novidades possíveis na esfera do cristianismo. Seus cultos serão ‘inovadores’, no sentido de acrescentarem tantas coisas a ponto de nem lembrar que um dia a Bíblia Sagrada era o que regulava o culto ao Senhor. Suas músicas parecerão jingles comerciais, vazios de conteúdo e extremamente repetitivos. Suas pregações não mais agüentarão a solidez da mensagem escriturística, e abordarão temas populares, como a auto-ajuda e a prosperidade financeira.
Com tudo isto, serão derrubados todos os princípios da Reforma Protestante e da Palavra de Deus. A Bíblia deixará de ser sua regra de fé e prática (com tantas inovações), a graça de Deus será esquecida (pra que graça se eles nem se lembrarão do pecado?), a fé perderá o seu sentido bíblico (o que valerá será a fé da auto-ajuda, apenas o pensamento positivo), Cristo não mais será o centro (o homem tomará o seu lugar), e a glória de Deus será a última coisa buscada por tais pessoas.
Alguma semelhança? Já temos visto igrejas alcançarem alguns destes estágios. Este quadro é por demais negro e triste, mas certamente é para onde caminhamos se não nos arrependermos de nossa conduta irracional diante de Deus. Que o Senhor nos conceda graça para utilizarmos nossas mentes para a glória dEle.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

BJC PODCAST



O BJC (A Bíblia, o Jornal e a Caneta) anuncia a sua novidade: O BJC PODCAST!!

Buscando expandir o alcance, e tentando facilitar para aqueles que querem algo útil para ouvir em seus mp3 players, o BJC lança o seu podcast.

A idéia é a mesma do blog, com a diferença apenas da dinâmica de um podcast. Através deste espaço, e-mails com comentários poderão ser lidos, dúvidas tiradas, e as reflexões, desabafos e provocações permanecem, para a glória de Deus!

Para quem curte não somente ler, mas ouvir coisa boa, vale a pena dar uma ouvida!!

Clique na imagem acima [ou no menu ao lado] para visitar o BJC podcast.

:) SDG

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Aprendendo sobre rodas

Para algumas pessoas não há nada melhor do que viajar. Deleitam-se só de pensar em explorar novos horizontes, descobrir espaços outrora ocultos aos seus olhos, e experimentar sensações diferentes em cada lugar.

Eu não sou assim. Para ser mais exato, sou o tipo de pessoa que troca uma viagem por um bom livro. Não que eu ache ruim conhecer lugares diferentes e experimentar todos os aspectos positivos das aventuras de viajantes, mas simplesmente não sou tão atraído por isto.

Ainda assim, devo reconhecer que viagens podem ser momentos muito ricos no sentido de promoverem crescimento pessoal, e isto experimentei na última semana. Estive viajando com um amigo e uma equipe de pessoas de várias igrejas para uma cidadezinha do interior do Maranhão chamada Buriti. A idéia ali era fortalecer a Igreja, ajudando os seus membros, treinando pessoas, evangelizando pessoas da cidade, e dando ferramentas para que os cristãos ali presentes pudessem continuar a servir a Deus com ânimo reforçado e maior preparo. Gostaria, então, de comentar alguns preciosos ensinamentos destes breves dias de aventuras em Buriti.

Aprendi que a centralidade de Deus deve estar presente em nossas mentes em cada minuto. Percebendo um modelo de evangelismo puramente humanista e centrado no homem, vi sua ineficácia para gerar conversões, e sua relativa facilidade de produzir ‘decisões’. Contudo, quando Deus é o centro, o evangelismo gira em torno dEle, e não do homem. As verdades são apresentadas com convicção e amor, a fim de que Deus seja glorificado e o homem humilhado. Isto gera quebrantamento, arrependimento pelos pecados, e finalmente, salvação, conforme a operação do Espírito Santo.

Quando Deus é o centro, os esforços humanos não são medidos. Ele é digno do nosso suor. Ele é digno do nosso cansaço. Ele é digno de nossa exaltação e reconhecimento, atestada por meio de nossa obediência na prática evangelística. Ele é digno.

O compromisso com a centralidade de Deus e Sua glória alimenta o cristão. “Daremos ao Senhor aquilo que Lhe é devido!” – gritam os gestos do cristão obediente ao Pai. Deus é o foco de suas vidas, e somente Ele pode ter primazia em seu modo de ser. A centralidade do Senhor, sendo corretamente compreendida pelo cristão, promove uma postura correta diante dEle e dos homens.

Aprendi ainda que não existem razões para reclamarmos de poucos recursos. Deus tem nos agraciado com tantas bênçãos, que é covardia utilizarmos a falta de algo como desculpa para não realizarmos algum serviço em favor do reino. Durante estes dias vi verdadeiros heróis trabalhando com o mínimo. Vi servos reais, não se queixando das dificuldades que têm encontrado, e contemplei do outro lado os preguiçosos que de tudo reclamam – nós.

Deus nos deu mais do que precisamos para servi-lO. Um coração disposto a servir não olha para os recursos, mas para Deus (e assim retornamos ao ponto anterior – a centralidade de Deus). Isto não significa que as coisas serão feitas de qualquer forma, mas aponta para o fato de que o cristão obediente não olha para o que não pode fazer por Deus, mas para o que pode.

A essência de viver para a glória de Deus repousa nas palavras do apóstolo dizendo: [tendo muito ou tendo pouco],“Tudo posso naquEle que me fortalece” (Fp.4.13).

Soli Deo Gloria.

sábado, 6 de janeiro de 2007

A Viagem Maluca

Olá pessoal,

Estarei viajando hoje em um projeto missionário, com o objetivo de plantar e revitalizar igrejas no interior do Maranhão.

Isso significa que passarei um tempinho sem postar algo aqui. Não muito tempo, mas algum.

Na semana do dia 15 já deve ter algo por aqui.

Peço suas orações pela viagem e pelo projeto.

Que Deus seja glorificado!

Abraço, e obrigado.

:) SDG