terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Preciso de ti, ou história de um retiro

Eu nem notei que ele havia adormecido. Aquele foi um dia agitado, com toda a empolgação que os retiros costumam ter. Tarde de esportes e tudo mais. Quando fomos tocar as músicas no louvor da noite, eu sabia que ficarmos sentados seria perigoso. A idéia de orar entre uma música e outra, ou qualquer outra coisa que nos fizesse fechar os olhos por mais de um minuto era pior ainda. E assim eu percebi que ele estava concentrado demais na oração. Tão centrado que, mesmo depois, ficou de olhos fechados. A próxima música pedia pra ser tocada. A igreja aguardava o início. Então o alertei: “Preciso de ti, cara!”. Ele quase não ouviu. Talvez estivesse sonhando com alguma coisa. Foi voltando aos poucos. “Preciso de ti” - repeti. Ele foi se recompondo lentamente, olhou para mim, e replicou: “eu também preciso de ti”. Fala sério. Eu estava dizendo o nome da música que deveríamos tocar, e ele achou que era algum tipo de declaração de fraternidade. “Não! A música!”. “Ah, tá!”. E assim começamos a tocar, pra depois sorrir bastante...

2 comentários:

André Grolli disse...

Hahahaha!

Essa é ótima!

Teu blog tá muito bom, Allen! Parabéns!

Allen Porto disse...

Grande André,

Qualquer elogio seu é uma honra pra mim.

Abraço
SDG