sábado, 6 de setembro de 2008

As fases do seminarista

O blog Going to Seminary postou um artigo fascinante sobre as fases do seminarista no estudo teológico. O autor faz a ressalva de que isto não acontece com todos, mas de modo geral é o que se percebe.

Eis a minha síntese da coisa:

Fase 1 - Entusiasmado - "Eu amo a Jesus!"
No primeiro ano os seminaristas são as pessoas mais alegres do campus. Eles amam o Senhor e estão animados com a idéia de dedicar a sua vida a servi-lO e à Sua igreja. Fazem todos os trabalhos, frequentam as reuniões da capela(...). A fase 1 pode durar um ano ou dois, mas infelizmente tem a tendência de sumir rapidamente.

Fase 2 - Orgulhoso - "Eu amo Barth!"
Em algum lugar do primeiro ou segundo ano, os alunos começam a perceber que o alvo de atenções em suas igrejas - profundo amor por Deus e pelo Seu povo - não é tão perceptível na sala de aula. O contexto acadêmico naturalmente enfatiza a importância do conhecimento - o conhecimento de Teologia, dos teólogos e das correntes teológicas. Aos poucos os seminaristas deixam de levantar a mão na sala para fazer perguntas, e começam a levantar a mão para fazer afirmações mostrando o seu brilhantismo.
As antigas disciplinas disciplinas espirituais da oração, jejum, e meditação nas Escrituras tendem a ter segundo lugar em relação às habilidades que podem ser pontuadas numericamente. Em conversas, os estudantes nesta fase mais provavelmente citam o nome de algum teólogo obscuro ("O professor não passou trabalho, estou lendo por diversão") do que falam da bondade de Deus. Esta fase é bastante longa, e alguns seminaristas pulam a fase 1 e entram no seminário ja na fase 2.

Fase 3 - Desiludido - "Eu odeio o seminário!"
A postura da fase 2 dá lugar a um terceiro estágio caracterizado por um cinismo velado como "pensamento crítico". A marca dos estudantes neste período é serem decididamente contra uma coisa ou outra. Eles devem ter sido a favor de alguma coisa antes, mas agora são muito contrários a isto. Normalmente apontam seriamente os erros em sua igreja, tradição ou seminário. Talvez o seminarista tenha percebido o seu orgulho da fase 2 e agora passe a questionar o próprio conceito de seminário. Se você ouvir um seminarista começar uma frase com "A igreja nunca..." ou "Os cristãos sempre...", ele provavelmente está passando pela fase 3, que é tão demorada e difícil quanto a fase 2.

Fase 4 - Quebrantado - "Eu odeio o orgulho!"
Em algum lugar no fim do seminário ou talvez um tempo depois dele, algo marcante começa a acontecer. O dedo que apontava para tudo e todos na fase 3 começa a se voltar para o acusador. À medida que o seminarista entra nesta fase, ele começa a perceber que o problema não é a Igreja, a Teologia sistemática, ou a Editora de livros. "O problema sou eu", ele finalmente percebe.
Embora ele seja um expert em criticar sermões, sistemas teológicos e modelos de igreja, começa a lembrar que a razão pela qual entrou no ministério foi levar o evangelho aos quebrantados, que não são pessoas perfeitas. Ele cai em si: "É claro que a igreja tem muitos problemas. Por que precisaríamos ir para o seminário a fim de aprender a ministrar para ela?". O cinismo que só era capaz de apontar problemas agora é capaz de iluminar as necessidades e ver oportunidades para ministrar às pessoas para as quais Deus o chamou pra servir.

O post original pode ser lido aqui

3 comentários:

Davi Luan disse...

Realmente muito interessante! Que Deus continue te abençoando!

Allen Porto disse...

Valeu, Davi. Também achei uma ótima sacada do autor!

abraço
SDG

Clóvis disse...

Legal!

Gostei do otimismo do final. Devemos dar graças a Deus que muitos sobrevivem ao seminário e dele saem homens preparados para ministrar à igreja.