sábado, 19 de janeiro de 2008

Como não pregar mensagens bíblicas (ou como não estudar a Bíblia)

Tudo começa com o texto. Dizem que “pra bom entendedor, meia palavra basta”. Deveriam dizer que “pra mal intérprete não há palavras suficientes”. Pois bem, qualquer texto serve, afinal, você não quer estudar a Bíblia de verdade, nem pregá-La mesmo.

Escolhido o texto (você pode utilizar aquele velho método de fechar os olhos, abrir a Bíblia em qualquer parte e ficar com os primeiros versos para os quais olhou), você passa à interpretação. Talvez a melhor maneira de não pregar a Bíblia, ou de não estudá-La corretamente, é alegorizar. Crie alegorias, fantasie sobre o texto, deixe a sua imaginação levar você aos lugares que ninguém jamais sonhou. Um pouco de auto-ajuda não faz mal a ninguém, e ainda produz pregadores de sucesso, então aproveite as suas alegorias e as transforme em ilustrações da força humana.

Pegue o texto de Davi e Golias, por exemplo, e transforme em uma mensagem sobre como vencer os seus gigantes. Não pare por aí, dê significados para as coisas mais banais, como as pedrinhas que Davi escolheu. Dê nome a cada uma delas. Associe-as com qualquer coisa que possa ser útil na motivação dos ouvintes. Assim você conseguirá desconsiderar o contexto histórico e o significado do texto, e imprimirá uma nova tendência para a Palavra de Deus (de Deus?).

Observe a parábola do sal e da luz, e diga que Jesus escolheu a figura do sal porque este tempero possui mil funções. Descreva todas as formas de se utilizar o sal na contemporaneidade, e afirme que foi essa a causa de Jesus usar tal ilustração.

Fique à vontade para criar. A essa altura, o auditório já sorriu e chorou com você, eles o consideram um grande pregador. Puxe da manga o texto sobre o envio dos setenta discípulos, e crie setenta razões para o sucesso. Se o número for grande demais, escolha só os doze apóstolos. Se ainda for grande, fique com um deles.

Lembre-se de Zaqueu na árvore, e fale das “árvores do dia-a-dia” que usamos para ver Jesus, mas só de longe. Invente nomes pra elas.

Por fim, não pesquise a história, nem tente entender gramaticalmente o texto. Isso não é importante, e vai atrapalhar a sua criatividade. Se o texto for verdadeiramente ouvido e analisado à luz do seu contexto histórico e da intenção do autor, a sua pregação já era.

4 comentários:

O PENSADOR disse...

E aí allen, Beleza?
sobre o texto, apenas um comentário: "Gostaria de tê-lo escrito!"...

Um abraço...

Renato Oliveira disse...

Muito Bom este Post!!!

Ah eu add um link-imagem do seu Blog lá no SoroGospel OK?
Depois da uma passada lá e confira ok
Graça e Paz!!!

www.sorogospel.blogspot.com

Ruben Mukamatrix disse...

Faltou no começo da mensagem você tentar conquistar o público espiritualizando suas próprias impressões. Tipo: Deus me disse que nesta noite estamos diante de vencedores. Ou: Esta igreja é formada por ondesistíveis. Com o ego amaciado, qualquer coisa entra mais fácil.

Allen Porto disse...

pod crer. Um abraço a todos, e obrigado pelos coments.