sábado, 29 de março de 2008

Cenas trágicas

(ainda sobre o post anterior...)

Lá estou eu, no meio da multidão que venera Hugo Chavez. Percebi que a imprensa recebeu um bottom com o brasão do estado do Maranhão, e a letra "I" branca em um fundo vermelho (típico). Mas vi que havia um outro bottom, este com o mesmo brasão, com a letra "R", e fundo verde.
Eu sou muito curioso. Até demais. Queria saber o que significava aquilo.
Passeando no meio do povo eu encontrei um senhor que usava tal broche.
- O que significa este broche que o senhor está usando? - perguntei descaradamente.
- Eles entregaram isto para quem participou da recepção do Chavez, e esteve lá com ele.
- O senhor esteve com ele?
- Sim.
Ele respondia calmamente, enquanto tirava o bottom, sem eu ter idéia do porquê. Enquanto isso, eu ficava cada vez mais curioso sobre aquele senhor. Por que ele participou da recepção do Chavez?
Perguntei a ele o que ele fazia, e ele respondeu ser de um alto cargo da CNBB no Maranhão.
Por algum lapso eu pensei que, por ser católico, ele estivesse ligado à tradição católica conservadora, então fui mais além:
- E como o senhor avalia a presença do Chavez aqui conosco?
- Ah... É um show!
Ele me deu o broche, enquanto sorria, satisfeito.
O silêncio da igreja, e o barulho das massas é algo muito emblemático. Em vários sentidos.

sexta-feira, 28 de março de 2008

eu vi


A minha juventude me permite fazer algumas tolices, características da idade. Ou não - mas essa é outra questão. Dentre tais ações "menos pensadas" estava a que me deixou empolgado hoje. Preparei-me com ânimo para protestar, diante do palácio dos leões, contra Hugo Chavez, o famoso comunista da Venezuela.
Pela minha ingenuidade acreditei que haveria mais alguém para lutar ao meu lado. Tive a esperança de ver pessoas gritando alto contra um dos maiores expoentes da ideologia socialista-comunista-anticristã.
Mas, como eu disse, era pura tolice de minha parte. Burrice mesmo. Ali eu vi a alienação em cada rosto. As pessoas jogavam rosas para Chavez. Gritavam durante o discurso do governador do Maranhão, batiam palmas, agitavam as bandeiras do Brasil, da Venezuela, do Maranhão, do PT, e do PDT.
Nenhum protesto. Aliás, quase nenhum. Vi uma faixa que dizia "fora ditadores, Jesus está voltando". Fui conversar com o rapaz que a segurava sozinho. Era um jovem da Igreja Assembléia de Deus, que mais protestava contra a idéia da televisão digital do que contra o sistema de pensamento ali apresentado.
Fiquei triste. Indignado. As vozes proclamavam a união entre o Brasil e a Venezuela, tendo "um só coração". O governador do Maranhão apresentou Hugo Chavez como aquele que tem "combatido o bom combate" - tal qual o apóstolo Paulo. Ao meu redor estava uma expressão de satisfação sem igual.
Chavez conseguiu falar em meio aos gritos. Aliás, falou muito. Declarou a união com Lula, e com Cuba. Reafirmou a idéia da união latino-americana para lutar contra o "imperialismo". Fez o discurso que devia fazer, e certamente ganhou ainda mais o respeito daqueles que ali estavam.
Quem estava lá? O MST, universitários, a imprensa (conversei pessoalmente com pessoas da folha de São Paulo, Jornal da Tarde, Atos e Fatos, ...). Mas não havia ninguém para protestar.
Eu pensei em gritar alguma coisa. Acovardei-me. Sozinho no meio da torcida contrária é imprudente fazer qualquer manifestação verbal mais exaltada. Então decidi ficar calado e apenas observar aquele triste cenário.
Digo triste porque reflete a realidade da alienação. A falta de informação sobre o socialismo e o comunismo gera esse tipo de apoio. Enquanto a população dos países que seguem este regime sofre, os seus líderes recebem elogios de países estrangeiros. Enquanto cristãos são perseguidos nos países comunistas, a igreja em nosso contexto fica calada.
Se temos um compromisso com a Palavra de Deus, isso envolve a denúncia do erro para que a solução seja apresentada. Portanto, não é justificativa alegar a "separação entre igreja e estado" para ficar calado diante do crescimento deste pensamento revolucionário.
Se ainda há dúvida, que o leitor faça o teste. Dedique-se a estudar o assunto. Leia Marx, Engels, Lucaks, Foucault, Gramsci, e compare com As Escrituras, bem como a obra de Eric Voegelin, Ludwig Von Mises, Hayek, e Olavo de Carvalho. Analise os pressupostos do pensamento revolucionário de esquerda e perceba os contrastes com o pensamento bíblico.
Aos que não crêem na Bíblia, confrontem os pensamentos dos autores citados e chequem os resultados práticos da aplicação destas idéias. Vejam a Rússia, China, Cuba, Camboja, Romênia, e os países já afligidos pelo comunismo. Vejam a ditadura sendo instaurada, e a exploração do povo. Observem o tratamento desumano.
Alguém tem dúvidas disso? Leiam o livro de Richard Wurmbrand - torturado por amor a Cristo (disponível online), bem como muitos livros daqueles que padeceram sob este regime.
A triste cena que eu vi durante esta tarde é algo que quero esquecer. Não por emocionalismo barato, mas pelo desejo de ver uma realidade diferente.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Devagar e sempre

A tendência maluca dos nossos dias é ter tudo na hora. A comida, a roupa, a fotografia, e até coisas mais complexas como máquinas têm o terrível prazo de alguns minutos para estarem prontas e perfeitas em nossas mãos.
Já falei sobre as conseqüências disto para a oração. Perdemos a referência bíblica e nos deixamos levar por um modelo de pronta-entrega espiritual que só serve para enganar os tolos e, por um lado "aliviar" aqueles que precisam de alguma válvula de escape psicológica para satisfazer a sua necessidade de continuar agindo como criança mimada, bem como, por outro, frustrar e gerar desespero naqueles que contemplam a realidade de que não terão o pedido atendido na hora desejada.
Este aspecto pode ser chamado de "burrice devocional", com toda a doçura. E os personagens desta fábula somos nós. Digo "burrice" não pelo aspecto pejorativo do termo, mas por ser culturalmente apreendido como a ausência do bom-senso, falta do uso apropriado das faculdades mentais, ou preguiça de pensar. Qualquer expressão mais suave aos nossos ouvidos, como "tolice", ou "estupidez", pode ter o efeito aveludado no aspecto sonoro, mais ainda será duro o suficiente na representação da realidade. Podemos comparar isto com o silenciador de uma arma. Talvez ele até diminua o impacto psicológico e sonoro, mas o efeito prático da bala fatal é o mesmo.
Pois bem, quando falamos de momento devocional, além da oração, a idéia da leitura bíblica também está presente. Temos neste particular outra manifestação concreta de nossa adequação à tendência hodierna. A leitura é rasa e rápida, quando não é rara. Sobre a compreensão do texto, basta aquilo que conseguimos apreender de nossa "leitura dinâmica", que, de tão dinâmica, engole palavras e mistura linhas do texto bíblico sem perceber. Somos os mestres na arte de enganar a nós mesmos, mas como sempre estamos com pressa, nem paramos para pensar sobre isso.
Existem outras esferas de atuação desta pressa. Porém, se eu escrevesse um pouco mais, ninguém leria isto, porque tem pressa para fazer outra coisa.
O feriado está chegando, e seria uma boa tirar uma folga deste ritmo alucinante. Além disto, a dica é aproveitar diariamente o momento tranqüilo da leitura bíblica e oração, sem pressa, sem a tirania do relógio - apenas você e Deus. Isto vai nos livrar de pirar, além de estimular mente, e nos livrar da burrice devocional.
Pense um pouco sobre isso.

terça-feira, 18 de março de 2008

Sobrenaturalismo, Horton e o mundo dos quem

Tenho trocado algumas idéias com Francis Schaeffer sobre a verdadeira espiritualidade. Obviamente, eu mais ouço do que falo. Pois bem, num bate-papo recente, ele me falou que "nossa geração é sobretudo naturalista" (SCHAEFFER, 1999,p.82). Demonstrou de várias formas como isto é realidade em nossa sociedade, e quais as implicações desta perspectiva das coisas. "Certamente essa é uma das maiores e talvez a principal razão para a perda de realidade; que enquanto dizemos que cremos numa coisa, permitimos que o espírito do naturalismo da época penetre em nosso modo de pensar, sem que seja reconhecido" (Ibid.).
Sabem, eu concordo com Schaeffer. Somos criados em um ambiente naturalista, sem percebermos o impacto destas idéias sobre nós. Lembro de vezes em que a leitura dos milagres bíblicos pareceu a observação de algo duvidoso, ou até ridículo para mim - fruto deste pensamento. A responsabilidade disto é completamente minha, mas pode ser compreendida a partir da visão de mundo presente em nossa geração.
O risco de acreditarmos naquilo que nossos amigos e professores estão dizendo sobre a realidade sobrenatural é grande. "...se removemos a realidade objetiva do universo sobrenatural em qualquer área, a grande realidade de Cristo o noivo produzir fruto por meio de nós cai imediatamente por terra, e com isso o Cristianismo fica sendo nada mais que um auxílio psicológico e sociológico..." (ibid., p.83). Corremos o risco de viver a religião das incoerências, uma espiritualidade vã e infrutífera.
Espero que concordemos neste ponto. Eu ainda nem havia digerido estas idéias direito quando decidi dar uma passada no cinema. Queria assistir mesmo era o filme do Rambo, mas não deu, então peguei, sem muita expectativa, a sessão do então desconhecido "Horton e o mundo dos quem". Bendita Providência! O filme mostrou esta concepção naturalista, mas a combateu com muita classe e diversão.
A personagem má da história (que depois se torna "gente-boa") repete algumas vezes a frase: "Se você não pode ver, ouvir, ou sentir, então é porque não existe!". Nada mais contrário à mentalidade sobrenaturalista do que isto. Tal noção é desmistificada, e através dos pequeninos habitantes da cidade de "Quem-lândia", é estabelecido o ponto de que a realidade não está baseada em nossos sentimentos.
Ótima pedida para quem curte animação! Ótima forma dos pais trocarem algumas idéias sobre o mundo sobrenatural com os seus filhos! Eu recomendo.

terça-feira, 4 de março de 2008

O fruto da justiça

"Saboreie o fruto da justiça. Ele tem gosto de paz".

Jay Adams, O conselheiro capaz, p.161