quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Direitos autorais presbiterianos (6) - concluindo a série


5. Cito um dos batistas calvinistas mais conhecidos de todos os tempos, que não deixa dúvidas sobre sua fé. Trata-se de Charles Haddon Spurgeon (1976, pp.4-5).

Lembro-me claramente da maneira pela qual vim a compreender as doutrinas da graça em um só instante. Como todos os homens, por natureza, eu nasci arminiano, e continuava acreditando nas coisas antigas que havia ouvido continuamente do púlpito, e não era capaz de ver a graça de Deus.(...) Posso me lembrar exatamente do dia e da hora em que, pela primeira vez, recebi essas verdades em minha alma - quando elas foram, de acordo com o que disse João Bunyan, impressas em meu coração como que com um ferro em brasa, e posso lembrar-me que senti como se tivesse me transformado, subitamente, de um bebê em um homem. Eu havia progredido no conhecimento das Escrituras, tendo encontrado, de uma vez por todas, a chave para a verdade de Deus. Uma noite, durante a semana, eu estava sentado na casa de Deus e não pensava muito no sermão do pastor, pois não acreditava nele. Subitamente, um pensamento atingiu-me: "Como você se tornou cristão?" Eu busquei o Senhor. "Mas como você começou a buscar o Senhor?". A verdade brilhou em minha mente num instante - eu não O teria buscado a menos que houvesse uma influência prévia em minha mente que me fizesse buscá-lO (...).


Adiante(ibid., p.7) ele diz:

(...)Eu creio na doutrina da eleição porque estou certo que, se Deus não me tivesse eleito, eu jamais O teria escolhido; e estou seguro de que Ele me elegeu antes que eu tivesse nascido, caso contrário Ele nunca teria me escolhido depois. E Ele deve ter me escolhido por razões desconhecidas para mim, pois eu nunca fui capaz de encontrar qualquer razão em mim mesmo para que Ele dedicasse um amor especial a mim. Assim sendo, sou obrigado a aceitar essa grande doutrina bíblica.

Concluindo a série de posts:
Eu ainda teria muito a dizer, mas vou deixar para outra oportunidade. Por enquanto, fica a certeza de que os presbiterianos não têm direitos autorais sobre a predestinação e o calvinismo. Isso também pode ser coisa de batista...


Livro citado neste post:
Verdades chamadas calvinistas: uma defesa - Charles Spurgeon, PES.

Sessão de Cinema e bate-papo

Atenção, galera:

Vai rolar no próximo dia 01/11 uma sessão de cinema e bate-papo, com a exibição do filme Lutero e a discussão com alguns jovens debatedores sobre as implicações da Reforma para a modernidade.

Estão todos convidados.
Será na Igreja Batista Plenitude (Av. dos Holandeses, ao lado da decorart e em frente ao edifício Metropolitan), às 19h.

Livrim da Semana (2): Uma história Ilustrada do Cristianismo vol 3 - A era das trevas, Justo Gonzalez



Sou apaixonado pela história da Igreja. Assim fica fácil ler os materiais sobre o assunto. Mas esta coleção do Justo Gonzalez consegue superar a apresentação dos fatos hisóricos que marcaram a trajetória cristã ao longo dos séculos.
A leitura cativante faz você ler um livrinho destes em um dia, e assim aconteceu com o volume três - A era das trevas -, que li ontem.
Foi bom demais lembrar das interessantes histórias de Columba, Agostinho (o missionário nas ilhas britânicas, não o bispo de Hipona), Patrício, o império carolíngio, as controvérsias cristológicas, etc., etc.
O livro é agradabilíssimo, e bastante instrutivo. Por ser uma história ilustrada, interage ainda com obras artísticas que retrataram visualmente eventos narrados - o que o torna ainda mais interessante.
Leitura recomendada (ultimente só tenho recomendado livros... acho que o último livro ruim que li foi o confissões de um ministro de louvor...).

Clique aqui para pesquisar preços
Clique aqui para comprar a coleção

Livrim da Semana: A cabra vadia, Nelson Rodrigues


Todo mundo só conhece Nelson Rodrigues pela série "A vida como ela é", exibida na Rede Globo. Daí deduzem, com a precisão de um cirurgião cego, que é perigoso ler o autor, ou que a totalidade de sua obra tem caráter pornográfico.
Pois bem. Nada mais injusto e falso. Para comprovar a tolice deste pensamento, basta dar uma lida nos livros de memórias e confissões do grande jornalista e teatrólogo. No caminho oposto de seu teatro, o autor se revela bastante moralista, e "reacionário", como diriam alguns. É divertido demais ler a crítica do autor sobre as esquerdas brasileiras, e os marxistas tupiniquins.
A leitura de Rodrigues é agradável, como poucas vezes vi. Quatrocentas páginas se vão como se fossem trinta - num piscar de olhos.
Leitura MUITO recomendada.

Eu estou tentando seguir a ordem das confissões, então comecei com o óbvio ululante, agora li a cabra vadia, e parto para O reacionário.

Para comprar a cabra vadia, clique aqui.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Nelson Rodrigues e o marxismo

Só um herói, ou um santo, ou um louco, ousaria confessar, publicamente: - "meus senhores e minhas senhoras, eu não sou marxista, nunca fui marxista. E mais: considero os marxistas de minhas relações uns débeis mentais de babar na gravata."

(A cabra vadia, 2007, p.174)

esclarecimentos

Compreendam a minha ausência, por favor. Estou correndo com as providências da programação do nono aniversário da IBR.

Volto regularmente em breve.
Vale dizer que a minha antiga banda de heavy metal vai tocar no Puro Som. Imaginem a minha alegria.

Puro Som

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

A mesma resposta...


Falta aos comunistas a criatividade. Desde Gramsci só temos papagaios a repetir as máximas da esquerda. Mesmo quando se defendem. Vejam como é matemático: sempre que um esquerdista quer se defender de alguma acusação, ele retorna a ofensa chamando os opositores de "fascistas"ou "nazistas".

Pois foi exatamente esta a resposta do Flávio Dino para os que o acusaram de agredir o seu pai, o jornalista Sálvio Dino. Eis o que respondeu o fascínio dos universitários maranhenses:

isso é o mais puro nazismo, que nunca imaginei ver na política do Maranhão

E eu constato que preciso estudar mais sobre o nazismo. Fico me perguntando: onde está o nazismo nessa história, meu povo? onde está o nazismo?

veja de onde tirei a resposta do Flávio.

As preferências políticas do Flávio

Alguém me disse que o candidato do Partido Comunista do Brasil (PC do B) à prefeitura de São luís - Flávio Dino - não é realmente comunista.

Eu, sem hesitação, levantei uma questão pelo menos embaraçosa que decorre deste argumento (obviamente vou guardá-la para outro post).

Mas eis que um jornalista decidiu ajudar na definição da questão: Marco Aurélio d'Eça, blogueiro do imirante.com, relatou em post recente a entrevista de Flávio Dino à rádio Mirante AM. No meio do post ele soltou a pérola reveladora:

O candidato se declara comunista por convicção, mas não foi claro na resposta sobre a convivência entre comunistas e evangélicos em sua campanha.

Peraí. O Flávio é comunista e se declara assim? Que interessante...

Leia o post do Marco d'Eça.

Direitos autorais presbiterianos (5)

4. O Pr. batista Robert Selph (1995, pp.11-12), ao falar sobre os batistas do sul dos EUA, diz:

Contudo, existe uma herança doutrinária da Convenção Batista que muitos batistas não estão cientes. A verdade central dessa herança doutrinária, que tem sido "descentralizada" com a passagem dos anos, é a doutrina da eleição incondicional. Este ensino não era meramente uma questão secundária com que os estudantes de seminários gastavam momentos não-essenciais de debate trivial. Esta verdade da eleição incondicional era o fundamento, o coração e o eixo central de toda verdade bíblica. Esta doutrina era, para os batistas, a espinha dorsal da pregação do evangelho e do empenho missionário.

Comento:

Eis uma declaração ousada, que faria os nossos "batistões" se arrepiarem da cabeça aos sapatos. O pr. batista Robert Selph não apenas reconhece a ligação entre batistas e o pensamento reformado, mas afirma em claras letras ser a doutrina da eleição um dos pontos fundamentais entre os batistas do sul dos Estados Unidos.

Na obra do Pr. Selph, há outras citações de vários líderes batistas que consideravam a eleição como ponto importante na sua forma de crer e viver a fé. As citações extensivas demonstram a fé daqueles homens, e atestam que o calvinismo no contexto dos batistas não era algo exclusivo da convenção do Sul dos EUA, mas estava espalhado pelo mundo inteiro.


Livro citado neste post:
Os batistas e a doutrina da eleição - Robert B. Selph, Fiel.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

A pena de Jonathan Edwards

Esta dica é do blog Between two Worlds, do Justin Taylor:

A biblioteca digital de Yale publicou imagens dos manuscritos de Jonathan Edwards.

O cara tinha uma letra legal, além de ser um dos maiores teólogos que o mundo conheceu.

Para os mais interessados e curiosos, está aí um prato cheio.

Para acessar as cimagens, clique aqui.

Creia em Cristo - Joshua Harris (em inglês)

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

SUPER DICA PARA A FEIRA DO LIVRO

Se você sonha em ter as Institutas de Calvino em português mas não pode pagar as edições caríssimas da Cultura Cristã (a clássica por R$439,20 e a comentada por R$ 324,60) , confira esta alternativa: A UNESP publicou o Tomo 1 da edição de 1559 das Institutas - Livros I e II.

No site da UNESP o livro custa R$ 83,00, mas se você mora ou está de bobeira em São Luís, pode conferir o stand desta editora na Feira do Livro. Lá você pode comprar este material por R$ 67,00. É ou não um bom negócio?

Já comprei o meu, ou seja, tem um a menos no estoque. Acredito - e espero - que o tomo 2 saia em breve.

Para comprar no site, clique aqui.

Direitos autorais presbiterianos (4)

3. O historiador e teólogo presbiteriano Alderi Souza de Matos (2008, p.149) declara:

Algumas ênfases da teologia reformada são a plena soberania de Deus, a eleição ou predestinação (...) e a importância da lei de Deus. Essa teologia é abraçada particularmente pelas igrejas presbiterianas, e também por muitas igrejas congregacionais e batistas.


Comento:

Matos comenta uma realidade atual. A despeito das revelações batistas sobre o assunto, um presbiteriano reconhece que existem igrejas congregacionais e batistas que abraçam a teologia reformada.


Não precisamos ir muito longe para ver isto. Aqui em São Luís-MA, a Igreja Batista Monte Carmelo adota a Confissão de Fé Batista de 1689 para a definição de sua identidade. No resto do país temos a Comunhão Reformada Batista no Brasil, que reúne um grupo de igrejas batistas calvinistas.


Outro exemplo útil é o da Editora Fiel, uma editora batista de linha reformada no Brasil. O site Luz para o caminho apresenta conteúdo reformado com a marca dos batistas.


Por fim, menciono o blog do Pr. Gilson Santos - preciso dizer que é um batista calvinista? -, cuja qualidade é reconhecida não apenas no meio reformado.



Esta sucinta demonstração aponta para a existência e atividade de muitos batistas que acreditam nas doutrinas da graça em nosso país. Talvez em outro post eu destaque a atuação internacional, que é ainda mais intensa.


***

Livro citado neste post:
Fundamentos da Teologia Histórica - Alderi Souza de Matos, Mundo Cristão.

sábado, 11 de outubro de 2008

Livrim do Fim de Semana: Queda que as mulheres têm para os tolos, Victor Hénaux/ Machado de Assis, 88p.


Machado de Assis é o mestre. Poucos dias atrás eu postava aqui um comentário das Memórias Póstumas de Brás Cubas e fazia elogios ao escritor. Continuo fascinado por sua obra. Agora, além de conhecê-lo como autor, vejo a sua experiência como tradutor.
Nesta pequena obra - muito interessante, por sinal - Victor Hénaux dá razões pelas quais as mulheres preferem os tolos do que os "homens de espírito". O tom satírico da coisa torna a leitura agradável, e mesmo brincando, alguns pontos interessantes são revelados.

Recomendo a leitura. Uma sentada é o suficiente.

Para ver um comentário mais profundo sobre o livro, clique aqui.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

C. S. Lewis

O Charles Grimm mandou pro meu mail, e eu decidi compartilhar com vocês estas frases do Lewis:

"Eu acredito no cristianismo como acredito que o sol nasce todo dia. Não apenas porque o vejo, mas porque através dele eu vejo tudo ao meu redor"

" Tudo que não é eterno, é eternamente inútil!"

"O cristianismo, se for falso, não tem valor; se for verdadeiro, tem valor infinito. A única coisa que lhe é impossível é ser "mais ou menos" importante".

"O amor de Deus por nós é um assunto muito mais seguro de se pensar do que o nosso amor por ele".

" Não permita que sua felicidade dependa de algo que possa perder. Não coloque seus bens num recipiente rachado. Não gaste numa casa da qual que tenha que sair."

"Cedi enfim... admitindo que Deus era Deus, e ajoelhei-me e orei. A dureza de Deus é mais suave que a suavidade dos homens, e Sua coersão é nossa libertação"

" Deus, através de sua Lei nos coloca de joelhos para que, por meio de sua Graça, nos coloque de pé."

Direitos autorais presbiterianos (3)

Mais duas evidências da pesquisa bibliográfica:

2. O teólogo e historiador batista Zaqueu Moreira de Oliveira demonstra o mesmo ponto em várias obras:

Batistas Particulares - 1. Aceitam a teologia calvinista. Afirmam que a expiação de Cristo foi particular ou apenas para os eleitos, por isto chamados de batistas particulares ou calvinistas. (OLIVEIRA, 2005, p.179)


Na década de 1640, os batistas foram vítimas de várias acusações, inclusive de que eles se aproveitariam do novo clima de liberdade na Inglaterra, para praticar excessos. Sete igrejas Batistas Particulares, em Londres, pertencentes ao grupo calvinista provindo da igreja de Jacó, publicaram uma confissão de fé para se defenderem contra as falsas acusações, assim como para declararem às autoridades o que seus membros criam.(OLIVEIRA, 1997, p.100 - na nota de roda pé deste parágrafo o autor diferencia os batistas particulares, calvinistas, dos gerais, arminianos).

(...) É por isso que não podemos dizer que todo batista tem de ser calvinista ou arminiano, que aceita ceia livre ou ceia restrita, mas desde o princípio de nossa história grupos de batistas podem ser identificados como arminianos ou calvinistas, livres ou restritos. (OLIVEIRA, 2006, p.15)

Comento:

A clareza dos textos me deixa constrangido por tentar esclarecer algo mais. Zaqueu Moreira de Oliveira é bem conhecido no meio batista, tanto por sua atuação no ministério, quanto por seu tempo dedicado ao ensino teológico. É, sem dúvida, uma das figuras mais capacitadas em história da Igreja - e dos batistas - no Brasil.

Pois é "o próprio" quem afirma existirem os tais "batistas particulares" do século XVII. Ele ainda esclarece quem eram - batistas calvinistas. Fala algo semelhante na segunda citação. A terceira é o clímax: Oliveira afirma categoricamente que não podemos (nós, os batistas) criar categorias exclusivas para afirmar que todo batista deveria ser arminiano - ou que ser calvinista nunca teve nada que ver com ser batista.

Certamente os amigos de minha denominação dão ouvidos ao que este Pastor, historiador e teólogo diz em muitas questões. Darão ouvidos ao que ele afirma neste ponto específico?


Livros citados neste post:

1. História do Cristianismo em esboço - Zaqueu Moreira de Oliveira, STBNB edições.

2. Liberdade e Exclusivismo: ensaios sobre os batistas ingleses - Zaqueu ..., STBNB edições e Horizonal editora.

3. Princípios e práticas batistas: uma abordagem histórica - Zaqueu..., Kairós editora.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Quinta à tarde


A Feira do Livro é o meu Marafolia. Digo isto e já não sei se esta é uma boa figura. Entro no shopping calmo de São Luís e logo vejo o alvoroço: são os jovens – o futuro da nação – comprando 30 centímetros de tecido por não menos de R$200,00. O marafolia é um paradoxo incrível. No meio da avenida ensurdecida pelo trio e fedendo a cerveja não há desigualdade social – ali estão juntos o riquinho mimado e o pobre. As classes sociais se encontram, extasiadas, no corredor da folia.

Dizia eu: entro no shopping e vejo a fila para receber o abada. Ando mais um pouco e vejo outra multidão, esperando para comprar a vestimenta. Observando o grupo e caminhando para a praça de alimentação vejo um conhecido. “Esse cara não era crente?”. Aperto a mão dele, vejo o seu sorriso amarelo, e saio sem perguntar nada.

Em três dias os problemas do mundo desaparecem e tudo o que existirá são os enormes trios, a música baiana, as drogas – lícitas ou não – e a promiscuidade. Para os que curtem, será uma grande festa.

E assim eu descubro que a minha festa é a Feira do Livro que começa hoje aqui na ilha. Nada de axé, multidão ensandecida ou beijos pornográficos em quem estiver pela frente. Viajo mesmo é em saber que os corredores pelos quais passarei estarão lotados da produção intelectual de bons e maus autores, que contribuirão para a minha formação.

Talvez alguns tentem entender este post como a declaração de uma verdade relativista do tipo “cada um se diverte com o que quer”. Não é nada disso. O marafolia apenas deixará os seus participantes com menos dinheiro e mais burros.

A feira começa hoje, às 19h.

Deus odeia o pecado mas ama o pecador?

"Arrependa-se ou pereça" força as pessoas a ponderar seriamente na expressão popular "Deus odeia o pecado, mas ama o pecador". A necessidade de arrependimento é coerente com "Deus ama o pecador"? Se Deus ama o pecador enquanto este vive, é estranho que Deus o envie ao inferno ~tão logo morra. Deus ama o pecador a ponto de levá-lo à morte? Ama-o a ponto de levá-lo ao tormento eterno?
Há algo errado aí. Ou Deus ama o pecador e não o envia à fornalha da ira eterna, ou Ele o envia para a ira eterna e não o ama...
O que leva quase todos a acreditar no amor divino pelo pecador é o excesso de coisas boas feitas por Deus ao pecador. Ele lhe concede tão grandes favores, incluindo o de deixá-lo viver. Como Deus pode deixar o pecador viver e lhe dar tantas bênçãos, a não ser porque o ama? Há uma espécie de amor entre Deus e os pecadores. Podemos chamá-lo de oämor da benevolência". o que quer dizer o amor da boa vontade [...] Deus pode fazer bem ao pecador sem amá-lo com a outra espécie de amor...

John H. Gerstner, citado em Introdução à Teologia Sistemática, Vincent Cheung, pp.103-104


O que você acha disto?

Direitos autorais presbiterianos (2)

Considerando o post anterior sobre o assunto (presumo que vocês leram), destaco evidências de que a predestinação não é exclusiva dos presbiterianos, e que a história dos batistas está diretamente envolvida com o calvinismo:

1. Sobre a origem dos batistas, o historiador Earle E. Cairns (1995, p.276) afirma:


O grupo mais forte de batistas calvinistas ou particulares originou-se de um cisma da congregação de Henry Jacob, em Londres, em 1633. Eles sustentavam o batismo dos crentes por imersão e uma teologia calvinista que enfatizava a expiação limitada (só para os eleitos). (...) Os antecedentes do movimento batista norte-americano podem ser encontrados neste grupo.


Comento:

Cairns é autor conhecido. Pelo menos no meio teológico. Isto me serve de escândalo. Como os pastores batistas - que provavelmente utilizaram o livro deste autor no seminário - ignoram a informação tão clara sobre o envolvimento dos batistas com o calvinismo desde sua origem?

Só para demonstrar a popularidade do autor: sua obra fui utilizada por um pastor e amigo que estudou teologia em um seminário batista de renome há mais de uma década. Quando eu tinha aulas de História da Igreja no Instituto Superior de Teologia Reformada (INSTER), o mesmo livro foi utilizado. Depois disso tudo, agora em minha especialização em História da Igreja, na Faculdade Internacional de Teologia Reformada (FITRef), que livro utilizo nas disciplinas História da Igreja Antiga, Medieval, da Reforma e Moderna? A mesma obra. O fato de muitos professores competentes - como Frans Leonard Schalkwijk - endossarem tal material, confere a ele algum grau de seriedade.

Cairns afirma que, paralelo ao grupo de batistas gerais (arminianos) surgido na Holanda, os batistas particulares (calvinistas) iniciaram seus trabalhos na Inglaterra. A diferença temporal entre os dois grupos é pequena, mas mesmo se fosse diferente, há a inequívoca demonstração que ainda no século XVII havia batistas de persuasão reformada.


Jonathan Leeman e a 24ª Conferência Fiel para pastores e líderes (Brasil)


No blog Church Matters, do ministério IX Marks(9 Marcas), Jonathan Leeman postou algo sobre a sua experiência nestes dias de Conferência Fiel. O evento ainda não acabou, mas acho que ele quis dar uma idéia de como estão as coisas. Quem curte o James Bond terá uma agradável surpresa ao ler o post.
Dêem uma passada lá.

* * *

Mais sobre o IX Marks.

Mais sobre a Conferência Fiel para pastores e Líderes (Brasil).

Nove marcas de uma igreja saudável - livro do Mark Dever em português.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Livrim da Semana: Teologia Sistemática, Vincent Cheung, Arte Editorial.

Eis um livro gostoso de ler, claro em sua abordagem e preciso em seu conteúdo. Vincent Cheung é um autor interessante pela firmeza de suas proposições (ora ofensivas para alguns), lógica do seu raciocínio, e apelo às Escrituras como regra de fé e prática.

Esta introdução à Teologia Sistemática, embora em nível inicial - como diz o nome -, possui conceitos e descrições bem avançadas, e assim é útil para o novato no estudo teológico, e para o "escolado no assunto". As críticas de Cheung deixam pulgas atrás da orelha, e suas reivindicações apontam para um caminho teológico consistente.

Recomendo a leitura.

Compre o livro aqui

Leia os artigos do Vincent Cheung no Monergismo.com

Visite o blog "Cheung no Brasil"

Visite o Site Cheung.com.br

Visite o site do autor em inglês

Direitos autorais presbiterianos (1)

Se as doutrinas fossem músicas, os batistas seriam péssimos com direitos autorais. Há sempre um descuidado afirmando, com o ar grave de quem sabe estar falando uma verdade universal, que a predestinação é uma doutrina presbiteriana, e não tem nada que ver com os batistas. Já vi "compadres" virarem historiadores da igreja e declararem que os batistas nunca defenderam um ponto como a eleição. Muitas foram as vezes que me recomendaram ser presbiteriano; em outros momentos fui convidado a definir se eu era batista ou reformado (partindo claramente do pressuposto que são coisas excludentes), e, pelo fato de crer nas doutrinas da graça, vieram me perguntar se eu curtia o batismo de crianças.

Fui chamado de "batisteriano" (batista + presbiteriano), e só de presbiteriano também, mesmo tendo sido batista desde a minha conversão. Ou até antes dela (ou você acha que ser batista é ser salvo?). Perdão pela repetição excessiva destes termos. No fim das contas, parece que um presbiteriano patenteou os trechos bíblicos que relatam a soberania de Deus na salvação do homem, e conseguiu o direito de exclusividade sobre tal doutrina. Pelo menos é isso que os batistas demonstram pensar.
Pois bem, para ajudar a todos, e não ser perturbado pelos meus amigos batistas que lerem esta série de postagens, vou dar algumas breves dicas para a revisão deste pensamento. A minha idéia, na maioria das vezes, é escrever um texto denso e bem fundamentado para provar o ponto. Mas se esses desinformados não tiveram a coragem de abrir um livro de história da igreja antes de afirmarem seus erros históricos e teológicos, por que leriam um extenso material escrito por mim? Se não lerem estes pequenos posts, pelo menos não poderão dar a desculpa de que eram grandes demais.

Em breve escreverei pelo menos cinco evidências que demonstram ser o calvinismo “patrimônio da cristandade”, e não apenas dos presbiterianos.

sábado, 4 de outubro de 2008

Mesmo que o relógio me olhe com cara feia e diga que é hora de "apagar", é uma grande luta fechar um livro de Nelson Rodrigues.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Duas pessoas convencionais e sadias - por Roosevelt Santos Nunes

Uma breve nota de abertura - Este post foi escrito por um novo amigo, e alguém por quem tenho desenvolvido grande respeito: Roosevelt Santos Nunes. O cara é acadêmico de medicina, comprometido com Deus e com a igreja, meu parceiro de oração, e ativo na evangelização dos universitários. Mandou este material por e-mail, e eu logo pedi para publicar. Com a devida autorização, apresento esse belo texto.

Deus te abençoe, Roosevelt.


Duas pessoas convencionais e sadias

Vocês conhecem Reinaldo Azevedo e Augustus Nicodemus? Eu, sinceramente, preferiria que o último livro que escreveram não tivessem sido lançados, mas a realidade que grassa por aí faz com que precisemos de "espíritos de porco" como eles, que procuram estragar os prazeres dos petralhas e dos parasitas da Igreja. E engana-se quem pensa que eles se comportam como gurus, eles apenas exercem o direito que lhes cabe: emitir opiniões, denunciando as coisas mal-cheirosas do Estado e da Igreja. Lendo-os fico com a impressão de que sofremos de maneira epidêmica de preguiça mental, pois basta pensarmos (com os referenciais absolutos, logicamente) para vermos as enganações. Pois é, Paulo não elogiou à toa os bereanos: os "desconfiados" é que são os sadios, ao contrário de nós, que parecemos crianças acreditando em toda promessa ou história fabulosa que ouvimos. Já perceberam que a blindagem da mentira é mais mentira? (óbvio, né?) Aqueles que agem como pessoas sadias (bereanamente falando) são vistos como, no caso de Reinaldo Azevedo, "contra o Brasil" (Samuel Johnson escreveu certa vez que "o patriotismo é o último refúgio dos canalhas"; interessante, né?) ou como, no caso de Augustus Nicodemus, "contra a liberdade do Espírito de Deus".

Augustus Nicodemus lançou na última bienal do livro de São Paulo "O que estão fazendo com a igreja", que é uma coletânea de posts publicados por ele no blog O Tempora, O Mores, que objetiva "provocar a reflexão por parte dos evangélicos brasileiros sobre o estado atual da igreja". A capa do livro é genial: um peixe (símbolo do cristianismo) numa lata de lixo. Nesse livro (ou mesmo no blog) ele também aborda as bizarrices das igrejas tradicionais, que são os neo-ortodoxos e os liberais, aqueles indivíduos que não crêem que a Bíblia é a Palavra de Deus, que Jesus não ressuscitou e que têm o dom de sepultar igrejas ("fogo amigo"); também pudera, né?, pois eles utilizam a Bíblia como pretexto para falar de filosofia, sociologia, antropologia etc.

Já Reinaldo Azevedo é tido como espião dos EUA, país que pretende conquistar o Brasil em breve, tendo como ponto de partida a invasão da Amazônia. Ah, esqueci de dizer que ele escreve na Revista Veja, logo (cartesianamente falando), é servo de Satã. Brincadeira, obviamente. O cara simplesmente possui o blog de política mais influente do Brasil e segue o mote do jornalismo verdadeiro: jornalismo que não é de oposição é loja de secos e molhados. Ele possui uma grande obsessão: a denúncia do petralhismo, que é aquela corrente ideológica vigente no país, que defende "o roubo social e o acobertamento de todos os crimes cometidos em nome do partido". Por isso, o livro que ele escreveu se chama "O país dos petralhas". Diogo Mainardi escreveu para a Veja uma resenha sobre o livro do seu amigo, da qual destaco o seguinte trecho: "Apesar de estar sempre em guerra, Reinaldo Azevedo se considera 'bastante convencional'. O que isso quer dizer? Quer dizer que ele chama 'crime de crime, ladrão de ladrão, bandido de bandido'. E acrescenta: 'No auge de minha esquisitice, defendo o cumprimento da lei'".

Façamos resistência ao espírito de rebanho! Leiamos os "espíritos de porco".