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sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

C&D: A Encarnação

Originalmente publicado em 23/12/2008 • Também publicado no blog dos 5 calvinistas


"Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz" Filipenses 2.5-8

"Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e verdade". João 1.14

No momento cultural que vivemos, nada mais contextualizado do que pensarmos o nascimento e a vida de Jesus.
A doutrina da encarnação, em linhas gerais, é o ensino de que o Deus Filho encarnou e se tornou homem para cumprir o plano de Salvação estabelecido pela Trindade.
Desde o Antigo Testamento o Messias foi prometido. Ainda em Gênesis (3.15) o evangelho foi proclamado, e com ele, a promessa do Descendente da mulher, que feriria a serpente-satanás.
Em Isaías a coisa fica ainda mais explícita, e Jesus é anunciado como o menino que nasceria, o Deus forte (Is.9.6).
O nascimento do Messias é anunciado pelo anjo a José em Mateus (1.21), com a explícita declaração de que Ele seria O Salvador.
A isto unimos os ensinamentos de João e Paulo em Filipenses (transcritos acima), bem como a declaração do autor de Hebreus (1.3,4):

O Filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do Seu Ser, sustentando todas as coisas por Sua palavra poderosa. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, Ele se assentou à direita da Majestade nas alturas, tornando-se tão superior aos anjos quanto o nome que herdou é superior ao deles.

Os textos indicam a divindade de Jesus, bem como a sua humanidade. Indicam a realidade do Deus vivo se entregando por amor a pecadores, para garantir a salvação deles.
A encarnação é expressão clara e irrefutável do caráter justo e amoroso do Pai. Justo porque ela possibilitou a salvação do homem mediante a vida perfeita do homem Jesus. Amoroso porque exibiu publicamente a entrega voluntária de Jesus, e a doação do Pai em favor de pecadores ingratos.


Por que Deus se fez homem? Qual a necessidade da encarnação?

Mencionamos o cumprimento da justiça de Deus no ponto anterior, e esta é uma boa explicação para a primeira vinda de Jesus. O pecado do homem o tornou culpado diante de Deus desde o seu nascimento. As criancinhas que pensamos serem inocentes, biblicamente são seres rebeldes contra Deus, e filhos da ira por definição (Gn.8.21; Sl.51.5;Ef.2.3). O pecado gerou a maior ruptura da história da humanidade - a quebra do relacionamento com o Pai, e a culpabilidade do homem.
A punição justa de Deus para o pecado é a morte (Gn.2.17; Rm.6.23). Não apenas a morte física, mas a morte eterna (Ap.21.8). O homem se tornou escravo do pecado, então não poderia simplesmente se libertar de tal escravidão, pagar os seus pecados, e passar a viver uma vida perfeita, agora de maneira inocente diante de Deus. Isto é impossível e absurdo. Era necessário que alguém fosse capaz de receber toda a ira de Deus (e nenhum homem é capaz disso); morresse como pagamento pelos pecados e vivesse uma vida perfeita (novamente, ninguém é capaz de fazer isso).
Assim chegamos a Jesus. Ele é Deus e homem, assim pode viver a vida perfeita, receber a ira de Deus, e legitimamente representar a humanidade. Jesus se tornou homem como parte do plano perfeito de Deus para a redenção do Seu povo.
Jesus viveu perfeitamente, morreu, e ressucitou para a salvação dos Seus (Jo.6.37,39,44). Jesus cumpriu a justiça de Deus, recebeu a culpa de pecadores e deu a eles a Sua justiça.


A encarnação ensina sobre humildade e amor, sobre paciência e abnegação. Ensina sobre a natureza real do evangelho, que são as boas notícias de salvação em Jesus. Ensina sobre a impossibilidade de méritos humanos, e a necessidade de fé no Messias. Ensina o que devemos crer, e como devemos viver.

As doutrinas existem para serem compreendidas e vividas.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

C&D: Finados - uma perspectiva cristã sobre a morte

Eu pensei em escrever algo sobre o assunto, mas o Roberto Vargas produziu algo muito melhor do que eu poderia fazer.

Encaminho-os ao texto dele, republicado no blog 5Calvinistas:

Pois é esta mesma esperança pelo porvir que faz o cristão desejar tão ardentemente tanto a morte quanto a vida. A morte é desejável não para acabar com tudo, não como num salto para o nada, mas é desejável para que tudo continue. Não como era, mas em uma transformada, uma glorificada plenitude. O desejo pela morte se revela um desejo pela vida, um desejo por ser.

Cliquem aqui para ler o texto integral.

E aqui para ir ao blog do Roberto.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

C&D: Dia do Professor


“...o que ensina esmere-se no fazê-lo” [Rm.12.7]

O título do livro “punidos e mal pagos” vem à mente quando penso nos professores. O seu espaço na cultura é inversamente proporcional à sua importância. Eles trabalham na educação (vamos deixar os deseducadores de lado por um momento) do nosso povo, e tudo o que recebem é um mísero feriado – talvez para lhes fazer esquecer o seu salário.

Descrevendo alguns dons, Paulo fala sobre “aquele que ensina”. A sua escrita está no contexto da igreja, mas ainda assim, considerando o ensinamento geral da vocação, podemos acreditar no magistério como dádiva do Senhor.

Algumas pessoas foram vocacionadas para exercer o papel de educadoras. O seu serviço (ministério) é contribuir para a formação de seres humanos íntegros, tanto intelectualmente, quanto em seu caráter, pois o momento do ensino transcende o conteúdo dos livros didáticos.

Entre as aulas e os feriados perdidos com a correção de provas, tais professores são valentes guerreiros. Lutando contra a resistência dos alunos, a falta de compreensão de seus coordenadores, e outras mil dificuldades, tentam cumprir o seu chamado como convém.

Não quero pintar um quadro falso aqui. Mencionei acima os deseducadores, e sei que existem muitos por aí. Eles se fantasiam de professores, e jogam baldes de ideologia no nosso povo (entre os universitários isso é algo muito comum), ou apresentam aulas medíocres, desinteressados que são da vida dos alunos.

Não quero dizer que tudo o que os professores fazem é heróico – às vezes eles pisam na bola mesmo. Mas o erro esporádico não tira o mérito dos seus esforços. Quem cumpre adequadamente a sua vocação merece mais do que um feriado ou um post nesse blog: merece gratidão para a vida inteira.


*Quero destacar que este post também reconhece o esforço dos “professores não-oficiais”. Aqueles que apenas o fazem uma vez por semana (na escola dominical), ou com outra frequência, mas que, no fim das contas, são tão educadores quanto qualquer outro mestre.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

C&D: Dia das crianças

Há sérios problemas quando falamos de crianças hoje em dia. Seguindo a mentalidade adotada pela classe média e outras mais “elevadas”, dentro de alguns anos o dia das crianças será uma festa para dois ou três “gatos pingados”.

A criançada deixou de ser vista como bênção de Deus, para ser observada como dívida, peso no bolso, incômodo, etc. Se antes era possível falarmos em famílias com 4 ou 5 filhos, hoje isso é coisa rara.

Voddie Baucham afirma haver uma lei não escrita, que determina ser viável aos casais da classe média apenas 2 filhos. No máximo 3, se os dois anteriores forem do mesmo sexo. E assim a galerinha é reduzida a uma calculadora, para satisfazer os ditames de seus pais idólatras.

Não afirmo que todos deveriam ter vários filhos. Não penso ser obrigatório que um casal deva encher a casa de crianças. Apenas reconheço que os motivos pelos quais temos abandonado os bebês são errados. Colocamos o dinheiro em primeiro lugar, e distorcemos o ensinamento bíblico de que as crianças são bênção, para encará-las como gastos.

Se a perspectiva mais básica a respeito dos filhos é distorcida, como desejamos que eles, ao crescerem, sejam pessoas adequadamente formadas?

O contraste com a mentalidade de outros povos é interessante também. O mesmo Voddie Baucham indicou como, por meio da taxa de natalidade, a cultura é transformada. Enquanto nós abandonamos as crianças, os muçulmanos se engajam na procriação, a fim de terem, a médio e longo prazo, a cultura transformada pelo número de pessoas de sua fé. Um vídeo da PIB de São José dos Campos demonstra a mesma realidade.

E assim nós vestimos a fantasia dos apóstolos, impedindo as crianças de chegar a Jesus. Seria bom ouvirmos em alto e bom som: “deixai vir a mim os pequeninos” [Mc.10.14; Lc.18.16].

O dia das crianças só pode ser adequadamente celebrado se estes seres menores forem reconhecidos como a Escritura os descreve: tesouro, bênção, alegria. Só há motivo para festejar se a nossa perspectiva a respeito das crianças for de amor e satisfação.
Na foto: meus pais me apresentando à igreja

quinta-feira, 16 de abril de 2009

C&D: A Páscoa - Justificação pela fé, expiação, morte substitutiva

A páscoa faz alguns pensarem sobre a morte de Jesus. A morte de Jesus faz alguns pensarem sobre o seu propósito e efeito. Para isto, precisamos entender o ensinamento bíblico sobre a questão.

Depravação total

A morte de Jesus só foi realizada porque o pecado corrompeu o homem, tornando-o culpado diante de Deus e merecedor da pena de morte [Gn.2.17; Rm.6.23].

Cada área do homem foi afetada pelo pecado - por isso a expressão "depravação total". O intelecto foi debilitado (1Co.2.14; Rm.3.11); as emoções foram pervertidas (Jr.17.9; Rm.8.7) e a vontade caminha no sentido oposto ao de Deus (Jo.5.40; Rm.3.11).

O homem deveria, então, pagar um débito eterno por sua culpa diante do Criador. Mas isso era (e é) impossível a nós. Nenhum homem consegue pagar um débito eterno, pelo simples fato de não possuir a eternidade em si. Uma vida de perfeita obediência era exigida - e novamente nenhum homem poderia viver assim, bem como o cumprimento da punição da morte.

Expiação e morte substitutiva

Assim Jesus veio para cumprir a justiça de Deus, vivendo uma vida de perfeita obediência, e morrendo no lugar do Seu povo (Mt.1.21; Is.53.5,6; Mc.10.45; Jo.10.11; Ap.5.9).

Na cruz, Jesus verdadeiramente pagou (e assim expiou) os pecados daqueles que nEle creriam. Isso significa dizer que o sangue derramado na cruz não foi em vão. Nenhum daqueles por quem Cristo morreu será perdido. Isso seria dizer que o Seu sacrifício foi ineficaz. (Jo.6.39,44).

A Bíblia a expiação operada por Jesus. Ele recebeu a ira de Deus sobre Si, e pagou os pecados do Seu povo. (Rm.5.19; Hb.9.11-14).

A morte substitutiva de Jesus indica a mesma verdade. Ele não morreu como exemplo, mas estava substituindo cada um daqueles que seriam salvos (Cl.2.13-15; Rm.5.1,2; 1Co.1.10).

Justificação pela fé

Todo homem que reconhecer o seu estado pecaminoso, arrepender-se de seus pecados, e crer que Jesus é o único Senhor e Salvador (vivendo de maneira consistente com esta fé), recebe sobre si a Justiça de Jesus, e é declarado justo pelo Pai. (Rm.3.23,24).

A expiação (e redenção) conquistada na cruz e planejada desde a eternidade é aplicada no tempo, por meio da obra do Espírito Santo. À medida que as pessoas crêem no Evangelho - as boas notíticas de que há salvação para pecadores condenados - elas recebem a justiça de Jesus, e têm os pecados perdoados com base no sacrifício que Ele realizou na cruz.

A fé, e não as obras (boas ou más) é o instrumento pelo qual somos justificados (Rm.3.27,28). Não somos considerados justos diante de Deus por darmos esmola ou fazermos qualquer tipo de "boa ação". A justiça do homem jamais pode ser comprada ou conquistada. Ela simplesmente é recebida pela fé.

Desta maneira, há esperança mesmo para quem consideramos "irrecuperável". Deus perdoa e restaura todo aquele que crer nEle, com base naquilo que Jesus fez. Este é o evangelho, é assim que a páscoa pode ser entendida.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

C&D: Sem perder o controle

Lembrem-se das coisas passadas, das coisas muito antigas! Eu sou Deus, e não há nenhum outro; Eu sou Deus, e não há nenhum como eu. Desde o início faço conhecido o fim, desde tempos remotos, o que ainda virá. Digo: o meu propósito permanecerá em pé, e farei tudo o que me agrada.

Isaías 46.9,10

Estamos pertinho de 2009. Mais alguns dias e chegará o novo início, para alegria de alguns e tristeza de outros. As viradas de ano têm algo de transcendente. Cada mudança no calendário parece despertar os medos, superstições, expectativas e esperanças de muita gente.

E assim encontramos a Maria – metáfora do ser humano comum. Seu coração bate mais forte porque deseja muitas coisas para o próximo ano, mas ao mesmo tempo fica angustiada com a possibilidade de nada se concretizar e a situação piorar. Para ela pode ser um emprego, ou a realização no serviço. Para outros pode ser a faculdade, o grupo de amigos, a escola, a igreja, etc., etc.

Alguns pais e mães não largam a calculadora, pensando nos gastos de 2009. Quem precisará viajar pra fazer algum curso, ou pagar o apartamento próprio fica ansioso, com medo do salário não suportar. Há os que planejam se casar neste ano, e sobre esta idéia colocam toda a tensão.

Em meio a tantos sonhos, expectativas, incertezas e possibilidades de frustração, parece difícil não cedermos à ansiedade e ao desespero. Para alguns é natural nos entregarmos a tais disposições.

Mas qual o antídoto para este momento cultural e a carga de pensamentos/sentimentos que o acompanha? Basta dar uma olhada no versículo transcrito acima: a doutrina da Providência de Deus é o alívio para a angústia humana.

Crer na Providência é reconhecer a soberania absoluta de Deus sobre tudo, e confiar que os eventos de 2009 estão sob a supervisão e controle do Altíssimo. Ele já prometeu que todas as coisas cooperam para o bem do Seu povo (Rm.8.28), portanto, mesmo que não saiam da forma como desejamos, o Pai ainda está coordenando os nossos passos. Acreditar na Providência é perceber a “invisível mão de Deus” regendo a história da humanidade (e a nossa), para que os Seus propósitos eternos sejam cumpridos.

Isto não justifica a preguiça ou fatalismo humano. Deus cumpre os Seus propósitos por meio dos Seus agentes, que, em muitos casos somos nós. Assim, eu devo acreditar que a vontade do Senhor se cumprirá quanto ao meu curso da faculdade, mas ao mesmo tempo preciso “ralar” pra passar no vestibular. O mesmo serve para as demais áreas da vida. Quem acredita que Deus lhe dará uma namorada legal não deve parar de procurar e esperar cair do céu. Quem caiu do céu provavelmente não seria uma boa companhia para ninguém.

Portanto, descansemos com base na Providência. Os planos do Soberano serão cumpridos em 2009, e Ele tem o melhor para nós. Ao mesmo tempo, trabalhemos, oremos e lutemos por aquilo que temos sonhado, a fim de que Ele receba a glória pelas nossas conquistas.

Não devemos viver sujeitos à preocupação. Devemos moderar nossa preocupação e ansiedade por meio de nossa confiança na Providência de Deus. (R. C. Sproul)

Quem está regendo as coisas na terra, hoje em dia – Deus ou o diabo? Que dizem as Escrituras? Se cremos em suas declarações claras e positivas, não há lugar para a incerteza. Elas afirmam, vez após vez, que Deus está no trono do Universo, que o cetro está em suas mãos, que Ele dirige todas as coisas “conforme o conselho da sua vontade”. (A. W. Pink)

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

C&D: A Encarnação

"Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz" Filipenses 2.5-8

"Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e verdade". João 1.14

No momento cultural que vivemos, nada mais contextualizado do que pensarmos o nascimento e a vida de Jesus.
A doutrina da encarnação, em linhas gerais, é o ensino de que o Deus Filho encarnou e se tornou homem para cumprir o plano de Salvação estabelecido pela Trindade.
Desde o Antigo Testamento o Messias foi prometido. Ainda em Gênesis (3.15) o evangelho foi proclamado, e com ele, a promessa do Descendente da mulher, que feriria a serpente-satanás.
Em Isaías a coisa fica ainda mais explícita, e Jesus é anunciado como o menino que nasceria, o Deus forte (Is.9.6).
O nascimento do Messias é anunciado pelo anjo a José em Mateus (1.21), com a explícita declaração de que Ele seria O Salvador.
A isto unimos os ensinamentos de João e Paulo em Filipenses (transcritos acima), bem como a declaração do autor de Hebreus (1.3,4):

O Filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do Seu Ser, sustentando todas as coisas por Sua palavra poderosa. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, Ele se assentou à direita da Majestade nas alturas, tornando-se tão superior aos anjos quanto o nome que herdou é superior ao deles.

Os textos indicam a divindade de Jesus, bem como a sua humanidade. Indicam a realidade do Deus vivo se entregando por amor a pecadores, para garantir a salvação deles.
A encarnação é expressão clara e irrefutável do caráter justo e amoroso do Pai. Justo porque ela possibilitou a salvação do homem mediante a vida perfeita do homem Jesus. Amoroso porque exibiu publicamente a entrega voluntária de Jesus, e a doação do Pai em favor de pecadores ingratos.


Por que Deus se fez homem? Qual a necessidade da encarnação?

Mencionamos o cumprimento da justiça de Deus no ponto anterior, e esta é uma boa explicação para a primeira vinda de Jesus. O pecado do homem o tornou culpado diante de Deus desde o seu nascimento. As criancinhas que pensamos serem inocentes, biblicamente são seres rebeldes contra Deus, e filhos da ira por definição (Gn.8.21; Sl.51.5;Ef.2.3). O pecado gerou a maior ruptura da história da humanidade - a quebra do relacionamento com o Pai, e a culpabilidade do homem.
A punição justa de Deus para o pecado é a morte (Gn.2.17; Rm.6.23). Não apenas a morte física, mas a morte eterna (Ap.21.8). O homem se tornou escravo do pecado, então não poderia simplesmente se libertar de tal escravidão, pagar os seus pecados, e passar a viver uma vida perfeita, agora de maneira inocente diante de Deus. Isto é impossível e absurdo. Era necessário que alguém fosse capaz de receber toda a ira de Deus (e nenhum homem é capaz disso); morresse como pagamento pelos pecados e vivesse uma vida perfeita (novamente, ninguém é capaz de fazer isso).
Assim chegamos a Jesus. Ele é Deus e homem, assim pode viver a vida perfeita, receber a ira de Deus, e legitimamente representar a humanidade. Jesus se tornou homem como parte do plano perfeito de Deus para a redenção do Seu povo.
Jesus viveu perfeitamente, morreu, e ressucitou para a salvação dos Seus (Jo.6.37,39,44). Jesus cumpriu a justiça de Deus, recebeu a culpa de pecadores e deu a eles a Sua justiça.


A encarnação ensina sobre humildade e amor, sobre paciência e abnegação. Ensina sobre a natureza real do evangelho, que são as boas notícias de salvação em Jesus. Ensina sobre a impossibilidade de méritos humanos, e a necessidade de fé no Messias. Ensina o que devemos crer, e como devemos viver.

As doutrinas existem para serem compreendidas e vividas.