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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

"Tapados" demais para pensar como Cristo

Publicado originalmente no 5Calvinistas

Harry Blamires afirmou, há bastante tempo, não haver mais tal coisa conhecida como "a mente cristã". Isso indica pelo menos duas realidades: a primeira, de que os cristãos cederam ao secularismo e outras correntes da época, deixando a cosmovisão cristã em alguma gaveta de seu armário comportamental, oculta sob uma pilha de lixo ideológico anticristão. Isso não é estranho de se ver: aos montes estão os exemplares de cristãos abortistas, socialistas, pragmáticos, liberais, etc. Simplesmente rejeitaram ou esconderam o modo bíblico de encarar a realidade, substituindo-o por alguma outra coisa, que ainda foi chamada de cristã, mesmo que em oposição direta ao Cristo e Sua doutrina.

A segunda possibilidade, é a de que, não apenas a cosmovisão e os processos mentais direcionados pela Escritura foram reduzidos, mas a própria capacidade de pensar profundamente e compreender as coisas. Nesse sentido, não existiria mente cristã, porque a própria mente em seu sentido mais amplo estaria reduzida às escolhas mais básicas da humanidade: "o que vou almoçar hoje?", "será que é melhor ir ao banheiro agora?", "acho que estou com sono... vou dormir". Este aspecto do fim da mente cristã revela a redução na capacidade de raciocinar e desenvolver reflexões mais elaboradas sobre O Criador, a Criação, e as relações daí decorrentes.

Não me entendam mal, este não é um fenômeno exclusivamente cristão. Há quem estude esta queda abrangente e publique suas pesquisas sobre o assunto, como Allan Bloom, em seu livro "O declínio da cultura ocidental" (ed. Best Seller), ou dê exemplos de como os intelectuais já não são mais como outrora, a exemplo do "imbecil coletivo", de Olavo de Carvalho (ed. É realizações).

Permitam-me ilustrar o ponto entre os cristãos.  Em 2003, o Barna Grupo divulgou os resultados de uma pesquisa sobre a leitura de material cristão entre os americanos. Havia alegria na publicação: metade dos americanos havia lido livros cristãos, e um terço deles estava comprando livros.  Alguns pontos foram interessantes: os politicamente conservadores estão à frente no consumo de publicações cristãs, seguidos dos cristãos não evangelicais (provavelmente reformados e outros grupos). Os adultos e adolescentes evangelicais também merecem destaque na leitura de tais obras.

Embora exista algo de bom em que se esteja lendo livros cristãos, o número ainda é vergonhoso, e não digno de comemoração. A pesquisa demonstra que o adolescente comum comprou, no ano, apenas três livros (é possível que tenha lido mais, mas uma média dessa revela algo sobre o consumo e leitura de livros entre adolescentes). O adulto médio, de quem se poderia - teoricamente - esperar mais, comprou não muito mais do que isso: cinco livros por ano.

Mas essa não é a pior notícia. Alguém poderia argumentar que, se todo adolescente mantivesse a média de ler três livros por ano, e todo adulto lesse cinco no mesmo período, isso já seria motivo de muita alegria e enriquecimento. Eu não sou tão otimista assim. Primeiro porque, sem rebaixar os padrões, ler 3 livros em um ano inteiro é pouco. Soe isso arrogante ou não. Ou, se é para abrir uma concessão, que esses três livros fossem relidos várias vezes ao longo do ano, a fim de captar mais intensamente o seu conteúdo. Outro ponto é que, além da quantidade de livros lidos, é preciso selecionar bem o conteúdo do material a ser estudado.

E aqui está o problema: enquanto o Barna Group comemorou esses tímidos números, eu tentei desvendar que materiais cristãos estavam sendo lidos. Cheguei a uma pesquisa do mesmo grupo, realizada dois anos depois - em 2005. Ali está uma lista dos top 7: os livros cristãos mais populares nos Estados Unidos. Eis o ranking (alguns títulos são tradução livre, já que não conheço em português):

1 O código Da Vinci (Dan Brown)
2 Uma vida com propósitos (Rick Warren)
3 As cinco pessoas que você encontra no céu (Mitch Albom)
4 Deixados para trás (Tim Lahaye)
5 A oração de Jabez (Bruce Wilkinson)
6 Terças com Morrie (Mitch Albom)
7 Sua melhor vida agora (Joel Osteen)

O que esta lista fala sobre a qualidade da leitura popular? Não que nada possa ser aproveitado daí, mas qualificar O Código Da Vinci como literatura cristã já revela o início do problema, considerando o fato de que o autor desta obra tenta colocar em cheque o ensino bíblico sobre Jesus. "Literatura anticristã" seria mais apropriado. Dos demais, uma mistura de judaísmo, com teologia da prosperidade, auto-ajuda e ficção dispensacionalista, indicam que, se os três livros que os adolescentes leram, e os cinco dos adultos, forem dessa lista, o problema com a mente cristã é ainda maior.

Embora as pesquisas tenham sido realizadas nos Estados Unidos, creio não haver muita diferença em relação ao Brasil. Talvez ainda haja mais leitura por lá do que por aqui. O desafio que temos hoje, para resgatarmos a mente cristã, é de incentivarmos e promovermos a leitura, investirmos na produção e aquisição de bons livros, e trabalharmos pesado para que, pelo ensino bíblico, a cosmovisão cristã seja uma realidade entre nós.

Deus nos ajude.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Um 2011... diferente

 Há igrejas e pessoas que não vivem sem uma frase de efeito. "Esse é o ano de poder", "é o ano da promessa",  "é o ano do jubileu", e por aí vai. Se eu estivesse entre tais fileiras, diria que 2011 é "o ano das mudanças". Na verdade todo o processo das mudanças que ora tomam forma foi semeado antes, talvez com mais tempo até do que eu consiga definir. Mas em vez de ficar enrolando, vou falar sobre diferenças que encaro em 2011.

Normalmente não gosto de posts tão pessoais. Embora num blog o espaço seja para apresentar uma visão pessoal da realidade (pautada na tradição do cristianismo clássico - no caso do BJC), penso que torná-lo um diário é o caminho da irrelevância. De qualquer modo, outros fazem melhor do que eu - e não pretensão de imitá-los. Creio que muitos desconhecem algumas das mudanças pelas quais tenho passado, e alguns não compreendem decisões que tomei, por isso achei de bom proveito este post. Às mudanças:

1. A mudança eclesiástica
Comecei 2010 como auxiliar ministerial (tendo me tornado pastor ainda no primeiro semestre) da Igreja Batista. Começo 2011 como pastor presbiteriano. A mudança eclesiástica se deu, basicamente, pela afinidade nas convicções teológicas, e pelas oportunidades de um ministério abertamente reformado.
Convidado pela Igreja Presbiteriana do Renascença, topei o desafio de ali servir e plantar uma igreja em São Luís. Passei pelo processo de exame no Presbitério Leste do Maranhão, e, aprovado, fui recebido como pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil.
Como vivi toda a minha vida na batista (um quarto de século), estou no período de adaptação em uma nova igreja. Encarar tal mudança é sentir o friozinho na barriga de quem lida com realidades ainda não tão familiares, que trazem um senso de curiosidade e satisfação a cada nova descoberta.
Não apenas mudei de igreja local, mas de denominação, e isso implica adaptações ainda maiores no que diz respeito à forma de governo, por exemplo. O batismo infantil já não era problema para mim há algum tempo.
A idéia de plantar uma igreja também é bastante desafiadora, mas num bom sentido.

2. A mudança de estado civil
Comecei 2010 como solteiro. Começo 2011 a caminho do altar - ainda em Janeiro celebrarei o matrimônio com a blogueira do IvoneTirinhas, do lado de quem edito o EuCaso.com.
Obtendo habilitação para casar
Mudar de estado civil - de solteiro para casado - é entrar em um novo universo, cujas formas apenas foram vislumbradas de longe, no namoro e noivado. Creio, evidentemente, que a semente do casamento está no namoro, de modo que aquele é a elevação deste à última potência. Mas ainda assim, e considerando um relacionamento vivido a aproximadamente 2028 Km de distância, a realidade do casamento e da convivência revela aspectos até então inexplorados - sejam ruins, ou bons.
Finalmente estaremos na mesma cidade. Mais do que isso: finalmente estaremos na mesma casa (apartamento, para ser mais exato).
Se você deseja entender um pouco da minha sensação enquanto penso sobre tal mudança, basta pensar que será também desafiador conviver tão de perto - e para sempre - com alguém, mas finalmente poderei ver o rosto por trás das entonações de voz, as lágrimas escondidas sob o som do choro, o sorriso que o insensível(!) celular me esconde, e o perfume que a distância faz questão de dissipar.


3. Outras
Para não ser tão detalhista sobre minha vida, creio que uma terceira categoria pode abranger as várias outras mudanças que decorrerão das duas primeiras. Uma nova forma de me relacionar com meus pais e irmã será estabelecida, por exemplo. Embora eu já esteja morando sozinho há um tempo, ainda resta o clima de almoço diário na casa dos pais, e fins de semana dormindo por lá. Novas formas de lidar com as pessoas que Deus predestinou para formarem o meu caráter e me darem as primeiras noções de relacionamento serão agora exploradas. Sempre em honra e amor.
Haverá mudanças financeiras, decorrentes da vida em casal. A organização das finanças passa a ter o foco na família que estou formando, e não mais em mim exclusivamente. Isto vai exigir alguns cortes, e o estabelecimento de novas prioridades.
Mudanças intelectuais e espirituais seguirão, à medida que prossigo o estudo das Escrituras e da teologia filosófica no mestrado.
Mas, fundamentalmente, quase que como um laço que envolve todo o pacote, encaro as mudanças que decorrem de tudo o que foi mencionado, sobre a minha personalidade - forjando o meu caráter, desenvolvendo maior senso de responsabilidade, indicando as minhas fraquezas, e produzindo ótimas oportunidades de Deus me tratar. Ele é bom nisso.

*   *   *

Tenha você também um ótimo 2011. Que as mudanças ocorridas ao longo do ano sirvam para fazê-l@ crescer, e amar mais ao Senhor.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Lamento

Que os teu lábios
confessem a verdade
e o teu coração,
Jeremias lamentando a destruição de Jerusalém, Rembrandt

sem fazer alarde,

Esconda do amor a falta,
e da humildade ausência,
Eu sinto.

Pois quando a ira assalta
tua consciência,
e o orgulho mata
toda a inocência,

Os sinais da piedade vão
Aos poucos se esvaindo,
E eu sinto.

Que não haja voz
a promover descanso
ao coração atroz
em oposição ao manso

E o espírito cresça
rumo à divisão,
Eu sinto.

O alcance de tal obstinação
será medido em dores
a afligir a canção
que entoam os sofredores

Pois todos perdem,
Todos morrem,
E eu sinto.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Conflito de gerações?

Entristeço-me quando noto que este modelo escriturístico, o mentoreamento, encontra-se engavetado na maioria das igrejas, sendo substituído pela agenda do ativismo cristão, que mina a comunhão entre as diferentes gerações. A Palavra do Senhor nos estimula a investirmos no estreitamento dos laços entre jovens e velhos, para que a troca de experiências gere um aperfeiçoamento espiritual mútuo, fortalecendo a comunidade de fé. Separando-os, o que ganhamos de imediato é o desinteresse de um pelo outro, gerando dificuldade no processo de renovação da liderança, culminando no desprezo do velho e na soberba do jovem. E, infelizmente, é isso o que vem acontecendo.
Roosevelt Nunes, no texto "Tito (I)", no blog da Aliança Jovem Reformada

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

No blog dos 5C:

Aqui jaz... o silêncio

O silêncio é uma arte perdida. Nestes dias corridos e barulhentos, qualquer pausa que promova meio segundo de ausência sonora é constrangedora.
Talvez por isso em algumas igrejas nem há mais sermões sem uma música de fundo - uma possível tentativa de eliminar os terríveis momentos de silêncio entre uma frase e outra do pastor? Outros diriam que é mais uma estratégia de manipulação emocional...
O ponto é que o silêncio se torna cada vez mais distante de nós.
A dificuldade reside no fato de que este fenômeno não apenas acontece fora de nós, nos ambientes à nossa volta, mas também em nós. Na era da "democratização" do espaço público, quando todos têm "voz", ninguém quer ficar calado.

[leia o resto no blog dos 5 Calvinistas]

terça-feira, 23 de novembro de 2010

6 meses de ministério pastoral

Há 6 meses uma cerimônia tornava oficial minha ordenação ao ministério pastoral. Pela imposição de mãos do presbitério, tornei-me pastor.

Já mencionei anteriormente as lutas que travei com a idéia de ser um ministro ordenado. Eu preferia o ministério "leigo" - ajudar pessoas sem a alcunha ou o "pr." junto ao meu nome; exercer um ministério mais light, sem muita cobrança. Não que eu evitasse o compromisso, mas considerava a tarefa pesada demais para mim.

Pela graça de Deus, fui convencido de que Deus chama e usa rábulas como eu, e - principalmente - compreendi que a obra é do Senhor, e não minha.

Em minhas reflexões - e um dia pretendo desenvolver isto por aqui de modo mais completo - tenho sonhado e desenvolvido uma filosofia de ministério pautada em 5 pilares. Desejo e trabalho por um ministério Reformado, Contemporâneo, Missional, Educativo e Pressuposicional. Orem por isso.
Deus tem me permitido atuar em algumas áreas, que podem fazer parte desse relato.

O ministério da pregação tem sido um grande alvo. Embora eu não seja o preaching pastor, ou o pastor titular de minha igreja (Igreja Batista Renascença), Deus tem me dado a oportunidade de pregar ali e em outros lugares. É uma tarefa dolorosa e desafiadora, mas ao mesmo tempo, profundamente gratificante. Deus tem me permitido ver algumas mensagens suscitarem conversas interessantes, e a percepção de pontos até então não percebidos na Escritura. Este é um dos aspectos que mais valorizo. Minha preferência é a de sermões expositivos, que caminhem ao longo do texto bíblico. A questão da periodicidade pode atrapalhar, mas mesmo em sermões avulsos tento trabalhar com seções completas do pensamento de um autor bíblico. E apontar para Jesus, sempre.

O ministério do aconselhamento também tem sido desenvolvido. Ele ainda não é desenvolvido tanto no formato tradicional - de pessoas no gabinete pastoral, sendo formalmente aconselhadas - mas talvez seja melhor assim. Os aconselhamentos realizados têm sido feitos no desenvolvimento de amizades, ou em conversas no dia-a-dia, troca de e-mails, questões enviadas pelo twitter, diálogos do facebook, ligações realizadas, entre tantos outros meios. Embora muitas vezes o meio exija uma rapidez que atrapalha, a conversa é continuada, e o acompanhamento se dá, seja mais de perto, seja a distância. Às vezes tenho visto o bom resultado desta área, mas em outras vezes, nem tanto. São os "sucessos" e "fracassos" do ministério. Estou aprendendo a lidar com isso.


Em âmbito formal, o ministério do ensino também é alvo de meu investimento. Como pastor, também tenho supervisionado e lecionado em classes e cursos promovidos por minha igreja. Aqui, novamente, tenho a dor e o prazer de experimentar terríveis e ótimas aulas. Deus tem sido gracioso comigo, e me dado bons alunos, embora sempre se perceba uns mais engajados do que outros. Cada um tem o seu ritmo.


Informalmente, desenvolvo o ministério do discipulado. Principalmente através da amizade, o Senhor tem me dado graça para investir e trabalhar na vida de pessoas, contribuindo para o seu crescimento na comprensão das Escrituras, na vida com Jesus, e no desenvolvimento de uma mentalidade cristã. Como é prazeroso perceber as evidências de transformação e crescimento na vida de meus companheiros de jornada!

Obviamente nem tudo são flores. Acredito que seis meses não é tempo suficiente para ter uma descrição ampla do ministério. Já experimentei algumas lutas - ovelhas em rebeldia, a necessidade da disciplina eclesiástica, a importância da confrontação, o preconceito por minha idade, etc. Mas sei que o tempo ainda é pouco para os desafios que virão. Só não quero dar a idéia de que foi tudo um mar de rosas - houve falhas e problemas em cada um dos itens mencionados acima, questões com as quais preciso lidar e aprender a contornar.

Outro ponto que merece ser destacado, é a realidade de que o ministério pastoral também é via de mão dupla: enquanto prego, aconselho, ensino e discipulo, estes mesmos itens estão sendo operados em mim. E isto me faz perceber que, mais que um sacerdote e mediador entre os homens e Deus, eu sou apenas mais um vocacionado para servir aos meus irmãos, lado a lado com eles, contemplando nas Escrituras a glória do Pai, a vergonha da cruz, e a beleza de uma vida com o Deus Trino.

Soli Deo Gloria.

domingo, 21 de novembro de 2010

Comentário ao texto da Bárbara Gancia

A jornalista Bárbara Gancia publicou um texto ontem na Folha de São Paulo, no qual falou sobre a polêmica Mackenzie-Homossexualismo. O texto foi mais direcionado ao Dr. Augustus Nicodemus Lopes, mas demonstrou concepções gerais a respeito do Cristianismo e da homossexualidade.


O Marcelo Tas republicou em seu blog. Tentei comentar por lá, mas nada feito - uma mensagem de erro era continuamente demonstrada. Então decidi parar de tentar comentar lá e publicar meu comentário aqui. Talvez eles nunca leiam, mas o meu alvo principal são outras pessoas que podem ler o texto e serem enganadas. Assim, acho que faço bem em publicar o comentário aqui.


Recomendo que você leia o texto antes de ler o comentário. Para isso, clique aqui.


Enfim, ao comentário:



O texto é cheio de vícios e apresenta fraca argumentação. Ao contrário do que o Tas afirma, subestima os leitores, trata alguém com desrespeito - porque não se presta apenas a discordar, mas a ironizar - e supõe serem os cristãos um bando de "criadores de caso".

O fato de o Tas indicá-lo apenas mostra como o politicamente incorreto atinge até quem tenta fugir dele.

Colocar em um mesmo nível a preferência de cor, e o ato moral de um relacionamento amoroso é tão pueril que eu me sinto envergonhado de ter que apontar essa bobagem aqui.

A autora pressupõe, ou melhor afirma claramente, que os evangélicos, ou o Mackenzie e o Dr Nicodemus, no caso, estão pregando contra os homossexuais, e não contra o homossexualismo. Certamente há uma relação entre ambos, mas rejeitar o homossexualismo não significa odiar o homossexual. Não sei se a Bárbara leu o manifesto realmente, ou se apenas teve dificuldades de interpretá-lo.

A Gancia pressupõe que os homossexuais "nasceram gostando de brócolis", ou de pessoas do mesmo sexo. Tal afirmação, num chute desmedido, soa como um recurso último do desespero pró-gay. A idéia é parar de tratar a homossexualidade como comportamento, e passar a considerá-la uma condição. Mas onde ela fundamenta que alguém nasce homossexual? Apenas em sua sapiência - a mesma que a fez interpretar o manifesto da Igreja Presbiteriana e do Mackenzie errado. Ela simplesmente não conseguirá o ponto. Ninguém nasce homossexual. Escolhas são feitas para que isso aconteça.

Por fim, a autora passa a soltar abobrinhas, na convicção de que o projeto dos cristãos - ou de uma parte deles - é "discriminar alguém". Então, segundo ela, é hora de encontrar uma nova vítima. Mas essa atitude dela não é discriminatória? hum... acho que ela não passaria no próprio teste. Quem afirma ser esse o propósito do Cristianismo, nada sabe sobre Jesus.

Discordar e apresentar a verdade nada tem a ver com perseguição. Mas o que a sra Bárbara Gancia, a que acabou de perseguir cristãos e falar mentiras, sabe sobre a verdade e o amor?

sábado, 20 de novembro de 2010

MACKENZIE UNIVERSITY: IN DEFENSE OF FREEDOM OF RELIGIOUS EXPRESSION

In Brazil, a bill (PL 122/2006) has been proposed in order to pass a law with the objective of “combating homophobia.” The project characterizes as a crime “any intimidating or vexing action, of moral, ethical, philosophical or psychological nature” that involves homosexuality. Based on this project, homosexual activists in Brazil initiated active opposition to Christian psychologists who offer treatment for those who wish to leave homosexuality (as with Rozangela Justino) and to pastors (such as Lutheran Rev. Ademir Kreutzfeld) who have publicly counseled their flock to avoid homosexual lifestyle. In 2007, evangelicals and Christians in general believed that if the law should be approved, they would be punished for publicly treating homosexuality as sin, which would be contrary to the freedom of religious expression granted by the Brazilian Constitution, Thus, Mackenzie Presbyterian University in São Paulo, a centenary institution of higher learning, with a body of 45,000 students and 1900 professors, whose lifelong associate is the Presbyterian Church of Brazil (IPB), published a portion of the position taken by the denomination on this matter on its site. This post was signed by its Chancellor, Rev. Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes. Recently, this text and the institution have come to be accused of being homophobic by gay organizations, with ample support of the media. Its position has been distorted and presented as if it is “intentionally promoting the right to be homophobic.” Rev. Augustus Nicodemus’ photo is being shown on various gay sites on the Internet, accompanied by words of hate and insulting comments directed at him, evangelicals and the Bible.
Therefore, we, as evangelical Christians in Brazil, seek the prayers and support of fellow believers in other countries. We have also decided to issue the following manifesto, for which we seek widespread circulation:

MACKENZIE UNIVERSITY: IN DEFENSE OF FREEDOM OF RELIGIOUS EXPRESSION

Mackenzie Presbyterian University (Universidade Presbiteriana Mackenzie) has recently come under attack for an allegedly “homophobic” text that has been on its site since 2007. We, from several Christian denominations, wish to express our solidarity with this institution. We rise up against the indiscriminate use of the term “homophobia,” that is being applied not only to murderers, assailants and discriminators of homosexual persons, but also to Christian religious leaders who, according to the light of Holy Scripture, consider homosexuality a sin. After all, our freedom of conscience and expression may not be denied us, nor may it be confounded with violence. We believe that mentioning sins in order to call people to voluntary repentance is an integral part of announcing the Gospel of Jesus Christ. No declaration of hate may be based on the preaching of the love and of the grace of God.

As Christians, we have the biblical mandate to offer the Gospel of salvation to all people. Jesus Christ died to save and reconcile human beings with God. We believe, according to the Scriptures, that “all have sinned and fall short of the glory of God” (Romans 3:23). We are sinners, every one of us. There is no division between “sinners” and “non-sinners.” The Bible presents us with long lists of sins and informs us that, without God’s forgiveness, human beings are lost and condemned. We know that the following are sins: “sexual immorality, impurity and debauchery; idolatry and witchcraft, hatred, discord, jealousy, fits of rage, selfish ambition, dissensions, factions and envy; murders, drunkenness, orgies, and the like” (Galatians 5:19). In their traditional and historical interpretation, the Judeo-Christian Scriptures deal with homosexual conduct as sin, as can be shown by texts like Leviticus 18:22, 1 Corinthians 6:9-10, Romans 1:18-32, as well as others. If we desire the repentance and the conversion of the lost, we must also name this sin. We do not desire legally-enforced changes in behavior but, rather, conversion of the heart. And conversion of the heart does not occur because of external pressure, but by the gracious and persuasive act of the Holy Spirit of God who, as Jesus Christ taught, convicts of “sin, righteousness and judgment” (John 16:8).

We therefore wish to certify that the eventual approval of so-called anti-homophobia laws will not hinder us from extending this invitation freely to all, an invitation that may also be refused. We are not in favor of any kind of law that forbids homosexual conduct; in the same manner, we are contrary to any law that goes against a principle that is very dear to Brazilian society: freedom of conscience. The Federal Constitution (Article 5) guarantees that “all are equal before the law,” stipulates that “liberty of conscience and of belief are inviolable,” and specifies that “no one may be denied rights by reason of religious belief or due to philosophical or political convictions.” We are also opposed to any external force – intimidation, threats, verbal or physical aggression – that is intended to change a person’s mind-set. We do not accept that the criminalization of opinions be a valid instrument for social transformation because, besides being unconstitutional, this foments an undesirable wave of authoritarianism, undermining the foundations of democracy. In the same way that we do not seek to repress homosexual conduct with coercive measures, we do not want these same means to be used to make us stop preaching what we believe. We want to maintain our freedom to announce repentance and God’s forgiveness publicly. We want to maintain our right to open confessional educational institutions that reflect our Christian worldview. We want to guarantee that our religious community may express itself about all matters that are important to society.

We, therefore, manifest our full support for the pronouncement by the Presbyterian Church of Brazil, published in 2007 and partially reproduced, also in 2007, on the site of the Mackenzie Presbyterian University, by its chancellor, Rev. Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes. If homosexual activists intend to criminalize the posture of the Mackenzie Presbyterian University, they should also prepare to equally face the Presbyterian Church of Brazil, all of the country’s evangelical churches, the Roman Catholic Church, the Jewish Congregation of Brazil and, in the last instance, to censure the Judeo-Christian Scriptures themselves. Our law guarantees that individuals, religious groups and institutions have the right to express their confessional position and conscience in subjection to the Word of God. We take this firm stand so that this freedom may not be taken away from us.

This manifesto is a collective production with a view to representing Brazilian Christian thought. For immediate release.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

UNIVERSIDADE MACKENZIE: EM DEFESA DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO RELIGIOSA

A Universidade Presbiteriana Mackenzie vem recebendo ataques e críticas por um texto alegadamente “homofóbico” veiculado em seu site desde 2007. Nós, de várias denominações cristãs, vimos prestar solidariedade à instituição. Nós nos levantamos contra o uso indiscriminado do termo “homofobia”, que pretende aplicar-se tanto a assassinos, agressores e discriminadores de homossexuais quanto a líderes religiosos cristãos que, à luz da Escritura Sagrada, consideram a homossexualidade um pecado. Ora, nossa liberdade de consciência e de expressão não nos pode ser negada, nem confundida com violência. Consideramos que mencionar pecados para chamar os homens a um arrependimento voluntário é parte integrante do anúncio do Evangelho de Jesus Cristo. Nenhum discurso de ódio pode se calcar na pregação do amor e da graça de Deus.

Como cristãos, temos o mandato bíblico de oferecer o Evangelho da salvação a todas as pessoas. Jesus Cristo morreu para salvar e reconciliar o ser humano com Deus. Cremos, de acordo com as Escrituras, que “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23). Somos pecadores, todos nós. Não existe uma divisão entre “pecadores” e “não-pecadores”. A Bíblia apresenta longas listas de pecado e informa que sem o perdão de Deus o homem está perdido e condenado. Sabemos que são pecado: “prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, contendas, rivalidades, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias” (Gálatas 5.19). Em sua interpretação tradicional e histórica, as Escrituras judaico-cristãs tratam da conduta homossexual como um pecado, como demonstram os textos de Levítico 18.22, 1Coríntios 6.9-10, Romanos 1.18-32, entre outros. Se queremos o arrependimento e a conversão do perdido, precisamos nomear também esse pecado. Não desejamos mudança de comportamento por força de lei, mas sim, a conversão do coração. E a conversão do coração não passa por pressão externa, mas pela ação graciosa e persuasiva do Espírito Santo de Deus, que, como ensinou o Senhor Jesus Cristo, convence “do pecado, da justiça e do juízo” (João 16.8).

Queremos assim nos certificar de que a eventual aprovação de leis chamadas anti-homofobia não nos impedirá de estender esse convite livremente a todos, um convite que também pode ser recusado. Não somos a favor de nenhum tipo de lei que proíba a conduta homossexual; da mesma forma, somos contrários a qualquer lei que atente contra um princípio caro à sociedade brasileira: a liberdade de consciência. A Constituição Federal (artigo 5º) assegura que “todos são iguais perante a lei”, “estipula ser inviolável a liberdade de consciência e de crença” e “estipula que ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política”. Também nos opomos a qualquer força exterior – intimidação, ameaças, agressões verbais e físicas – que vise à mudança de mentalidades. Não aceitamos que a criminalização da opinião seja um instrumento válido para transformações sociais, pois, além de inconstitucional, fomenta uma indesejável onda de autoritarismo, ferindo as bases da democracia. Assim como não buscamos reprimir a conduta homossexual por esses meios coercivos, não queremos que os mesmos meios sejam utilizados para que deixemos de pregar o que cremos. Queremos manter nossa liberdade de anunciar o arrependimento e o perdão de Deus publicamente. Queremos sustentar nosso direito de abrir instituições de ensino confessionais, que reflitam a cosmovisão cristã. Queremos garantir que a comunidade religiosa possa exprimir-se sobre todos os assuntos importantes para a sociedade.

Manifestamos, portanto, nosso total apoio ao pronunciamento da Igreja Presbiteriana do Brasil publicado no ano de 2007 e reproduzido parcialmente, também em 2007, no site da Universidade Presbiteriana Mackenzie, por seu chanceler, Reverendo Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes. Se ativistas homossexuais pretendem criminalizar a postura da Universidade Presbiteriana Mackenzie, devem se preparar para confrontar igualmente a Igreja Presbiteriana do Brasil, as igrejas evangélicas de todo o país, a Igreja Católica Apostólica Romana, a Congregação Judaica do Brasil e, em última instância, censurar as próprias Escrituras judaico-cristãs. Indivíduos, grupos religiosos e instituições têm o direito garantido por lei de expressar sua confessionalidade e sua consciência sujeitas à Palavra de Deus. Postamo-nos firmemente para que essa liberdade não nos seja tirada.

Este manifesto é uma criação coletiva com vistas a representar o pensamento cristão brasileiro.
Para ampla divulgação.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A face da vaidade

Essa semana participei de mais debates do que eu gostaria. Aliás, eu não gostaria de ter participado de nenhum. Mas o fiz, e assumo a responsabilidade de minhas escolhas. A maioria deles foi no bendito Facebook (FB) - uma rede social que parece crescer consideravelmente no Brasil.

Eu curto o FB. Tem um layout mais limpo que o orkut, e maiores funcionalidades. Criei até uma página do BJC por lá. Mas ao mesmo tempo em que as redes sociais criam grandes oportunidades para a comunicação de verdades eternas, elas também produzem novas oportunidades de tentação, como nos debates mencionados.

Uma tentação que percebi essa semana - primeiramente em meu coração, diga-se de passagem - é a da vaidade no uso das palavras. Explico: nos debates de tais redes sociais, tendemos a usar as palavras de vários sentidos que não o da comunicação simples e clara. Às vezes elas são armas, apontadas para o oponente a fim de sensibilizá-lo ou machucá-lo. Em outros momentos, são instrumentos de exaltação pessoal, usadas apenas para ressaltar as próprias virtudes. Também trabalham para a vaidade pessoal quando não contribuem para uma conversa clara - na tentativa de humilhar o oponente, exibir nossa sabedoria e oratória, e impressionarmos qualquer leitor, usamos as palavras mais difíceis e pomposas. Entre outros mal usos das palavras, entram a ironia e o sarcasmo

E assim as palavras deixam de ser pensadas de modo Teo-referente, tendo Deus como o centro do seu uso (Ef.4 e Tg.3 poderiam ajudar nisso), e passam a ser pensadas e usadas de modo egoísta e idólatra.
Em momentos de maior desespero e ira, usamos as palavras como válvula de escape, explodindo nossas emoções em textos viscerais, ora descontrolados e pessimistas, ora agressivos, ora simplesmente sem sentido.

Mas esta não é a única tentação. O mal uso de palavras talvez seja consequência de outra vaidade maior: a da preservação da honra pessoal e reputação. Observem muitos desses confrontos - eles demonstram um aspecto interessante. Ninguém quer deixar de dar a última palavra. Ninguém quer sair do debate com a impressão de que "perdeu a discussão". Ninguém quer ter a sua reputação manchada, e a sua honra ferida com uma disputa perdida na internet. Por isso insistimos em discussões intermináveis, que muitas vezes perdem o seu ponto principal, tornando-se um jogo de "quem dá a palavra final".

Ninguém está isento disso, e tal tentação nos acompanha nas discussões do cotidiano, fora do facebook. Então o que no começo era uma conversa honesta em busca da verdade, termina como uma disputa fingida em busca de auto-afirmação.

Não seria legal se estivéssemos dispostos a perder alguns debates, mas preservar a honestidade diante de Deus e dos nossos companheiros virtuais?

Não seria legal se a honra de Deus fosse mais valiosa para nós do que a nossa?

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Escândalos para todos os [maus] gostos

Qual o coletivo de "escândalo"?

Temos sido diariamente bombardeados com descobertas de corrupção política, em um verdadeiro abuso da máquina estatal.

Enquanto isso, os números de aprovação do governo crescem de modo absurdo.

É quase possível concluir que o nível de aceitação do governo petista é proporcional ao número de escândalos nos quais ele está envolvido.

Seguimos como a nação do "corno manso" - ele sabe que está sendo traído, mas prefere não dar atenção a isso. A candidata petista continua crescendo nas pesquisas.

"Onde andará a justiça outrora perdida?" - é a pergunta que se levanta timidamente, e continua sem resposta.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A carteirada pastoral

Uma coisa ruim de ser pastor é que você pode estar no auge do seu ministério, mas ainda tem que lavar a louça.

O pastor tem uma série de privilégios – pelo menos em alguns cantos. Ministro visitante em uma igreja, por exemplo, nunca faz trabalho pesado (além de pregar). Pelo contrário, se você tiver um alto nível de reconhecimento popular, vai ser recebido pela igreja que o convidou para pregar, e, nos intervalos, fazer passeios, jantar na casa de irmãos da igreja ou em restaurantes da cidade.
Obviamente eu não estou nesse nível. Mas é possível desfrutar de algumas benesses em proporções menores.

Uma vez fui preletor em um acampamento no qual o povo não me deixou pegar fila para as refeições de jeito nenhum. Eu até tentei ficar em uma, mas lá estava um “vigia dos bons modos”, que deu a carteirada nos irmãos por mim. “Pastor não pega fila”, e “esse pessoal precisa aprender a respeitar a autoridade pastoral”, dizia. Não creio que estar em um lugar à frente na fila para o almoço seja evidência de insubmissão, mas respeitei o desejo de me tratar bem, revelado pelo rapaz.

Há casos em que você nem mesmo espera uma refeição, nem pensa em ir para a fila, ou algo semelhante – como aqueles lanches vendidos na “cantina” da igreja após o culto – e o lanche simplesmente aparece. Uma irmãzinha piedosa veio demonstrar carinho servindo-o surpreendentemente.

Para quem já estruturou bem uma igreja, há o privilégio do pastor evitar maiores trabalhos braçais – não por ser frouxo ou algo do tipo –, mas pelo reconhecimento de que não é bom que ele deixe a oração e a Palavra para se dedicar a outras coisas. Refiro-me a isso como um privilégio, sabendo da dificuldade que é se dedicar à oração pelos irmãos, e à preparação de um bom sermão.

O meu ponto é que ser pastor produz uma série de coisas boas. As ruins existem, certamente, e podem ocupar muitos outros posts, mas quero enfatizar os privilégios mencionados acima. Normalmente nem é você que precisa dar a “carteirada pastoral”, muitos fazem isso no seu lugar.

Contudo – e sempre há um “contudo -, quando você chega em casa os privilégios cessam. Especialmente se você é pastor, ainda não é casado, e mora sozinho, há o demônio da louça suja a ser exorcizado.

Você pode gritar o quanto quiser que é pastor. Pode citar Atos 6 nas mais variadas versões, inclusive no original [grego], aplicando ao contexto: “não é bom que deixemos a oração e a Palavra para lavar a louça”, mas nada acontecerá. Nadinha mesmo.

A louça é uma ovelha rebelde e obstinada. Ela não se importa com o número de anos que você passou no seminário, ou com as visitações e estudos que você ainda precisa fazer. Ela está lá, inerte, sorrindo faceiramente do seu incômodo ao encontrá-la. E se você demorar mais que o normal para encará-la, ela joga na sua cara que você está cometendo o pecado da procrastinação.

Nenhuma carteirada funciona com a louça. Todo pastor precisa colocar a mão na massa para a conversão de um prato sujo em um limpo. E assim ela – a louça – nos ensina que, melhor que ficar reclamando, é usar o tempo diante da pia para as orações.

Alguém aí se habilita a criar o ministério “diante da pia”?

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Semana cheia

Caros, a semana é de aulas, e a agenda fica bastante complicada.

Como resultado disso, estou devendo um BJC News, e alguns posts por aqui.

Como vi que existem muitas perguntas aguardando resposta no formspring, talvez eu consiga responder algumas mais rapidamente nestes dias.

Abraço, e orem por mim.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A estratégia política dos candidatos

Encontrei uma bela descrição da estratégia usada pelos candidatos à presidência da república nas páginas dO Imbecil Coletivo I. No debate da band e nas recentes entrevistas ao Jornal Nacional, sem falar na campanha regular, fica clara a tentativa dos candidatos em se situarem como "de origem humilde" - talvez para representar os 'humildes' (eles se referem aos pobres) - ou "mulher" - para representar o seu grupo.

A primeira edição da obra que vou citar é de 1996, ou seja, o autor cantou a jogada bem antes dela se manifestar (na verdade ele criticava a manifestação dela naquela época). O texto se chama "Ética do intelectual brasileiro, ou: como tornar-se uma pessoa maravilhosa". Enquanto desenvolve a idéia, o autor dá conselhos aos que desejam ingressar nesse seleto grupo da intelectualidade brasileira. O trecho citado é o quarto conselho:

4. Identifique logo a minoria discriminada a que pertence - pois todo mundo pertence a alguma - e exiba-a como um cartão de ingresso: ela dá direito a ser bem recebido neste círculo. Não venha com essa de que não tem nenhuma. Se você não é preto, nem gay, nem judeu, nem baixinho, nem gordo, nem índio, deve pelo menos ter o peru pequeno. Não precisa sair contando isso para todo mundo; diga apenas que pertence à categoria dos fisicamente prejudicados, termo recém-desembarcado que impõe o maior respeito.

(Olavo de Carvalho, O Imbecil Coletivo, p.430-431)

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Descobertas estranhas

Acabo de descobrir que h� quem digite "Robert Morrison na China" e venha parar no meu blog. S� n�o sei como...

quinta-feira, 29 de julho de 2010

A redenção das redes sociais

Sou um entusiasta das redes sociais. Não apenas delas, mas de alguma forma tento experimentar as novidades cibernéticas para ver a possibilidade de tê-las como aliadas na glorificação a Deus. Tenho contas em tantas redes que nem conseguirei lembrar de todas, mas pelo menos twitter, orkut, facebook e skoob, estão entre elas. Sendo assim, qualquer crítica tecida aqui não parte de um reacionário virtual – um combatente da internet que acredita ser “www” algum código para o número da besta.

Tenho uma postura relativamente favorável ao uso da internet e redes sociais. Obviamente a aceitação deve ser relativa porque nós, como pecadores, sempre conseguimos estragar as coisas. Muitas são as crianças e adolescentes, por exemplo, que mentem a respeito de sua idade para ter uma conta no orkut. Outros decidem utilizar os álbuns do orkut, facebook, picasa e flickr, pra expor a beleza de seus corpos, e assim algumas dessas exposições passariam tranquilamente por uma seleção para uma revista sensual, ou pior, pornográfica. Pra piorar mais ainda, muitas das tais fotos são de mau gosto – não refletem beleza, nem sensualidade mesmo, mas um apelo terrível para a nudez ou demonstram o foco em partes específicas do corpo. Por isso, refletindo o senso estético de um diretor pornô, tais álbuns são desaconselhados pela repreensibilidade do ponto de vista moral, e pela feiura ali presente.

O que tem me incomodado mais recentemente é a adoção do twitter como um tipo de diário virtual que expõe, não a nudez física dos seus autores, mas a sua nudez intelecto-espiritual. Não há apenas o mau uso daqueles que pensam haver interesse do mundo sobre as suas atividades mais triviais – aqueles tweets do tipo “sentei na cadeira”; “estou com sono”; “vou dormir”; “meu lápis está com a ponta quebrada”; etc. - mas o péssimo uso daqueles que decidem fazer da rede mundial de computadores a sua confidente – abrem o coração e os pensamentos diante do mundo, sem pensar nas consequências de tal exposição desnecessária e perigosa.

Tais informações sobre os pecados confessados via twitter, o estado de humor, as causas de determinado estado de humor, os pensamentos sobre um amigo ou alguém conhecido, etc., etc., contribuem para a destruição de uma imagem pública, ensejam problemas maiores quando vistos por pessoas oportunistas e mal intencionadas, criam confusão quando mal interpretados por alguém, e nunca, nunca mesmo, resolvem os problemas mencionados publicamente.

Um sábio já escreveu que “quando são muitas as palavras, o pecado está presente, mas quem controla a língua é sensato” (Pv.10.19), ou – mais seriamente – “quem guarda a sua boca guarda a sua vida, mas quem fala demais acaba se arruinando” (Pv.13.3). Na época de Salomão, o twitter só existia nos decretos divinos, por isso todos os seus provérbios estão voltados para a fala. Mas acredito que o princípio de sabedoria na exposição dos pensamentos pode, sem nenhum problema hermenêutico, ser aplicado ao caso das redes sociais – especialmente do twitter.

Somos ensinados a pensar bem antes de dar um RT ou responder qualquer tweet em Pv.15.28 - “O justo pensa bem antes de responder, mas a boca dos ímpios jorra o mal” (Pv.15.28). A postura de quem tem discernimento é a da moderação no falar/escrever - “Até o insensato passará por sábio se ficar quieto, e, se contiver a língua, parecerá que tem discernimento” (Pv.17.28).

Outro grupo perigoso é o dos opinadores. Sem buscar a compreensão das coisas, saem falando o que pensam. Contra a tolice destes, a Escritura afirma: “O tolo não tem prazer no entendimento, mas sim em expor os seus pensamentos” (Pv.18.2) e “Você já viu alguém que se precipita no falar? Há mais esperança para o insensato do que para ele” (Pv.29.20).

Somos, assim, encorajados a evitar problema com uma postura sábia nas redes sociais. “Quem é cuidadoso no que fala evita muito sofrimento” (Pv.21.23).

O que nos resta, então, de comentários nas redes sociais? Será que, cortando todos esses pontos que refletem falta de sabedoria, ainda há algo a ser comentado no twitter? É claro que sim! Ainda há muito espaço para a exposição de pensamentos e sentimentos, após a devida reflexão, e com a devida moderação. Ainda podemos falar de uma visão cristã da realidade nos 140 caracteres do twitter. Podemos ensinar verdades eternas. Podemos questionar mentiras contemporâneas. Podemos protestar. Podemos elogiar. Podemos encorajar. Podemos demonstrar amor. Enfim, são tantas as possibilidades, que o sábio não ficará chateado pela ausência de todos aqueles tweets vazios e exagerados, mas celebrará o twitter como um lugar muito mais rico, utilizado para a glória de Deus.

Que tal redimirmos as redes sociais, para a glória de Deus?

domingo, 28 de fevereiro de 2010

A procura

Eu insisto em procurar coisas difíceis. Não do tipo "elefantes cor-de-rosa", mas coisas possíveis (e) difíceis. Alguns dizem que a dificuldade torna a busca mais desafiadora e agradável - eu não costumo pensar assim, apenas tenho a esperança de que determinadas práticas sejam adotadas, e consigamos ver transformações.

Vou acabar com o mistério e falar de vez. Estou procurando, entre os sites dos evangélicos progressistas, notícias sobre a morte de Orlando Zapata Tamayo - após vários (85) dias sem alimentação.

Vejam a cena: Os eavngélicos progressistas falam em nome da "justiça social". Eles se levantam e denunciam, com todo vigor, o capitalismo, as forças reacionárias que resistem à reestruturação do sistema, metralham os militares com o seu discurso sempre pronto e emocionalmente cativante, elegem o pobre como o alvo de suas conversas e sobre eles criam um marketing preciso, que daria um belo cartão de visitas - "fulano, aquele que ama os pobres".

Foi Nelson Rodrigues que afirmou, há bastante tempo, que a fome do Nordeste alimentava o discurso de muitos - em especial, dos dois ou três esquerdistas que ele costumava pegar no pé, como Dom Helder Câmara. Receio que o mesmo seja verdade com tais evangélicos: sem os pobres, ou os negros, ou "os excluídos", toda a piedade vai embora. Não há mais sobre o que falar. Acabou o assunto.

Mas estou fugindo do foco - é difícil não desabafar ao comentar estas perspectivas. (E ainda há quem diga que os reacionários como eu não têm coração... Ou que buscam apenas uma auto-proclamação intelectual). Volto ao ponto:

Entro no site do missionário. Ele recomenda os textos do Frei Betto, o "frei" que exalta o regime cubano, então deve estar ligado no assunto. Como ele denuncia constantemente a "injustiça social", deve denunciar a morte do Zapata. Doce ilusão. Nada encontrei.

Quem sabe o blog da Rede? Um articulador dela comentou em um podcast, que questionava a noção de que "Cuba não havia dado certo". "O que é dar certo?" - ele perguntava. Talvez, ao defender de alguma maneira o regime cubano, ele e a Rede pudessem comentar a morte do Zapata, e denunciar a injustiça. Outra tentativa frustrada.

Talvez o dos que buscam a justiça. Sim, se eles buscam a justiça, devem apoiar os oprimidos como apóiam os sem-terra, mesmo sabendo que estes últimos deixaram de ser "os oprimidos" para se tornarem opressores em muitos sentidos. Sim, deve ter algo por lá! ...Não, nada além daquele texto sobre os 25 anos do MST.

Assim segue o discurso progressista evangélico. Parece que os ditadores cubanos são os pobres que merecem defesa. E os oprimidos de Cuba, os perseguidos e mortos, são dignos apenas de descaso. Afinal, estão contra o regime - devem ser os malditos reacionários. Que eles morram.

* * *

Nota: Não interpretem errado a minha crítica - não acho que os blogs pesquisados precisam comentar sobre todos os eventos que acontecem sob a tirania esquerdista. Nem acho que conseguiriam. Mas, ao mesmo tempo, cobro as manifestações pela justiça, ou pelo menos contra a injustiça nos regimes que eles promovem.

Ditadura e protesto

Um Ditador.
Um presidente.
Uma morte.
O silêncio.



Enquanto os evangélicos (cf o próximo post - acima) ficam calados, há quem ouse protestar contra a ditadura cubana e seus efeitos. Enquanto os brasileiros ficam calados, há quem ouse reagir à cumplicidade do nosso presidente em relação aos ditadores Castro.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

É pecado?

* * *

Nota de abertura:

Tenho percebido que muitas das perguntas que chegam a mim através do Formspring (http://forsmspring.me/allenporto) são do tipo "é pecado fazer isso?", "é pecado fazer aquilo?", "o crente pode fazer tal coisa?", etc., etc.

Preocupado com o que isso indica, escrevi as linhas abaixo. Retenham o que é bom. Ao texto:


* * *
A pergunta preferida do crente preguiçoso é: "é pecado?". Explico: o crente preguiçoso é o sujeito que não quer ter o trabalho de pensar a sua existência a partir da Escritura. Não exercita a mente, e assim fica dependendo das frases de efeito de uns e outros.

A maior debilidade está no fato de que a sua conduta não é pautada por princípios bíblicos. Ele não dedica tempo a pensar sobre a aplicação dos conceitos gerais da Escritura no seu cotidiano. Em vez de extrair força e sabedoria da Palavra de Deus, vive perguntando a todos se determinado ponto é pecado ou não.

Se disserem que é pecado, então ele não faz - ou diz que não faz. Se não disserem, ele continua a praticar numa boa.

A sua consciência é inflável. Alguém precisa ficar soprando, senão ela murcha. Por isso, tais pessoas não possuem um padrão adequado de conduta - tudo o que têm é uma lista do que podem e do que não podem fazer.

Cada situação diferente gera uma nova crise, ou uma nova oportunidade de pecar. Por não fazerem o link da verdade bíblica com o todo de sua vida, sempre que se deparam com um evento não listado no seu registro, ficam perdidos.

Além dessas tristes marcas, o resultado de tal mentalidade são consciências moribundas. Os preguiçosos-da-vida-cristã são pessoas sem as grandes doutrinas da fé cristã firmadas em seu coração. Todo o seu jogo religioso está espalhado, sem conexões e implicações. A consciência é terminal, pois não possui uma estrutura unificadora que dê a este indivíduo coerência e sentido. Por sua dependência das afirmações alheias, ele permanece de pé ou cai conforme o seu guru mais próximo.

Quando a pergunta fundamental da sua existência é: "isso é pecado ou não?", talvez você tenha perdido o foco sobre uma vida que glorifica a Deus. O cristão saudável não deixa de praticar apenas aquilo que é pecado, mas tudo o que não honra a Deus.

Não fica a procurar listas do que pode e não pode fazer, mas observa da Palavra de Deus os princípios a serem aplicados em todas as situações de sua vida, vivendo com sabedoria, honestidade, amor, humildade, etc., etc. Entende, ou busca entender as implicações e desdobramentos das doutrinas cristãs para a sua vida. Possui um coração centrado em Deus, e não em si.

O cristão bíblico não se entrega ao legalismo das fórmulas, mas aplica a mentalidade cristão à sua maneira de viver - experimenta uma vida a partir da cosmovisão cristã.