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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Lamento

Que os teu lábios
confessem a verdade
e o teu coração,
Jeremias lamentando a destruição de Jerusalém, Rembrandt

sem fazer alarde,

Esconda do amor a falta,
e da humildade ausência,
Eu sinto.

Pois quando a ira assalta
tua consciência,
e o orgulho mata
toda a inocência,

Os sinais da piedade vão
Aos poucos se esvaindo,
E eu sinto.

Que não haja voz
a promover descanso
ao coração atroz
em oposição ao manso

E o espírito cresça
rumo à divisão,
Eu sinto.

O alcance de tal obstinação
será medido em dores
a afligir a canção
que entoam os sofredores

Pois todos perdem,
Todos morrem,
E eu sinto.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

a Caneta: Poesia

Inaugurando a seção "a Caneta", começo com uma poesia minha.
Explico, novamente, que esta seção trata de uma produção cultural cristã. Aqui será o espaço de textos "não-teológicos" no sentido direto, e outras expressões como poesia, música, vídeo, fotografia, etc.
Acredito que, além de falar sobre uma cosmovisão cristã, precisamos demonstrar como uma cosmovisão cristã trabalha "na prática".

A poesia abaixo trata da dinâmica do conhecimento humano. Enquanto todos se conhecem superficialmente nos círculos sociais, provavelmente existem círculos mais restritos, nos quais as máscaras que usamos diante dos outros caem, e somos verdadeiramente conhecidos. Quando as nossas fraquezas são conhecidas, somente a Graça torna possível o sucesso dos relacionamentos.

As ilustrações são da pintora norte-americana, Constance Pierce.

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Companhia

Eu te vejo
quando ninguém mais
perto está
de contemplar
o tom que traz
o teu desejo

Eu contemplo,
além da cor
e dos murais,
os teus sinais
e o pavor
do mal exemplo

Eu sinto a falta
do brilho intenso
que logo some,
manchando o nome,
de tão imenso
vigor que trata

Eu sei quem és,
mais que ninguém
e o que te faz
perder a paz,
pois não deténs
teus próprios pés

Vi-te prostrado,
sem piedade -
o resultado patético
de um esquema ético
de maldade
e desagrado

Eu conheço,
mais que as fotos
e os textos,
os defeitos
dos prounciados votos
por teu beiço

Eu caminho
ainda ao teu lado
no exercício eterno
de abandonar o inverno
que deixaria desolado
quem tenta sozinho

Mas assim vivo
a estação com quem
sustenta os sóis,
e cuja voz
fielmente mantém
meu amor ativo.

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Eternidade

Caminhar
rumo ao inimaginável,
perseguir o invisível
na certeza de que o amanhã
durará para sempre

Investir o presente
na certeza
da visão mais perfeita
tão clara,
tão forte,
tão viva.

Entregar-se ao incompreensível,
ir do medo à segurança,
da dor à alegria,
do choro ao riso,
da miséria à glória

Tocar o intangível
e ver que a plenitude chegou.
Desejar cada vez mais
a presença marcante
de Quem me fez chegar lá.

Finalmente observar a história
de um modo completo,
percebendo os elos dolorosos
necessários para minha jornada

Humilhar-me reconhecendo o favor,
ver-me incapaz e indigno,
escondido sob o sinal da vergonha
que me fez livre

Contemplar o trono e a multidão,
ouvir as vozes,
experimentar a sensação
e derramar minha alma
neste momento sem fim.