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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Jovens espirituais


Sentei com alguns jovens no último fim de semana para conversar sobre o tema “atuação jovem: juventude e espiritualidade". Sou crítico das noções contemporâneas de “juventude”, e de “espiritualidade”, como é possível perceber de posts anteriormente publicados aqui.

A idéia atual de juventude é excêntrica. “O mundo é dos jovens”, dizem. Verdade? De fato, o mercado se voltou para “a juventude” como o público por excelência. De algum modo são os jovens que determinam a pauta cultural – cinema, televisão, música, roupas, e expressões religiosas são remodeladas para alcançar essa faixa etária. Os “crentes” não ficam de fora – o formato de muitas, se não da maioria, das igrejas evangélicas é voltado para agradar ao público jovem. Músicas "pulsantes”, luz e efeitos visuais, estilo de pregação, e tudo o mais são dotados daquele estilo afetado de quem deseja ser ou parecer jovem a qualquer custo. Já falei sobre como é ridículo ver pessoas de 50 anos ou mais tentando se portar como se estivessem na casa dos 20, ou afirmando histericamente que possuem “espírito jovem”.

Presumimos que a cultura esteja certa, e entramos de cabeça no movimento sem questionar os seus pressupostos e resultados. Para não me deter muito no ponto, simplesmente posso questionar a idéia da centralidade dos jovens em uma comunidade a partir do que as Escrituras ensinam sobre a ordem natural de que os mais velhos têm primazia e ensinam os jovens. Não importa se o número de jovens é dez ou vinte vezes maior do que o de idosos, estes ainda precisam se sentar aos pés deles para aprender. Não quero dar a falsa impressão de que todos os idosos são sábios e de que não há espaço algum para os jovens na cultura e na igreja. Há muito espaço. Mas o clima cultural exige reflexão e equilíbrio. O outro ponto é que o resultado de uma cultura centrada nos jovens tende a privilegiar a imaturidade e seus desdobramentos, apenas porque vêm embalados no pacote “cool” da juventude. Somos tolos, mas temos estilo.

O outro tema problemático é a noção de espiritualidade. O termo é tão abrangente que se faz comum fora da igreja cristã. Mais e mais as celebridades falam de sua “espiritualidade” - normalmente uma mistura da prática de ioga, com algum cristal na mesa de centro da sala, e talvez o uso de roupas brancas a cada virada de ano. Os mais intensos se dedicam às práticas neopagãs do esoterismo, ou adentram o espiritismo. E por último vêm os frequentadores esporádicos de missas e cultos. São espirituais, mesmo que não saibam definir propriamente o termo.

O problema cultural é que o termo espiritualidade hoje se refere a um tipo de expressão subjetiva que forneça um sentimento de elevação do espírito, independentemente de um conteúdo de fé. Na cultura contemporânea, ser espiritual é sentir-se bem, sem credos ou doutrinas.

A sabedoria jovem
Aqui os evangélicos entram. O “mantra” cristão dos nossos dias é “ser espiritual sem ser religioso”. Por religioso, pretende-se falar da religião institucional e suas formas – credos, doutrinas, liturgias, orações, hierarquias, etc. Os crentes de nossos dias querem reivindicar o direito de sentir elevação espiritual sem ter de se submeter a qualquer forma. Ser espiritual é algo interno, é sentir e expressar amor, é viver bem com os outros, e outras expressões tão abrangentes quanto vazias. Quanto mais lacônico melhor. A espiritualidade contemporânea é amiga da ambiguidade e da vaguidão.

Os “espirituais” do nosso tempo são inimigos do que é formal – da religião institucional. Aqui jaz mais um problema. Jesus deixou uma igreja, que se reunia regularmente nas casas e no templo. Uma igreja que possuía hierarquia – apóstolos, evangelistas, pastores-mestres. Uma igreja que tinha orações formais, como a do Pai nosso. Uma comunidade que repetia continuamente os sacramentos do batismo e da ceia. Um corpo de pessoas que possuíam liturgia definida e ordenada pelos apóstolos, composta de orações, confissão de pecados, leitura da Bíblia, pregação, e sacramentos. Uma igreja que perseverava na doutrina dos apóstolos.

Pra quê estudar a Bíblia se eu posso
apenas viver bem com o vizinho?
Como é possível espiritualidade sem conteúdos de fé? Alguém pode sentir elevação espiritual ouvindo música instrumental, ou mesmo ter uma experiência estética com a beleza de uma canção que, em sua essência, nega a verdade de Deus. Tal elevação espiritual representa espiritualidade saudável? Viver bem com os outros, sem expressar fidelidade à Palavra de Deus é ser espiritual? Rejeitar a igreja de Deus é ser espiritual?

Finalmente, o outro lado da moeda é uma espiritualidade provida de formas espetaculares. Espiritualidade, especialmente nas comunidades carismáticas, pentecostais e neopentecostais é medida em termos de “ação poderosa do Espírito Santo” por meio de dons: línguas, visões, sonhos, profecias, milagres, curas, expulsões de demônios, e fenômenos semelhantes.

Nesse aspecto, a espiritualidade é retirada do contexto comum da vida, e colocada em um patamar de excentricidade, por meio da qual só há elevação espiritual em momentos pontuais de fenômenos impressionantes. São deixados de lado os elementos comuns e ordinários da vida, de modo que a busca por espiritualidade se transforma na busca pela capacidade de realizar tais feitos, não importa o custo.

Novamente, creio que o ensino bíblico se distancia de tal perspectiva. O crente espiritual não é o que mais realiza fenômenos espetaculares, mas o que vive no dia a dia submetido aos conteúdos da fé cristã – a Palavra de Deus. É aquele que simplesmente cresce aos poucos em suas lutas com pensamentos impuros e a pornografia. Ou a mulher que vence gradualmente suas lutas contra os impulsos de fofoca e insubmissão. É o pastor que cresce em humildade diante da igreja, e não exerce seu ministério como forma de manipulação, mas de serviço. São os maridos que crescem em compreender a aliança feita com sua esposa sob o Senhor, e se comprometem a honrar a aliança e amá-la sacrificialmente. São os desconhecidos que crescem em falar a verdade em amor, em amar a Bíblia e praticá-la, em educar seus filhos no temor do Senhor, em trabalhar diligente e honestamente, tudo para a glória de Deus.

Deste modo, percebemos que uma conversa sobre juventude e espiritualidade hoje precisa passar por uma compreensão da cultura quanto a estes itens, para desafiar os pressupostos do nosso tempo, dentro e fora da igreja, a partir da Bíblia. Precisa passar, também, pela compreensão da obra completa de Jesus na cruz e os seus desdobramentos para a vida do cristão hoje. Só é espiritual quem crê em Jesus – o conteúdo da fé cristã. Toda a nossa “vida espiritual” brota da cruz. Nosso crescimento não é forjado por nosso esforço, mas pela graça de Deus. Finalmente, compreendendo a cultura e a obra completa de Jesus, existe uma resposta existencial necessária – eu me aplicarei a viver conforme os mandamentos do Senhor, não por minhas forças, mas pela fé em Jesus, e pela graça dele. Eu me comprometo a, assim como entreguei a minha vida e fui tomado pelo meu Senhor, manifestar concretamente o senhorio de Jesus sobre todas as áreas de minha vida. Enfrentarei dificuldades nesta caminhada, e sei que, por causa do meu pecado, não conseguirei fazer isso plenamente neste tempo, mas sigo com esperança no evangelho, confiando nas promessas de Deus, e na graça que me é dada.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

A tática da distração

Quando eu era criança, havia uma técnica para pregar peças nos amigos de escola. A coisa caminhava mais ou menos assim:

A (apontando): O que é aquilo lá em cima?
B (procurando curiosamente): O quê?
A (rapidamente): Isso aqui! (dá-lhe um tapa na orelha).

A abordagem tem variações. Havia quem fizesse o truque para fugir. Logo que o interlocutor ficasse distraído, voava como o Lula fugindo da gramática.

Havia quem desejava tomar algo do desatento. Novamente, usava a tática, e enquanto o amigo viajava na busca do elemento inexistente, o espertalhão "tascava" a mão no pacote de salgadinhos, como um Palocci à procura de consultorias rentáveis.

E eis que hoje eu me vejo como o garoto desatento, sendo zombado pela malícia estratégica. Eu e a sociedade como um todo.

Enquanto todos discutiam sobre que novela exibiria o beijo gay na televisão brasileira - procurando um objeto imaginário e não identificado claramente - vem o Jornal Nacional e, no meio de uma "singela matéria", lança o beijo em suas duas versões (feminina e masculina).

Então a coisa fica assim: você não sabe mais se está sendo informado, ou apenas enrolado. Ao assistir jornal, você pode simplesmente estar levando um tapa na orelha.

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E qual o problema de um beijo gay na televisão brasileira? - alguém perguntará. O simples fato de haver discussão sobre quem terá tal ousadia, com acompanhamento da sociedade, indica que a coisa não é tão simples assim.

Mais do que isso: quem faz a pergunta acima ou está mal intencionado, ou perdeu completamente o ponto. Não se trata de um beijo, mas do projeto por trás dele. O caminho para agendar a sociedade para a "causa gay" é tornar a sua prática tão midiática quanto possível, para que passe da estranheza à banalização, e da normalidade ao elogio.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Eu não aceito os seus termos!

O site do UOL está cobrindo os preparativos para a 15ª parada do "orgulho" gay. Você sabe a razão das aspas. Nas Escrituras o homossexualismo é pecado. Sendo assim, não há do que se orgulhar em sua prática. Mas voltemos.

Em sua cobertura, o UOL lançou enquete relacionada ao PLC 122/06. A pergunta vai assim:

O que você acha da criminalização da homofobia?

E as opções são:

 • Sou a favor, afinal, ninguém tem direito de discriminar o outro pela orientação sexual
 • Sou contra, pois fere a liberdade de pensamento
 • Estou em dúvida ou não sei
Existe uma agenda sendo cumprida
Dada a situação presente, a minha primeira recomendação é que você vá lá e vote na opção "sou contra", e depois volte aqui para pensarmos um pouco sobre essa enquete. Recomendo isso porque as questões precisam ser pensadas dentro de suas dimensões concretas de apresentação.

A maldição entre os liberais clássicos está no fato de que tendem a pensar abstratamente, esquecendo-se das condições históricas que determinam a aplicabilidade de seus princípios. Um exemplo: os liberais tendem a ser favoráreis à liberação das drogas - afinal de contas, o Estado não deve intervir na vida dos indivíduos. Pois bem, o pensamento é bonito. Mas na realidade concreta do Brasil, como nos mostra o professor Olavo de Carvalho, liberar as drogas é entregar o controle do Brasil a quem já domina o mercado - os narcoguerrilheiros das FARC, por exemplo. Assim, seria uma tragédia estratégica liberar as drogas em nome do "Estado mínimo", para promover um crescimento ainda maior do socialismo real e das forças que desejam implantá-lo violentamente.

Outra tragédia se deu ainda essa semana com o  STF. Pensando apenas abstratamente, os doutos ministros se esqueceram de avaliar a manifestação concreta do que estavam tratando ao pensar sobre a "marcha da maconha". Resultado: permitiram as passeatas em favor da liberação da droga. A distinção abstrata entre liberdade de expressão e apologia do crime é dissolvida nos casos concretos das marchas, que partem do pressuposto de que a maconha é boa e deveria ser usada por quem deseja - isso em si já é uma apologia do crime.

Descrita a tragédia do pensamento brasileiro nesses itens, há a enquete do UOL. Precisamos fazer várias críticas abstratas ao que ali está disposto, mas concretamente, precisamos votar na opção "sou contra", para demarcar uma posição pública que rejeita a agenda dos ativistas homossexuais. Então, peço novamente, vá lá e vote.

Já votou? Então prossigamos:

A enquete do UOL é uma grande pegadinha, que tenta passar sutilmente alguns pressupostos "por baixo dos panos". Mesmo quem vota na segunda opção - a que recomendei - pode ser enganado pelos termos da discussão.

Que termos são problemáticos ali?

Primeiramente existe a pressuposição de uma "homofobia" existente. Já critiquei e passarei a minha vida criticando este termo, carregado de ideologia e sem aptidão para descrever a realidade. Em vários sentidos o termo é impreciso, a começar pela etimologia (não se trata de fobia ou medo de iguais). Mais do que isso, admitir a expressão "homofobia" é receber toda a carga ideológica que vem no pacote. É aderir subliminarmente à agenda e às definições dos ativistas LGBTT. É considerar a sua descrição da realidade como verdadeira, e tentar refutá-la na base deles.

Discordo absolutamente da descrição proposta pelos ativistas homossexuais. A sua apologética gira em torno dos dados oferecidos pelo grupo gay da Bahia, que contabilizou algo em torno de 250 mortes de homossexuais em 2010. Número grande? Se observarmos o contexto geral, não.

1 Comparado com os 50.000 homicídios realizados no Brasil, é impossível falar dos homossexuais como um grupo perseguido. Se a categoria for essa, os heterossexuais são muito mais perseguidos, pois o número de suas mortes é incomparavelmente maior.

2 O número é jogado indiscriminadamente. Deve-se retirar desse número os homossexuais que mataram outros homossexuais (seriam homossexuais homofóbicos?), e os homicídios que foram realizados em razão de outros fatores que não do homossexualismo (roubo, balas perdidas, acidentes, etc.).

Pensando assim, percebemos que o termo "homofobia" vem carregado de uma interpretação falseada da realidade. Não nego que exista preconceito e maus tratos a homossexuais, e como cristão, rejeito e considero pecaminosa qualquer conduta que não considere a imagem e semelhança de Deus no homem, bem como o seu valor intrínseco daí decorrente. Mas do respeito bíblico pelo ser humano a compartilhar a visão proposta pelos ativistas gays existe uma grande distância. Rejeito, portanto, o termo mais básico da enquete do UOL.

Após isso, a primeira resposta vem cheia de pressupostos invasivos, que pretendem ser empurrados goela abaixo do leitor. As categorias utilizadas ali são "direitos", "discriminação", e "orientação sexual".

A mordaça intelectual vem antes
A utilização dos termos "direito"e "discriminação" em conjunto enganam o leitor desatento. Elas interpretam qualquer ação contrária à agenda homossexual como "discriminatória" em um sentido perverso. Ao que eu digo: não! Nem toda ação contrária ao homossexualismo é maldosa, e muitas delas são denúncias e confrontações baseadas no amor cristão - apontam para o pecado em busca de arrependimento e transformação de vida. Utilizar a categoria dos direitos nesse ponto é cair na bobagem brasileira de querer uma lei para cada coisa, sem perceber que cada direito promove uma obrigação. Não precisamos pensar em termos de "é meu direito fazer isso ou aquilo", mas apelar a categorias mais básicas de bom senso. Obviamente, só existe bom senso (categoria ética) a partir da única metafísica possível, a existência de Deus, e da única epistemologia possível, a Sua revelação na Bíblia. Mas, se se quer utilizar tal categoria, eu digo: sim, eu tenho o direito de me opor  à uma agenda que se opõe ao Deus eterno. Sim, eu tenho (não apenas) o direito (,mas a obrigação) de considerar o pecado como pecado, e o pecador como pecador (alguém que está praticando um erro contra Deus). Deste modo, em um sentido existe direito e discriminação, mas em outro esses termos são apenas estratégias para rotular desonestamente qualquer prática contrária ao projeto gay. Rejeito esses termos da enquete do UOL.

A expressão "orientação sexual" também empurra falsos pressupostos sobre nós. O Pr. Albert Mohler já denunciou a estratégia, e Lívia Pinheiro confessa no site oficial do PLC 122: "Falamos de orientação, e não de opção, porque não é algo que possamos mudar de acordo com nosso desejo". Eis que aparece a armadilha: ao aceitar o termo "orientação sexual", você passa a pensar o homossexualismo como os ativistas o apresentam - algo que não pode ser mudado pelo homem.

Por um lado, nenhum pecado pode ser abandonado exclusivamente com base no esforço humano. É a graça de Deus que transforma o pecador. Mas isso não significa que o homem não se dedique e discipline ao abandono do erro.

"Orientação sexual" é um engodo, uma estratégia para que, quanto mais pensarmos o homossexualismo em termos de uma condição irreversível, mais nos acomodemos com a sua realidade e concedamos espaço para que tal prática não seja apenas reconhecida, mas finalmente exaltada.

Se você é cristão, parte de seu papel na sociedade é denunciar os pecados, apresentar Jesus e o evangelho, e reivindicar que os pecadores creiam em Cristo e abandonem os seus erros. Por isso, é fundamental que a categoria "orientação sexual" seja expurgada do nosso linguajar e da nossa forma de pensar. Falamos, de fato, em opção, em comportamento, em escolha - ato da vontade pecaminosa do homem. É na brecha da "orientação sexual" que se tenta (e tentará ainda mais) empurrar algum tipo de determinação biológica para a conduta homossexual. A Bíblia apresenta tal prática como pecado e ato da vontade humana, portanto a trataremos desta maneira. Rejeito mais este termo da enquete do UOL.

Na resposta seguinte - a que eu recomendei acima - a questão central não passa nem perto de ser mencionada. O apelo exclusivo ali está para a "liberdade de pensamento", o que pode ser interessante em alguma medida (por isso pedi que votassem nela, já que é a única opção contra o PLC 122), mas perde força por apelar para a autonomia humana. Explico:

O fundamento de nossa rejeição ao PLC 122/06, em última análise, não é o direito à liberdade de expressão ou pensamento. Este direito é importante, certamente, mas há algo mais básico na equação. Não reivindicamos apenas a liberdade para pensar e manifestar a nossa opinião, mas reivindicamos o senhorio de Jesus sobre todas as esferas da vida, determinando inclusive a nossa conduta, pensamento, e fala.

O resultado final desta agenda será
proibir o anúncio das verdades bíblicas
Eu rejeito o PLC 122 não apenas por ele tentar calar a minha boca, mas por perceber que ele tenta calar a minha boca enquanto servo de Jesus. Como eu não sou o ponto de referência final da realidade, posso até permitir que minha boca seja calada em algumas ocasiões, mas jamais poderei me acomodar diante de qualquer um que desejar investir contra Deus e Sua Palavra.

Eu espero estar sendo claro aqui: obedecer a Deus e falar aquilo que Ele ordena é uma causa muito maior e mais importante do que ter a liberdade de expressão, porque esta última afeta apenas a mim, enquanto a primeira está relacionada ao Senhor de toda a Terra. Desta forma, mesmo na resposta negativa, eu rejeito os termos da enquete do UOL, por ser incompleta, e não trabalhar com o fundamento mais importante da minha inconformidade com o PLC 122.

Quanto à última resposta - "estou em dúvida ou não sei" -, bom... não tenho nada a rejeitar. =)

O meu ponto é: mesmo nas enquetes "ingênuas" que buscam averiguar a postura do brasileiro diante destas questões, existem pressupostos sendo empurrados sobre o povo, que pouco a pouco transformarão a mentalidade comum até chegar ao nível de acomodação, e valorização do homossexualismo.

Não sou "homofóbico", "direitos" e "discriminação" não estão na jogada, não se trata de "orientação sexual" e não defendo apenas minha "liberdade de pensamento". Eu rejeito os termos dessa discussão.

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Atualizado, após ser informado que a ordem das opções varia de acordo com o número de votos. Obrigado, Maya Felix!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

A obtusidade evangélica

publicado originalmente no 5calvinistas

...with Kuyper I believe that unless we press the crown rights of our King in every realm we shall not long retain them in any realm. Cornelius Van Til

...com Kuyper eu acredito que a menos que imprimamos os direitos de coroa do nosso Rei em cada esfera, não mais manteremos tais direitos em qualquer esfera. CVT

    Os acontecimentos recentes envolvendo rumos jurídicos, políticos e educacionais do Brasil - aprovação da união estável de homossexuais, discussões sobre o PLC 122/06 e a elaboração de um kit exaltando o homossexualismo a ser entregue para crianças na escola - provaram um ponto: os evangélicos são mestres em "entregar o ouro ao bandido". Por "evangélicos" aqui, pretendo ser o mais abrangente possível: reformados, pentecostais clássicos, neopentecostais, tradicionais... o raio! Em uma expressão de ecumenismo poucas vezes manifestada na história brasileira, os evangélicos dão as mãos para manifestar sua obtusidade.
    Obviamente, há quem faça a diferença aqui e ali. Pela graça de Deus, algumas dessas manifestações até produzem resultados benéficos, como a recente vitória quanto à distribuição dos kits pró-homossexualismo para crianças. Provavelmente a vitória neste último item é estritamente a proibição da entrega de tais kits, pois a abordagem da bancada evangélica e os compromissos assumidos não honram o cristianismo.
Os crentes: reivindicam o Brasil para Jesus em marchas,
enquanto entregam o país a satanás no dia a dia
    Avaliando o cenário geral, creio que estamos colhendo o que plantamos, para usar a linguagem de Gl.6. Não cultivamos, em nosso país, a cultura de uma presença evangélica marcante no espaço público. Sempre caminhamos à margem da sociedade, em um discurso paralelo, ora de pessimismo, ora de triunfalismo. Levamos a declaração "o meu reino não é deste mundo" (Jo.18.36) ao extremo de desvincular absolutamente a obra de Jesus da realidade extra-eclesiástica. E assim seguimos apresentando na igreja assuntos desconectados da vida comum do povo - os assuntos "espirituais". Cheios de boa intenção, irmãos piedosos ficaram exclusivamente com a oração e evangelismo, entregando suas vidas a Deus, enquanto entregavam a satanás as demais esferas da sociedade, como a família, o Estado, a ciência e universidade, e as artes. A tragédia é que nem o evangelismo fizemos adequadamente, porque logo desviamos o foco do evangelho para o moralismo. Pagamos o preço por uma omissão cultural tão grande, que agora os ímpios pretendem nos dizer o que é a arte cristã - cf. a presença da Sony no mercado gospel, e a entrevista de Latino afirmando que pretende entrar no ramo - sem se converter, lógico.
    Temos pecado. Ao entregar as esferas da vida a satanás - não digo intencionalmente, é apenas o que aconteceu em termos práticos - cavamos a cova na qual seríamos enterrados, criamos um cerco ao nosso redor, do qual precisamos nos livrar, mas não sabemos como. O que nos resta, agora, é retuitar mensagens de reclamação, postar alguma coisa em tom inconformado no facebook, e, talvez, fazer um abaixo assinado aqui ou ali - com pouca, ou nenhuma articulação consistente. Enquanto isso, o lobby gayzista ganha uma batalha após a outra, as estruturas de poder caminham para a iniquidade sem pensar duas vezes, a sociedade se acostuma com noções cada vez mais anticristãs, e a bancada evangélica no congresso mantém apenas o nome, sem pensar o Estado a partir da Bíblia e do evangelho.
    O que causou e tem causado tal omissão? Por que deixamos de imprimir a marca dos direitos reais de Jesus sobre o todo da vida? Que forças nos têm levado à obtusidade? Penso que, em uma rápida listagem, pelo menos cinco itens precisam ser considerados.

1 A fraqueza bíblico-teológica da igreja
    A nascente da irrelevância evangélica - embora o termo "relevância" seja muito querido em nossos arraiais - está em nosso modo de lidar com a Bíblia. Conquanto o discurso fale bem da Palavra de Deus, a prática revela desconhecimento e descaso para com o Livro Sagrado. Os pentecostais e neopentecostais diminuíram a autoridade da Escritura diante das experiências, e os reformados e tradicionais reduziram tal autoridade em face das tradições. A Bíblia passou a ser vista pelo povo evangélico como um livro de receitas, um manual pragmático para lidar com situações pontuais, normalmente relacionadas ao contexto específico da igreja, ou ao que chamamos de "vida espiritual".
    Os resultados desta aproximação da Escritura são estudos fracos do texto, exegese pobre (quando há), hermenêuticas diversas sem objetivos fiéis, e o despreparo de várias gerações diante do todo da vida. Sabemos encontrar o livro e o versículo, mas não sabemos fazer a correlação entre o conteúdo bíblico e a integralidade de nossa experiência presente. A Bíblia nem mesmo continuou sendo percebida como a história da redenção promovida pelo Pai, por meio de Jesus, no poder do Espírito - as reuniões de pequenos grupos e estudos bíblicos hoje lêem o texto e perguntam: "o que isso significa para você?", desprezando a interpretação em termos do contexto redentivo.
    A reflexão teológica foi deixada em segundo plano, como obra de pessoas frias e sem o Espírito, e com isso entregamos a nossa alfabetização teológica a seres despreparados (talvez com boa retórica, apenas). É fácil notar: muitas igrejas não possuem uma teologia do culto definida - e assim adotam o que aparecer como algo inovador ou "relevante" - , não possuem uma teologia da adoração definida - e assim transitam entre esquemas opostos de oração, cânticos, leitura e vida cristã -, não sabem o que é uma teologia da cultura - relacionando-se com o mundo e a vida na base de critérios moralistas, e por aí vai. Pergunte para o membro comum de sua igreja se ele sabe definir essas questões de acordo com o ensino ali apresentado - talvez tal ensino nem exista.
    Sem estrutura bíblica e teológica, o povo evangélico vive à deriva, incapaz de articular qualquer coisa além de alguns "passos para a vitória" , ou algumas "leis espirituais".

O símbolo da espiritualidade evangélica
é sintomático: olhos fechados
2 A presença de dicotomias/dualismos na compreensão cristã
    Caminhando a partir da base mal formada do pensamento evangélico nacional, seguimos para o edifício mal construído. O seu primeiro andar traz uma visão fragmentada da realidade: ela está dividida entre o espiritual e o natural, o sagrado e o secular, e o público e o privado.
    Tais dualismos promovem uma interação conflituosa com a cultura (e o todo da vida). Valorizamos os momentos e as práticas relacionadas à igreja: evangelismo, oração... isso é espiritual. E desprezamos o estudo, a reflexão, o voto, o lazer, as artes, a natureza do Estado, etc... isso é natural, e portanto está fora do reino cristão. Como a maior parte da vida - para as pessoas normais - é vivida fora do âmbito da igreja, na cultura, ficamos desarmados em "território inimigo" - entregamos o universo à natureza, e vivemos no mundo dela, como se houvesse um espaço neutro, isento de influência "espiritual", no qual as pessoas vivem, e com as quais nos relacionamos na mesma base "natural".
    Dividimos a realidade entre o sagrado e o profano. Nesta base, apenas nos interessamos pelas atividades e objetos sagrados, como a música gospel (?), as publicações evangélicas e tutti quanti. Deixamos de lado as coisas e ações que não trazem o nome "evangélico" ou algo do tipo, ora opondo-nos ao que não é cristão, ora simplesmente ignorando o que acontece à nossa volta. É assim que os crentes se tornam ilhados e alienados. Enquanto os pais cristãos apenas ficam preocupados com o novo cd de músicas gospel infantis, os seus filhos estão sendo alimentados na escola com o que há de mais elaborado para a sua secularização e destruição de quaisquer resquícios judaico-cristãos presentes em sua forma de observar o mundo e a vida.
    Contribuindo para esta degradação, há a dicotomia do público e privado. O povo da música gospel, e da arte gospel, e dos chaveiros gospel, e dos adesivos de peixinho no carro, assimilou muito bem a cultura relativista (já que não estava preparado para discerni-la e combatê-la), e criou guetos específicos de influência religiosa. Existem os espaços privados - separados para a influência da fé, e os espaços públicos, nos quais a minha fé não deve ter lugar. É assim que muitos cristãos ficam calados diante das decisões do STF em prol do homossexualismo, pois "no espaço público e democrático (eles adoram essa palavra) as questões religiosas não têm lugar". Será? Confinamos a fé cristã ao patamar da subjetividade, retirando-a do único lugar onde ela poderia ser relevante. Em outras palavras, não apenas nos desarmamos, como demos a arma aos inimigos da fé, para nos massacrar como quiserem.

3 A ausência de uma forma cristã de pensar o mundo e a vida
    Além da visão dicotômica das coisas, e talvez como resultado dela, os evangélicos não possuem um modo distintamente cristão de pensar a realidade. Nosso aporte teórico para as ciências está fundamentado na autonomia da razão humana, e assim, quando um cristão tenta romper a barreira da dicotomia e se manifestar como cristão nas ciências, ele pensa a partir dos pressupostos anticristãos.
    A fundamentação para a prática política e jurídica em nosso país é aquela de um Estado formado a partir do consenso. Mesmo os cristãos que desejam se manifestar enquanto tais nesse âmbito, acabam trabalhando a partir do pressuposto de que "o poder emana do povo", sem considerar a autoridade de Deus.
    Os cristãos que desejam trabalhar na educação - professores e pedagogos - trazem, no meio de suas frases sobre a "educação de Jesus", noções construtivistas e/ou pragmáticas, que brotam de uma antropologia radicalmente contrária ao ensino do mesmo Jesus.
    Nossos cientistas sociais e historiadores estão afogados no marxismo, observando a história não como o desenrolar da Providência, mas como o resultado da luta de classes.
    Nossos biólogos são "cristãos darwinistas".
    Não bastasse o dualismo no povo evangélico, os que tentam rompê-lo estão condenados pela estrutura utilizada para sua reflexão, que nega em cada instância o conteúdo religioso proclamado por eles.
    Também por isso estamos indefesos diante da maré gayzista e marxista. Nós usamos as categorias de pensamento propostas por eles, então acabamos pensando que a fala deles faz muito mais sentido. Desconhececemos a matriz Criação-Queda-Redenção.

4 A falta de uma abordagem estratégica e consistente das questões públicas
    Digamos que um cristão heróico conseguiu fugir da primeira barreira e compreende a Bíblia adequadamente; livrou-se da segunda e não trabalha a partir de dualismos; venceu a terceira e desenvolve uma forma de pensar legitimamente cristã; ainda assim ele encontra um quarto problema, que pode se manifestar de duas formas.
A bancada evangélica: fundamentação bíblica?
    A primeira delas é patente na raridade de cristãos auto-conscientes da Bíblia, da integralidade da realidade, e da estrutura cristã para o pensar. Sendo poucos, e espalhados, não se reúnem para ações conjuntas e significativas, e ficam como vozes soltas no espaço cibernético.
    A segunda forma se manifesta quando tais cristãos se encontram, organizam núcleos para reflexão e divulgação dessa "forma cristã auto-consciente de ser", mas, sem nenhum senso estratégico, começam a atirar para todos os lados, e não tratam nenhuma questão consistentemente.
    Uma boa estratégia envolverá planos adequados de curto, médio, e longo prazo. Envolverá discussões e reflexão, formação de novas gerações nesta perspectiva, e a identificação de pontos centrais que precisam ser abordados estrategicamente, para que os demais - secundários - sejam tratados em seu devido tempo, ou venham na esteira dos principais.
    No direito, por exemplo, não adianta ficar discutindo se os homossexuais serão felizes ou não no casamento, mas indicar para a esfera do Estado como submetida à autoridade de Deus, e paralela (nem acima, nem abaixo), da esfera da família. Nesta perspectiva, não cabe ao Estado interferir na esfera da família, cuja estrutura foi dada soberanamente por Deus. (Vale a pena pensar mais sobre isso posteriormente)

5 Ataques internos
    O último problema gerador da obtusidade cristã no espaço público são as disputas internas que pretendem derrubar o edifício evangélico. Aqui eu penso, também, em dois caminhos.
PL122: nós fechamos a boca
e colocamos o zíper, eles só estão puxando
    Por um lado existem os cristãos nominais (falsos cristãos) e os cristãos inconsistentes que trabalham em projetos contrários ao cristianismo bíblico. Penso, por exemplo, nas declarações recentes de Ricardo Gondim, na abertura ao pós-modernismo proposta pela Igreja emergente, e no inclusivismo de gente como Ed René Kivitz. Caminhando lado a lado com o segmento cristão, e provavelmente bem intencionados, tais cristãos estão, continuamente, lançando bombas sobre o cristianismo bíblico, operando em prol da relativização e enfraquecimento da consistência de um pensamento rigorosamente centrado na Palavra de Deus. Tais ataques dividem a igreja, confundem as ovelhas, e contribuem para a irrelevância cristã.
    Por outro lado, existem aqueles que caminham juntos e possuem uma mesma confissão, mas, em vez de abordarem questões comuns a partir dos mesmos pressupostos, preferem digladiar-se mutuamente. Penso aqui em discussões que dividem as Assembléias de Deus, por exemplo, e na prática dos chamados "neopuritanos", que, em vez de contribuírem para uma reflexão reformada da realidade, preferem discutir se Mark Driscoll é reformado ou não.

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O texto ficou maior do que eu esperava, e isso é outra tristeza, pois sei que muitos não chegarão até aqui por preguiça. Em parte eu não os condeno, pois a proposta de um blog, normalmente é mais dinâmica. Por outro lado, muitos deixarão de ler não por fugir de um padrão estipulado na blogosfera, mas simplesmente por não possuírem interesse no assunto, nem conseguirem caminhar com qualquer análise um pouco (e bem pouco) mais estendida de uma questão.
Contudo, embora a linguagem inteira do post seja pessimista e triste, e embora tenhamos nos colocado em uma situação lastimável, ainda tenho esperança. Creio que, identificando tais problemas e trabalhando consistentemente neles podemos melhorar a nossa condição, e creio, em um nível mais fundamental, que Deus continua guiando a Sua Igreja, de modo que ela nunca estará desamparada.
Deus nos ajude.
Soli Deo Gloria.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Apologética com feijoada dá nisso...

"Quem não pode com feijoada, come a nossa papinha". Assim o site apologético Genizah ironiza o que poderia ser o novo mote da revista Ultimato, segundo ele.

A causa da ironia é a iniciativa por parte da direção da revista em descontinuar a coluna de Ricardo Gondim. "Descontinuar" é o termo politicamente correto para expurgar, expulsar, etc. Pode soar melhor, mas na prática é a mesma coisa.

Danilo Fernandes, autor do post, escreve uma crítica a Ultimato, reafirmando que é fã dela. Eu preciso ir no caminho inverso: não sou fã da revista, mas preciso elogiá-la. E assim, preciso criticar Danilo e o Genizah.

A questão que permeia o texto "apologético" é: Ultimato falhou em ter demitido Gondim. O pastor da Igreja Betesda é, nos dizeres de Danilo, alguém de "inteligência superior". Possivelmente a superioridade da inteligência gondiniana era o que fascinava o Danilo, que agora se entristece pelo caminho que a revista toma.

Pensando sobre as causas da expulsão, ele levanta:
1. A coisa se deu por medo de exposição
2. A motivação - sugere - é comercial
3. Trata-se de acompanhar o pensamento da maioria dos evangélicos, que não consegue conviver com opiniões diferentes.

Por fim, aparece a figura da feijoada. Danilo é o cabra macho, que gosta de comer toucinho, "sem frescuras e alarde". E a comida promovida pela Ultimato com Gondim era feijoada - alimento "sólido, diversificado e nutritivo".

E assim você tem um pouco da cabeça deste estômago privilegiado, que é Danilo Fernandes.

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O método apologético do Genizah: ovos e tomates
O que se requer de um apologeta é, desde o início, discernimento. A capacidade de distinguir as coisas, trabalhar conceitos e práticas dentro de seu contexto, e avaliá-las em um senso adequado de proporções, é o mínimo da atividade de um defensor da fé. Nem se exige que seja um conhecedor dos grandes sistemas apologéticos, tal qual a apologética cultural de Francis Schaeffer, o método indireto de Cornelius Van Til, incursões em pressuposicionalismo e evidencialismo, etc., etc., nada disso! (embora seja ótimo conhecer essas coisas, e quanto mais o apologeta souber desses assuntos, tanto melhor estará munido de recursos para fazer seus movimentos). Mas, pensando em termos bíblicos, o apologeta precisa apenas saber distinguir alhos de bugalhos.

E isso é exatamente o que o Genizah não traz neste post. [Façamos justiça: em outros posts, sobre outros assuntos, há discernimento].

O autor, mascarando o conteúdo naquele formato despojado, cheio de francês, inglês e linguagem informal, quer nos empurrar goela abaixo alguns pontos no mínimo problemáticos, para dizer o mais leve:

1. A inteligência de um sujeito deve nos fazer ouvi-lo
2. O ensinamento de que Deus não tem o controle de todas as coisas (bem como todo o pacote Gondiniano) é alimento sólido para o cristão
3. Ser um cristão maduro, light, cool, etc., é estar aberto para repensar a sua fé a partir daquilo que a Bíblia condena

Está pronto o banquete - quem se propõe a fazer apologia da verdade, serve como agente duplo, e cria confusão na mente dos cristãos.

Inteligência não é, e nunca foi o requisito final para se ouvir alguém, ou ter alguém publicando em revistas cristãs. O camarada pode ter ótima articulação, escrever bem, ler literatura, ouvir música clássica, e falar asneiras teológicas. Por quê? Porque quando falamos de teologia, estamos diante da Revelação de Deus, e não da inteligência humana. Não são os meus processos de raciocínio que me elevam às alturas para compreender o inefável - é o Altíssimo que desce, em sua graça, e se revela a mim através da Escritura. É por isso que "o princípio da sabedoria é o temor do Senhor" (Pv.1.7). A coisa não é medida por minhas capacidades, mas por minha submissão à Palavra.

O alimento sólido não é medido em termos da dificuldade em compreender, da polêmica que gera, ou coisa parecida. Nutrição real vem do ensino da Bíblia - a sã doutrina. Simples, né? Sem muita pirotecnia intelectual. Sem muita afetação. O simples ensino da Palavra de Deus. E mais: o cerne do alimento sólido é o tão básico evangelho! Um Deus eterno, Triúno e soberano, que, em aliança, decide redimir pecadores. O Filho, então, vem ao mundo, nasce de uma virgem, torna-se carne, vive uma vida perfeita em nosso lugar, morre em nosso lugar, recebendo os nossos pecados e a ira do Pai sobre si, e colocando sobre nós a sua justiça. O Filho ressuscita, e sobe aos céus, de onde intercede ao Pai pelo Seu povo. Nada é mais sólido do que a doutrina mais básica da Escritura. Solidez, para Danilo, é sofisticação de palavras - Paulo rejeitou isso em 1Co.1.

Danilo repensa o seu cristianismo/calvinismo a partir dos textos de Gondim. Isso é ser um cristão aberto ao diálogo, que "pensa fora da caixa" (clichê!). E eu fico a me perguntar de onde ele tirou isso. Na Bíblia, o ensino errado sobre Deus e o evangelho sempre foi denunciado e rejeitado como pernicioso. Nunca foi elemento  hermenêutico para revisarmos e reinterpretarmos as nossas convicções, exatamente por partir de pressupostos completamente diferentes, e caminhar segundo padrões opostos à ortodoxia. Danilo avalia a sua fé a partir de quem a nega. E é assim que você chega a um nível de confusão mental como a que ele apresenta.

Ultimato está correta. Se uma publicação se pretende cristã, que publique o cristianismo. Se se pretende evangélica, que publique textos submetidos ao evangelho. Se se pretende temente a Deus, que traga reflexões de quem crê em Deus como Ele se apresenta na Bíblia.

Exageros na feijoada sempre resultam em dor de barriga e visitas periódicas ao banheiro. Esse foi o resultado da feijoada do Genizah.



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Leia aqui o texto do Genizah
Para conhecer o pensamento de Ricardo Gondim: clique aqui, aqui, aqui e aqui.

Enquanto escrevia esta resposta, Carta CaPTal lançou outra entrevista com o Gondim - o velho argumento da inquisição... aqui.

sábado, 20 de novembro de 2010

MACKENZIE UNIVERSITY: IN DEFENSE OF FREEDOM OF RELIGIOUS EXPRESSION

In Brazil, a bill (PL 122/2006) has been proposed in order to pass a law with the objective of “combating homophobia.” The project characterizes as a crime “any intimidating or vexing action, of moral, ethical, philosophical or psychological nature” that involves homosexuality. Based on this project, homosexual activists in Brazil initiated active opposition to Christian psychologists who offer treatment for those who wish to leave homosexuality (as with Rozangela Justino) and to pastors (such as Lutheran Rev. Ademir Kreutzfeld) who have publicly counseled their flock to avoid homosexual lifestyle. In 2007, evangelicals and Christians in general believed that if the law should be approved, they would be punished for publicly treating homosexuality as sin, which would be contrary to the freedom of religious expression granted by the Brazilian Constitution, Thus, Mackenzie Presbyterian University in São Paulo, a centenary institution of higher learning, with a body of 45,000 students and 1900 professors, whose lifelong associate is the Presbyterian Church of Brazil (IPB), published a portion of the position taken by the denomination on this matter on its site. This post was signed by its Chancellor, Rev. Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes. Recently, this text and the institution have come to be accused of being homophobic by gay organizations, with ample support of the media. Its position has been distorted and presented as if it is “intentionally promoting the right to be homophobic.” Rev. Augustus Nicodemus’ photo is being shown on various gay sites on the Internet, accompanied by words of hate and insulting comments directed at him, evangelicals and the Bible.
Therefore, we, as evangelical Christians in Brazil, seek the prayers and support of fellow believers in other countries. We have also decided to issue the following manifesto, for which we seek widespread circulation:

MACKENZIE UNIVERSITY: IN DEFENSE OF FREEDOM OF RELIGIOUS EXPRESSION

Mackenzie Presbyterian University (Universidade Presbiteriana Mackenzie) has recently come under attack for an allegedly “homophobic” text that has been on its site since 2007. We, from several Christian denominations, wish to express our solidarity with this institution. We rise up against the indiscriminate use of the term “homophobia,” that is being applied not only to murderers, assailants and discriminators of homosexual persons, but also to Christian religious leaders who, according to the light of Holy Scripture, consider homosexuality a sin. After all, our freedom of conscience and expression may not be denied us, nor may it be confounded with violence. We believe that mentioning sins in order to call people to voluntary repentance is an integral part of announcing the Gospel of Jesus Christ. No declaration of hate may be based on the preaching of the love and of the grace of God.

As Christians, we have the biblical mandate to offer the Gospel of salvation to all people. Jesus Christ died to save and reconcile human beings with God. We believe, according to the Scriptures, that “all have sinned and fall short of the glory of God” (Romans 3:23). We are sinners, every one of us. There is no division between “sinners” and “non-sinners.” The Bible presents us with long lists of sins and informs us that, without God’s forgiveness, human beings are lost and condemned. We know that the following are sins: “sexual immorality, impurity and debauchery; idolatry and witchcraft, hatred, discord, jealousy, fits of rage, selfish ambition, dissensions, factions and envy; murders, drunkenness, orgies, and the like” (Galatians 5:19). In their traditional and historical interpretation, the Judeo-Christian Scriptures deal with homosexual conduct as sin, as can be shown by texts like Leviticus 18:22, 1 Corinthians 6:9-10, Romans 1:18-32, as well as others. If we desire the repentance and the conversion of the lost, we must also name this sin. We do not desire legally-enforced changes in behavior but, rather, conversion of the heart. And conversion of the heart does not occur because of external pressure, but by the gracious and persuasive act of the Holy Spirit of God who, as Jesus Christ taught, convicts of “sin, righteousness and judgment” (John 16:8).

We therefore wish to certify that the eventual approval of so-called anti-homophobia laws will not hinder us from extending this invitation freely to all, an invitation that may also be refused. We are not in favor of any kind of law that forbids homosexual conduct; in the same manner, we are contrary to any law that goes against a principle that is very dear to Brazilian society: freedom of conscience. The Federal Constitution (Article 5) guarantees that “all are equal before the law,” stipulates that “liberty of conscience and of belief are inviolable,” and specifies that “no one may be denied rights by reason of religious belief or due to philosophical or political convictions.” We are also opposed to any external force – intimidation, threats, verbal or physical aggression – that is intended to change a person’s mind-set. We do not accept that the criminalization of opinions be a valid instrument for social transformation because, besides being unconstitutional, this foments an undesirable wave of authoritarianism, undermining the foundations of democracy. In the same way that we do not seek to repress homosexual conduct with coercive measures, we do not want these same means to be used to make us stop preaching what we believe. We want to maintain our freedom to announce repentance and God’s forgiveness publicly. We want to maintain our right to open confessional educational institutions that reflect our Christian worldview. We want to guarantee that our religious community may express itself about all matters that are important to society.

We, therefore, manifest our full support for the pronouncement by the Presbyterian Church of Brazil, published in 2007 and partially reproduced, also in 2007, on the site of the Mackenzie Presbyterian University, by its chancellor, Rev. Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes. If homosexual activists intend to criminalize the posture of the Mackenzie Presbyterian University, they should also prepare to equally face the Presbyterian Church of Brazil, all of the country’s evangelical churches, the Roman Catholic Church, the Jewish Congregation of Brazil and, in the last instance, to censure the Judeo-Christian Scriptures themselves. Our law guarantees that individuals, religious groups and institutions have the right to express their confessional position and conscience in subjection to the Word of God. We take this firm stand so that this freedom may not be taken away from us.

This manifesto is a collective production with a view to representing Brazilian Christian thought. For immediate release.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Uma conversa sobre "A Cabana"

No último sábado me uni ao Pr. Ilmar Almeida, da Igreja Presbiteriana do Renascença, para trocarmos umas idéias com os jovens daquela igreja sobre o livro "A Cabana".

O resultado foi bastante positivo, com algumas perguntas interessantes.

A conversa vai em partes: Primeiramente, uma apresentação do livro pelo Pr. Ilmar - considerando que nem todos leram a obra. O segundo arquivo apresenta algumas considerações que eu teci sobre a obra. O momento de perguntas e respostas será publicado posteriormente.

Apresentação dA Cabana - Pr. Ilmar Almeida



Baixe o mp3 aqui
(23Mb)

Considerações - Allen Porto



baixe o mp3 aqui (8Mb)

domingo, 8 de novembro de 2009

Resposta ao Douglas Rezende e cia. [final]

Senhores,

Há muito para fazer e pouco tempo [ou o uso que eu faço dele é que é ruim mesmo...]. Digo isso para explicar que por ora não vai ser possível uma resposta mais meticulosa e detalhada ao Douglas e aos demais que se incomodaram com o artigo “Missões e(m) crise” - especificamente o segundo tópico, que trata do esquerdismo.

O clima de animosidade percebido em alguns comentários, posts e e-mails também não é saudável, e me desestimula na continuidade desta discussão. Não que eu pare de falar sobre algo porque alguém não está gostando do que eu digo, mas quando um clima de inimizade começa a se formar, talvez seja adequado pelo menos dar uma pausa na conversa.

Dito isto, resumirei a minha resposta a este sucinto post – possivelmente incompleto para alguns, falho para outros, covarde, ainda, para terceiros.

Se eu fosse transcrever cada trecho a que pretendo responder, esse post ficaria gigante. Então peço a paciência de vocês: se quiserem acompanhar cada resposta dentro do contexto, leiam primeiro, ou paralelamente, os escritor de quem eu estou respondendo. Também não responderei aos comentários sobre mim (refiro-me aos mais pessoais) – não seria interessante para ninguém.

Às respostas:

Discordo de Douglas Rezende pelas seguintes razões:

1.O “completamente equivocado” do texto por ele publicado não diz com clareza quais os trechos errados do parágrafo, para que a situação seja devidamente analisada. Ou, por outro lado, ele pode estar dizendo que o parágrafo inteiro está equivocado – o que não pode ser sério, pois pelo menos as informações de que ele deu entrevista ao podcast renovatio café, e participa da rede FALE, são públicas e incontestáveis. A informação de que ele trabalha a partir da perspectiva esquerdista também é verossímil: é por ele apresentada com clareza categórica no podcast;

2.Os trechos bíblicos por ele apresentados devem ser compreendidos dentro do seu contexto.

3.Reconheço, como o Douglas, que os pobres precisam ser amados e ajudados de maneira ampla pelos cristãos. Reitero, porém, que os textos bíblicos por ele mencionados tratando dos pobres, não o fazem segundo a cosmovisão esquerdista, que enxerga a sociedade polarizada entre ricos e pobres, burguesia e proletariado. Não buscam criar uma inimizade entre “classes”, mas a integração amorosa.

4.A crítica do texto de Isaías não coloca sobre o Estado o direito (nem a obrigação) de violar a propriedade privada dos cidadãos. Reconheço que o problema da terra deve ser cuidadosamente analisado e repensado, para que os desabrigados tenham onde morar. Ainda assim, o fundamento bíblico para isso não está em Isaías, pois este não trata do papel estatal. A função do Estado é estabelecida em textos como Rm. 13 – punir os maus e proteger a liberdade dos cidadãos.

Para os que ouviram a entrevista dele no podcast, apenas direi que discordo da visão que os sem-terra não trabalham na ilegalidade. Os eventos recentes de invasão, vandalismo, e as lesões corporais demonstram a quebra da legalidade.

O Caio Marçal comentou no blog da Aliança Jovem Reformada. Respondo:

5.Discordo que seja necessária uma declaração taxativa para indicar os compromissos ideológicos de indivíduos ou grupos. Ainda assim, nada foi afirmado sobre a rede FALE em si.

O Gito comentou no blog da AJR e escreveu um post de resposta em seu blog. Respondo:

6.Alterei a informação sobre a sua filiação à JOCUM. Ainda assim, isto não altera o sentido do trecho, que se refere ao seu pensamento, e não ao da JOCUM.

7.Concordo que missões devem ser pensadas com os aspectos sociais que as envolvem. O texto não negou isso.

8.Discordo que todas as ações em prol do pobre sejam atribuídas a uma ação esquerdista. Há quem faça isso hoje livre das pressuposições marxistas. A história da Igreja também é cheia de exemplos nesse sentido.

9.Pela leitura do texto, vejo que a tese do Gito girou toda em torno da ação em prol dos pobres. Eu não escrevi nada contra a ação social em direção a eles, então o autor atacou apenas a caricatura que ele criou do que eu escrevi. Pensamos da mesma maneira no que diz respeito a amar os necessitados.

10.A sentença “Esta é a minha afirmação política: Não tenho partidos, sou discípulo de um prisioneiro político” do Gito sugere alguma neutralidade em questões políticas. Discordo que isto exista. Os pressupostos dele o norteiam e estabelecem uma maneira de ver a realidade em todos os seus aspectos – inclusive o político.

11.Se o Gito tivesse observado melhor o artigo completo, ou o blog em si, veria que a ABU e outros expoentes, como ele menciona, não foram ignorados. Ainda assim, discordo que eles necessariamente teriam que ser mencionados para demonstrar o ponto. Se a idéia era indicar que há missionários influenciados pelos pressupostos de esquerda, bastava indicar alguns deles, e não todos.

12.Concordo que “tem gente trabalhando com os pobres faz tempo!”. Mas isso não tem nada a ver com o que eu escrevi.

13.Concordo que “tem gente chamando essa moçada de 'gente de esquerda' faz tempo!” - mas muitos deles assumem abertamente que são esquerdistas(ou seja, eles não precisam que ninguém os chame assim) – cf. a minha pequena entrevista com o Ariovaldo Ramos.

14.Discordo que ilustrar idéias com as “pérolas” do blog do Gito seja pouco. A menos que alguém esperasse outro objetivo do texto. Para os fins pretendidos, os exemplos foram adequados.

A Soninha comentou no blog da AJR. Respondo:

15.Discordo que o termo tragédia aplicado às consequências do esquerdismo para os cristãos deva ser usado entre aspas, como ela faz. Os cristãos perseguidos nos países socialistas/comunistas diriam que aquilo foi, de fato, uma tragédia.

16.Concordo que muitos dos missionários com a perspectiva de esquerda têm saído da zona de conforto – atitude que merece louvor. Isso não foi questionado no artigo.

Assim concluo a conversa sobre esse artigo, que, após a revisão final será publicado na seção de artigos e publicações no menu em cima.

A minha expectativa é que as conversas sobre esses itens produzam reflexão, e não mágoas.

Pelo Rei, e pelo Reino,
Allen Porto
SDG

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Respostas ao Douglas Rezende e cia.

Além do Douglas, outras pessoas se ofenderam com o que escrevi, e, ou postaram comentários, ou enviaram e-mails que merecem alguma resposta.

Antes de postar qualquer coisa, algumas palavras de abertura merecem atenção:

1. A intenção do que escrevo não é ofender gratuitamente ninguém. Acreditem, se fosse para simplesmente falar mal, eu utilizaria termos mais pesados.
2. Ainda assim, sei que pessoas se incomodarão com o que escrevo, especialmente quando confrontam pontos comuns, ou aqueles aos quais determinados grupos se apegam com maior firmeza.
3. O fato de alguém se incomodar ou não com o que escrevo não será o critério final para eu publicar ou deixar de publicar algo.
4. Aos que se incomodarem e fizerem contato, na medida do possível será buscado um meio de solução de conflitos, com a possível continuidade do diálogo.
5. Se a solução do conflito estiver condicionada à minha mudança em aspectos que considero fiéis à Escritura, nada poderá ser feito, a não ser a exposição do pensamento de quem discordo, com as devidas críticas a ele.
6. Com esta tentativa de solucionar os problemas, pretendo demonstrar que o objetivo dos posts é promover a consciência sobre determinados assuntos, em um clima de amor cristão – amor necessário mesmo para falar palavras duras.
7. Rejeito a agenda do politicamente correto, que utiliza de meias palavras não como expressão de respeito a alguém, mas como tentativa de manipulação. Rejeito as mordaças da “política de boa vizinhança” que não age com transparência e honestidade, e assim não possibilita o tratamento real das questões.
8. Ao mesmo tempo, acredito que as críticas devem ser postadas com prudência, na proporção da seriedade do que advogam.

Talvez eu pudesse/devesse acrescentar mais itens a esta declaração. Mas ela ficaria extensa demais, e os pontos apresentados indicam o “clima” dos meus comentários e críticas já postados, e dos que ainda virão. Todos devem ser interpretados a partir desta declaração para serem adequadamente compreendidos, pois talvez um leitor desavisado possa interpretar as minhas palavras conforme a sua sensibilidade psicológica, e assim veja em mim um cão raivoso escrevendo palavras em fúria descontrolada.

Não é nada disso, prometo.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Missões e(m) Crise [2]



  1. O ESQUERDISMO

A militância de esquerda também invadiu os arraiais de grupos evangelísticos e missionários. Para um líder de minha cidade, que exerce grande influência sobre um grupo de evangelismo universitário, a Reforma legítima foi a dos anabatistas, que buscaram a revolução como meio de transformação social.

Isso ilustra o cenário das missões entre jovens. Como a mentalidade da esquerda invadiu as universidades nacionais, foi assimilada pelos missionários, que, ao buscarem implementar sua visão de reino, importaram padrões socialistas/comunistas/marxistas.

O movimento missionário como desbravador de novos campos, inclusive nas missões urbanas, exigiu pessoas de caráter mais engajado e ativo, muitas das quais possuíam a ideologia marxista[3] como base de seu comportamento “revolucionário”.

Uma simples pesquisa na internet mostra o ponto: O site da JOCUM – DF, está recheado de artigos em prol do movimento estudantil[4], ecologismo[5], revanchismo pós-ditadura e antimilitarismo[6].

No podcast que flerta com a igreja emergente, o renovatio cafe, há uma entrevista com Douglas Rezende, da rede FALE[7], na qual são reforçados conceitos do esquerdismo, com o apoio ao grupo revolucionário de esquerda, o MST. O diálogo entre os interlocutores demonstra total concordância sobre o assunto, como se fosse verdade pacífica e absoluta sobre a questão.

O blog do ex-jocumeiro Gito[8] é outra pérola do esquerdismo missionário. Ali são divulgados vídeos de Michael Moore[9] (mesmo que os seus documentários tenham sido desmentidos publicamente), e pensamentos de outros ícones do ideário marxista, como Frei Betto, Leonardo Boff, e cia[10].

Há preço a ser pago por esta infusão de esquerdismo no sangue missionário. As idéias estão relacionadas, e uma perspectiva marxista aplicada ao contexto de missões reduzirá a compreensão da religião, do evangelho, da política, e da realidade social. O marxismo é um pacote de idéias, que traz consigo implicações para o todo da vida. Mais ainda: os resultados desta cosmovisão para o evangelho foram trágicos em todas as suas aplicações históricas.

Ninguém aprendeu essa lição?

Ainda assim, o grupo da Avalanche Missões Urbanas Underground [11]– parceiro da visão dos missionários acima – vai oferecer um curso de política e história. Mais uma escola para a doutrinação esquerdista de missionários.





[3] Para uma análise cristã e pressuposicionalista sobre o marxismo, cf. NORTH, Gary. La Religión Revolucionaria de Marx: La regeneración por medio del caos. Tyler, Texas: Instituto para la Economia Cristiana, 1990. North afirma, sem meias palavras, que “Entre o cristianismo e o marxismo não pode haver um diálogo significativo. [...] Nem o marxista nem o cristão consistentes podem esperar que haja uma reconciliação entre os dois sistemas; é uma questão de guerra intelectual sem trégua. [...] A questão é basicamente um conflito na esfera da fé” (p.2, tradução livre).

[4] http://www.jocumdf.com/artigos/o-movimento-estudantil-na-historia-do-brasil/

[5] http://www.jocumdf.com/artigos/ecologia-e-cristianismo/

[6] http://www.jocumdf.com/destaques/impacto-7-de-setembro/

[7] http://www.renovatiocafe.com/index.php/Table/Renovatio-Cafe/Podcast/.vDouglas Rezende é articulador da "rede FALE" em Curitiba, e membro do grupo “Evangélicos Pela Justiça”. A rede FALE tem estabelecido parcerias com a ABU – cf. http://redefale.blogspot.com/2009/08/fale-nos-cursos-de-ferias-da-abub.html.

[8] http://giito.blogspot.com/

[9] http://giito.blogspot.com/2009/07/michael-moore-em-cuba.html

[10] Cf. o vídeo simpatizante do comunismo no post de 11 de Setembro.

[11] http://www.avalanchemissoes.org/

Problemas e soluções - Missões em Crise

Os posts sobre as missões em crise geraram alguns conflitos interessantes. Um deles se deu com uma das pessoas citadas no tópico sobre o esquerdismo - o Douglas Rezende, da Rede FALE de Curitiba.

Para solucionar o problema, usarei o seguinte expediente:

1. Republicarei o post com algumas alterações - para comparar, veja o post anterior missões e(m) Crise pt.2;

2. Publicarei um texto de resposta que o Douglas preparou;

3. Tecerei as minhas críticas ao Douglas, à sua postura, e às suas idéias.

Fiquem ligados.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Carter vs Colson

Alguns proponentes de um novo estilo de liderança me preocupam. Os ex-presidentes dos Estados Unidos conseguem deixar um posto tão importante e sair pronunciando baboseiras mundo afora.

Após as bobagens ambientalistas do Reagan, o Jimmy Carter decidiu falar de religião e opressão, culpando a religião pelo machismo, e taxando impiedosamente os protestantes contrários à ordenação feminina (como os batistas do sul) nesse perfil opressor.

Ainda bem que existem vozes sábias e prontas para argumentar em favor da verdade. Chuck Colson oferece uma resposta à altura, pronta para desconstruir as falácias carterianas.

Veja aqui a resposta do Chuck Colson.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Carlos Fernandes e a Cristianismo Hoje (4)

O blog "E agora, como viveremos?" mostra a sua perspectiva da discussão sobre a entrevista do Julio à Cristianismo Hoje.

Leia aqui.

Carlos Fernandes e a Cristianismo Hoje (3)

O Pr. Gilson Bifano também comentou:

Gilson Bifano

Julio Severo, na minha opinião, é hoje um dos daqueles que se levantam em favor da família. Um João Batista dos nossos tempos. Homem que não tem medo de denunciar o pecado, mesmo que para isso seja perseguido e até morto, se for preciso, por defender os princípios da Palavra de Deus. A perseguição hoje se dá no campo dos pensamentos que envolvem a família. Julio Severo pensa de acordo com a Bíblia e não de acordo com filosofia do politicamente correto. Julio Severo tem todo o meu apoio e do Ministério OIKOS (www.clickfamilia.org.br), ministério que também defende a família.

Carlos Fernandes e a Cristianismo Hoje (2)

O filósofo Olavo de Carvalho também comentou a edição da entrevista:

Olavo de Carvalho

Vocês falam do Júlio Severo naquele tom de superioridade fingida que é a linguagem por excelência dos fariseus hipócritas. Em vez de ajudá-lo no seu combate, como teriam o dever de fazer, procuram atiçar contra ele a sanha dos maledicentes e os risos dos escarnecedores. Ninguém mais do que eu diverge do Júlio numa infinidade de questões, mas não avalio seres humanos segundo sua semelhança ou dissemelhança comigo, e sim segundo suas qualidades intrínsecas, que no Júlio são grandes e esplêndidas, a começar pela sua coragem e pela sua fé cristã inabalável. A simples omissão dos cristãos em geral diante das perseguições que ele sofre já seria um pecado intolerável, mas vocês foram além da omissão: em vez de dar de beber a quem tem sede, meteram-lhe uma colherada de sal na boca. Capricharam na impiedade. Depois disso, não esperem que, no meu programa “True Outspeak” ou nos meu artigos, eu trate vocês de maneira respeitosa. Quem desrespeita o cristão perseguido torna-se automaticamente indigno de respeito.

Carlos Fernandes e a Cristianismo Hoje

A revista Cristianismo Hoje deixou claro, em entrevista de Julio Severo a Carlos Fernandes, a maneira como lida o apoio a cristãos que lutam no espaço público pela defesa da fé.

Contra isso, Norma Braga escreveu bela carta (endereçada à revista e publicada em seu blog)

Eis a carta:

À Cristianismo Hoje

Publicado no site da revista.

Caros editores,

Como a maioria dos comentadores desta página, venho manifestar meu repúdio pelo tratamento dispensado a Julio Severo nessa reportagem. Está bastante claro que Cristianismo Hoje quis entrevistar Severo ao mesmo tempo em que se mostrava abertamente antipática às posturas do entrevistado. No entanto, o título, a apresentação e o tom das perguntas mostram que isso foi feito de modo desrespeitoso - o que fala não só da inabilidade do jornalista (é possível evidenciar discordância sem desrespeito), mas sobretudo do descaso de um veículo midiático que traz Cristianismo no nome para com a luta e as perseguições de alguém que deveria ter sido tratado como irmão. O resultado final é não apenas ridículo (nunca vi um entrevistado ser tratado dessa forma no próprio veículo que o entrevista), mas contraria fortemente os ideais de fraternidade cristã, sendo indigno do nome da revista. Porém, ainda há tempo para um saudável arrependimento bíblico, expresso na forma de uma retratação, útil também para corrigir os excessos do jornalista responsável pela matéria. Fica aqui minha sugestão.

Cordialmente,

Norma Braga

terça-feira, 24 de março de 2009

Recortes Apologéticos

Aqui vai um pouco de vermelho e azul, no estilo Reinaldo Azevedo. Recebi esse comentário ao post "A espancadora de cientistas cristãos". Guardei um pouco até poder escrever alguma coisa, ainda que básica, e aí vai.

Este comentário também me dá a oportunidade de inaugurar uma seção mais apologética no blog, que chamarei de Recortes Apologéticos.

Volto no fim do diálogo.

sr. Allen Porto.

Gostaria, antes de mais nada, de me desculpar pela aparente violência gratuita em meu comentário: eu sou uma pessoa muito pacífica, e jamais teria coragem (nem força, pra ser honesta) pra bater em alguém, muito embora meu senso inconseqüente de humor me permita afirmar isso. É claro que o Sr. não é obrigado a adivinhar o quão sério é cada comentário, por isso venho me retratar.

Olá Romilde, já postei uma breve resposta no seu blog agradecendo a gentileza e também pedindo perdão pelo abuso no que diz respeito a lhe chamar indiretamente de palhaça (algo que você comenta no parágrafo seguinte).

Ainda, preciso esclarecer, pois aparentemente o Sr não compreendeu isso, apesar de sua notável capacidade de fazer trocadilhos, que Junquera, R., não é uma maneira de camuflar minha identidade, e sim uma alusão à minha profissão, em que se assina com o sobrenome, e apenas a inicial do primeiro nome. A figura de palhaça, por sua vez, é uma alusão aos elementos mágicos e poéticos circenses, logo, eu não compreendi a conotação pejorativa que o Sr. deu ao seu comentário ao mencionar a referida imagem.

Sobre a notável capacidade de fazer trocadilhos, não entendi – talvez seja algo relacionado ao uso da figura da palhaça (mas acho que não, por que você comenta sobre isso nas linhas seguintes).

Sr. Allen, se me permite, compartilharei com o Sr. algo de minha vivência. Para mim, deus e a ciência são domínios diferentes, a ciência não deve tentar explicar algo que apenas se sente, que é deus.

O que você entende por “domínios”?

Significa que a ciência está completamente desvinculada da religião, e vice-versa?

Como você chegou a esta conclusão?

Como você sabe que Deus é apenas sentido?

O problema reside no fato de os homens terem inventado a religião. Sim, porque o Sr, letrado como é, já deve ter atentado para o fato de que só é cristão porque nasceu em tempo e lugar cristãos, e que se tivesse nascido em outro lugar e em outro tempo, podia ser seguidor de Mithra, Baal, Jah, Thor, Zeus, Alá, Wotan, e só Deus sabe quem mais.

Deixe-me ver se entendi: você está afirmando que o homem é produto do seu contexto?

Só sou cristão porque nasci em um lugar e tempo cristãos? Como você pode demonstrar que a relação espacial e temporal determinam a fé de alguém? Através de que raciocínio você chegou a esta afirmação?

É interessante notar que aqui você não somente escrever “Deus” com “D” maiúsculo (diferente de todo o texto), mas também revelou, brincando ou não, a onisciência de Deus – só Ele sabe de todas as coisas.

Isso porque, Sr. Allen, na minha humilde e particular concepção, a única verdade em todas as religiões é a fé. O resto é história. A fé é real, os livros que os homens escreveram, os cultos que eles inventaram, tudo é fruto de sua criatividade.

A única verdade em todas as religiões é a fé? Como você pode demonstrar isso?

Permita-me demonstrar rapidamente por que isso é falso. A fé não é um conteúdo em si, mas o direcionamento das disposições intelectuais e emocionais para algum conteúdo (externo). Assim, a fé em si mesma não pode ser definida como verdade, mas apenas aquilo para o qual ela está direcionada é verdadeiro ou falso.

Não faz nenhum sentido você dizer que “a fé é a única verdade em todas as religiões”.

Ou o Sr. me diria que o nome que o Sr dá ao seu deus, e a forma como o cultua são corretos, e todos os outros povos estão errados?

O próprio Deus revelou o Seu nome. E sim, acredito que o Cristianismo é correto e todas as outras cosmovisões e religiões são falsas e, portanto, estão erradas.

Eu não acredito na bíblia como livro sagrado, mas a respeito muito como documento histórico e principalmente como obra literária: a forma como Deus fez o homem do barro (terra + água + fogo) e deu-lhe a vida acrescentando o quarto elemento (ar) num sopro, é deveras linda.

Você está afirmando que a Bíblia tem validade histórica, mas não religiosa? Como você diferencia o que é história e o que é religião na Bíblia?

Mas tem muitas coisas sobre a bíblia que não me permitem aceitar sua seriedade. A forma como a igreja simplesmente omitiu alguns livros da bíblia segundo lhes era conveniente, manipulando a história de Jesus, por exemplo.

Obviamente você não conhece os critérios pelos quais os livros foram selecionados, e prefere acreditar que foi pura manipulação.

Critérios como a autoria ou supervisão de um apóstolo nem passam pela sua cabeça. Pontos como a coerência com o ensino do Antigo Testamento também são descartados.

Você supõe que todos os livros escritos sobre Jesus na época deveriam estar na Bíblia. Por quê? De que linha você deduziu que: (1) todos os livros escritos sobre Jesus devem ser verdadeiros e, portanto deveriam estar na Bíblia, e (2) os livros que não estão na Bíblia foram excluídos por conveniência?

O Sr sabia que o livro de Isaías provavelmente foi escrito por três (ou mais) autores diferentes, em tempos bem distantes? E eu ainda poderia citar dezenas de incoerências bíblicas, mas definitivamente, não tenho nenhum interesse em que o Sr. acredite no que acredito, o que quero esclarecer, Sr Allen, está além, muito além daquilo em que eu acredito ou não, e também muito além daquilo em que o Sr. acredita ou não. O que quero esclarecer não se sustenta pela minha, nem pela sua fé, mas sim em fatos.

O que você tem me apresentado até então é a sua fé. As questões sobre o livro de Isaías já foram respondidas há bastante tempo. Leia ou ouça as pesquisas do Pr. Armando Bispo sobre o assunto (ao comentar sobre o Código Da Vinci ele apresenta um material bem fundamentado).

Você se esquece que interpreta os fatos conforme a sua visão de mundo. A sua cosmovisão determina a maneira como você analisará os fenômenos, então não adianta falar que “está simplesmente baseada em fatos”. No fim das contas, os seus pressupostos mais básicos (axiomas) são recebidos por você com base na... fé.

Quando afirmo que o Sr. Adauto Lourenço é charlatão, sensacionalista e manipulador, baseio-me em fatos. O Sr. Adauto utiliza-se de argumentos científicos descontextualizados para derrubar uma teoria científica perfeitamente plausível, e corroborar o criacionismo, uma teoria embasada em fonte, a meu ver, não muito confiável: a bíblia.

O que você considera uma fonte confiável?

Como chegou a esta dedução?

O primeiro absurdo proferido pelo Sr. Adauto foi o de que a terra teria entre 10 e 13 mil anos, acho que nem preciso contestar isso, pois seria subestimar a sua inteligência.

Fique à vontade para contestar.

Como você sabe que a Terra não tem 10 mil anos, por exemplo?

Quero, principalmente, demonstrar as falhas formais do seu pensamento, mas, tocando em aspectos materiais, você já viu como os métodos de datação são complicados? Eles mesmos não partem de algum pressuposto?

Ele ainda define conceitos, tais como evolução, macro e micro evolução, de maneira distorcida, irresponsável e conveniente. Conveniente para ele e para o criacionismo, obviamente, e não para o que parecia um objetivo nobilíssimo, que foi o que me levou a ler seu post e assistir ao vídeo: Conhecer argumentos imparciais das duas vertentes.

O que você chama de argumentos imparciais?

Os darwinistas não estão defendendo a sua visão?

Por que um cristão não poderia refutar um darwinista e apresentar os seus argumentos?

A teoria da evolução, prezado, jamais se propôs a explicar a origem da vida, o que ela explica com parcimônia, por sinal, é a diversidade de formas de vida que temos hoje. Ainda, organismos não evoluem, individualmente, e é a seleção natural, e não a evolução, que permite apenas aos mais hábeis sobreviverem. Eu também gostaria de dizer que, segundo um artigo publicado no periódico científico Science (esse sim, indubitavelmente confiável e criterioso), o animal que tem mais aminoácidos no citocromo c em comum com o homem, é o chimpanzé, animal esse, que possui, segundo os estudos mais recentes, mais de 97% de seu DNA em comum com o DNA humano - mais uma evidência de que nós, hominídeos, e os macacos, pongídeos, derivamos de um mesmo ancestral.

Como você chegou à conclusão que, porque temos alguma semelhança com o chimpanzé, esta é uma evidência de que temos o mesmo ancestral?

Se tivermos semelhanças com outras coisas devemos pensar que temos origens semelhantes?

Eu ainda poderia citar outras inverdades e gafes que o Sr Adauto cometeu, e refutá-las oferecendo as referências bibliográficas cabíveis, sem medo de estar sendo leviana, posto que a publicação científica, como o Sr. deve saber, é experimentada, testada e muito bem embasada em dados e resultados reais, mas penso que os supracitados já são suficientes.

A parte sublinhada demonstra a sua fé na ciência. Como ela é embasada em dados “reais”, então é confiável.

O que é “real”?

Como você demonstra que a religião não se baseia em dados reais?

Um dos preceitos da filosofia da ciência é o de que nunca se atinge a verdade, posto que ela é relativa. O conhecimento está sendo sempre acrescido. Há muitas lacunas na ciência, sim. Parte do conhecimento transmitido nas escolas, realmente não pode ser admitido como a verdade pronta. Entretanto, podemos propor teorias como a do surgimento da vida, que é muito plausível, e aceitá-las em função de centenas de estudos, experimentos, dados, análises, simulações e etc. que as corroboram e evidenciam.

Aqui você se contradiz, em relação ao final do parágrafo anterior.

Como você afirma (como verdade) que a verdade é relativa? Como você quer que eu encare essa sua afirmação? Como verdade?

Como a experimentação e as sensações deixam de ser isso e passam a ser conhecimento?

Eu não vou lhe perguntar como ou quando seu deus surgiu, ou como ele agiu, Sr. Allen, pois não cabe ao domínio da ciência questionar o que é referente ao domínio da fé. Penso que também não cabe a nenhuma religião tentar responder com magia e milagres o processo físico, químico, contínuo, lento, real e natural que foi e é o surgimento da vida, bem como sua transformação.

A ciência tem buscado falar sobre origens, moralidade, e (vejam só), religião!

Como você define qual o campo da ciência e qual o da fé?

Sem mais para o momento, e atenciosamente, Junquera, R.

Obrigado pela oportunidade de dialogar sobre essas questões. Aguardo as suas respostas.


Se você deseja saber mais sobre apologética, visite o site do Vincent Cheung, em português e em inglês.

Se deseja conhecer mais sobre religião e ciência, visite o site e o blog do Guilherme de Carvalho, o site da AKET, bem como o novo espaço da Ultimado sobre a questão.