Eis algo novo. Nunca havia listado os melhores do ano na categoria música. Talvez pela dificuldade em selecionar algo. Em 2011 aprendi um pouco mais da riqueza dos clássicos como Handel e Bach, mas como não os desfrutei suficientemente, ficarão fora da lista [embora estejam em uma lista eterna].
O que vai abaixo é uma tímida seleção, não do que foi lançado neste ano, mas do que descobri e curti, ou do que revisitei e percebi riqueza, enfim, expressões de beleza que alimentaram de algum modo minha alma. Selecionei apenas 12 para ficar algo proporcional aos meses do ano, e para que a lista tivesse fim (eu continuo lembrando de nomes). Mas agora já foi. O que está por aí fica. Os outros podem ser comentados em outras ocasiões.
Aproveitem.
1. Ebinho Cardoso
O melhor baixista que conheço. Sua música é rica de sentimento e me leva às lágrimas. Ebinho eleva o baixo a outros níveis, explorando o instrumento em suas diversas potencialidades, e trabalhando nele a harmonia de modo mais pleno. A música Ruanda está entre minhas preferidas.
2. Andy McKee
O que falei de Ebinho no baixo pode ser dito de Andy McKee no violão. Conheci-o através de "Rylynn", que me derrubou fácil. A sonoridade que tira do violão é singular. Cada nota vem com mais significado e sentimento.
3. Andrew Peterson
Não lembro como conheci Andrew Peterson, mas com certeza foi um dos melhores sons de 2011. O seu estilo meio folk/country me soa muito suave e belo. Mas não apenas isso: Peterson é um músico, compositor e escritor profundamente influenciado por C. S. Lewis. Desse modo, consegue transpor para suas canções a beleza de letras que acompanham linhas melódicas envolventes. O CD "The Far Country" é um trabalho conceitual sobre o céu - belíssimo!
4. Palavrantiga
Palavrantiga me lembra da consistência de Peterson. Pensam, compõem e cantam sob a influência kuyperiana/rookmakeriana e fazem um "hope rock" agradável e significativo. É uma das bandas que me dão esperança no meio cristão. "Rookmaaker" é um dos hits que talvez você já conheça!
5. Sovereign Grace Music
Eis o que todo grupo de louvor deveria ouvir e aprender. SGM é a equilibrada junção de música envolvente, bela, verdadeira, e cautelosa em sua teologia. A equipe de louvor canta salmos, orações puritanas, e temas teológicos com criatividade e excelência, com um som bastante autêntico - sem cair nas fórmulas dos grupos de louvor de sucesso. Recomendo o CD "Risen".
6. Sojourn
Descobri o Sojourn logo após o Sovereign Grace, por indicação de meu primo. Seguem um princípio em comum - boa teologia e criatividade. Sojourn soa mais como banda, sem foco em músicas congregacionais, mas o modo como envolve os elementos eletrônicos em suas canções é algo impressionante. Vale a pena conhecer! A música "How Long", do álbum "Over the grave" é demais!
7. John Mayer
John Mayer me trouxe alegria musical logo no início do ano. Eu buscava algo interessante, e o seu DVD "Where the light is" apareceu na hora certa. Sua levada como instrumentista é boa demais, e ele transita muito bem entre o pop e o blues.
8. Johnny Lang
Junto com Mayer, Lang me fez reencontrar a beleza do blues. "Lie to me" deixou as melhores impressões sobre este cantor/instrumentista. Sua voz "rasgada" encaixa perfeitamente no som.
9. Wanda Sá
Não conhecia esta cantora cristã que faz um maravilhoso som. Com a suavidade da bossa, e uma grande voz, ela passeia entre canções com propriedade e sutileza. Sua releitura de "Ame ao Senhor" me derrubou.
10. Tanlan
Tive a oportunidade de conhecer os caras do Tanlan aqui em SanLu. Seu som é agradável, e sua visão cristã é consistente. Fogem dos clichês, e isso me agrada bastante. Foram mencionados como produto dessa "nova safra" de música cristã, que, com Palavrantiga, Eduardo Mano, etc., traz um som mais apurado, e um conteúdo mais pensante.
11. Thalles
Thalles é um pentecostal ou neo, que tem uma bela voz. Discordo de elementos de sua teologia, mas ao ouvir suas canções não posso deixar de apreciar a sonoridade. Seu cd "Na casa do Pai" é muito bem produzido.
12. Dr. Sin
Voltei a ouvir Dr. Sin recentemente. Não se assustem com o nome. A banda conta com o famoso guitarrista Eduardo Ardanuy, e no seu som pesado traz harmonia e boas levadas de baixo e guitarra. "Sometimes" é demais.
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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
BJC: 6 anos
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| aos 6. |
Não sei quantos paralelos são possíveis entre a minha história e a do BJC, e também não pretendo alegorizar demais. Mas gosto de notar que ambos comemoramos 6 anos envolvidos nas letras, ambos tivemos alguma participação cultural, e ambos estamos ligados à teologia. Eu poderia ter esses itens, mas não manifestá-los no blog. Como é bom ver que as coisas caminham junto! Afinal, A Bíblia, o Jornal e a Caneta, podem, assim, ser percebidas como itens de minha existência, e não apenas um elemento fictício para posar na internet.
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| Meu discurso como orador na formatura do ABC, escrito por minha mãe, Iris Porto. |
Isso significa que, se houve crescimento, não é exclusivamente fruto de meu trabalho, ou mesmo da qualidade dos textos aqui postados, mas também da parceria de irmãos que pensam junto algumas questões, e, acima de tudo, da graça de Deus, que ainda traz pessoas aqui para ler desabafos, reflexões, e provocações.
Já mencionei que o nome do blog surgiu quando eu ainda nem compreendia bem o significado dessa relação. Mas uma criança de 6 anos já consegue fazer conexões, e mais do que nunca tenho buscado uma postura autoconsciente no BJC: tratar do link entre a Bíblia e a cultura, e manifestar a realidade da existência de Deus e a veracidade de Sua Palavra para o homem do nosso tempo.
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| Relatos de minha infância |
Desejo que o BJC manifeste esse sacerdócio, e que venham mais aniversários, para que, com eles, o blog creça em maturidade e graça, para a glória de Deus!
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Jovens espirituais
Sentei com alguns jovens no último fim de semana para conversar sobre o tema “atuação jovem: juventude e espiritualidade". Sou crítico das noções contemporâneas de “juventude”, e de “espiritualidade”, como é possível perceber de posts anteriormente publicados aqui.
A idéia atual de juventude é excêntrica. “O mundo é dos jovens”, dizem. Verdade? De fato, o mercado se voltou para “a juventude” como o público por excelência. De algum modo são os jovens que determinam a pauta cultural – cinema, televisão, música, roupas, e expressões religiosas são remodeladas para alcançar essa faixa etária. Os “crentes” não ficam de fora – o formato de muitas, se não da maioria, das igrejas evangélicas é voltado para agradar ao público jovem. Músicas "pulsantes”, luz e efeitos visuais, estilo de pregação, e tudo o mais são dotados daquele estilo afetado de quem deseja ser ou parecer jovem a qualquer custo. Já falei sobre como é ridículo ver pessoas de 50 anos ou mais tentando se portar como se estivessem na casa dos 20, ou afirmando histericamente que possuem “espírito jovem”.
O outro tema problemático é a noção de espiritualidade. O termo é tão abrangente que se faz comum fora da igreja cristã. Mais e mais as celebridades falam de sua “espiritualidade” - normalmente uma mistura da prática de ioga, com algum cristal na mesa de centro da sala, e talvez o uso de roupas brancas a cada virada de ano. Os mais intensos se dedicam às práticas neopagãs do esoterismo, ou adentram o espiritismo. E por último vêm os frequentadores esporádicos de missas e cultos. São espirituais, mesmo que não saibam definir propriamente o termo.
O problema cultural é que o termo espiritualidade hoje se refere a um tipo de expressão subjetiva que forneça um sentimento de elevação do espírito, independentemente de um conteúdo de fé. Na cultura contemporânea, ser espiritual é sentir-se bem, sem credos ou doutrinas.
| A sabedoria jovem |
Os “espirituais” do nosso tempo são inimigos do que é formal – da religião institucional. Aqui jaz mais um problema. Jesus deixou uma igreja, que se reunia regularmente nas casas e no templo. Uma igreja que possuía hierarquia – apóstolos, evangelistas, pastores-mestres. Uma igreja que tinha orações formais, como a do Pai nosso. Uma comunidade que repetia continuamente os sacramentos do batismo e da ceia. Um corpo de pessoas que possuíam liturgia definida e ordenada pelos apóstolos, composta de orações, confissão de pecados, leitura da Bíblia, pregação, e sacramentos. Uma igreja que perseverava na doutrina dos apóstolos.
| Pra quê estudar a Bíblia se eu posso apenas viver bem com o vizinho? |
Finalmente, o outro lado da moeda é uma espiritualidade provida de formas espetaculares. Espiritualidade, especialmente nas comunidades carismáticas, pentecostais e neopentecostais é medida em termos de “ação poderosa do Espírito Santo” por meio de dons: línguas, visões, sonhos, profecias, milagres, curas, expulsões de demônios, e fenômenos semelhantes.
Nesse aspecto, a espiritualidade é retirada do contexto comum da vida, e colocada em um patamar de excentricidade, por meio da qual só há elevação espiritual em momentos pontuais de fenômenos impressionantes. São deixados de lado os elementos comuns e ordinários da vida, de modo que a busca por espiritualidade se transforma na busca pela capacidade de realizar tais feitos, não importa o custo.
Novamente, creio que o ensino bíblico se distancia de tal perspectiva. O crente espiritual não é o que mais realiza fenômenos espetaculares, mas o que vive no dia a dia submetido aos conteúdos da fé cristã – a Palavra de Deus. É aquele que simplesmente cresce aos poucos em suas lutas com pensamentos impuros e a pornografia. Ou a mulher que vence gradualmente suas lutas contra os impulsos de fofoca e insubmissão. É o pastor que cresce em humildade diante da igreja, e não exerce seu ministério como forma de manipulação, mas de serviço. São os maridos que crescem em compreender a aliança feita com sua esposa sob o Senhor, e se comprometem a honrar a aliança e amá-la sacrificialmente. São os desconhecidos que crescem em falar a verdade em amor, em amar a Bíblia e praticá-la, em educar seus filhos no temor do Senhor, em trabalhar diligente e honestamente, tudo para a glória de Deus.
Deste modo, percebemos que uma conversa sobre juventude e espiritualidade hoje precisa passar por uma compreensão da cultura quanto a estes itens, para desafiar os pressupostos do nosso tempo, dentro e fora da igreja, a partir da Bíblia. Precisa passar, também, pela compreensão da obra completa de Jesus na cruz e os seus desdobramentos para a vida do cristão hoje. Só é espiritual quem crê em Jesus – o conteúdo da fé cristã. Toda a nossa “vida espiritual” brota da cruz. Nosso crescimento não é forjado por nosso esforço, mas pela graça de Deus. Finalmente, compreendendo a cultura e a obra completa de Jesus, existe uma resposta existencial necessária – eu me aplicarei a viver conforme os mandamentos do Senhor, não por minhas forças, mas pela fé em Jesus, e pela graça dele. Eu me comprometo a, assim como entreguei a minha vida e fui tomado pelo meu Senhor, manifestar concretamente o senhorio de Jesus sobre todas as áreas de minha vida. Enfrentarei dificuldades nesta caminhada, e sei que, por causa do meu pecado, não conseguirei fazer isso plenamente neste tempo, mas sigo com esperança no evangelho, confiando nas promessas de Deus, e na graça que me é dada.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Notas sobre liderança
Cada vez tenho mais o feeling de que não é papel do líder projetar a "visão" ou o que o valha. Cabe a ele indicar a direção, e isto basta.
• • •

Tenho visto líderes cristãos que projetam uma visão e buscam alcançá-la a despeito das pessoas de sua igreja. Ora, qualquer "visão" para a igreja que desconsidere o "material" de que ela é feita - pessoas - não é senão um instrumento de sua destruição, e assim, mais uma "visão" demoníaca do que obra de Deus.
• • •
Nada contra líderes buscarem ferramentas técnicas a fim de aprimorar suas habilidades de gerenciamento, comunicação, planejamento, etc; mas, por óbvio que pareça a coisa tem que ser dita: a ferramenta fundamental do líder é a Sagrada Escritura e a teologia que dela brota. Por ser uma obra essencialmente do Espírito Santo, a liderança bíblica perdoa falhas técnicas e o uso de terminologia não-especializada; perdoa as dificuldades de gerenciamento e o fato de não se usar planilhas ou algo do tipo; mas a perspectiva saudável sobre um líder não perdoa a falta de conhecimento e vida conforme as Escrituras. Por isso, se em algum momento for necessário optar por uma das coisas - e eu espero que esse momento não chegue em sua vida - escolha a Escritura e a Teologia sem titubear.
Um ótimo técnico sem a Palavra lidera pessoas, na melhor das hipóteses ao nada, e na pior, ao inferno.
Um técnico não tão bom, mas cheio da Palavra, lidera pessoas segundo a sabedoria do alto.
• • •
Também acho que ignorar ferramentas úteis de operacionalização do trabalho é bobagem. E vejo que os reformados fazem isso em nome de preservar "boa teologia", como se esta fosse ameaçada por aquela. E isso me incomoda um pouco, pois vejo eventos como o Global Leadership Summit, organizado por Bill Hybels e Willow Creek, que vende sob o título de "liderança" materiais como o de T.D. Jakes, que tem causado alguma controvérsias por seu credo e suas declarações com relação à doutrina da Trindade, e o das "pastoras" e "reverendas" que por lá passam.
Não me entendam mal, não sou de todo contra o evento. Pessoas boas já passaram por lá, como Tim Keller. Provavelmente há alguma palestra boa no evento deste ano. Mas se trata de auto-sabotagem (com a licença do novo acordo ortográfico) deixar de lado as lições mais essenciais sobre liderança (no caso de um pastor, fidelidade à Escritura - a doutrina da Trindade é uma das questões fundamentais para se definir um cristão; e no caso de uma "pastora" ou "reverenda", ignora-se ou se viola diretamente o ensino bíblico a respeito dos papéis na igreja). Como um evento pretende falar sobre liderança se não demonstra conhecer ou respeitar o "abc" dela?
• • •
Ao mesmo tempo, tenho muita esperança nos líderes que Deus levanta. Isto se dá, basicamente, porque a esperança está em Deus, e assim se desdobra sobre os Seus chamados. Deus continua a pastorear a Sua igreja, e a capacitar pessoas com poder do alto para servir a igreja. A promessa e os desdobramentos do evangelho nos alimentam de fôlego e ânimo para encontrar gente comum, com dificuldades e lutas, mas sendo talhada e trabalhada para conduzir pessoas.
• • •
Tudo isso me fala sobre o realismo bíblico. Não há utopias sobre "líderes perfeitos", e nem cinismo do tipo "acabou a liderança". Há pessoas reais, em um mundo real, afetado pela queda, mas também pela redenção.
• • •
Tenho visto líderes cristãos que projetam uma visão e buscam alcançá-la a despeito das pessoas de sua igreja. Ora, qualquer "visão" para a igreja que desconsidere o "material" de que ela é feita - pessoas - não é senão um instrumento de sua destruição, e assim, mais uma "visão" demoníaca do que obra de Deus.
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Nada contra líderes buscarem ferramentas técnicas a fim de aprimorar suas habilidades de gerenciamento, comunicação, planejamento, etc; mas, por óbvio que pareça a coisa tem que ser dita: a ferramenta fundamental do líder é a Sagrada Escritura e a teologia que dela brota. Por ser uma obra essencialmente do Espírito Santo, a liderança bíblica perdoa falhas técnicas e o uso de terminologia não-especializada; perdoa as dificuldades de gerenciamento e o fato de não se usar planilhas ou algo do tipo; mas a perspectiva saudável sobre um líder não perdoa a falta de conhecimento e vida conforme as Escrituras. Por isso, se em algum momento for necessário optar por uma das coisas - e eu espero que esse momento não chegue em sua vida - escolha a Escritura e a Teologia sem titubear.
Um ótimo técnico sem a Palavra lidera pessoas, na melhor das hipóteses ao nada, e na pior, ao inferno.
Um técnico não tão bom, mas cheio da Palavra, lidera pessoas segundo a sabedoria do alto.
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Também acho que ignorar ferramentas úteis de operacionalização do trabalho é bobagem. E vejo que os reformados fazem isso em nome de preservar "boa teologia", como se esta fosse ameaçada por aquela. E isso me incomoda um pouco, pois vejo eventos como o Global Leadership Summit, organizado por Bill Hybels e Willow Creek, que vende sob o título de "liderança" materiais como o de T.D. Jakes, que tem causado alguma controvérsias por seu credo e suas declarações com relação à doutrina da Trindade, e o das "pastoras" e "reverendas" que por lá passam.
Não me entendam mal, não sou de todo contra o evento. Pessoas boas já passaram por lá, como Tim Keller. Provavelmente há alguma palestra boa no evento deste ano. Mas se trata de auto-sabotagem (com a licença do novo acordo ortográfico) deixar de lado as lições mais essenciais sobre liderança (no caso de um pastor, fidelidade à Escritura - a doutrina da Trindade é uma das questões fundamentais para se definir um cristão; e no caso de uma "pastora" ou "reverenda", ignora-se ou se viola diretamente o ensino bíblico a respeito dos papéis na igreja). Como um evento pretende falar sobre liderança se não demonstra conhecer ou respeitar o "abc" dela?
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Ao mesmo tempo, tenho muita esperança nos líderes que Deus levanta. Isto se dá, basicamente, porque a esperança está em Deus, e assim se desdobra sobre os Seus chamados. Deus continua a pastorear a Sua igreja, e a capacitar pessoas com poder do alto para servir a igreja. A promessa e os desdobramentos do evangelho nos alimentam de fôlego e ânimo para encontrar gente comum, com dificuldades e lutas, mas sendo talhada e trabalhada para conduzir pessoas.
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Tudo isso me fala sobre o realismo bíblico. Não há utopias sobre "líderes perfeitos", e nem cinismo do tipo "acabou a liderança". Há pessoas reais, em um mundo real, afetado pela queda, mas também pela redenção.
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Beleza, unidade e sentido
Em 1979, Francis Schaeffer e Colin Duriez trocaram correspondências a respeito da doença do fundador de L'Abri. Em 1984 ele faleceria, como resultado do câncer. Mas na carta escrita por Schaeffer naquele período havia uma belíssima declaração:
Como é bom ter uma teologia na qual não há tensão entre usar a melhor medicina possível e olhar diretamente para o Senhor, buscando a resposta das orações. (Duriez, Francis Schaeffer: an authentic life, p.196 - kindle edition)
Isso poderia abrir uma interessante discussão sobre medicina, fé e oração, mas pretendo apontar a direção que, eu creio, Schaeffer pretendia enfatizar. No pensamento cristão consistente, não há dicotomias ou uma separação entre o campo da "graça" e o da "natureza" - uma distinção entre as coisas comuns da vida e as coisas "espirituais".
Os desdobramentos deste ponto são imensos. Schaeffer demonstrou como ele poderia buscar o melhor da medicina e se voltar a Deus em oração simultaneamente, sem crise de que um "devorasse" o outro, por não haver contradição. Do mesmo modo um cristão pode pedir a Deus pela provisão, e trabalhar duramente, compreendendo a unidade entre as duas coisas. Alguém pode (e deve!) ler a Bíblia sem considerar este um momento distante do resto da vida; pelo contrário, como o salmista, toda a experiência da vida no dia a dia passa a ser um exercício de interpretação e aplicação bíblica.
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| Luiz Rosa no palco. O centro histórico em flor. |
Foi realizado em São Luís o 3º festival internacional de contrabaixo, com grandes nomes do instrumento, como o maranhense Mauro Sérgio, o divulgador da coisa no Brasil inteiro - Celso Pixinga, e os norte-americanos Jim e Grant Stinnett (Jim é professor da Berklee - conceituada faculdade de música em Boston), Todd Johnson, e Shane Alessio, além do baterista e jazzista Dom Moio.
Se você parte de uma visão fragmentada da realidade, o festival poderia despertar algumas posturas:
1. Não é algo "espiritual", portanto não irei
2. Não é algo "espiritual", mas é algo "comum", então irei e aproveitarei como algo separado do reino da graça
3. É "espiritual"! Deus está ali falando e se revelando a partir da cultura - o abalo existencial provocado pela música é a Revelação de Deus
As duas primeiras colocam o show no reino da 'natureza', com respostas diferentes. Por ser algo "comum" (não-espiritual), a primeira resposta considera algo desprezível, ou age com indiferença. Há muitos que vivem de modo empobrecido, por não desenvolverem interesse pela criação de Deus em sua variedade. A beleza das artes, a criatividade humana, as profissões e vocações, são todas diminuídas em sua importância pela preferência das coisas "espirituais" - talvez oração e leitura da Bíblia. O cristão nessa perspectiva tem pouca liberdade de vida. É escravo da "vida espiritual", e assim vive sem prazer durante toda a semana, até que chegue o domingo, ou então cria atividades eclesiásticas todos os dias para justificar a sua existência. Essas são as pessoas conhecidas como fanáticos, ou limitados em suas conversas (monotemáticas). Pessoas que, mesmo valorizando as disciplinas espirituais, definiram o escopo de aplicação das Escrituras e limitaram a experiência de adoração na vida. No esforço de tanto glorificar ao Senhor, o fazem menos do que deveriam.
A segunda resposta tenta encontrar o prazer através do "salto". O festival de baixo continua sendo não-espiritual, mas será desfrutado dentro do seu campo secular. Afinal, as coisas de Deus são aproveitadas aos domingos, e as coisas seculares regulam o resto da vida. Esse tipo de cristão pode ser mais versado e articulado no resto das expressões culturais; pode valorizar as artes e as profissões; pode ter a ciência e a filosofia em grande estima, mas tudo às custas da exclusão da Palavra de Deus. Ele busca o valor de cada elemento separado de Deus, e assim também empobrece a sua experiência de vida. Tem um universo de particulares desconectados e sem sentido último. O festival de baixo não tem propósito último e não está ligado ao todo da vida, é apenas mais uma oportunidade solta de satisfação.
O terceiro a responder se aproxima de uma perspectiva Tillichiana (de Paul Tillich e sua teologia da cultura). Ele ainda pensa de modo fragmentado, mas agora eleva a arte ao patamar de cima - o reino do sagrado, ou da graça. Na medida em que as artes o tocam profundamente, e que o seu espírito é alimentado pela beleza dos sons e cores, ele atribui a isto o mesmo peso da Revelação Divina, considerando tal "abalo existencial" como Palavra de Deus. O resultado disso é uma grande abertura cultural, mas a perda da autoridade bíblica, que foi nivelada a qualquer experiência significante. A voz de Deus nas Escrituras é abafada e perdida em meio à adoração das artes e expressões culturais. O cristão passa a ser alguém confuso, direcionado pela estética e sem conteúdos reais de fé.
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| Jim Stinnett, Shane Alessio, Dom Moio e Todd Johnson |
Eu experimentei um pouco disso. Pude ouvir um grande som, e alimentar não apenas os ouvidos, mas os olhos com a paisagem do centro histórico de São Luís, em uma experiência de beleza tocante. A presença de amigos e de minha esposa tornaram a coisa ainda mais prazerosa e significante, e lá eu via e sentia gratidão a Deus: a vida em sua plenitude é experimentada quando Jesus é o ponto de referência e unificação. Tudo fazia sentido.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Salmo 8 em 8 minutos
Saí com o diretor de arte, fotógrafo, cantor e ator, Halei Rembrandt (adoro esse sobrenome) para pensar e gravar uns trechos relacionados ao DVD das palestras sobre cosmovisão, ministradas no VI Encontro da Fé Reformada em São Luís, Maranhão.
No meio de tudo, ele tem um insight - que tal fazer um vídeo apresentando o evangelho em uma linguagem mais "comum" e utilizando elementos da paisagem que nos cerca?
Topei o desafio. Estava com o Sl.8 pulsando no coração, por causa de uma série de estudos ministrada na Igreja Presbiteriana do Araçagy.
Deu nisso:
No meio de tudo, ele tem um insight - que tal fazer um vídeo apresentando o evangelho em uma linguagem mais "comum" e utilizando elementos da paisagem que nos cerca?
Topei o desafio. Estava com o Sl.8 pulsando no coração, por causa de uma série de estudos ministrada na Igreja Presbiteriana do Araçagy.
Deu nisso:
sexta-feira, 22 de julho de 2011
A igreja e a corrupção no Brasil
Debate no programa "Na roda dos esclarecedores" sobre a participação da igreja na corrupção política nacional.
Ouça online, ou baixe aqui.
Ouça online, ou baixe aqui.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
De quem se deve afastar?
Debate no programa "Na roda dos esclarecedores", sobre a prática de se afastar de algumas pessoas, conforme a orientação do apóstolo Paulo em 1Co.5.
Ouça online, ou clique aqui para baixar.
Ouça online, ou clique aqui para baixar.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
A tática da distração
Quando eu era criança, havia uma técnica para pregar peças nos amigos de escola. A coisa caminhava mais ou menos assim:
A (apontando): O que é aquilo lá em cima?
B (procurando curiosamente): O quê?
A (rapidamente): Isso aqui! (dá-lhe um tapa na orelha).
A abordagem tem variações. Havia quem fizesse o truque para fugir. Logo que o interlocutor ficasse distraído, voava como o Lula fugindo da gramática.
Havia quem desejava tomar algo do desatento. Novamente, usava a tática, e enquanto o amigo viajava na busca do elemento inexistente, o espertalhão "tascava" a mão no pacote de salgadinhos, como um Palocci à procura de consultorias rentáveis.
E eis que hoje eu me vejo como o garoto desatento, sendo zombado pela malícia estratégica. Eu e a sociedade como um todo.
Enquanto todos discutiam sobre que novela exibiria o beijo gay na televisão brasileira - procurando um objeto imaginário e não identificado claramente - vem o Jornal Nacional e, no meio de uma "singela matéria", lança o beijo em suas duas versões (feminina e masculina).
Então a coisa fica assim: você não sabe mais se está sendo informado, ou apenas enrolado. Ao assistir jornal, você pode simplesmente estar levando um tapa na orelha.
• • •
E qual o problema de um beijo gay na televisão brasileira? - alguém perguntará. O simples fato de haver discussão sobre quem terá tal ousadia, com acompanhamento da sociedade, indica que a coisa não é tão simples assim.
Mais do que isso: quem faz a pergunta acima ou está mal intencionado, ou perdeu completamente o ponto. Não se trata de um beijo, mas do projeto por trás dele. O caminho para agendar a sociedade para a "causa gay" é tornar a sua prática tão midiática quanto possível, para que passe da estranheza à banalização, e da normalidade ao elogio.
A (apontando): O que é aquilo lá em cima?
B (procurando curiosamente): O quê?
A (rapidamente): Isso aqui! (dá-lhe um tapa na orelha).
A abordagem tem variações. Havia quem fizesse o truque para fugir. Logo que o interlocutor ficasse distraído, voava como o Lula fugindo da gramática.
Havia quem desejava tomar algo do desatento. Novamente, usava a tática, e enquanto o amigo viajava na busca do elemento inexistente, o espertalhão "tascava" a mão no pacote de salgadinhos, como um Palocci à procura de consultorias rentáveis.
E eis que hoje eu me vejo como o garoto desatento, sendo zombado pela malícia estratégica. Eu e a sociedade como um todo.
Enquanto todos discutiam sobre que novela exibiria o beijo gay na televisão brasileira - procurando um objeto imaginário e não identificado claramente - vem o Jornal Nacional e, no meio de uma "singela matéria", lança o beijo em suas duas versões (feminina e masculina).
Então a coisa fica assim: você não sabe mais se está sendo informado, ou apenas enrolado. Ao assistir jornal, você pode simplesmente estar levando um tapa na orelha.
• • •
E qual o problema de um beijo gay na televisão brasileira? - alguém perguntará. O simples fato de haver discussão sobre quem terá tal ousadia, com acompanhamento da sociedade, indica que a coisa não é tão simples assim.
Mais do que isso: quem faz a pergunta acima ou está mal intencionado, ou perdeu completamente o ponto. Não se trata de um beijo, mas do projeto por trás dele. O caminho para agendar a sociedade para a "causa gay" é tornar a sua prática tão midiática quanto possível, para que passe da estranheza à banalização, e da normalidade ao elogio.
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Eu não aceito os seus termos!
O site do UOL está cobrindo os preparativos para a 15ª parada do "orgulho" gay. Você sabe a razão das aspas. Nas Escrituras o homossexualismo é pecado. Sendo assim, não há do que se orgulhar em sua prática. Mas voltemos.
Em sua cobertura, o UOL lançou enquete relacionada ao PLC 122/06. A pergunta vai assim:
E as opções são:
Dada a situação presente, a minha primeira recomendação é que você vá lá e vote na opção "sou contra", e depois volte aqui para pensarmos um pouco sobre essa enquete. Recomendo isso porque as questões precisam ser pensadas dentro de suas dimensões concretas de apresentação.
A maldição entre os liberais clássicos está no fato de que tendem a pensar abstratamente, esquecendo-se das condições históricas que determinam a aplicabilidade de seus princípios. Um exemplo: os liberais tendem a ser favoráreis à liberação das drogas - afinal de contas, o Estado não deve intervir na vida dos indivíduos. Pois bem, o pensamento é bonito. Mas na realidade concreta do Brasil, como nos mostra o professor Olavo de Carvalho, liberar as drogas é entregar o controle do Brasil a quem já domina o mercado - os narcoguerrilheiros das FARC, por exemplo. Assim, seria uma tragédia estratégica liberar as drogas em nome do "Estado mínimo", para promover um crescimento ainda maior do socialismo real e das forças que desejam implantá-lo violentamente.
Outra tragédia se deu ainda essa semana com o STF. Pensando apenas abstratamente, os doutos ministros se esqueceram de avaliar a manifestação concreta do que estavam tratando ao pensar sobre a "marcha da maconha". Resultado: permitiram as passeatas em favor da liberação da droga. A distinção abstrata entre liberdade de expressão e apologia do crime é dissolvida nos casos concretos das marchas, que partem do pressuposto de que a maconha é boa e deveria ser usada por quem deseja - isso em si já é uma apologia do crime.
Descrita a tragédia do pensamento brasileiro nesses itens, há a enquete do UOL. Precisamos fazer várias críticas abstratas ao que ali está disposto, mas concretamente, precisamos votar na opção "sou contra", para demarcar uma posição pública que rejeita a agenda dos ativistas homossexuais. Então, peço novamente, vá lá e vote.
Já votou? Então prossigamos:
A enquete do UOL é uma grande pegadinha, que tenta passar sutilmente alguns pressupostos "por baixo dos panos". Mesmo quem vota na segunda opção - a que recomendei - pode ser enganado pelos termos da discussão.
Que termos são problemáticos ali?
Primeiramente existe a pressuposição de uma "homofobia" existente. Já critiquei e passarei a minha vida criticando este termo, carregado de ideologia e sem aptidão para descrever a realidade. Em vários sentidos o termo é impreciso, a começar pela etimologia (não se trata de fobia ou medo de iguais). Mais do que isso, admitir a expressão "homofobia" é receber toda a carga ideológica que vem no pacote. É aderir subliminarmente à agenda e às definições dos ativistas LGBTT. É considerar a sua descrição da realidade como verdadeira, e tentar refutá-la na base deles.
Discordo absolutamente da descrição proposta pelos ativistas homossexuais. A sua apologética gira em torno dos dados oferecidos pelo grupo gay da Bahia, que contabilizou algo em torno de 250 mortes de homossexuais em 2010. Número grande? Se observarmos o contexto geral, não.
1 Comparado com os 50.000 homicídios realizados no Brasil, é impossível falar dos homossexuais como um grupo perseguido. Se a categoria for essa, os heterossexuais são muito mais perseguidos, pois o número de suas mortes é incomparavelmente maior.
2 O número é jogado indiscriminadamente. Deve-se retirar desse número os homossexuais que mataram outros homossexuais (seriam homossexuais homofóbicos?), e os homicídios que foram realizados em razão de outros fatores que não do homossexualismo (roubo, balas perdidas, acidentes, etc.).
Pensando assim, percebemos que o termo "homofobia" vem carregado de uma interpretação falseada da realidade. Não nego que exista preconceito e maus tratos a homossexuais, e como cristão, rejeito e considero pecaminosa qualquer conduta que não considere a imagem e semelhança de Deus no homem, bem como o seu valor intrínseco daí decorrente. Mas do respeito bíblico pelo ser humano a compartilhar a visão proposta pelos ativistas gays existe uma grande distância. Rejeito, portanto, o termo mais básico da enquete do UOL.
Após isso, a primeira resposta vem cheia de pressupostos invasivos, que pretendem ser empurrados goela abaixo do leitor. As categorias utilizadas ali são "direitos", "discriminação", e "orientação sexual".
A utilização dos termos "direito"e "discriminação" em conjunto enganam o leitor desatento. Elas interpretam qualquer ação contrária à agenda homossexual como "discriminatória" em um sentido perverso. Ao que eu digo: não! Nem toda ação contrária ao homossexualismo é maldosa, e muitas delas são denúncias e confrontações baseadas no amor cristão - apontam para o pecado em busca de arrependimento e transformação de vida. Utilizar a categoria dos direitos nesse ponto é cair na bobagem brasileira de querer uma lei para cada coisa, sem perceber que cada direito promove uma obrigação. Não precisamos pensar em termos de "é meu direito fazer isso ou aquilo", mas apelar a categorias mais básicas de bom senso. Obviamente, só existe bom senso (categoria ética) a partir da única metafísica possível, a existência de Deus, e da única epistemologia possível, a Sua revelação na Bíblia. Mas, se se quer utilizar tal categoria, eu digo: sim, eu tenho o direito de me opor à uma agenda que se opõe ao Deus eterno. Sim, eu tenho (não apenas) o direito (,mas a obrigação) de considerar o pecado como pecado, e o pecador como pecador (alguém que está praticando um erro contra Deus). Deste modo, em um sentido existe direito e discriminação, mas em outro esses termos são apenas estratégias para rotular desonestamente qualquer prática contrária ao projeto gay. Rejeito esses termos da enquete do UOL.
A expressão "orientação sexual" também empurra falsos pressupostos sobre nós. O Pr. Albert Mohler já denunciou a estratégia, e Lívia Pinheiro confessa no site oficial do PLC 122: "Falamos de orientação, e não de opção, porque não é algo que possamos mudar de acordo com nosso desejo". Eis que aparece a armadilha: ao aceitar o termo "orientação sexual", você passa a pensar o homossexualismo como os ativistas o apresentam - algo que não pode ser mudado pelo homem.
Por um lado, nenhum pecado pode ser abandonado exclusivamente com base no esforço humano. É a graça de Deus que transforma o pecador. Mas isso não significa que o homem não se dedique e discipline ao abandono do erro.
"Orientação sexual" é um engodo, uma estratégia para que, quanto mais pensarmos o homossexualismo em termos de uma condição irreversível, mais nos acomodemos com a sua realidade e concedamos espaço para que tal prática não seja apenas reconhecida, mas finalmente exaltada.
Se você é cristão, parte de seu papel na sociedade é denunciar os pecados, apresentar Jesus e o evangelho, e reivindicar que os pecadores creiam em Cristo e abandonem os seus erros. Por isso, é fundamental que a categoria "orientação sexual" seja expurgada do nosso linguajar e da nossa forma de pensar. Falamos, de fato, em opção, em comportamento, em escolha - ato da vontade pecaminosa do homem. É na brecha da "orientação sexual" que se tenta (e tentará ainda mais) empurrar algum tipo de determinação biológica para a conduta homossexual. A Bíblia apresenta tal prática como pecado e ato da vontade humana, portanto a trataremos desta maneira. Rejeito mais este termo da enquete do UOL.
Na resposta seguinte - a que eu recomendei acima - a questão central não passa nem perto de ser mencionada. O apelo exclusivo ali está para a "liberdade de pensamento", o que pode ser interessante em alguma medida (por isso pedi que votassem nela, já que é a única opção contra o PLC 122), mas perde força por apelar para a autonomia humana. Explico:
O fundamento de nossa rejeição ao PLC 122/06, em última análise, não é o direito à liberdade de expressão ou pensamento. Este direito é importante, certamente, mas há algo mais básico na equação. Não reivindicamos apenas a liberdade para pensar e manifestar a nossa opinião, mas reivindicamos o senhorio de Jesus sobre todas as esferas da vida, determinando inclusive a nossa conduta, pensamento, e fala.
Eu rejeito o PLC 122 não apenas por ele tentar calar a minha boca, mas por perceber que ele tenta calar a minha boca enquanto servo de Jesus. Como eu não sou o ponto de referência final da realidade, posso até permitir que minha boca seja calada em algumas ocasiões, mas jamais poderei me acomodar diante de qualquer um que desejar investir contra Deus e Sua Palavra.
Eu espero estar sendo claro aqui: obedecer a Deus e falar aquilo que Ele ordena é uma causa muito maior e mais importante do que ter a liberdade de expressão, porque esta última afeta apenas a mim, enquanto a primeira está relacionada ao Senhor de toda a Terra. Desta forma, mesmo na resposta negativa, eu rejeito os termos da enquete do UOL, por ser incompleta, e não trabalhar com o fundamento mais importante da minha inconformidade com o PLC 122.
Quanto à última resposta - "estou em dúvida ou não sei" -, bom... não tenho nada a rejeitar. =)
O meu ponto é: mesmo nas enquetes "ingênuas" que buscam averiguar a postura do brasileiro diante destas questões, existem pressupostos sendo empurrados sobre o povo, que pouco a pouco transformarão a mentalidade comum até chegar ao nível de acomodação, e valorização do homossexualismo.
Não sou "homofóbico", "direitos" e "discriminação" não estão na jogada, não se trata de "orientação sexual" e não defendo apenas minha "liberdade de pensamento". Eu rejeito os termos dessa discussão.
• • •
Atualizado, após ser informado que a ordem das opções varia de acordo com o número de votos. Obrigado, Maya Felix!
Em sua cobertura, o UOL lançou enquete relacionada ao PLC 122/06. A pergunta vai assim:
O que você acha da criminalização da homofobia?
E as opções são:
• Sou a favor, afinal, ninguém tem direito de discriminar o outro pela orientação sexual
• Sou contra, pois fere a liberdade de pensamento
• Estou em dúvida ou não sei
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| Existe uma agenda sendo cumprida |
A maldição entre os liberais clássicos está no fato de que tendem a pensar abstratamente, esquecendo-se das condições históricas que determinam a aplicabilidade de seus princípios. Um exemplo: os liberais tendem a ser favoráreis à liberação das drogas - afinal de contas, o Estado não deve intervir na vida dos indivíduos. Pois bem, o pensamento é bonito. Mas na realidade concreta do Brasil, como nos mostra o professor Olavo de Carvalho, liberar as drogas é entregar o controle do Brasil a quem já domina o mercado - os narcoguerrilheiros das FARC, por exemplo. Assim, seria uma tragédia estratégica liberar as drogas em nome do "Estado mínimo", para promover um crescimento ainda maior do socialismo real e das forças que desejam implantá-lo violentamente.
Outra tragédia se deu ainda essa semana com o STF. Pensando apenas abstratamente, os doutos ministros se esqueceram de avaliar a manifestação concreta do que estavam tratando ao pensar sobre a "marcha da maconha". Resultado: permitiram as passeatas em favor da liberação da droga. A distinção abstrata entre liberdade de expressão e apologia do crime é dissolvida nos casos concretos das marchas, que partem do pressuposto de que a maconha é boa e deveria ser usada por quem deseja - isso em si já é uma apologia do crime.
Descrita a tragédia do pensamento brasileiro nesses itens, há a enquete do UOL. Precisamos fazer várias críticas abstratas ao que ali está disposto, mas concretamente, precisamos votar na opção "sou contra", para demarcar uma posição pública que rejeita a agenda dos ativistas homossexuais. Então, peço novamente, vá lá e vote.
Já votou? Então prossigamos:
A enquete do UOL é uma grande pegadinha, que tenta passar sutilmente alguns pressupostos "por baixo dos panos". Mesmo quem vota na segunda opção - a que recomendei - pode ser enganado pelos termos da discussão.
Que termos são problemáticos ali?
Primeiramente existe a pressuposição de uma "homofobia" existente. Já critiquei e passarei a minha vida criticando este termo, carregado de ideologia e sem aptidão para descrever a realidade. Em vários sentidos o termo é impreciso, a começar pela etimologia (não se trata de fobia ou medo de iguais). Mais do que isso, admitir a expressão "homofobia" é receber toda a carga ideológica que vem no pacote. É aderir subliminarmente à agenda e às definições dos ativistas LGBTT. É considerar a sua descrição da realidade como verdadeira, e tentar refutá-la na base deles.
Discordo absolutamente da descrição proposta pelos ativistas homossexuais. A sua apologética gira em torno dos dados oferecidos pelo grupo gay da Bahia, que contabilizou algo em torno de 250 mortes de homossexuais em 2010. Número grande? Se observarmos o contexto geral, não.
1 Comparado com os 50.000 homicídios realizados no Brasil, é impossível falar dos homossexuais como um grupo perseguido. Se a categoria for essa, os heterossexuais são muito mais perseguidos, pois o número de suas mortes é incomparavelmente maior.
2 O número é jogado indiscriminadamente. Deve-se retirar desse número os homossexuais que mataram outros homossexuais (seriam homossexuais homofóbicos?), e os homicídios que foram realizados em razão de outros fatores que não do homossexualismo (roubo, balas perdidas, acidentes, etc.).
Pensando assim, percebemos que o termo "homofobia" vem carregado de uma interpretação falseada da realidade. Não nego que exista preconceito e maus tratos a homossexuais, e como cristão, rejeito e considero pecaminosa qualquer conduta que não considere a imagem e semelhança de Deus no homem, bem como o seu valor intrínseco daí decorrente. Mas do respeito bíblico pelo ser humano a compartilhar a visão proposta pelos ativistas gays existe uma grande distância. Rejeito, portanto, o termo mais básico da enquete do UOL.
Após isso, a primeira resposta vem cheia de pressupostos invasivos, que pretendem ser empurrados goela abaixo do leitor. As categorias utilizadas ali são "direitos", "discriminação", e "orientação sexual".
| A mordaça intelectual vem antes |
A expressão "orientação sexual" também empurra falsos pressupostos sobre nós. O Pr. Albert Mohler já denunciou a estratégia, e Lívia Pinheiro confessa no site oficial do PLC 122: "Falamos de orientação, e não de opção, porque não é algo que possamos mudar de acordo com nosso desejo". Eis que aparece a armadilha: ao aceitar o termo "orientação sexual", você passa a pensar o homossexualismo como os ativistas o apresentam - algo que não pode ser mudado pelo homem.
Por um lado, nenhum pecado pode ser abandonado exclusivamente com base no esforço humano. É a graça de Deus que transforma o pecador. Mas isso não significa que o homem não se dedique e discipline ao abandono do erro.
"Orientação sexual" é um engodo, uma estratégia para que, quanto mais pensarmos o homossexualismo em termos de uma condição irreversível, mais nos acomodemos com a sua realidade e concedamos espaço para que tal prática não seja apenas reconhecida, mas finalmente exaltada.
Se você é cristão, parte de seu papel na sociedade é denunciar os pecados, apresentar Jesus e o evangelho, e reivindicar que os pecadores creiam em Cristo e abandonem os seus erros. Por isso, é fundamental que a categoria "orientação sexual" seja expurgada do nosso linguajar e da nossa forma de pensar. Falamos, de fato, em opção, em comportamento, em escolha - ato da vontade pecaminosa do homem. É na brecha da "orientação sexual" que se tenta (e tentará ainda mais) empurrar algum tipo de determinação biológica para a conduta homossexual. A Bíblia apresenta tal prática como pecado e ato da vontade humana, portanto a trataremos desta maneira. Rejeito mais este termo da enquete do UOL.
Na resposta seguinte - a que eu recomendei acima - a questão central não passa nem perto de ser mencionada. O apelo exclusivo ali está para a "liberdade de pensamento", o que pode ser interessante em alguma medida (por isso pedi que votassem nela, já que é a única opção contra o PLC 122), mas perde força por apelar para a autonomia humana. Explico:
O fundamento de nossa rejeição ao PLC 122/06, em última análise, não é o direito à liberdade de expressão ou pensamento. Este direito é importante, certamente, mas há algo mais básico na equação. Não reivindicamos apenas a liberdade para pensar e manifestar a nossa opinião, mas reivindicamos o senhorio de Jesus sobre todas as esferas da vida, determinando inclusive a nossa conduta, pensamento, e fala.
| O resultado final desta agenda será proibir o anúncio das verdades bíblicas |
Eu espero estar sendo claro aqui: obedecer a Deus e falar aquilo que Ele ordena é uma causa muito maior e mais importante do que ter a liberdade de expressão, porque esta última afeta apenas a mim, enquanto a primeira está relacionada ao Senhor de toda a Terra. Desta forma, mesmo na resposta negativa, eu rejeito os termos da enquete do UOL, por ser incompleta, e não trabalhar com o fundamento mais importante da minha inconformidade com o PLC 122.
Quanto à última resposta - "estou em dúvida ou não sei" -, bom... não tenho nada a rejeitar. =)
O meu ponto é: mesmo nas enquetes "ingênuas" que buscam averiguar a postura do brasileiro diante destas questões, existem pressupostos sendo empurrados sobre o povo, que pouco a pouco transformarão a mentalidade comum até chegar ao nível de acomodação, e valorização do homossexualismo.
Não sou "homofóbico", "direitos" e "discriminação" não estão na jogada, não se trata de "orientação sexual" e não defendo apenas minha "liberdade de pensamento". Eu rejeito os termos dessa discussão.
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Atualizado, após ser informado que a ordem das opções varia de acordo com o número de votos. Obrigado, Maya Felix!
quinta-feira, 26 de maio de 2011
A obtusidade evangélica
publicado originalmente no 5calvinistas
...with Kuyper I believe that unless we press the crown rights of our King in every realm we shall not long retain them in any realm. Cornelius Van Til
...com Kuyper eu acredito que a menos que imprimamos os direitos de coroa do nosso Rei em cada esfera, não mais manteremos tais direitos em qualquer esfera. CVT
Os acontecimentos recentes envolvendo rumos jurídicos, políticos e educacionais do Brasil - aprovação da união estável de homossexuais, discussões sobre o PLC 122/06 e a elaboração de um kit exaltando o homossexualismo a ser entregue para crianças na escola - provaram um ponto: os evangélicos são mestres em "entregar o ouro ao bandido". Por "evangélicos" aqui, pretendo ser o mais abrangente possível: reformados, pentecostais clássicos, neopentecostais, tradicionais... o raio! Em uma expressão de ecumenismo poucas vezes manifestada na história brasileira, os evangélicos dão as mãos para manifestar sua obtusidade.
Obviamente, há quem faça a diferença aqui e ali. Pela graça de Deus, algumas dessas manifestações até produzem resultados benéficos, como a recente vitória quanto à distribuição dos kits pró-homossexualismo para crianças. Provavelmente a vitória neste último item é estritamente a proibição da entrega de tais kits, pois a abordagem da bancada evangélica e os compromissos assumidos não honram o cristianismo.
| Os crentes: reivindicam o Brasil para Jesus em marchas, enquanto entregam o país a satanás no dia a dia |
Temos pecado. Ao entregar as esferas da vida a satanás - não digo intencionalmente, é apenas o que aconteceu em termos práticos - cavamos a cova na qual seríamos enterrados, criamos um cerco ao nosso redor, do qual precisamos nos livrar, mas não sabemos como. O que nos resta, agora, é retuitar mensagens de reclamação, postar alguma coisa em tom inconformado no facebook, e, talvez, fazer um abaixo assinado aqui ou ali - com pouca, ou nenhuma articulação consistente. Enquanto isso, o lobby gayzista ganha uma batalha após a outra, as estruturas de poder caminham para a iniquidade sem pensar duas vezes, a sociedade se acostuma com noções cada vez mais anticristãs, e a bancada evangélica no congresso mantém apenas o nome, sem pensar o Estado a partir da Bíblia e do evangelho.
O que causou e tem causado tal omissão? Por que deixamos de imprimir a marca dos direitos reais de Jesus sobre o todo da vida? Que forças nos têm levado à obtusidade? Penso que, em uma rápida listagem, pelo menos cinco itens precisam ser considerados.
1 A fraqueza bíblico-teológica da igreja
A nascente da irrelevância evangélica - embora o termo "relevância" seja muito querido em nossos arraiais - está em nosso modo de lidar com a Bíblia. Conquanto o discurso fale bem da Palavra de Deus, a prática revela desconhecimento e descaso para com o Livro Sagrado. Os pentecostais e neopentecostais diminuíram a autoridade da Escritura diante das experiências, e os reformados e tradicionais reduziram tal autoridade em face das tradições. A Bíblia passou a ser vista pelo povo evangélico como um livro de receitas, um manual pragmático para lidar com situações pontuais, normalmente relacionadas ao contexto específico da igreja, ou ao que chamamos de "vida espiritual".
Os resultados desta aproximação da Escritura são estudos fracos do texto, exegese pobre (quando há), hermenêuticas diversas sem objetivos fiéis, e o despreparo de várias gerações diante do todo da vida. Sabemos encontrar o livro e o versículo, mas não sabemos fazer a correlação entre o conteúdo bíblico e a integralidade de nossa experiência presente. A Bíblia nem mesmo continuou sendo percebida como a história da redenção promovida pelo Pai, por meio de Jesus, no poder do Espírito - as reuniões de pequenos grupos e estudos bíblicos hoje lêem o texto e perguntam: "o que isso significa para você?", desprezando a interpretação em termos do contexto redentivo.
A reflexão teológica foi deixada em segundo plano, como obra de pessoas frias e sem o Espírito, e com isso entregamos a nossa alfabetização teológica a seres despreparados (talvez com boa retórica, apenas). É fácil notar: muitas igrejas não possuem uma teologia do culto definida - e assim adotam o que aparecer como algo inovador ou "relevante" - , não possuem uma teologia da adoração definida - e assim transitam entre esquemas opostos de oração, cânticos, leitura e vida cristã -, não sabem o que é uma teologia da cultura - relacionando-se com o mundo e a vida na base de critérios moralistas, e por aí vai. Pergunte para o membro comum de sua igreja se ele sabe definir essas questões de acordo com o ensino ali apresentado - talvez tal ensino nem exista.
Sem estrutura bíblica e teológica, o povo evangélico vive à deriva, incapaz de articular qualquer coisa além de alguns "passos para a vitória" , ou algumas "leis espirituais".
| O símbolo da espiritualidade evangélica é sintomático: olhos fechados |
Caminhando a partir da base mal formada do pensamento evangélico nacional, seguimos para o edifício mal construído. O seu primeiro andar traz uma visão fragmentada da realidade: ela está dividida entre o espiritual e o natural, o sagrado e o secular, e o público e o privado.
Tais dualismos promovem uma interação conflituosa com a cultura (e o todo da vida). Valorizamos os momentos e as práticas relacionadas à igreja: evangelismo, oração... isso é espiritual. E desprezamos o estudo, a reflexão, o voto, o lazer, as artes, a natureza do Estado, etc... isso é natural, e portanto está fora do reino cristão. Como a maior parte da vida - para as pessoas normais - é vivida fora do âmbito da igreja, na cultura, ficamos desarmados em "território inimigo" - entregamos o universo à natureza, e vivemos no mundo dela, como se houvesse um espaço neutro, isento de influência "espiritual", no qual as pessoas vivem, e com as quais nos relacionamos na mesma base "natural".
Dividimos a realidade entre o sagrado e o profano. Nesta base, apenas nos interessamos pelas atividades e objetos sagrados, como a música gospel (?), as publicações evangélicas e tutti quanti. Deixamos de lado as coisas e ações que não trazem o nome "evangélico" ou algo do tipo, ora opondo-nos ao que não é cristão, ora simplesmente ignorando o que acontece à nossa volta. É assim que os crentes se tornam ilhados e alienados. Enquanto os pais cristãos apenas ficam preocupados com o novo cd de músicas gospel infantis, os seus filhos estão sendo alimentados na escola com o que há de mais elaborado para a sua secularização e destruição de quaisquer resquícios judaico-cristãos presentes em sua forma de observar o mundo e a vida.
Contribuindo para esta degradação, há a dicotomia do público e privado. O povo da música gospel, e da arte gospel, e dos chaveiros gospel, e dos adesivos de peixinho no carro, assimilou muito bem a cultura relativista (já que não estava preparado para discerni-la e combatê-la), e criou guetos específicos de influência religiosa. Existem os espaços privados - separados para a influência da fé, e os espaços públicos, nos quais a minha fé não deve ter lugar. É assim que muitos cristãos ficam calados diante das decisões do STF em prol do homossexualismo, pois "no espaço público e democrático (eles adoram essa palavra) as questões religiosas não têm lugar". Será? Confinamos a fé cristã ao patamar da subjetividade, retirando-a do único lugar onde ela poderia ser relevante. Em outras palavras, não apenas nos desarmamos, como demos a arma aos inimigos da fé, para nos massacrar como quiserem.
3 A ausência de uma forma cristã de pensar o mundo e a vida
Além da visão dicotômica das coisas, e talvez como resultado dela, os evangélicos não possuem um modo distintamente cristão de pensar a realidade. Nosso aporte teórico para as ciências está fundamentado na autonomia da razão humana, e assim, quando um cristão tenta romper a barreira da dicotomia e se manifestar como cristão nas ciências, ele pensa a partir dos pressupostos anticristãos.
A fundamentação para a prática política e jurídica em nosso país é aquela de um Estado formado a partir do consenso. Mesmo os cristãos que desejam se manifestar enquanto tais nesse âmbito, acabam trabalhando a partir do pressuposto de que "o poder emana do povo", sem considerar a autoridade de Deus.
Os cristãos que desejam trabalhar na educação - professores e pedagogos - trazem, no meio de suas frases sobre a "educação de Jesus", noções construtivistas e/ou pragmáticas, que brotam de uma antropologia radicalmente contrária ao ensino do mesmo Jesus.
Nossos cientistas sociais e historiadores estão afogados no marxismo, observando a história não como o desenrolar da Providência, mas como o resultado da luta de classes.
Nossos biólogos são "cristãos darwinistas".
Não bastasse o dualismo no povo evangélico, os que tentam rompê-lo estão condenados pela estrutura utilizada para sua reflexão, que nega em cada instância o conteúdo religioso proclamado por eles.
Também por isso estamos indefesos diante da maré gayzista e marxista. Nós usamos as categorias de pensamento propostas por eles, então acabamos pensando que a fala deles faz muito mais sentido. Desconhececemos a matriz Criação-Queda-Redenção.
4 A falta de uma abordagem estratégica e consistente das questões públicas
Digamos que um cristão heróico conseguiu fugir da primeira barreira e compreende a Bíblia adequadamente; livrou-se da segunda e não trabalha a partir de dualismos; venceu a terceira e desenvolve uma forma de pensar legitimamente cristã; ainda assim ele encontra um quarto problema, que pode se manifestar de duas formas.
| A bancada evangélica: fundamentação bíblica? |
A segunda forma se manifesta quando tais cristãos se encontram, organizam núcleos para reflexão e divulgação dessa "forma cristã auto-consciente de ser", mas, sem nenhum senso estratégico, começam a atirar para todos os lados, e não tratam nenhuma questão consistentemente.
Uma boa estratégia envolverá planos adequados de curto, médio, e longo prazo. Envolverá discussões e reflexão, formação de novas gerações nesta perspectiva, e a identificação de pontos centrais que precisam ser abordados estrategicamente, para que os demais - secundários - sejam tratados em seu devido tempo, ou venham na esteira dos principais.
No direito, por exemplo, não adianta ficar discutindo se os homossexuais serão felizes ou não no casamento, mas indicar para a esfera do Estado como submetida à autoridade de Deus, e paralela (nem acima, nem abaixo), da esfera da família. Nesta perspectiva, não cabe ao Estado interferir na esfera da família, cuja estrutura foi dada soberanamente por Deus. (Vale a pena pensar mais sobre isso posteriormente)
5 Ataques internos
O último problema gerador da obtusidade cristã no espaço público são as disputas internas que pretendem derrubar o edifício evangélico. Aqui eu penso, também, em dois caminhos.
| PL122: nós fechamos a boca e colocamos o zíper, eles só estão puxando |
Por outro lado, existem aqueles que caminham juntos e possuem uma mesma confissão, mas, em vez de abordarem questões comuns a partir dos mesmos pressupostos, preferem digladiar-se mutuamente. Penso aqui em discussões que dividem as Assembléias de Deus, por exemplo, e na prática dos chamados "neopuritanos", que, em vez de contribuírem para uma reflexão reformada da realidade, preferem discutir se Mark Driscoll é reformado ou não.
• • •
O texto ficou maior do que eu esperava, e isso é outra tristeza, pois sei que muitos não chegarão até aqui por preguiça. Em parte eu não os condeno, pois a proposta de um blog, normalmente é mais dinâmica. Por outro lado, muitos deixarão de ler não por fugir de um padrão estipulado na blogosfera, mas simplesmente por não possuírem interesse no assunto, nem conseguirem caminhar com qualquer análise um pouco (e bem pouco) mais estendida de uma questão.
Contudo, embora a linguagem inteira do post seja pessimista e triste, e embora tenhamos nos colocado em uma situação lastimável, ainda tenho esperança. Creio que, identificando tais problemas e trabalhando consistentemente neles podemos melhorar a nossa condição, e creio, em um nível mais fundamental, que Deus continua guiando a Sua Igreja, de modo que ela nunca estará desamparada.
Deus nos ajude.
Soli Deo Gloria.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
A face da vaidade
Essa semana participei de mais debates do que eu gostaria. Aliás, eu não gostaria de ter participado de nenhum. Mas o fiz, e assumo a responsabilidade de minhas escolhas. A maioria deles foi no bendito Facebook (FB) - uma rede social que parece crescer consideravelmente no Brasil.
Eu curto o FB. Tem um layout mais limpo que o orkut, e maiores funcionalidades. Criei até uma página do BJC por lá. Mas ao mesmo tempo em que as redes sociais criam grandes oportunidades para a comunicação de verdades eternas, elas também produzem novas oportunidades de tentação, como nos debates mencionados.
Uma tentação que percebi essa semana - primeiramente em meu coração, diga-se de passagem - é a da vaidade no uso das palavras. Explico: nos debates de tais redes sociais, tendemos a usar as palavras de vários sentidos que não o da comunicação simples e clara. Às vezes elas são armas, apontadas para o oponente a fim de sensibilizá-lo ou machucá-lo. Em outros momentos, são instrumentos de exaltação pessoal, usadas apenas para ressaltar as próprias virtudes. Também trabalham para a vaidade pessoal quando não contribuem para uma conversa clara - na tentativa de humilhar o oponente, exibir nossa sabedoria e oratória, e impressionarmos qualquer leitor, usamos as palavras mais difíceis e pomposas. Entre outros mal usos das palavras, entram a ironia e o sarcasmo

E assim as palavras deixam de ser pensadas de modo Teo-referente, tendo Deus como o centro do seu uso (Ef.4 e Tg.3 poderiam ajudar nisso), e passam a ser pensadas e usadas de modo egoísta e idólatra.
Em momentos de maior desespero e ira, usamos as palavras como válvula de escape, explodindo nossas emoções em textos viscerais, ora descontrolados e pessimistas, ora agressivos, ora simplesmente sem sentido.
Mas esta não é a única tentação. O mal uso de palavras talvez seja consequência de outra vaidade maior: a da preservação da honra pessoal e reputação. Observem muitos desses confrontos - eles demonstram um aspecto interessante. Ninguém quer deixar de dar a última palavra. Ninguém quer sair do debate com a impressão de que "perdeu a discussão". Ninguém quer ter a sua reputação manchada, e a sua honra ferida com uma disputa perdida na internet. Por isso insistimos em discussões intermináveis, que muitas vezes perdem o seu ponto principal, tornando-se um jogo de "quem dá a palavra final".
Ninguém está isento disso, e tal tentação nos acompanha nas discussões do cotidiano, fora do facebook. Então o que no começo era uma conversa honesta em busca da verdade, termina como uma disputa fingida em busca de auto-afirmação.
Não seria legal se estivéssemos dispostos a perder alguns debates, mas preservar a honestidade diante de Deus e dos nossos companheiros virtuais?
Não seria legal se a honra de Deus fosse mais valiosa para nós do que a nossa?
Eu curto o FB. Tem um layout mais limpo que o orkut, e maiores funcionalidades. Criei até uma página do BJC por lá. Mas ao mesmo tempo em que as redes sociais criam grandes oportunidades para a comunicação de verdades eternas, elas também produzem novas oportunidades de tentação, como nos debates mencionados.
Uma tentação que percebi essa semana - primeiramente em meu coração, diga-se de passagem - é a da vaidade no uso das palavras. Explico: nos debates de tais redes sociais, tendemos a usar as palavras de vários sentidos que não o da comunicação simples e clara. Às vezes elas são armas, apontadas para o oponente a fim de sensibilizá-lo ou machucá-lo. Em outros momentos, são instrumentos de exaltação pessoal, usadas apenas para ressaltar as próprias virtudes. Também trabalham para a vaidade pessoal quando não contribuem para uma conversa clara - na tentativa de humilhar o oponente, exibir nossa sabedoria e oratória, e impressionarmos qualquer leitor, usamos as palavras mais difíceis e pomposas. Entre outros mal usos das palavras, entram a ironia e o sarcasmo
E assim as palavras deixam de ser pensadas de modo Teo-referente, tendo Deus como o centro do seu uso (Ef.4 e Tg.3 poderiam ajudar nisso), e passam a ser pensadas e usadas de modo egoísta e idólatra.
Em momentos de maior desespero e ira, usamos as palavras como válvula de escape, explodindo nossas emoções em textos viscerais, ora descontrolados e pessimistas, ora agressivos, ora simplesmente sem sentido.
Mas esta não é a única tentação. O mal uso de palavras talvez seja consequência de outra vaidade maior: a da preservação da honra pessoal e reputação. Observem muitos desses confrontos - eles demonstram um aspecto interessante. Ninguém quer deixar de dar a última palavra. Ninguém quer sair do debate com a impressão de que "perdeu a discussão". Ninguém quer ter a sua reputação manchada, e a sua honra ferida com uma disputa perdida na internet. Por isso insistimos em discussões intermináveis, que muitas vezes perdem o seu ponto principal, tornando-se um jogo de "quem dá a palavra final".
Ninguém está isento disso, e tal tentação nos acompanha nas discussões do cotidiano, fora do facebook. Então o que no começo era uma conversa honesta em busca da verdade, termina como uma disputa fingida em busca de auto-afirmação.
Não seria legal se estivéssemos dispostos a perder alguns debates, mas preservar a honestidade diante de Deus e dos nossos companheiros virtuais?
Não seria legal se a honra de Deus fosse mais valiosa para nós do que a nossa?
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Nosso Lar sem Jesus - editorial para o informativo da Igreja Batista Renascença
O filme é um tipo de “autobiografia espiritual”. O autor fala de sua jornada, sobre como viveu uma vida relativamente medíocre – dando lugar a sentimentos negativos, como orgulho e amargura –, morreu em uma sala de cirurgia e acordou em um lugar estranho e tenebroso: um tipo de purgatório dos espíritas (chamado umbral).
Sofrendo as torturas deste lugar, ele finalmente faz um clamor, e é atendido por seres diferentes, vestidos de branco, e com uma maca para levá-lo dali. Ele chega a “Nosso Lar”, uma das cidades espirituais, que fica no cume de uma montanha espiritual, situada ao redor do Planeta Terra.
Em “Nosso Lar” ele é ensinado sobre a mediocridade da vida que levou, e aprende a se tornar uma pessoa melhor – quebrando preconceitos, o orgulho, aprendendo a paciência, o perdão e a caridade. No desenrolar da história conhece outros espíritos, passeia pela cidade – saindo do ministério da regeneração, visitando o ministério da comunicação, o ministério do auxílio e a governadoria. Enquanto passeia, conhece pessoas e ministros.
Indicando o ápice de sua elevação espiritual, ele se torna um “espírito livre” e consegue visitar a sua família (mulher e filhos que deixou quando morreu). Ele os encontra, e pode demonstrar amor, embora não seja percebido, senão pela servente da casa – alguém com o estereótipo de quem segue as “religiões afro”.
O filme encerra com as declarações de que André Luiz continua em “Nosso Lar” - ao longo do filme outras pessoas escolheram “reencarnar”, mas ele não - e se tornou um escritor, enviando, por meio de pessoas que psicografam, tais quais Chico Xavier, seus textos, que já somam pelo menos 16 livros em português, tratando da vida após a morte.
Algo estranho aí? Talvez, se você já conhece algo do filme, tenha estranhado o fato de ele ser dirigido por Wagner de Assis – o mesmo roteirista de “Xuxa requebra” (1999). Além disso, pode ter sentido na propaganda “global” o toque desta rede de televisão, da qual vários atores são reconhecidos na obra – como Werner Schünemann (Emmanuel – ministro de comunicação), Ana Rosa (Laura, uma senhora que reencarna), Othon Bastos (Anacleto, o governador da cidade), Paulo Goulart (Genésio – ministro do auxílio) e Lu Grimaldi (Veneranda – ministra).
O mais estranho, porém, é que o filme demonstra a evolução de um espírito, sem a obra de Jesus. Ele é até mencionado, mas de passagem, e sem grande espaço. Os termos podem até parecer semelhantes em algum aspecto: “regeneração”, “união divina”, “auxílio”, mas o significado é completamente diferente entre o ensino do filme e o ensino da Escritura.
A regeneração da obra não é operada pelo Espírito Santo – este nem aparece. Um filme sobre espíritos em transformação que não demonstra a ação da terceira Pessoa da Trindade é, no mínimo, incompleto. Deus, o Pai, também não tem lugar na obra – Ele não mora na cidade, continua distante dos espíritos iluminados.
A cidade em si não é tão transformadora. Ali ainda há frustração, sofrimento, raiva, angústia, ira, entre outros elementos pecaminosos – demonstrados tanto por André Luiz, quanto por Eloisa.
Algumas declarações possuem aparência de beleza, como na fala de Clarêncio: “O bom da vida é sempre recomeçar”, ou na de Veneranda: “o bem que fazemos é o nosso advogado pela eternidade”, mas ambas fogem da realidade bíblica de que há apenas uma morte, e depois disso o juízo (Hb.9.28), e que o nosso advogado não são nossas obras, mas o Senhor Jesus (1Jo.2).
Assim, o filme advoga sermos salvos por nossas obras e nossos méritos – como bem o declara o ministro Genésio – em uma absoluta contradição do ensino bíblico da justificação pela fé (Ef.2.8; Rm.5).
O “Nosso Lar” está tão cheio de boas obras e méritos, que não há lugar para Jesus ali. Somos convidados a anunciar a salvação somente pela graça, por meio da fé, a uma cultura que cada vez mais se apega às suas obras. Somos convidados a anunciar a verdadeira cidade celestial.
Sola Gratia. Sola Fide. Solus Christus.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Antes e Depois das eleições - Editorial para o informativo da Igreja Batista Renascença
Na esteira das reflexões sobre a política – fomentada pelo vídeo do Pr. Paschoal Piragine Jr. – somos levados a pensar os pressupostos (o que vem antes) e as implicações (o que vem depois) da conversa.
Como pressuposto fundamental do debate político por parte dos cristãos, está a noção de que a Bíblia é a Palavra de Deus, autoritativa, inerrante, suficiente, e inspirada. Segue-se disso, que Ela possui a palavra final sobre os princípios que seguiremos quanto ao modo de fazer política, sobre o papel do Estado diante da sociedade, e sobre o caráter do líder da nação, ou do nosso estado.
Em segundo lugar, trabalhamos a partir da noção de que religião, política [e futebol] são passíveis de discussão, sim. O fenômeno que os livrou da discussão na esfera pública foi a privatização pós-moderna dos objetos de crença, e a pulverização da verdade. O esquema é simples: se antes havia uma verdade, era natural haver grande discussão pública sobre quem estava certo, e quem estava errado. Na medida em que o conceito de verdade foi alterado e “pluralizado”, a privatização das convicções tornou praticamente impossível o debate sobre qualquer coisa que seja. Todos têm “a sua verdade”, e por isso é melhor não discutirmos, afinal, todos estamos certos do nosso jeito.
O problema é que, na prática, essa posição é insustentável. No caso específico da política, que temos tratado agora, precisamos definir se uma política pró-aborto é adequada ou não, e para isso, precisamos saber se o aborto é algo certo ou errado. A Escritura tem a resposta.
Na tomada de decisões por parte do governo, um princípio será adotado – uma forma de pensar e agir que influenciará diretamente o modo de vida dos cidadãos. Para um governo que legisla, julga e executa, não há espaço de múltiplas decisões. Apenas uma será “a correta”, em detrimento das demais.
E é assim que passamos a pensar sobre as implicações do debate político no presente contexto. Fugindo dos pressupostos antibíblicos, somos desafiados a discutir a política, enquanto buscamos compreender os esquemas de pensamento dos partidos e candidatos.
Foi mais ou menos isso que o Pr. Paschoal Piragine fez. Entendeu haver uma série de pressupostos norteando as decisões do partido político mencionado, e criticou este direcionamento, alertando os cristãos para este ponto.
Conforme documentos governamentais, como o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), a agenda do Brasil – se continuar na linha do governo atual – seguirá para maior restrição da liberdade de expressão (Diretriz 22), revanchismo político (Diretriz 23), restrições no direito de propriedade (Diretriz 17), descriminalização do aborto (Diretriz 9), negação da religiosidade e história brasileira (Diretriz 10), confirmação da homossexualidade – ou, como eles descreveram, “desconstrução da heteronormatividade” (Diretriz 10), entre outros itens.
Compreendendo os pressupostos que direcionam a nossa reflexão, e as implicações de uma escolha errada – como a continuidade deste governo e os desdobramentos sociais, morais, legais e religiosos – somos desafiados a expandir o debate na esfera pública, mais uma vez agindo como sal e luz, para a glória de Deus.
Somos chamados não apenas a um voto consciente e justo, mas a direcionar palavas de sabedoria e amor à cultura que nos cerca. Demonstrar amor pelo próximo também é ajudá-lo nas escolhas políticas.
A política está submetida ao reinado de Jesus.
Solus Christus.
O PNDH-3 pode ser lido aqui: http://portal.mj.gov.br/sedh/pndh3/pndh3.pdf
Um artigo elucidativo do Reinaldo Azevedo pode ser lido aqui: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/ainda-o-golpe-dos-direitos-humanos-desconstruindo-outra-mentira/
Como pressuposto fundamental do debate político por parte dos cristãos, está a noção de que a Bíblia é a Palavra de Deus, autoritativa, inerrante, suficiente, e inspirada. Segue-se disso, que Ela possui a palavra final sobre os princípios que seguiremos quanto ao modo de fazer política, sobre o papel do Estado diante da sociedade, e sobre o caráter do líder da nação, ou do nosso estado.
Em segundo lugar, trabalhamos a partir da noção de que religião, política [e futebol] são passíveis de discussão, sim. O fenômeno que os livrou da discussão na esfera pública foi a privatização pós-moderna dos objetos de crença, e a pulverização da verdade. O esquema é simples: se antes havia uma verdade, era natural haver grande discussão pública sobre quem estava certo, e quem estava errado. Na medida em que o conceito de verdade foi alterado e “pluralizado”, a privatização das convicções tornou praticamente impossível o debate sobre qualquer coisa que seja. Todos têm “a sua verdade”, e por isso é melhor não discutirmos, afinal, todos estamos certos do nosso jeito.
O problema é que, na prática, essa posição é insustentável. No caso específico da política, que temos tratado agora, precisamos definir se uma política pró-aborto é adequada ou não, e para isso, precisamos saber se o aborto é algo certo ou errado. A Escritura tem a resposta.
Na tomada de decisões por parte do governo, um princípio será adotado – uma forma de pensar e agir que influenciará diretamente o modo de vida dos cidadãos. Para um governo que legisla, julga e executa, não há espaço de múltiplas decisões. Apenas uma será “a correta”, em detrimento das demais.
E é assim que passamos a pensar sobre as implicações do debate político no presente contexto. Fugindo dos pressupostos antibíblicos, somos desafiados a discutir a política, enquanto buscamos compreender os esquemas de pensamento dos partidos e candidatos.
Foi mais ou menos isso que o Pr. Paschoal Piragine fez. Entendeu haver uma série de pressupostos norteando as decisões do partido político mencionado, e criticou este direcionamento, alertando os cristãos para este ponto.
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| política de aborto |
Compreendendo os pressupostos que direcionam a nossa reflexão, e as implicações de uma escolha errada – como a continuidade deste governo e os desdobramentos sociais, morais, legais e religiosos – somos desafiados a expandir o debate na esfera pública, mais uma vez agindo como sal e luz, para a glória de Deus.
Somos chamados não apenas a um voto consciente e justo, mas a direcionar palavas de sabedoria e amor à cultura que nos cerca. Demonstrar amor pelo próximo também é ajudá-lo nas escolhas políticas.
A política está submetida ao reinado de Jesus.
Solus Christus.
O PNDH-3 pode ser lido aqui: http://portal.mj.gov.br/sedh/pndh3/pndh3.pdf
Um artigo elucidativo do Reinaldo Azevedo pode ser lido aqui: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/ainda-o-golpe-dos-direitos-humanos-desconstruindo-outra-mentira/
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
A estratégia política dos candidatos
Encontrei uma bela descrição da estratégia usada pelos candidatos à presidência da república nas páginas dO Imbecil Coletivo I. No debate da band e nas recentes entrevistas ao Jornal Nacional, sem falar na campanha regular, fica clara a tentativa dos candidatos em se situarem como "de origem humilde" - talvez para representar os 'humildes' (eles se referem aos pobres) - ou "mulher" - para representar o seu grupo.
A primeira edição da obra que vou citar é de 1996, ou seja, o autor cantou a jogada bem antes dela se manifestar (na verdade ele criticava a manifestação dela naquela época). O texto se chama "Ética do intelectual brasileiro, ou: como tornar-se uma pessoa maravilhosa". Enquanto desenvolve a idéia, o autor dá conselhos aos que desejam ingressar nesse seleto grupo da intelectualidade brasileira. O trecho citado é o quarto conselho:
A primeira edição da obra que vou citar é de 1996, ou seja, o autor cantou a jogada bem antes dela se manifestar (na verdade ele criticava a manifestação dela naquela época). O texto se chama "Ética do intelectual brasileiro, ou: como tornar-se uma pessoa maravilhosa". Enquanto desenvolve a idéia, o autor dá conselhos aos que desejam ingressar nesse seleto grupo da intelectualidade brasileira. O trecho citado é o quarto conselho:
4. Identifique logo a minoria discriminada a que pertence - pois todo mundo pertence a alguma - e exiba-a como um cartão de ingresso: ela dá direito a ser bem recebido neste círculo. Não venha com essa de que não tem nenhuma. Se você não é preto, nem gay, nem judeu, nem baixinho, nem gordo, nem índio, deve pelo menos ter o peru pequeno. Não precisa sair contando isso para todo mundo; diga apenas que pertence à categoria dos fisicamente prejudicados, termo recém-desembarcado que impõe o maior respeito.
(Olavo de Carvalho, O Imbecil Coletivo, p.430-431)
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Entrevista de Dilma Rousseff ao Jornal Nacional
Fiquei com a impressão de que o objetivo da entrevista era saber quanta pancada psicológica a candidata aguentava. Concordo com a análise política de @isilva67: vamos ver se farão o mesmo com os outros candidatos.
A transcrição da entrevista pode ser lida no site do G1.
A transcrição da entrevista pode ser lida no site do G1.
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