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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Beleza, unidade e sentido


Em 1979, Francis Schaeffer e Colin Duriez trocaram correspondências a respeito da doença do fundador de L'Abri. Em 1984 ele faleceria, como resultado do câncer. Mas na carta escrita por Schaeffer naquele período havia uma belíssima declaração:

Como é bom ter uma teologia na qual não há tensão entre usar a melhor medicina possível e olhar diretamente para o Senhor, buscando a resposta das orações. (Duriez, Francis Schaeffer: an authentic life, p.196 - kindle edition)

Isso poderia abrir uma interessante discussão sobre medicina, fé e oração, mas pretendo apontar a direção que, eu creio, Schaeffer pretendia enfatizar. No pensamento cristão consistente, não há dicotomias ou uma separação entre o campo da "graça" e o da "natureza" - uma distinção entre as coisas comuns da vida e as coisas "espirituais".

Os desdobramentos deste ponto são imensos. Schaeffer demonstrou como ele poderia buscar o melhor da medicina e se voltar a Deus em oração simultaneamente, sem crise de que um "devorasse" o outro, por não haver contradição. Do mesmo modo um cristão pode pedir a Deus pela provisão, e trabalhar duramente, compreendendo a unidade entre as duas coisas. Alguém pode (e deve!) ler a Bíblia sem considerar este um momento distante do resto da vida; pelo contrário, como o salmista, toda a experiência da vida no dia a dia passa a ser um exercício de interpretação e aplicação bíblica.

Luiz Rosa no palco. O centro histórico em flor.
Há, no entanto, ainda um ponto específico que eu gostaria de ressaltar. Refiro-me ao grau de enriquecimento da vida em termos de significado e beleza quando esta unidade é percebida e experimentada. Quero ilustrar com a minha experiência da última semana.

Foi realizado em São Luís o 3º festival internacional de contrabaixo, com grandes nomes do instrumento, como o maranhense Mauro Sérgio, o divulgador da coisa no Brasil inteiro - Celso Pixinga, e os norte-americanos Jim e Grant Stinnett (Jim é professor da Berklee - conceituada faculdade de música em Boston), Todd Johnson, e Shane Alessio, além do baterista e jazzista Dom Moio.

Se você parte de uma visão fragmentada da realidade, o festival poderia despertar algumas posturas:

1. Não é algo "espiritual", portanto não irei
2. Não é algo "espiritual", mas é algo "comum", então irei e aproveitarei como algo separado do reino da graça
3. É "espiritual"! Deus está ali falando e se revelando a partir da cultura - o abalo existencial provocado pela música é a Revelação de Deus

As duas primeiras colocam o show no reino da 'natureza', com respostas diferentes. Por ser algo "comum" (não-espiritual), a primeira resposta considera algo desprezível, ou age com indiferença. Há muitos que vivem de modo empobrecido, por não desenvolverem interesse pela criação de Deus em sua variedade. A beleza das artes, a criatividade humana, as profissões e vocações, são todas diminuídas em sua importância pela preferência das coisas "espirituais" - talvez oração e leitura da Bíblia. O cristão nessa perspectiva tem pouca liberdade de vida. É escravo da "vida espiritual", e assim vive sem prazer durante toda a semana, até que chegue o domingo, ou então cria atividades eclesiásticas todos os dias para justificar a sua existência. Essas são as pessoas conhecidas como fanáticos, ou limitados em suas conversas (monotemáticas). Pessoas que, mesmo valorizando as disciplinas espirituais, definiram o escopo de aplicação das Escrituras e limitaram a experiência de adoração na vida. No esforço de tanto glorificar ao Senhor, o fazem menos do que deveriam.

A segunda resposta tenta encontrar o prazer através do "salto". O festival de baixo continua sendo não-espiritual, mas será desfrutado dentro do seu campo secular. Afinal, as coisas de Deus são aproveitadas aos domingos, e as coisas seculares regulam o resto da vida. Esse tipo de cristão pode ser mais versado e articulado no resto das expressões culturais; pode valorizar as artes e as profissões; pode ter a ciência e a filosofia em grande estima, mas tudo às custas da exclusão da Palavra de Deus. Ele busca o valor de cada elemento separado de Deus, e assim também empobrece a sua experiência de vida. Tem um universo de particulares desconectados e sem sentido último. O festival de baixo não tem propósito último e não está ligado ao todo da vida, é apenas mais uma oportunidade solta de satisfação.

O terceiro a responder se aproxima de uma perspectiva Tillichiana (de Paul Tillich e sua teologia da cultura). Ele ainda pensa de modo fragmentado, mas agora eleva a arte ao patamar de cima - o reino do sagrado, ou da graça. Na medida em que as artes o tocam profundamente, e que o seu espírito é alimentado pela beleza dos sons e cores, ele atribui a isto o mesmo peso da Revelação Divina, considerando tal "abalo existencial" como Palavra de Deus. O resultado disso é uma grande abertura cultural, mas a perda da autoridade bíblica, que foi nivelada a qualquer experiência significante. A voz de Deus nas Escrituras é abafada e perdida em meio à adoração das artes e expressões culturais. O cristão passa a ser alguém confuso, direcionado pela estética e sem conteúdos reais de fé.

Jim Stinnett, Shane Alessio, Dom Moio e Todd Johnson
Contra tudo isso está a perspectiva integrada do cristianismo consistente. Um show é um show: Embora haja abalos existenciais e a beleza de tudo aquilo seja tocante, não é a Palavra de Deus. Mas não é por que há distinção entre a beleza do evento e a Revelação, que o festival não tem valor. Pelo contrário, em uma visão unificada da vida, o show tem verdadeiro valor e significado, porque as artes e expressões culturais são instrumentos da graça comum, e apontam para uma beleza e riqueza eternas, encontradas unicamente em Deus.

Eu experimentei um pouco disso. Pude ouvir um grande som, e alimentar não apenas os ouvidos, mas os olhos com a paisagem do centro histórico de São Luís, em uma experiência de beleza tocante. A presença de amigos e de minha esposa tornaram a coisa ainda mais prazerosa e significante, e lá eu via e sentia gratidão a Deus: a vida em sua plenitude é experimentada quando Jesus é o ponto de referência e unificação. Tudo fazia sentido.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Devoção de um intelectual

Condenamos os intelectuais por seu rigor nos estudos - damos aqueles apelidos pouco criativos: cdf, nerd, etc. - e na igreja fazemos o mesmo. Os mais estudiosos e "intelectualizados" na fé, são rotulados como os mais frios e distantes do povo.

Provavelmente ficaremos chocados com a história do João. Amante dos bons livros, não conseguia ficar muito tempo sem estimular a mente com uma leitura teológica "densa". E sempre que sentava para estudar, percebia, no meio das discussões profundas e das palavras difíceis, o seu coração sendo aquecido e quebrantado. Quanto mais fundo ia em suas reflexões, tanto mais percebia conhecer o Senhor, e contemplar particularidades ainda não vistas na Escritura.
E assim cada momento de estudos era um período devocional.

Abria os livros, dicionários e softwares necessários, mas sempre terminava seus estudos de joelhos, em oração.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Despedida

...Deu-lhe um beijo na testa, com o coração apertado de quem precisa dizer tchau, sem a mínima vontade de fazê-lo.
Agora passa os dias em atividades esparsas, considerando-as um enorme passatempo, até o próximo reencontro.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Juventude Transviada

Aperto os cintos e abro o meu livro. Antes eu tinha maiores dificuldades para ler no avião, mas agora a concentração é possível. 
Então chegam "os jovens".
Com a fala em volume máximo, começam a discorrer apaixonadamente sobre carros.
Eu continuo tentando ler, a despeito das interferências.
[...] Meia hora depois, o assunto é o mesmo: carros. E a minha paciência não é a mesma.
Noto que, de tempos em tempos, sou olhado com algum tipo de desprezo - por estar concentrado em um livro? (e não estar falando de carros?)
Ao fim do vôo estou com a obra nas mãos, que sintetiza a história daquela viagem: O declínio da cultura ocidental.
Nada contra carros, tudo contra quem despreza a leitura.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Rubro-afrodescendente (?)


Ainda no avião, e lendo sobre a dor e o sofrimento, enquanto eu mesmo sentia aquilo de alguma maneira.

Subitamente o piloto se manifesta, com aquelas informações sobre o vôo às quais ninguém dá ouvidos... Então ele decide inovar: "...gostaria também de saudar aos torcedores rubro-negros, como eu, por mais uma conquista!".

Assim eu lembrei do meu Palmeiras, e sofri mais um pouquinho.

Lamento

Estou no avião. Pego um livro pra ler, e vejo logo na capa: "Lamento".

Eu respondo: "É, eu também".


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Pai e Filho

Pai: - Aquele seu amigo ainda trabalha com aquele negócio de tatuagem?
Filho: - Sim... Aquilo é um mercado crescente, cada vez tem mais gente querendo se tatuar.
Pai: - ...Ele tem é que fazer uma universidade.

sábado, 14 de novembro de 2009

É sempre a mesma história: basta alguém ouvir um pouco da "trilha sonora" do meu carro ou do mp4 que a expressão de surpresa aparece.

- Você escuta essas músicas?

Por "essas músicas" entenda o som pesado - heavy metal, de preferência, mas com passagens de hardcore, trash metal, e afins.

Aparentemente há uma lei não escrita afirmando que, se você é um conservador na teologia e na política (sem falar na moral, que de alguma forma está envolvida), você não pode curtir rock'n'roll, e deve fazer de tudo para viver como um chato.

Deixo isso pra quem consegue.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Fui promovido

Estou eu no escritório, quando o telefone toca:

-Alô? (às vezes eu atendo perguntando...)
-Allen?
-Oi.
-Aqui é _____. Estamos escrevendo uma matéria para o jornal, e gostaríamos de saber o que os evangélicos pensam sobre o dia de finados.

Conversamos por alguns minutos. O suficiente para noções gerais a respeito de textos como Hb.9.28 e a perspectiva de que podemos respeitar a agenda cultural e relembrar os finados, sem fazer preces a eles ou por eles. Sobrou um tempinho ainda para questionamentos teológicos mais aprofundados, como a questão a respeito do estado intermediário (em português simples: como e onde a alma fica entre a morte e a vinda de Jesus).

Mas lá estamos nós conversando e ela solta a pergunta indiscreta:

-Você é pastor, né?
-Não, não. Trabalho com os pastores de minha igreja, mas eu mesmo ainda não sou oficialmente considerado um.
-Hum... então vou colocar aqui "Teólogo".
-Por que não coloca simplesmente "cristão"?
-Que tal "estudioso da teologia"?
-Tá, acho que esse rola.

Mais ou menos assim. Nosso bate-papo não teve exatamente essas palavras, mas esse teor.

Descubro, hoje, que a reportagem foi publicada no Domingo. Para a minha surpresa, descobri que fui promovido: Se a ordem dos pastores batistas do Brasil (OPBB) ainda não reconheceu minha ordenação, a jornalista praticou a sua imposição de mãos e me consagrou ao ministério.

Ganhei, com o upgrade, uma citação direta que eu simplesmente não lembro ter pronunciado. De qualquer maneira, a jornalista preservou a idéia do diálogo, e assim fica tudo bem.

Será que na nossa próxima conversa eu viro "bispo"?

__
À jornalista: obrigado por preservar o conteúdo geral do bate-papo.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Carne e osso

Provavelmente todas as semanas temos frases ou palavras que se sobrepõem ao nosso vocabulário usual, e se apresentam com maior impacto sobre a história de nossas vidas. Seja por sua beleza, ou pelos traumas causados, determinadas expressões ficam "cravadas" na mente e no coração, impondo-se sobre as outras letras em contato conosco. Como crianças cheias de energia elas correm de um lado a outro, vão e voltam em nossos pensamentos, e demonstram a força de sua presença em cada emoção repentina despertada por sua lembrança.

Esta semana eu ouvi por mais de uma vez, e através de mais de uma pessoa, que sou gente de "carne e osso", e que, por isso (ou relacionado a isso) tais pessoas se sentiam à vontade para conversar, expôr suas dificuldades, tristezas e alegrias, ou simplesmente sentirem encorajamento ao perceberem que "gente normal", passando pelas mesmas lutas que os jovens da sua idade, pode se dedicar verdadeiramente a Deus.

Escrevi há alguns dias sobre a necessidade de aprendermos a ouvir o outro. Seguindo esta perspectiva, é preciso aprendermos a viver sem hipocrisia e falso moralismo, sem a aparência arrogante que distancia as pessoas, e com a singeleza daqueles que transmitem segurança e tranquilidade para os aflitos que precisam conversar.

Longe de achar que eu tenha atingido nível sequer aceitável nesta área, contei o meu exemplo apenas para introduzir o assunto, e voltar os nossos olhos para Jesus. Ele poderia ouvir alguém falar que roubou, ou se prostituiu, ou tinha crises em sua fé, com uma doçura exemplar. O Messias nunca foi passivo ou omisso em relação ao pecado alheio. Ele denunciou o erro com a firmeza de um profeta, e, ao mesmo tempo, criou um ponto de contato com os pecadores, através do qual era bom e seguro estabelecer um bate-papo com o Mestre.

Imaginemos Jesus conversando com um garoto que namora uma não-crente. Ele saberia ouvir o rapaz, demonstraria atenção e compreensão em determinados pontos, como a beleza do relacionamento entre um homem e uma mulher. Ao mesmo tempo, o Senhor indicaria o caminho da santidade com a precisão cirúrgica de quem promove a cura.

Diante de uma adúltera, Jesus reconheceu que todos cometem pecados, e por isso estão em situação deplorável no que diz respeito ao seu relacionamento com o Pai. Ainda assim, o Mestre pôde olhar nos olhos da "pecadora aliviada" e dizer: "não peques mais".

Ser gente de carne e osso é assumir as próprias fraquezas e limitações, é não tentar fingir uma santidade inexistente, é reconhecer que os pecados das pessoas à nossa volta poderiam, sem muita dificuldade, ser nossos.

O teólogo Jonathan Edwards nos deu um belo exemplo disto. Ele escreveu algumas "resoluções" - pontos que ele se propôs a seguir enquanto vivesse. O oitavo ponto de suas resoluções era:

Resolvi ser a todos os níveis, tanto no falar como no fazer, como se não houvesse ninguém mais vil que eu sobre a terra, como se eu próprio houvesse cometido esses mesmos pecados ou apenas sofresse das mesmas debilidades e falhas que todos os outros; também nunca permitirei que o tomar conhecimento dos pecados dos outros me venha trazer algo mais que vergonha sobre mim mesmo e uma oportunidade de poder confessar meus próprios pecados e miséria a Deus. (grifo meu)

Edwards tinha seus 19 anos quando começou a escrever tais resoluções. Era um "jovem normal".

Ser assim, é não somente demonstrar suas fraquezas, mas perseguir insistentemente a santidade. Não adianta nada exibir limitações e falhas, se não há uma perspectiva clara de paz com Deus. Quem fica simplesmente demonstrando os seus erros e não aponta para o que é certo, promove o pecado e envergonha o evangelho.

Neste ponto alguns tentarão, forçadamente, dizer que estou estimulando algum tipo de arrogância e orgulho espiritual. É mentira. Criar o ponto de contato com as pessoas à nossa volta nunca pode ser pretexto para o acômodo com o pecado.

Finalmente, para não me prolongar mais sobre o assunto, a máxima de Lutero sintetiza o ponto. Ele se classificava como "simul justus et peccatore" - ao mesmo tempo justo e pecador. Quem é de carne e osso peca como todos os homens, e não finge ser perfeito, mas se reconhece justo pela obra de Cristo, e isto permeia cada aspecto de sua vida, traçando o caminho da santidade, pelo qual ele trilhará até o encontro com o doce Senhor na eternidade.

domingo, 27 de julho de 2008

Relatório 01: Encontro da Fé Reformada (15 - 19/07)


Não esperem um relatório formal. Embora o meu desejo seja ter uma escrita excelente e agradável, quando chego ao blog não me preocupo tanto com formalidades. Talvez por isto esse tom de conversa no qual normalmente nos comunicamos.

Pois bem, 12 dias depois eu posso sentar e escrever minhas impressões sobre o Encontro da Fé Reformada.

Sem muitos rodeios: Foi um show de bola bíblico-teológico! Alguns dirão que eu sou suspeito para falar, pois participo desde o início deste evento (eu ainda era seminarista na época...), mas quem esteve lá constatou.

Os palestrantes falaram com muita propriedade sobre os seus respectivos assuntos. O Pr. João Alves falou como um professor sobre os aspectos doutrinários e históricos da fé reformada em relação à evangelização.

Fiquei fascinado com as mensagens do Pr. Elias Medeiros sobre evangelização a partir do ministério de Jesus. Fui profundamente desafiado, e já coloquei em prática algumas das lições aprendidas!

O Pr. Augustus Nicodemus Lopes fez uma abordagem brilhante de Atos 2 e outros desdobramentos do pentecostes, demonstrando suas implicações para a vida evangelística da Igreja.

A novidade deste encontro foi uma livraria bem mais sortida, com material reformado de primeira qualidade! Foi bom saber que a livraria permanecerá por lá, mesmo após o encontro.

Aproveitei para levar uns amigos jovens, e o retorno que tive deles também foi muito bom. Ou seja: estas conferências e eventos do tipo não podem ser rotuladas como "coisa pra gente velha". A galera curte mesmo!

No fim das contas, o saldo foi completamente positivo. Este é um daqueles encontros que a gente sai com tristeza por ter encerrado, e com grande expectativa pelo próximo.

Parabéns ao pessoal da Igreja Presbiteriana do Renascença pela qualidade de suas programações!

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Sobre o fórum e minhas histórias


Há algum tempo reecontrei conhecidos na praça de um shopping. Aliás, eu faço isso o tempo todo (tanto andar pela praça de shoppings, quanto reencontrar conhecidos em minhas andanças). Mas estes dois marcaram aquele dia, e a minha reflexão por um tempo considerável.
O bate-papo foi rápido, apenas o suficiente para eu saber que estavam afastados de suas igrejas. Tentei "suavizar" a situação, talvez para torná-la menos embaraçosa para os meus interlocutores, e perguntei se a vida deles com Deus estava bem, se ainda liam a Bíblia e oravam, etc.
Uma pequena digressão: obviamente foi uma pergunta idiota. Quem fica deliberadamente afastado da igreja está em desobediência expressa às Escrituras, e, portanto, não pode estar "bem com Deus".
Feita a ressalva, voltemos à história.
Eu fiz a pergunta para tornar a situação menos constrangedora, mas percebi que o constrangido naquela conversa era apenas eu. Disseram-me, franzindo a testa como quem fala uma verdade universal, que a gente já leu demais a Bíblia.
Não demoramos muito depois daquilo, mas eu fiquei impressionado. Será esse o pensamento de tantos outros jovens, dentro e fora das igrejas? E os "não-jovens"? O que pensam sobre as Escrituras?
Qualquer cristão, para viver um cristianismo consciente, precisa ter uma posição definida a respeito da Bíblia. De fato, na prática, qualquer pessoa vive uma vida bíblica, ou anti-bíblica.
O que levou aqueles caras a deixar a Bíblia em segundo plano? Que questões podem colocar dúvidas sobre o famoso "livro da capa preta" (que hoje existe em várias cores, tamanhos e modelos)?
Para pensar sobre estas questões, bem como sobre a importância da Revelação para a vida do crente, a Escola de Líderes IBR promove o II Fórum EsL.
Participe. Convide pessoas. Utilize o fórum como estratégia evangelística. Ore por este momento.

O Fórum será neste sábado, 26 de julho, às 15h na sala 548 do Monumental Shopping. A entrada é franca e 40 vagas estão à disposição.

domingo, 13 de julho de 2008

Os temíveis adolescentes



Sempre que alguém me convida pra falar a um grupo de adolescentes eu tremo como quem tem parkinson. Coisa séria mesmo. Passo por uma interessante variação de fases que vai do medo inicial ao medo final, entre dúvidas, certezas, falsa sensação de segurança, reconhecimento da incapacidade, ...

No entanto, é trocando umas idéias com estes carinhas que Deus me dá alguns dos insights mais profundos de minha até então curta existência.

Quem diria que uma reflexão sobre a internet: orkut, msn, blogs, flogs, etc. despertaria a compreensão de princípios tão fundamentais e amplos da vida cristã, como o princípio da liberdade, do equilíbrio, e do amor, apresentados por Paulo? (Posso escrever sobre isso depois, com mais calma). Aconteceu há bastante tempo, quando sentei com tais figuras.

A mais recente foi uma conversa sobre festas, baladas, raves e afins. Dali saiu algo tão interessante que me deixou pensativo até agora, 2 da manhã do dia posterior à conversa. Tanto que tive de escrever sobre o assunto por aqui. Pensamos em como avaliar a nossa postura diante destes eventos a partir do Salmo 1.1,2. Ali percebemos a fonte da satisfação do salmista (v.2), a base da sua cosmovisão (v.2), e a prática que acompanha estas noções (v.1).

Algumas perguntas difíceis surgiram, mas acredito que conseguimos chegar a um denominador comum a partir da Bíblia. E, depois de aprender que os questionamentos são importantes (as questões honestas), acho mais é que eu tinha que ser "metralhado" mesmo. Ainda que não soubesse responder.

Resumindo, no jogo Allen Porto x Adolescentes, eles estão de dez a zero. Conseguem me encher de medo e ainda são poderosos instrumentos para a minha edificação.

Valeu, caras.

Perguntas honestas:
Qual foi a última vez que você trocou umas idéias com um adolescente?
Como você tem contribuído para a formação dos adolescentes perto de você? (casa, igreja, ...)
O que você tem aprendido com essa galera?

O trabalho que dá pra fazer um vídeo...


Enquanto escrevo aqui no pc dos meus pais, aguardo o meu computador trabalhar em seu ritmo. Isto acontece sempre que eu tenho de preparar um vídeo (ou "uma mídia", como aprendemos a chamar pela influência do querido mestre Alzugaray).

Chego a passar horas pra fazer um vídeo. Tenho vários problemas. As imagens corretas, o texto correto, a forma correta de organizar tudo isto com uma trilha sonora e a disposição dos elementos na tela...

Não tenho nenhum preparo formal nesta arte. Talvez por isto eu demore mais ainda. O meu perfeccionismo (ou chatice, como queiram) atrapalha ainda mais. O fato é que eu olho para o relógio e percebo que algumas horas já se passaram desde o momento em que iniciei a empreitada.

Mais difícil ainda é quando me é designada tal tarefa com o mínimo de tempo (às vezes eu faço tais "mídias" para minha Igreja). Nestes momentos todos os esforços são concentrados para um resultado eficaz e rápido. Nem sempre é satisfatório.

Ainda assim, gostaria de crescer nessa coisa de produção de vídeo. Mas também tem um monte de outras coisas que eu gostaria de fazer. Assim, só posso tentar dar um passinho de cada vez, e, quem sabe, lá no futuro eu faça os documentários que agora são exibidos apenas na tela da minha mente.

Para ver meus vídeos no youtube, clique aqui.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Nunca é cedo demais para ser um herege...

Em 1988 eu tinha 3 anos de idade. Reza a lenda (e os registros históricos de minha mãe) que, após um culto eu cheguei todo empolgado pros meus familiares e exclamei:

"Gente, inventei um versículo. É assim: 'meu amor é a igreja', 5:25".


Simples assim. A referência era 5:25, sem livro nenhum mesmo. E a idéia de inventar um versículo revela que eu não sabia nada de Bíblia mesmo.

Só fui aprender o SOLA SCRIPTURA alguns bons anos depois...

O mais triste disso tudo é que tem vários adultos por aí com a mentalidade de um garotinho de 3 anos, inventando revelações e peripécias que não têm qualquer fundamento bíblico...
Tomara que eles cheguem pelo menos à "adolescência mental" logo.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Uma folha de papel A4 e a Adoração Completa


Quando você tem a adoração "picotada" como um papel, restam apenas recortes tímidos, incompletos e naturalmente confusos sobre tal prática.

É assim que se abre espaço para bizarrices e "inovações exageradas" no meio da igreja. Toda a compreensão do indivíduo está limitada àquele pedacinho que ele tem diante de si. Então ele faz daquilo a verdade universal e mais importante (ou única) sobre o que é e como se deve adorar.

Alguns ficaram com um pedacinho de papel no qual estava escrito "sinceridade". A partir daí, inserem tudo o que lhes vier à mente na adoração a Deus, desde que seja algo sincero.

Outros ficaram com um recorte que continha a palavra "alegria". Estes se dedicam a forçar sorrisos e outras caretas para demonstrar a todos aquilo que eles entendem por tal palavra.

Há um grupo que ficou com a expressão "manifestações concretas". São aqueles que não consideram adoração quando não há o levantar das mãos, ou as lágrimas descendo pelo rosto. Quem não age assim é frio, um "sorvete espiritual".

Algumas pessoas ficaram com o papel do "intelecto". Lutam pra fazer uma dissociação entre razão e emoção, e não aceitam expressões emotivas de forma alguma na adoração. Qualquer sinal de aproximação do modelo "sentimental" é encarado como um terrível perigo.

Isto me lembra a história dos cegos tocando partes diferentes do elefante e tentando descrevê-lo a partir de suas perspectivas.

A adoração incompleta é perigosa por ser limitada, auto-suficiente, e anti-bíblica. O ato de adorar não é um fim em si mesmo. Ele é voltado para Deus, e deve ser como Deus ordena.

Seria uma boa começar a juntar os pedaços deste quebra-cabeça, para percebermos a bela imagem de uma adoração bíblica.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

CHARLIE BROWN E O ROMANTISMO*

O dia dos namorados é sempre fonte de surpresas. Nem sempre boas, é verdade, mas no mínimo interessantes. Aquele namorado frio e distante aproveita para expressar de alguma forma o seu amor. O marido apaixonado encontra mais uma maneira de conquistar a sua esposa. As mulheres desenvolvem a sua criatividade a níveis estratosféricos para celebrar a preciosidade de um dia dedicado ao amor. Suspiros para todos os lados, e um sorriso ingenuamente “bobinho” marcam aqueles que estão despertando agora para a paixão, curtindo o seu famoso “primeiro amor”.

Nada mais contextualizado do que pensar este doce momento, e tudo o que ele envolve, a partir das Escrituras, nossa regra de fé e prática (e por que não dizer de romance também?).

O dia dos namorados era sempre uma tragédia para o Charlie Brown. Romântico incurável, alimentava a esperança, ano após ano, de que “aquela garotinha ruiva” lhe enviasse um cartão. Enviava religiosamente suas cartinhas de amor, na expectativa de ser correspondido. Nada acontecia.

A decepção do Charlie pode ser a de muitos, mas uma de suas maiores lições está no reconhecimento do valor e da importância do romantismo, bem como a pureza de um relacionamento. Não podemos ir muito longe na análise do desenho, pois o Charlie não chegou a namorar a garotinha, mas a sua postura nos revela elementos interessantes, que podemos completar com o ensinamento bíblico.

Para o dono do Snoopy, a valorização do outro era algo importante. A criança apaixonada se preocupava com o objeto do seu amor. Mais do que isso, tal valorização pode ser percebida de suas ações concretas: cartas de amor, presentes (os tradicionais bombons de chocolate), e a observação constante para saber como a amada recebia tais demonstrações. Esta é uma ênfase bíblica. A valorização do outro é elemento importante nos relacionamentos. A ordem para os homens apaixonados, por exemplo, é que amem suas esposas e as valorizem como Cristo dá valor à Igreja.

O Charlie tem profunda esperança, e demonstra acreditar no amor. Enquanto tantas pessoas hoje colocam o amor à prova, e outras dizem que ele nada mais é do que uma palavra, o exemplo do desenho animado é uma forte resistência. O amor é real, e esta verdade é reafirmada pelas Escrituras. A marca do amor deve estar presente nos relacionamentos dos jovens namorados, dos noivos, dos que casaram há pouco, e daqueles que contam em décadas o seu tempo de casamento. Há esperança verdadeira, porque Deus dá a garantia de que o amor é real. Existe a possibilidade de nossos sonhos e expectativas relacionais serem realizados, conforme a vontade de Deus, porque o projeto do Senhor para o homem e a mulher é que eles estejam acompanhados um do outro.

A pureza nos namoros, noivados e relacionamentos precisa ganhar ênfase por ocasião destes dias (e em todas as outras épocas). Com a redução das pessoas a algo menos do que “humanas”, e a coisificação do corpo - o processo pelo qual o corpo do homem ou da mulher, se torna mero objeto, normalmente utilizado para o prazer d@ parceir@ - é de grande necessidade resgatar a mensagem sobre a pureza nos relacionamentos.

Não é somente pela AIDS, nem pelos índices de gravidez na adolescência. Não é pelo que vão falar na vizinhança ou na rua. Não é nem mesmo pelo que você pode sentir – culpa, arrependimento, etc. -, mas pelo projeto de Deus para o ser humano. A pureza faz parte do plano inicial para os relacionamentos, e assim, aqueles que não caminharem neste sentido, desvirtuam o sentido do seu namoro, noivado, casamento, pecam contra o Senhor, e perdem a possibilidade de satisfação real e prazer de verdade no exercício do amor.

Sejam estes dias de resgate do garoto Charlie Brown em nós. Dias para se viver romanticamente, com direito a flores, chocolate, poemas, e tudo aquilo que demonstra ser a outra pessoa especial, para que Deus seja glorificado no sucesso de relacionamentos verdadeiros.

Soli Deo Gloria.

*Editorial publicado no informativo de minha Igreja, relacionado ao contexto do dia dos namorados.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Como a esquina matou o romantismo

A esquina é o palco dos vagabundos. Adultos, jovens, adolescentes ou crianças curtem as esquinas das ruas, onde podem simplesmente não fazer nada. Ou quase nada. Eles vêem o tempo passar, comentam sobre as pessoas que passam por perto, contam piadas. O exercício da amizade é algo produtivo, mas isso não os torna menos vagabundos.
Pois bem, eu tive meus dias assim. Ficar na esquina com a galera logo após um jogo de futebol na rua era a melhor coisa do mundo.
Mas não era sobre uma experiência boa que eu queria escrever hoje.
Eu estava na esquina, com alguns conhecidos, homens e mulheres. Nada de especial, apenas era o fim de uma noite agradável, e estávamos nos despedindo ali, no teatro da vagabundagem. Com exceção de umas duas ou três pessoas, todos ali haviam se conhecido naquela exata noite. Foi quando eu subitamente virei o rosto, e contemplei o garoto beijar a adolescente com o ânimo de uma criança no parque de diversões. Não hesitou, não pensou duas vezes: "mandou ver".
Os dois estavam entre os que se conheceram naquela noite.
Enquanto nascia o beijo, morria o romantismo, e o que eu sabia sobre relacionamentos. A idéia de honrar e preservar o corpo desceu pelo esgoto. O processo de conhecimento e envolvimento que pode culminar no beijo foi simplesmente descartado.
Mas esta é a moda hoje. Não sei dizer se eles chamariam aquilo de ¨ficar¨, mas este é o termo normalmente utilizado.
Essa geração cibernética simplesmente caminha em uma velocidadade absurda. O próprio ¨ficar¨já possui as suas versões 2.0 ou 3.0. Antes o sujeito levava semanas na conversa com a mesma pessoa para lhe arrancar um beijo. Depois o beijo veio mais rápido, mas a ¨ficada¨ durava uma semana, pelo menos. Uma noite inteira foi a ¨evolução da coisa¨, e agora uns míseros segundos são suficientes para se ter o que quer do outro.
Mas o que se quer do outro? Eis a pergunta definitiva. Toda esta ¨pegação¨ contemporânea é a busca desenfreada por satisfação. Uma satisfaçao tão instantânea quanto a do alimento no microondas, mas também tão banal. É isto, entre outros fatores, que leva um jovem a se drogar. A busca pela satisfação, de preferência, imediata.
Assim foi anunciada a morte de um relacionamento saudável. Nasceu morto. Nasceu errado. Aqueles dois nem tinham certeza de quando se veriam de novo. Mas talvez isso não importasse realmente para eles.
O Senhor Jesus disse que fluiriam rios de água viva daqueles que cressem nEle. Isto é satisfação verdadeira e permanente. Um caudaloso rio que jorra ininterruptamente, produzindo paz, alegria, prazer em Deus.
Somente um relacionamento correto com o Pai pode suprir as necessidades desta geração desesperada pelo prazer. Mas a satisfação só pode vir, se o arrependimento e o choro iniciarem o processo.
Ñão deixe o romantismo morrer. Não deixe o seu corpo se perder. Não deixe a sua alma secar.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Abotoando o paletó


Um dos personagens mais feios de quadrinhos e desenhos animados é a morte. Apenas o esqueleto, o capuz preto e a foice. Alguns desenhistas tentam suavizar os traços para tornar o desenho menos assustador, mas o sucesso desta empreitada é questionável.

Quando eu era criança conheci um cara cujo apelido era "morte". Magro, como alguns ossos bem visíveis, e uma aparência estranha. O fato é que os seus amigos o achavam feio (talvez assustador), e não pensaram duas vezes: morte era o seu apelido.

Falei tudo isto pra indicar a ligação entre a morte e o espanto, ou a nossa rejeição deste evento (que tornou-se personalizado). Falamos da morte com uma reverência quase religiosa, um tom mórbido e expressão de pesar ou assombro.

Talvez isto seja coisa apenas de cidades maiores. No interior é diferente. Percebi tal discrepância na última viagem.

Os sujeitos mal começavam a conversar e logo o assunto morte era abordado. Vi isso acontecer "trocentas" vezes. Pensei, no início, que os moradores apenas queriam atualizar o meu pai e o resto de minha família sobre os acontecimentos da cidade. Mas depois de tanto ouvir falar em morte, vi que não era apenas uma questão de "atualização", mas um assunto corriqueiro, como qualquer outro.

Falar de morte no interior é como falar do tempo. Não há a reverência que conhecemos. Não há o espanto que sentimos. Pelo contrário: a naturalidade marca o diálogo sobre os mortos. "Lembra do Fulano? Morreu". "Semana passada um rapaz morreu. Suicidou-se". "A senhora da outra rua morreu ontem". Nem na hora da comida o povo pára de falar em morte.

Minha irmã notou isto faz tempo. Eu comecei a perceber. Minha mãe indicou uma chave para compreender isto: todos vivem a realidade da cidade. A morte de alguém é conhecida por todos, e a sucessão do evento o torna natural para os moradores. Pensei sobre isto e vi que faz sentido. Como nós nos fechamos nas cidades grandes e vivemos a realidade apenas de nossas casas ou comunidades mais restritas como ruas, turmas de faculdade, igrejas, etc., o evento morte demora mais para acontecer. Por isso, sempre que acontece, é um espanto.

Além destes pontos, e apesar deles, os cristãos possuem base para ver a morte sob outro prisma. Não se trata de apenas ficar acostumado com o "bater das botas", como acontece no interior, mas pensar e compreender este evento de maneira apropriada.

A morte tem um elemento negativo, pois é inserida na história da humanidade como punição pelo pecado (Rm.3.23). Por outro lado, o pecado daqueles que crêem em Cristo já foi expiado pela morte de Jesus (Rm.5.1). Assim, o cristão a observa como o elemento de transformação, quase um rito de passagem, que o levará ao Pai. Não significa a libertação do corpo, pois nós cremos na ressurreição dele (diferente do platonismo e gnosticismo). Embora produza saudades, ela é o encaminhamento de nossas almas a Deus. Se temos uma viva esperança, a morte é observada de maneira positiva.

Uma vez li um livro excelente sobre o assunto. Recomendo a todos: Surpreendido pelo sofrimento, de R. C. Sproul. Ele apresenta a idéia de morte como vocação. A leitura deste material pode mudar completamente a nossa noção do que é "abotoar o paletó".

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terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Preciso de ti, ou história de um retiro

Eu nem notei que ele havia adormecido. Aquele foi um dia agitado, com toda a empolgação que os retiros costumam ter. Tarde de esportes e tudo mais. Quando fomos tocar as músicas no louvor da noite, eu sabia que ficarmos sentados seria perigoso. A idéia de orar entre uma música e outra, ou qualquer outra coisa que nos fizesse fechar os olhos por mais de um minuto era pior ainda. E assim eu percebi que ele estava concentrado demais na oração. Tão centrado que, mesmo depois, ficou de olhos fechados. A próxima música pedia pra ser tocada. A igreja aguardava o início. Então o alertei: “Preciso de ti, cara!”. Ele quase não ouviu. Talvez estivesse sonhando com alguma coisa. Foi voltando aos poucos. “Preciso de ti” - repeti. Ele foi se recompondo lentamente, olhou para mim, e replicou: “eu também preciso de ti”. Fala sério. Eu estava dizendo o nome da música que deveríamos tocar, e ele achou que era algum tipo de declaração de fraternidade. “Não! A música!”. “Ah, tá!”. E assim começamos a tocar, pra depois sorrir bastante...